Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
Menu

IMPRENSA EM QUESTãO >

Sem internet, Obama perderia a eleição

Por Caio Tulio Costa e Caique Severo em 08/11/2008 na edição 510


A grega Arianna Huffington mostra no congresso da Web 2.0 porque tem um dos blogs mais influentes da política americana.


No painel ‘Web e Política’, no congresso de cúpula da Web 2.0, em São Francisco, Arianna Huffington, dona de um dos mais influentes blogs e sites sobre política, o The Huffington Post, afirmou que sem a internet Barack Obama não teria sido eleito.


Para Arianna, a internet matou a velha política de Karl Rove – o responsável pelas campanhas eleitorais de McCain e George W. Bush.


Sua fala poderia também ser traduzida assim: a internet matou os marqueteiros tradicionais de campanha eleitoral.


‘A campanha de McCain não tinha a menor idéia de como usar a internet’, afirmou ela. Foi além: ‘O problema da campanha republicana não era que o candidato era velho, mas que suas idéias eram velhas’.


A escritora e jornalista frisou que seis milhões de pessoas assistiram os 37 minutos do discurso do presidente-eleito dos Estados Unidos pela internet.


Joe Trippi, assessor de campanhas políticas, participante do mesmo painel, lembrou que Obama conseguiu que as pessoas assistissem via internet o total de 14,5 milhões de horas de seus vídeos de campanha. Isso equivaleria a US$ 45 milhões na aquisição de espaço na TV americana.


Distante, muito além


Outra conseqüência do impressionante impacto da internet nas eleições norte-americanas é a diminuição da dependência dos políticos em relação aos partidos tradicionais – principalmente dos dois que praticamente dividem os americanos, o partido Republicano e o Democrata.


O jornalista John Heileman, moderador do debate, aposta que o presidente eleito pode usar a rede de apoiadores que conseguiu montar pela internet para governar com mais independência inclusive em relação ao seu próprio partido, o Democrata.


Gavin Newsom, prefeito de São Francisco e quarto participante do painel, se disse obcecado pelo Facebook (rede social similar ao Orkut). Ele tem 11 mil ‘amigos’ no site.


Para Newson, hoje um político precisa ter muito cuidado com o que fala em público, pois tudo está sendo registrado pelas próprias pessoas. ‘Uma vez que está na internet, fica lá para sempre.’


Trippi, com experiência em várias campanhas, reconhece que as ferramentas da internet evoluíram muito nos últimos anos. ‘Há quatro anos, não tínhamos nem Google Maps.’ Acrescentou: ‘Nesta campanha era possível organizar grupos de apoiadores até pelo CEP deles’.


Tudo muito distante e muito além da política brasileira – que ainda proíbe políticos de terem qualquer coisa além de uma única página na internet em tempos de eleição.


Quem é Arianna


Arianna Huffington – forte sotaque grego, cabelos loiros de raiz escura com reflexo dourado, brincos grandes que parecem bijuteria de acrílico, colar de prata, casaqueto creme justo, camisa e pantalonas pretas, botas – era uma das presenças mais aguardadas no congresso de cúpula da Web 2.0.


Arianna é uma mulher grega. Mulher grega no sentido geográfico, não no sentido metafísico. Porque na velha Grécia as gregas não falavam em público e de forma desabusada como ela fala hoje.


As mulheres gregas orientavam os maridos sem aparecer. Arianna não orienta mais o marido rico e famoso com o qual se casou e lhe deu o sobrenome, porque se separou dele. Ela orienta os americanos. Em público. Via internet.


Com seu blog, Arianna impulsiona a política americana democrata, ou o que se pode chamar nos EUA de política ‘de esquerda’ – no Brasil seria algo próximo da política tucana.


Nasceu Ariánna Stassinópulos, em 1950, em Atenas. Completou 58 anos em julho passado. Estudou economia na Inglaterra. Em Londres, morou com um jornalista de televisão (Bernard Levin), o qual conheceu enquanto participante de um show de televisão, mas largou-o logo.


Mudou-se para Nova York em 1980. Na América, envolveu-se com grupos religiosos e com políticos democratas. Conheceu o milionário americano Michael Huffington e com ele se casou em 1986. Ele lhe deu o sobrenome que a tornou vitoriosa nos Estados Unidos.


Morou em Washington, onde trabalhou para o governo. Mudou-se para a Califórnia, onde está até hoje.


O marido, milionário e conservador, elegeu-se deputado pelo Partido Republicano e depois perdeu a eleição para o Senado. Ela se divorciou de Michael em 1997 – logo depois o marido revelou sua bissexualidade.


Na Wikipedia se diz que ela sabia das preferências sexuais do marido e que o contrato de divórcio lhe garante uma boa saúde financeira. Em todo caso, ela optou por conservar o sobrenome que lhe deu fama.


Ela é autora de 12 livros (como uma biografia de Maria Callas – obra pela qual foi acusada de plágio e depois inocentada), colunista (na National Review, por exemplo) e aclamada escritora de séries de TV.


Seu maior sucesso, no entanto, é o site The Huffington Post. Ali ela escreve diariamente e convida escritores de renome (renome nos EUA, é bom frisar) para escreverem blogs.


Arianna Huffington é uma das presenças inquestionáveis e obrigatórias na web americana de hoje. Em 2006, a revista Time incluiu-a na lista das cem personalidades mais influentes do mundo.


No seu post de sexta-feira (7/11), no entanto, ela está bastante comportada. Afirma que, além de Barack Obama, existe um segundo grande vencedor da eleição americana: a democracia. Porque 133 milhões de americanos foram às urnas, 11 milhões a mais do que em 2004.

******

Jornalistas, respectivamente presidente e diretor de conteúdo do iG

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem