Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > COBERTURA DO CASO RENAN

Senado é soberano, a imprensa também

Por Alberto Dines em 18/09/2007 na edição 451

Pode fazer o que bem entender – autodissolver-se, declarar vaga a presidência da República ou adotar procedimentos que atentem contra o Estado de Direito. O Senado pode tudo, até desmoralizar-se.


Foi exatamente isso que o presidente da Câmara Alta, Renan Calheiros, fez na terça (11) e quarta-feira (12/9) ao sepultar para sempre os detalhes da memorável sessão em que foi julgado e absolvido pelos pares.


Renan Calheiros não apenas impediu o acesso da imprensa ao plenário, mas tomou todas as precauções para que o episódio fosse varrido para sempre da história parlamentar brasileira.


Os recursos da sessão fechada e do voto secreto, embora imorais, são por enquanto legais. O ministro Ricardo Lewandowski é taxativo quando afirma que ‘o princípio da publicidade e da transparência são os núcleos da Constituição de 1988, são fundamentos do regime republicano’.


Questão secundária


Enquanto não se dirime a questão da transparência do Legislativo não se pode perder de vista o inédito black-out institucional acionado pelo senador Renan. O Senado representa a Federação e a Federação dos Estados Brasileiros tem o direito de saber, pelo menos a posteriori, como transcorreu aquela sessão.


Tem o direito de saber, mas não saberá: não foram feitos os registros taquigráficos e a sessão não foi gravada pela TV Senado. A disposição belicosa da guarda pretoriana do Senado incumbida de impedir a entrada dos deputados (autorizada pelo STF) dá uma idéia do clima dentro do bunker renansista, renanzista ou re-nazista.


Se o senador alagoano é inocente ou culpado tornou-se secundário. O painel eletrônico do Senado (aparentemente ainda imune ao controle da Mesa Diretora) registrou que a maioria dos senadores o absolveu no primeiro processo. Faltam outros dois.


Dia em branco


O que está em questão agora é o comportamento do chefe do Poder Legislativo ao refugiar-se num inédito apagão informativo e, assim, eliminar para sempre os registros do episódio. Com a história não se brinca, em algum momento ela dribla aqueles que pretenderam manipulá-la.


O Senado não terá a ata da sessão de 12 de setembro de 2007. Foi um dia que não existiu, um dia em branco, dominado pelo pavor à transparência. Mas nos jornais dos dias seguintes ficou o flagrante da pusilanimidade. A eles é que, no futuro, recorrerão os historiadores.


O Senado é soberano. A imprensa também.


 


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Todos os comentários

  1. Comentou em 07/07/2010 oscar Silbiger

    EMPRESA ETERNIZA EM LIVRO AS HISTÓRIAS DE EMPRESAS,
    DE FAMÍLIAS E ATÉ A RELAÇÃO COM ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO.

    Num país em que as pessoas não dão muito valor ao seu passado,
    uma empresa vem desenvolvendo um importante trabalho
    há quase 30 anos para mudar esta realidade. “Somos pioneiros no Brasil no desenvolvimento
    de biografias particulares”, explica o biógrafo Oscar Silbiger, 52 anos.

    Iniciada de uma forma inusitada e curiosa durante uma simples corrida de táxi em 1981,
    quando o motorista começou contar trechos da sua história de vida, lamentando que
    “nunca poderia publicar um livro porque não era uma pessoa famosa”,
    a trajetória do biógrafo acabou se misturando com as diversas e fascinantes trajetórias colocadas no papel.

    Hoje uma equipe de profissionais atende interessados de todo o país
    de forma personalizada, rápida e com custo acessível, realizando inclusive homenagens biográficas póstumas:
    “Nada melhor do que transformar em livro as lembranças e saudade deixadas por uma pessoa querida”, explica o Oscar,
    “assim o tempo não irá apagar os detalhes vividos,
    gerando um material com qualidade de livro de arte para ser apreciado sempre que for necessário,
    podendo ser produzido a partir de um exemplar”.

    Atualmente a Vida Escrita, empresa montada especialmente para desenvolver projetos biográficos,
    acabou por descobrir novas áreas para aplicar o seu trabalh

  2. Comentou em 04/11/2009 Ricardo Veiga

    Voces vão diponibilizá-los?

    ACHO Q PE BASTANTE DE INTERESSE PÚBLICO,

    eu gostaria de baixa-los… ou mesmo comprá-los.

    obrigado.

    aguardo.

  3. Comentou em 31/05/2009 Marcos Antonio Costa Costa

    Gostaria, depois do lançamento, comprar o livro A Batalha da Mídia. Depois do contato estabelecido, Combates e Utopia e os demais livros. Todos relatam assuntos que muito me interessa.

    Um abraço

  4. Comentou em 19/09/2007 Ivan Moraes

    ‘Senado é soberano, a imprensa também’: da pra colocar uma cueca que seja nessas duas marias antonietas peladas, por favor?

  5. Comentou em 19/09/2007 Ivan Moraes

    ‘Senado é soberano, a imprensa também’: da pra colocar uma cueca que seja nessas duas marias antonietas peladas, por favor?

  6. Comentou em 19/09/2007 Sâmia Melo

    Senhor Ubirajara, não compra mais nem jornais e nem revistas? Quer que a imprensa vá à bancarrota? A não ser que viaje constantemente para Brasília e que assista a todas as sessões parlamentares, não poderá mais saber o que se passa dentro de nosso Congresso. Quem é que lhe conta essas coisas?? Lamento informar, então pode se desligar do mundo que não lhe é imediato. Não se esqueça de que hoje, quando se fala em imprensa, abrange-se a mídia impressa e eletrônica, ou seja, rádio, televisão e internet também. O que Mahmoud Ahmadinejad planeja sobre os rumos da energia nuclear no Irã? Você só saberá se der um ‘pulinho’ ao outro lado do mundo, ou se algum amigo seu, em visita a tal país, lhe contar. Realço aqui que não creio, de forma alguma, em uma Imprensa Soberana, mas que, ao mesmo tempo, não se pode subestimá-la. Afinal, queiramos ou não, seja bom ou ruim, a nossa visão sobre o que não presenciamos diretamente é, em grande parte, construída pela mídia. Para os desiludidos, um consolo: ao menos nossa capacidade de raciocinar nos permite comparar um mesmo assunto tratado pela Veja e pela Carta Capital, por exemplo. São visões de um mesmo fato: são. Mas as construções são inevitavelmente diferentes. Melhor do que somente uma versão. Temos o livre arbítrio para acreditar em uma ou em outra. Ou até mesmo em nenhuma. Mas, nesse caso, é bom juntar um dinheirinho para as viagens…

  7. Comentou em 18/09/2007 Octavio Hollemberg

    Tenho para comigo que o Dines uma vez por semana, pelo menos, resolve escrever algo para provocar a indignação das pessoas de bom senso, normalmente confundidas e rotuladas de ‘lulo-petistas’ como disse alguém abaixo, o que no meu caso não corresponde à verdade, pois nunca votei no Lula, exclusão feita à eleição passada, já que não pude ignorar os 4 primeiros anos do bom governo do pt, rqazão pela qual resolvi dar um voto de confiança ao atual governo. Não vou contradizer o Dines quanto à imprensa ser ou não soberana. Acho, apenas, que ele deveria se reciclar, mudar o disco, lendo, por exemplo, o equilibrado e sensato texto do Luciano Martins Costa a respeito deste mesmo assunto, que parece ter captado com perfeição os sentimentos e as verdadeiras aspirações das pessoas sobre o caso Renan.

  8. Comentou em 18/09/2007 Octavio Hollemberg

    Tenho para comigo que o Dines uma vez por semana, pelo menos, resolve escrever algo para provocar a indignação das pessoas de bom senso, normalmente confundidas e rotuladas de ‘lulo-petistas’ como disse alguém abaixo, o que no meu caso não corresponde à verdade, pois nunca votei no Lula, exclusão feita à eleição passada, já que não pude ignorar os 4 primeiros anos do bom governo do pt, rqazão pela qual resolvi dar um voto de confiança ao atual governo. Não vou contradizer o Dines quanto à imprensa ser ou não soberana. Acho, apenas, que ele deveria se reciclar, mudar o disco, lendo, por exemplo, o equilibrado e sensato texto do Luciano Martins Costa a respeito deste mesmo assunto, que parece ter captado com perfeição os sentimentos e as verdadeiras aspirações das pessoas sobre o caso Renan.

  9. Comentou em 18/09/2007 Paulo Bandarra

    Pela nova teoria do exercício do poder, a imprensa deveria ter se calado (quem não lembra as páginas cobertas de tinta preta da censura que me desdiga) frente a soberania do regime militar! Afinal, eles eram também soberanos! Color também deveria não ter sido julgado, afinal, fez muito menos do que a turma no poder hoje! E a imprensa americana deve se render a soberania do poder do Presidente eleito democraticamente. E não deveria ter denunciado Cacciola, afinal o presidente do Banco Central era soberano! Felizmente estes observadores de observadores são a minoria que nem sustentam uma revista! A revista Chapa Branca de apoio a lulismo! Viva a imprensa desde a Revolução Francesa! Não aceitou que Luiz XVI fosse soberano intocável!

  10. Comentou em 18/09/2007 Marco Antônio Leite

    O Senado federal é um órgão no qual os senadores brincam de fazer política, paa sofismar para o povo, dizendo que houve melhoras nas condições de vida daqueles que pôr ironia e imposição da lei, são os que elegem essa camorra de elementos despreparados para exercer cargos dessa magnitude. O que temos presenciado no cotidiano são somente escândalos de desvios de conduta e corrupção aos borbotões que rolam nas dependências daquela instituição dita ‘democrática’. Enquanto aqui em baixo, o zé-povinho não encontra forças para mudar ou reverter esse quadro de balbúrdia ora instalado no Congresso Federal. Lá todos os acordos são acertados na calada da noite, sem ao menos darem satisfações a população, a qual vê, ouve, porém nada pode fazer. A não ser, como sempre atuar como bobo da corte.

  11. Comentou em 18/09/2007 paulo cesar martins

    um renan nao vale nada… um jornalista duas vezes mais…

  12. Comentou em 18/09/2007 Maria Izabel Ladeira Silva Silva

    Se o senador é inocente ou culpado tornou-se secundario???? Não. Não tornou-se secundario não! Continua relevante. Desde que ele, o senador, NÃO seja julgado e condenado nas redações de jornais e emissoras de TVs! Seu Dines, deixe que as instituições funcionem e amadureçam … Quem define as regras de votações do Senado é o Senado, e não o senhor, nem a ‘opinião publica’ do senhor! Eu fico imaginando quem sará a proxima vitima (isso mesmo: vitima) da sanha vingadora da Imprensa??? Alguém da base governista. Elementar meu caro Watson!! Vou abrir um bolão de apostas …

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