Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 6 E 7/01

Terra Magazine

09/01/2007 na edição 415

TELEVISÃO
Márcio Alemão

Estás a seguir a minissérie ‘Amazônia’?, 8/01/07

‘Ainda não me cativou a minissérie ‘Amazônia’.

Posso entender a estratégia. Mostrar, pelo menos no início, grandes, enormes, fabulosos planos que não deixem dúvida a respeito do grande, enorme, fabuloso investimento de produção.

Produção, diga-se, impecável.

E quem, alguma vez, tentou filmar qualquer coisa, um video de batizado que fosse ou um tatu-bola em seu ritual de acasalamento, no meio da mata, sabe que o trabalho de toda a equipe de ‘Amazônia’ pode ser considerado hercúleo.

Posso até ouvir minha avó, minhas tias, se vivas fossem, exclamando a cada colossal movimento das colossais gruas: ‘Que beleza, filho! Quanto luxo! Essa peça vai valer a pena seguir.’

Impressiona mesmo. Impressiona e, no meu caso, aborrece ligeiramente. Tudo se arrasta. No primeiro capítulo cheguei a ficar bem mal impressionado com a edição. Sempre, sempre e sempre, alguns segundos sobravam. Sequência marcante: no teatro de Manaus, Débora Bloch, no camarote, descobre José Wilker na platéia. Ela lança o olhar, fica na dúvida, olha mais uma vez. E mais uma e mais uma e muitas mais. Voltei a pensar em minha avó. Levantou-se e foi preparar uma polenta na cozinha. De lá, perguntava para minha tia:

– E aí, Emília? O que aconteceu? – A Débora continua a olhar para o Wilker.

A água da polenta começa a ferver, minha avó vai jogando o fubá em chuva.

– E agora, Emília?

– A Débora continua olhando para o Wilker e para a ópera.

– Maria Vergine! Já olhou mais de cem vezes.

– Olhou de novo. Cento e uma vezes.

E a danada da Vera Fisher continua linda. Tenho, admito, uma enorme dificuldade em achar natural suas falas ditas na segunda pessoa. Sendo franco, são bem poucos os atores que conseguem. Muitos me lembram maus contadores de anedotas de português.

Gosto do Jackson Antunes e tenho uma certeza a respeito dele. Um dia qualquer irei conhecê-lo. Irei à sua casa e lá o encontrarei, com o mesmo figurino que tem usado em todas as novelas e séries de que participou.

Lembrei-me agora de um amigo que jurava que a avó dele tinha certeza que as novelas eram uma trama que nunca terminava. Uma história sem fim. O Jackson deve ter contribuído para o fortalecimento dessa percepção.

Vamos aguardar os próximos capítulos. Vamos ver se serei capturado pela trama. Por ora, milhões de cumprimentos ao fabuloso trabalho.

Márcio Alemão é publicitário, roteirista, colunista de gastronomia da revista Carta Capital, síndico de seu prédio, pai, filho e esposo exemplar.

Fale com Márcio Alemão: marcio.alemao@terra.com.br’

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