Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

IMPRENSA EM QUESTãO > BARACK OBAMA NO BRASIL

Sobre protocolos e capoeira

Por Luciano Martins Costa em 21/03/2011 na edição 633

A cobertura da visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil só alcançou um padrão próximo do da imprensa americana e européia na segunda-feira (21/3), depois de avaliados os discursos oficiais e o comportamento de Barack Obama e sua família na sua primeira viagem ao Brasil.


Os jornais brasileiros não apostaram o suficiente no fato de que Obama tenha mantido a agenda apesar do agravamento da crise no mundo árabe.


Embora as manchetes tenham refletido o esforço dos jornalistas para identificar alguma novidade concreta nos discursos, declarações e comportamento do visitante ilustre, a informação que ficará para a História é a de que Barack Obama decidiu autorizar os ataques ao exército de Muamar Kadafi durante sua viagem ao Brasil.


Ou seja, o Brasil foi um acidente geográfico no seu caminho.


Ginga e ritmo


O enredo mais importante desse trecho da História está acontecendo no Norte da África e no Oriente Médio, não no Brasil. A concessão de uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, que está virando uma obsessão por aqui, não seria anunciada, sugerida ou analisada numa visita protocolar como a que foi feita por Obama.


Como destacaram alguns analistas no fim de semana, Obama veio reforçar os laços comerciais com o Brasil, marcar presença contra a crescente influência da China na região e afagar o ego nacional.


O esforço por detectar algum sinal de apoio à pretensão brasileira e as maquinações mentais para vislumbrar elementos estratégicos nas palavras do presidente americano são apenas parte do trabalho diário do jornalista, que precisa sempre convencer o leitor de que o mais relevante é aquilo que está publicado. Mas faltou, por exemplo, esclarecer os objetivos e o alcance dos nove acordos bilaterais assinados na parte oficial da visita.


A julgar pelas fotografias publicadas pelos jornais, a imagem do Brasil que mais parece ter impressionado Barack e Michele Obama foi a do menino fazendo acrobacias de capoeira numa demonstração que lhe prepararam na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.


Mais uma vez, a ginga, o ritmo e a dança fazem a marca do país que quer ser visto como igual entre os grandes.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/03/2011 Max Suel

    Fui ao G1 e copiei: ‘O ministro Aloizio Mercadante reclamou muito, mas acabou passando pela revista junto com seus colegas de ministério. Mantega chegou a comentar que nem em viagens internacionais tinha passado por tal constrangimento.
    Quando chegaram ao auditório e viram que o presidente da seção americana do Conselho Empresarial Brasil-EUA, John Faraci, simplesmente subiu ao palco e começou a falar em inglês, o clima que já não estava bom entre os ministros piorou.
    Sem ter recebido aparelho de tradução simultânea, Mantega, Mercadante, Lobão e Pimentel simplesmente levantaram e foram embora. Eis aí Sr. Alexandre / biólogo, comprovando o que eu escrevi. A humilhação dos ministros foi grande, e a altivez minúscula. Já não se fazem Rui Barbosas como antigamente. (ah esses petistas …)

  2. Comentou em 22/03/2011 Alexandre Carlos Aguiar

    O jovem Maquisuel aí deve ter dormido nesta parte e não viu o resto da reportagem. Ainda dá tempo, vá no G1 e procure nos arquivos. Em relação à visita do dignissímo representante do império, nada diferente do que já se viu ou ouviu. Ou alguém esperava que o sujeito fosse ao Engenhão e desse o pontapé inicial do clássico carioca, ou vestisse uma sunga e fosse tomar sol em Ipanema. Tem gente que precisa deixar o complexo de vira-latas de lado.

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