Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Tiago Dória

10/08/2010 na edição 602

COMUNICAÇÃO
Tiago Dória

Estamos matando os telefonemas

Quantas vezes você deixou de fazer uma ligação de telefone e acabou, no final das contas, enviando um scrap, email ou tweet?

Na última edição da Wired, o articulista Clive Thompson bateu o martelo. Os telefonemas estão morrendo. As pessoas fazem cada vez menos ligações telefônicas em troca de utilizar serviços de SMS e mensagens em plataformas de redes sociais.

O colunista toma como base pesquisa da Nielsen indicativa de que não somente a quantidade, mas o tempo das ligações tem diminuído a cada ano, depois de atingir um pico em 2007.

Thompson faz uma análise interessante sobre a mudança de comportamento. Mas vale ir além.

Além de uma mudança de comportamento, acredito que esse movimento mostra algo mais – em qual barco estão as plataformas de redes sociais.

Ligações telefônicas e redes sociais têm o mesmo DNA – são tecnologias/ferramentas de comunicação. Elas estão no mesmo negócio – conectar pessoas.

Comentei isso uma vez aqui, no blog, redes sociais estão mais para ferramentas de comunicação do que propriamente plataformas de mídia.

Você não utiliza um telefone por causa do conteúdo, mas pelo motivo de existir uma pessoa do outro lado. Pela simples razão de que ele conecta você a outra pessoa.

Da mesma forma, primeiramente, as pessoas estão nas redes sociais pelo motivo de poderem se conectar a outras e não por causa do conteúdo. De nada adianta publicar um vídeo no Facebook se não há ninguém para assistir e comentar. Sem as pessoas conectadas o ‘conteúdo do telefone’ ou o do Facebook não tem valor.

Parece um detalhe conceitual, mas ter noção disso pesa bastante na hora de formular uma estratégia ou estudar as redes sociais. Percebe-se que, atualmente, ainda existe a mentalidade de ver as redes sociais como plataformas de mídia, como veículo, como se o tipo de conteúdo compartilhado e não a ligação entre as pessoas fosse o mais importante.

Historicamente, ferramentas de comunicação geram melhor receita por meio de serviços e funcionalidades a mais, e não por meio de publicidade, pelo simples motivo de que os anúncios soam intrusivos neste tipo de produto/tecnologia. Imagine a situação, você está conversando com uma pessoa ao telefone e de repente a conversa é suspensa para entrar um anúncio. Ou uma ligação de telefone se encerra ou começa sempre com uma propaganda.

Não é sem motivos que tentativas de inserir propagandas nas redes sociais, como se fossem intervalos comerciais, nunca funcionaram muito bem (o que faz todo sentido, o Facebook é bem mais um telefone do que uma CNN. A expectativa é outra).

Se as redes sociais estão substituindo as ligações telefônicas, bem ou mal, é por que, de forma tão ou mais eficiente, conectam as pessoas e permitem uma comunicação sem intrusão, assim como a tecnologia de telefonema tem feito há tanto tempo.

Atualização às 17h50 – Por coincidência, a Telefônica, operadora de telefonia, anunciou nesta quarta-feira a compra da rede social Tuenti, bastante utilizada na Espanha.

 

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