Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

TVs tentam anular efeitos do horário de verão

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 14/10/2008 na edição 507

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 13 de outubro de 2008


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TVs tentam neutralizar horário de verão


‘Globo, Record e SBT articularam um forte movimento para tentar, nesta semana, anular os efeitos do horário de verão na classificação indicativa.


O próximo horário de verão, que começa sábado, será o primeiro sob a vigência de portaria do Ministério da Justiça que obriga as redes a cumprirem a classificação indicativa nos Estados com fusos diferentes do de Brasília. O Nordeste ficará uma hora defasado em relação ao Sudeste. Estados como Amazonas e o Mato Grosso ficarão duas horas defasados.


Na semana passada, as emissoras fizeram consultas aos ministérios das Minas e Energia e da Justiça questionando se horário de verão é diferente de fuso horário. Se a resposta for sim, elas ficarão desobrigadas de cumprir a classificação indicativa integralmente.


Segundo a Abert, entidade que congrega Globo, SBT e Record, amanhã as redes apresentarão estudos sobre os impactos que o horário de verão terá em suas programações.


A Globo e a Record terão sérios problemas. Classificada como imprópria para menores de 12 anos, inadequada antes das 20h, ‘Os Mutantes’ (Record) passará a entrar em parte do Norte às 19h. A Globo já tem uma grade especial para os Estados com fuso de -1h (que passarão a -2h), então não enfrentará novas dificuldades agora. Mas terá quando estrear ‘Big Brother Brasil’, impróprio para menores de 16 anos (22h).


SELEÇÃO


A Record vai selecionar jovens atores que cantam e dançam para formar a banda da versão brasileira da novela ‘Rebelde’, que estreará em março. Segundo Hiran Silveira, diretor de teledramaturgia, a RBD brasileira será composta por rostos inéditos na televisão.


VALE A PENA?


O ‘Programa da Tarde’ virou um programa de reprises da Record. Na semana passada, exibiu quadros do ‘Tudo É Possível’, de Eliana, e episódios do reality show ‘Mudando de Vida’ e de sua paródia por Tom Cavalcante. A audiência subiu.


É PLÁGIO


O site do SBT é igualzinho ao da rede americana CBS. Só trocaram as palavras e fotografias. A emissora brasileira diz que ‘é pura coincidência’.


DIAGNÓSTICO 1


Em seu blog, Milton Neves acusou a torcida do Grêmio de protestar contra ‘Terceiro Tempo’ à campanha ‘Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania’. Essas reclamações, segundo o apresentador, fizeram com que o programa da Band aparecesse no topo do 15º ranking da baixaria, divulgado na semana passada.


DIAGNÓSTICO 2


Gremistas teriam reagido a uma entrevista em que Neves afirmou que o clube gaúcho perderia para o rival Inter.


CICLO


Os canais VH1 e MTV Hits, já distribuídos por Sky, Net e Telefônica, passam a integrar o line-up da TVA a partir do dia 29. Assim, os canais da Viacom estarão disponíveis em todas as grandes e médias operadoras.’


 


 


CAMPANHA
Celso Pitta


Pingos nos is…


‘MAL TERMINOU a apuração dos votos do primeiro turno para prefeito e a velha cantilena do PT de que em 2001 assumiu o governo municipal em condições caóticas volta a ser declaradamente a tônica do seu discurso para a campanha do segundo turno.


Trata-se de uma estratégia de marketing político desgastada e completamente ineficaz se o objetivo é angariar votos, pois, já testada nas eleições municipais de 2004, só contribuiu para levar a sigla para mais uma derrota em São Paulo.


Isso ocorreu, e provavelmente se repetirá, por duas razões.


Primeiro, porque carece de fundamento. Dados do Balanço Anual da Prefeitura de 2000 registram um superávit orçamentário de R$ 1,9 bilhão, que, já no primeiro mês da nova administração, produziu um saldo de caixa de R$ 504 milhões, que se elevou progressivamente nos meses seguintes até alcançar a cifra de R$ 1,1 bilhão.


E mais, a pesada e histórica dívida com a União fora renegociada com prazo de pagamento de 30 anos, juros de 6% ao ano mais correção monetária e um teto máximo de comprometimento da receita de 13% para o pagamento da amortização e dos juros.


Com isso, viabilizou-se o planejamento da cidade, livrando-a do pesado ônus financeiro e político que as administrações até então carregavam e que as obrigavam a viver de joelhos perante a União, de cuja boa vontade se dependia sempre para as autorizações semestrais de rolagem.


Tudo isso foi conseguido a duras penas, num contexto o mais adverso imaginável, com a economia estagnada -o crescimento do PIB em 1998 estava zerado, e o de 1999 foi de 0,3%- e com um quadro político de oposição do governo federal que não liberava financiamentos contratados e, inclusive, cortava as verbas para a saúde do SUS, cerca de R$ 400 milhões por ano, sob a alegação de que o sistema de cooperativas e parcerias adotado pela municipalidade e recentemente reintroduzido não se enquadrava nas suas normas.


Hoje, se existe debate sobre quantos quilômetros de corredores de ônibus serão implantados, quantos hospitais serão construídos ou, ainda, de quanto será o cheque que a prefeitura vai emitir para o Metrô, é porque há dinheiro. Se esse dinheiro existe, é porque lá atrás foi feito um imenso trabalho de saneamento financeiro a um custo político altíssimo, é verdade, mas que desde então vem beneficiando as administrações que sucederam a minha.


Em segundo lugar, a estratégia de atacar outra administração, na tentativa de justificar a própria inoperância, desagrada ao eleitor que não está interessado no passado, mas, sim, na solução dos problemas da cidade.


Os ataques se tornam, ainda, bizarros quando sua tônica passa a ser o comportamento ético e a existência de denúncias de corrupção, pois partem de quem está na ‘lista suja’ da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e omitem a informação de que 21 ações públicas e de improbidade movidas contra a minha administração foram arquivadas ou extintas. As poucas que não tiveram esse encaminhamento estão em andamento ou em fase de recurso.


Entretanto, defendo ser sempre saudável a comparação entre duas administrações, mesmo se uma, ao contrário da outra, teve o total apoio do governo federal, que liberou financiamentos do BNDES para o término do Fura-Fila e novos corredores de transporte, além do aval da União para financiamento do BID para o projeto de revitalização do centro, ambos firmados na minha gestão por ocasião da negociação da dívida.


Mas, nesse sentido, a revista ‘Veja São Paulo’, edição de 20/10/04, publicou uma avaliação das duas administrações. Agora, surpreendam-se com o resultado: das 17 áreas pesquisadas, a gestão Pitta saiu-se melhor ou igual em 11 delas, com destaque para contas públicas, funcionalismo público, gastos com publicidade, impostos, lixo, poluição visual e trânsito. Como se vê, já passou da hora de colocar os pingos nos is…


CELSO PITTA é economista e ex-prefeito de São Paulo (1997-2000). Foi secretário das Finanças do município de São Paulo (gestão Paulo Maluf).’


 


 


Laura Mattos, Catia Seabra e Conrado Corsalette


Marta explora vida pessoal de Kassab, que recorre à Justiça


‘Marta Suplicy estreou o horário eleitoral do segundo turno com insinuações a respeito da vida privada de seu adversário, Gilberto Kassab (DEM), que está 17 pontos à frente da petista na disputa paulistana, segundo o Datafolha. Na televisão e no rádio, um locutor disse que o eleitor deveria saber se ele é casado e se tem filhos.


A coordenação da campanha do democrata afirmou ontem à Folha ter acionado a Justiça Eleitoral para tentar proibir a propaganda, que taxou de ‘lamentável e de baixo nível’.


Na TV, a insinuação se deu em comerciais, na qual um locutor faz várias perguntas. ‘Você sabe mesmo quem é o Kassab? Sabe de onde ele veio? Qual a história do seu partido?…’ Por fim, quando surge a foto do prefeito, a propaganda encerra com as questões: ‘Sabe se ele é casado? Tem filhos?’


No rádio, texto semelhante fez parte do programa de Marta -que já criticou a exploração de sua vida pessoal, especialmente quando se separou de Eduardo Suplicy e se casou com Luís Favre.


Outro comercial de TV critica o passado político de Kassab e encerra com a questão: ‘Será que ele esconde mais coisas?’


Antes do debate da Band, ontem, a Folha perguntou a Marta se a propaganda não era contraditória com a sua biografia. ‘O que você está querendo insinuar?’, rebateu a petista. ‘São direitos de informação que todo mundo tem que ter’, completou a candidata.


Marqueteiros do DEM vão submeter o trecho a pesquisas qualitativas com eleitores. A avaliação é a de que Kassab não deverá ser prejudicado e não deve responder ao ataque.


A propaganda elevou a tensão no dia do primeiro debate do segundo turno, ontem à noite, na Band. Democratas acreditam que o objetivo tenha sido deixar Kassab desestabilizado.


Segundo a Folha apurou, o prefeito se preparou para entrar no assunto quando for questionado. A resposta é que não se casou porque não houve oportunidade e também porque a vida pública tomou uma proporção que deixaria uma vida familiar em segundo plano.


Coordenador da campanha de Marta, Carlos Zarattini disse que a propaganda ‘não é um questionamento em relação à vida pessoal’ de Kassab. ‘A intenção da campanha é fazer com que as pessoas se interroguem sobre quem é Kassab do ponto vista político’, afirmou.


Ao ser questionado pela Folha sobre a relevância de saber, do ponto de vista político, se é casado e tem filhos, Zarattini disse ser ‘um conjunto de informações que as pessoas não têm’. A estratégia de ataque pessoal contraria alguns membros da campanha petista.’


 


 


ELOGIO
Painel do Leitor


Saúde


‘‘Parabéns à Folha pela iniciativa sensata de abrigar numa seção as reportagens sobre saúde. Há muito venho observando as transformações do jornal e sempre para melhor. Gostaria que houvesse uma ampla reportagem sobre saúde ocupacional, pois faltam informações ao empregador sobre a atual legislação a que eles estão sujeitos (programas, direitos, multas pelo não cumprimento etc.).’


BIBIANO RIBEIRO GONÇALVES JR. (Votuporanga, SP)’


 


 


BATE BOLA
Painel do Leitor


Luxemburgo e Kfouri


‘‘Numa extensa carta (‘Painel do Leitor’, 11/10), embora vazia de argumentos, o afamado e polêmico técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo ataca o jornalista Juca Kfouri. Acusa-o de ‘abutre’. Pois bem: em minha opinião, a crônica esportiva no país deveria ter mais ‘abutres’ da qualidade de Juca Kfouri -jornalista que não se omite na denúncia contra freqüentes falcatruas e cambalachos existentes no futebol brasileiro.’


CAIO NAVARRO DE TOLEDO (Campinas, SP)


***


‘Parabéns à Folha por publicar pela primeira vez carta que, em poucas palavras, retrata o mau caráter e a péssima índole de seu ‘colunista’ Juca Kfouri. De fato leviano -’atua de forma dissimulada, através de frases dúbias’-, esse senhor denigre e compromete a imagem do maior jornal do país sempre que escreve. Às pessoas das quais discorda, ele reserva apenas seu rancor sem medidas. Há muito Kfouri deixou de ser jornalista para se tornar uma ‘candinha’ inconseqüente.’


EDGARD SOARES (São Paulo, SP)’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Outros atores


‘A manchete on-line do ‘Financial Times’, à noite, ressaltava a corrida em Washington, Londres e agora de toda a União Européia para nacionalizar ‘parte’ dos maiores bancos privados do Ocidente.


Antes, as manchetes de papel do ‘Washington Post’ ao indiano ‘The Hindu’ ressaltavam os novos atores globais, no caso, o G20 financeiro com ‘gigantes emergentes como China e Brasil’ e foi ‘presidido pelo ministro das finanças do Brasil’. No ‘WP’, ‘Líderes mundiais oferecem unidade, mas sem dar passos para conter a crise’. No ‘Hindu’, ‘G20 promete estabilizar mercados’ e ‘usar todas as armas’. A agência Xinhua sublinhava ‘Por que o G20 se mostra vital na crise global’, dizendo ser a ponte entre ricos e emergentes. Pelo G20, por todo lado, falou Guido Mantega.


NA LINHA DE TIRO


Por outro lado, ‘New York Times’, ‘Telegraph’ e o site da ‘Forbes’ avaliaram os emergentes como mercado. O primeiro sublinha que, de exportadores de commodities como o Brasil a importadores como a China, em todos os investidores vêm perdendo. Eles estão ‘na linha de tiro’.


‘OPORTUNIDADES’


Mas o site Market Watch, vinculado ao ‘Wall Street Journal’, e outros fecharam a semana com Mark Mobius, investidor de referência nos emergentes, dizendo que ‘o prognóstico é bom’, apesar do ‘irracionalismo’ corrente, pois as ações dos Brics estão agora em nível muito baixo.


IRRIGANDO O MERCADO


No topo das buscas de Brasil pelo Yahoo News, a Bloomberg, site e TV, entrevistou o presidente do BNDES -que previu R$ 1,9 por dólar ‘nas próximas semanas’, mantendo ‘a competitividade dos exportadores do país’.


Já o ‘Valor’ fechou a semana anunciando que o governo ‘estima gastar US$ 20 bilhões das reservas’ para ‘irrigar o mercado de câmbio’. Antes, o jornal soltou análise avisando que o ‘mercado não quer dólar. Quer especular’.


‘MORTEM!’


Os colunistas Frank Rich (ilustração à dir.) e Maureen Dowd, ontem no ‘NYT’, abriram fogo contra John McCain e Sarah Palin pelo ataque sem fim ao ‘caráter’ de Barack Obama, tanto em comerciais como discursos. Eles têm levado multidões a gritos de ‘terrorista!’ ou ‘matem-no!’, diante dos candidatos republicanos.


Rich lembrou Abraham Lincoln e Martin Luther King, ambos assassinados. Dowd, com ajuda de um professor, fez uma paródia em latim e inglês de ‘A Guerra da Gália’, de Júlio César, ironizando os ataques republicanos que levam aos gritos, escreve ela, de ‘Mortem!’, ‘Bomba Obamam!’, ‘Amator terroris!’.


Mas o Gallup mostra que a vantagem do democrata já caiu quatro pontos. E o republicano diz que vai continuar.


EM MODO DE DESTRUIÇÃO


Gilberto Kassab, neste segundo turno, chegou a falar em ‘dona Marta’, mas já trata de evitar. Já Marta Suplicy perde o controle e, por locutor, marca o seu retorno ao horário eleitoral com uma insinuação contra a vida pessoal do prefeito, em mais de um comercial.


Em desespero como John McCain, a petista apela às emoções mais baixas do eleitorado, contra décadas de sua própria vida pública. Segue Karl Rove, o marqueteiro republicano que veio a simbolizar -e depois espalhar- a estratégia de destruição de ‘caráter’, que decidiu as últimas eleições nos EUA.


LULA VS. SERRA


Fora dos comerciais, Marta apelou a Lula e Kassab a José Serra, como antes. No mais das vezes, foi o que portais e sites deram, da propaganda. Pouco ou nada do comercial.


POR QUÊ?


Kennedy Alencar postou ‘por que Marta vai perder’, segundo Lula. Em ‘conversas reservadas’, é ‘porque deixou de fazer aliança com PMDB’. Que quer para Dilma Roussef.


OUTRO LADO


Enquanto Marta se perdia no preconceito eleitoral, o também petista Carlos Minc surgia ontem com o governador do Rio, do PMDB, na Parada Gay destacada pelo G1′


 


 


ACADEMIA
Rafael Garcia


Pivô de crise na Física da USP assinou artigo com plágio


‘O físico Mahir Hussein, professor da USP que teve artigos plagiados por um grupo que incluía colegas seus do Instituto de Física, também assinou um trabalho com trechos copiados.


Alvo de uma sindicância aberta no instituto para apurar o novo caso, Hussein disse à Folha que reconhece haver cópia no trabalho, publicado em 1999 na revista ‘Physical Review C’. Mas diz que as passagens plagiadas foram redigidas por outros autores do estudo.


Iraquiano naturalizado brasileiro, Hussein foi o pivô da controvérsia que envolveu os físicos Alejandro Szanto de Toledo, diretor do Instituto de Física, e Nelson Carlin Filho. Os dois assinaram um estudo com trechos copiados de um artigo de Hussein e foram punidos em setembro pela Reitoria da USP com uma advertência. Depois disso, Carlin, que era vice-diretor da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), demitiu-se do cargo.


Hussein reconheceu que também há plágio em seu trabalho, escrito em parceria com o físico Arthur Kerman, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, e outros colaboradores.


‘O artigo foi escrito por várias pessoas e, infelizmente, a parte que nem eu nem o professor Kerman escrevemos fugiu do nosso controle; foi realmente plagiada de outros artigos’, disse Hussein. ‘Isso não quer dizer que eu não assuma a responsabilidade. Considero o caso do meu artigo extremamente sério e preciso resolver isso o mais rápido possível.’


Um troca de e-mails obtida pela Folha revela que o próprio Hussein já entrou em contato a ‘Physical Review C’ e está negociando a anulação do artigo. Os quatro trabalhos copiados desta vez eram em sua maior parte assinados por físicos nucleares russos.


Até os cubanos


Hussein diz que já falou com alguns dos outros autores do trabalho para apurar o caso, mas não conseguiu localizar dois deles -Fernando Guzmán e Oscar Rodríguez, do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia Nucleares, de Havana. ‘Quase com certeza absoluta foram os cubanos que fizeram isso, e passou despercebido por mim’, diz o físico da USP.


A reportagem não conseguiu localizar Guzmán e Rodríguez. Seus e-mails não funcionam, o site do instituto está desativado e ninguém atendia ao telefone da entidade na sexta-feira.


Os trechos plagiados no artigo de Hussein foram revelados ainda no ano passado por Szanto, que encaminhou um documento à reitoria da USP ‘para averiguação e abertura de sindicância, se couber’. O diretor do Instituto de Física, que nunca admitiu ter plagiado Hussein, diz no documento que o iraquiano, ‘por engano, deve ter se esquecido de referenciar’ o trabalho copiado.


‘Retaliação’


‘É evidente que isso foi uma coisa feita por ele [Szanto] como um ato de retaliação, para dizer que não é só ele quem faz isso’, diz Hussein. Recém-aposentado, ele também trava uma disputa burocrática contra a diretoria do IF (Instituto de Física) para conseguir uma sala onde possa permanecer na USP como professor colaborador.


Um grupo de colegas de Hussein tem saído em sua defesa, acusando Szanto de tentar intimidar outros físicos do IF para abafar o caso. Ouvidos pela Folha, porém, alguns desses docentes reconhecem que o novo caso requer apuração com o mesmo rigor.


Desde abril de 2007, quando o primeiro artigo plagiado foi revelado, o IF está em crise política. Trocas de acusações têm sido relatadas em documentos à reitoria, e professores do grupo que se opõe a Szanto já receberam advertências éticas por sugerirem que o diretor pratique assédio moral. Eles pedem sua demissão da diretoria do IF e do conselho curativo da Fuvest, do qual é membro.


Szanto nega responsabilidade pelo plágio. Em 2007, disse que a motivação das denúncias era política, mas não deu mais entrevistas depois disso.’


 


 


POLÊMICA
Silvana Arantes


Tira ou não tira?


‘Todo mundo tem uma opinião sobre o manifesto contra a nudez no cinema e na TV, apresentado pelo ator Pedro Cardoso, na quarta-feira passada, no Festival do Rio.


Desde que ele afirmou -antes da sessão do filme ‘Todo Mundo Tem Problemas Sexuais’, de Domingos de Oliveira- que a nudez ‘impede a comédia e o próprio ato de representar’ e que ela vem sendo usada como recurso ‘para atrair público’, o tema alimenta conversas entre atores, atrizes e diretores.


‘Representar é se colocar nu. Essa postura de ator que renega o corpo me assusta. Achei tão moralista, tão absurda. É uma coisa retrógrada que, num certo sentido, avaliza a censura’, diz o cineasta Carlos Reichenbach (‘Garotas do ABC’, ‘Falsa Loura’), em cujos filmes a nudez é comum.


‘Conheço bem o Pedro Cardoso. Ele não é um moralista. A questão dele é política e trabalhista. Ele reclama da nudez como um apelo para ganhar dinheiro’, afirma o cineasta Jorge Furtado, que dirigiu Cardoso em ‘O Homem que Copiava’, no qual a personagem de Luana Piovani faz um strip-tease para o de Cardoso.


A cena é mostrada do ponto de vista de Luana. Ou seja, o que o espectador vê é a reação de Cardoso. ‘Aquele strip não precisa ser mostrado, mas precisa existir, para a [história da] personagem’, afirma o diretor.


Furtado diz que ‘Pedro está exagerando bastante, mas é um exagero por um bom motivo, para se contrapor ao exagero que vem no sentido contrário -já que você não tem uma boa cena, bota alguém de calcinha e pronto, resolve’.


O ator e diretor Hugo Carvana, cujo ‘A Casa da Mãe Joana’, em cartaz, tem Cardoso no elenco e cenas de nudez de uma jovem atriz, diz: ‘É preciso que a nudez seja fundamental na trama, que seja importante a ponto de ser inevitável’.


Carvana afirma que, ‘evidentemente, muitos filmes se aproveitam da nudez’, mas teme que Cardoso tenha feito ‘uma generalização’ inadequada. ‘Não sei se, no cinema brasileiro, toda nudez terá de ser castigada’, diz, ressalvando que ainda busca entender o intuito do manifesto.


‘Essas palavras não foram ditas por uma pessoa qualquer, mas por alguém que respeito como intelectual, como artista e como o homem ético que ele é’, diz o diretor.


Vulgarização


A atriz Patrícia Pillar acha ‘muito bacana que isso parta de um homem inteligente, um artista como o Pedro’.


Ela avalia que ‘há uma vulgarização, no audiovisual em geral, do nu ou da insinuação do ato sexual’ e diz que ‘isso expõe pessoas que muitas vezes não estão dispostas a fazer [tais cenas] e acabam fazendo por uma situação de fragilidade’.


‘Nós, que estamos mais experientes, já conquistamos o direito de dizer não’, diz Pillar. ‘Mas concordo com Pedro que esse é um direito que assiste não só a nós, mas a todos, inclusive as meninas de 20 anos que estão começando’, afirma.


Helena Ignez, que, como atriz, já se despiu no cinema, e, como diretora, acaba de apresentar no Festival do Rio o longa ‘Canção de Baal’, que traz atores e atrizes nus, afirma discordar da tese de Cardoso segundo a qual a nudez impede a representação, mas diz que ‘adorou’ sua atitude.


‘Ele está falando de pornografia. É muito sintético o que diz. Não é pequeno, provinciano. Deve ter vindo de uma verdade profunda. É surpreendente e inusitado, como ele, e uma defesa quase cômica das mulheres’, afirma Ignez.


Namorada atriz


No manifesto, Cardoso deixa claro que o amor que sente pela namorada, uma atriz que ele não nomeia e que diz ver lutar diariamente no trabalho ‘contra a pornografia reinante’, reforçou a preocupação antiga que ele tinha com esse tema.


Graziella Moretto, apontada como a namorada de Cardoso (ele não fala do assunto), está na atual novela das sete da Globo, ‘Três Irmãs’, e rodou sua primeira cena de nudez no cinema em ‘Feliz Natal’, dirigido Selton Mello (o suposto diretor atacado por Cardoso).


A Folha acompanhou as filmagens de ‘Feliz Natal’ no dia em que a cena de nudez de Moretto foi rodada. Na ocasião, Mello contou que, nas folgas das filmagens, ele convidava toda a equipe para assistir, em sua casa, a versões prévias do filme, que ele mesmo editava.


O manifesto de Cardoso cita ‘sessões privês’ para exibir a nudez de atrizes que ‘cineastas de primeiros filmes’ realizam para amigos. E fala em ‘disfunção sexual’ de diretores e roteiristas que promovem essas ‘cenas macabras’. A Folha tentou ouvir Mello, sem sucesso.


Quanto ao aspecto trabalhista do manifesto de Cardoso, Reichenbach desafia: ‘Vai dizer isso para o Antunes Filho [do Centro de Pesquisa Teatral], vai dizer para o Zé Celso Martinez Corrêa [do Teatro Oficina]. Ele não trabalha. Ficará fazendo TV, numa limitação profunda de campo de trabalho’. A Folha disse.


‘É estúpido! Uma besteira, uma loucura, uma volta à Inquisição’, reage Zé Celso. Para ele, ‘o melhor figurino que existe é o nu. Não é a roupa que faz a interpretação. Você pode, nu, fazer uma cena como um pudico, envergonhado, ou, ao contrário, um exibicionista’.


O diretor do Oficina afirma que Cardoso, ‘que é um bom ator de comédia de costumes’, tem ‘todo o direito de ter pudor e não querer ficar nu, mas fazer manifesto é coisa de velha, de tia’. Antes de iniciar a leitura de seu manifesto no Cine Odeon, Cardoso avisou que era ‘muito inesperado’ o que iria dizer, afirmou que não tinha a expectativa de ‘ser compreendido’, mas esperava provocar ‘a discussão’.


Isso ele conseguiu.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 13 de outubro de 2008


 


MARKETING
Marili Ribeiro


Crise dá mais relevância à gestão de marcas


‘Aquilo que se poderia chamar de ‘alma’ de uma marca pode ser definido pela relevância que ela assume no ambiente em que circula, entre acionistas, funcionários, parceiros e consumidores. Esse ativo intangível, ainda não refletido nos balanços das empresas, está na pauta do dia dos executivos. O motivo é a crise que assola o mundo.


‘Na hora das grandes dificuldades uma marca sólida e respeitada sempre se sai melhor’, considera Luiz Carlos Dutra, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Unilever Brasil. ‘Uma reputação forte e admirada é um bem que, associado à marca, tem sido cada vez mais percebido e valorizado pela comunidade.’


Uma noção da relevância da marca na vida contemporânea pode ser dada por um detalhe sobre o qual muitos profissionais teciam comentários durante o seminário MaxiMídia, voltado para empresas de propaganda e comunicação, realizado na semana passada em São Paulo. A crise financeira que se abate sobre os mercados globais parece ter ganho maior visibilidade a partir da quebra de um grande ícone. A quebra do banco americano Lehman Brothers, independentemente do tamanho do rombo que a motivou, despertou os investidores e os governos para o tamanho do desastre econômico.


Em uma pesquisa realizada pela Troiano Consultoria de Marca com 50 presidentes de empresas, apresentada durante o painel ‘A marca na agenda do CEO’, no MaxiMídia, as marcas entram na lista das maiores prioridades do negócio. A gestão de marcas surge em segundo lugar, atrás apenas da preocupação com inovação e à frente da governança corporativa. Nada menos do que 85% dos presidentes concordam que a marca é o ativo intangível mais valioso da empresa e, por isso, merece total atenção.


‘A marca esbarra diariamente nas decisões dos que têm a obrigação de gerar valor para seus acionistas, e é parte integrante dessa orquestração’, diz Aurélio Lopes, presidente da agência de publicidade Giovanni+DraftFCB. Mais do que isso, para Jaime Troiano, presidente da consultoria Troiano, tanto as marcas corporativas como as marcas de produtos podem ser fonte de orgulho motivacional e gerar boa reputação para o negócio.


CONSUMO


No segmento de bens de consumo, em particular, fica mais sensível a questão da independência da marca de um produto em relação à companhia que o criou e fabrica. ‘A Alpargatas não venderia nem um tênis Mizuno a mais se agregasse a sua marca corporativa ao produto’, defendeu o presidente da companhia Márcio Utsch, durante o MaxiMídia.


Embora Utsch não acredite que investir na divulgação da ‘marca corporativa’ da empresa possa gerar valor para o seu negócio em si, ele reconhece que o valor percebido dos produtos que comercializa é bem maior do que o valor real, ou seja, do que o que a empresa gasta para fabricá-los. Tanto é assim que a Alpargatas investe 12% do seu faturamento bruto por ano em marketing.


Do outro lado dessa percepção do trabalho de construção de marca está a gigante Unilever. Num movimento global, encabeçado pelo Brasil em suas ações iniciais de implantação – o País é o terceiro mercado da operação da multinacional no mundo -, a companhia vem, desde o final de 2004, pondo sua assinatura corporativa em todos os produtos que comercializa.


‘Atrás das nossos produtos há um grupo sólido que dá endosso à qualidade do que é oferecido’, destaca Luiz Carlos Dutra. ‘As pesquisas internas da companhia mostram que o uso da marca corporativa ajuda na percepção de valor do todo e leva ao aumento da intenção de compra em até 12%’.


Na estratégia de adoção da marca corporativa, dois fatores devem ser levados em conta, aponta o professor Ivan Pinto, coordenador de pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Um seria o custo de estabelecer novas marcas em razão da acirrada competição em mercados globalizados. O endosso da nova marca por uma corporação com boa reputação encurtaria o caminho da aceitação. O outro fator é a crescente consciência das empresas sobre sua responsabilidade social e ambiental.


Com esse segundo ponto, Dutra está de pleno acordo e diz que, no caso da Unilever, foi levado em consideração. ‘A marca corporativa explicita um pacto de responsabilidade para com o consumidor’, diz ele. ‘A percepção do consumidor mudou muito nos últimos seis a sete anos. Antes, não se cobrava tanto compromisso do papel da empresa para com a sociedade. Hoje, isso é tão relevante quanto a qualidade dos produtos e serviços que ela fornece’.’


 


 


ESTANTE
William Glauber


O fôlego da boa e velha enciclopédia


‘Mariana Mente, de 10 anos, assim como os colegas da 5ª série do Colégio Móbile, em São Paulo, leva trabalhos e mais trabalhos para fazer em casa. De uma geração high tech, ela poderia se linkar ao Google, Wikipedia ou outro site de buscas. É, até poderia, mas Mariana, com a ajuda do pai, o economista Alberto Mente, de 43 anos, corre os olhos por 18 volumosos livros da estante. Diferentemente de boa parte dos amigos, ela escolhe um, folheia as páginas, começa os estudos. Empurrõezinhos à leitura, como o de Mente e outros pais, garantem a sobrevida da Barsa, enciclopédia que, neste ano, com a velha estratégia de venda de porta em porta, estima crescer 35%.


Hábito comum até a primeira metade dos anos 1990, pesquisas em enciclopédias são retomadas pela nostalgia de pais que estudaram com Mirador, Larousse, Conhecer, Delta, Tesouros da Juventude e a própria Barsa. ‘Queremos que a Mariana pesquise em enciclopédia porque tanto eu como a Meire (mulher de Mente) fomos educados com enciclopédias’, diz o pai. ‘Mas eu não quero as minhas filhas alienadas’, pondera ele, pai também de Gabriela, de 4 anos. Por isso, elas podem e devem, com regras bem estabelecidas, acessar a internet.


Apesar das facilidades da web, ler livros não é problema para Mariana. ‘Leio desde sempre. Não fico sem um livro’, conta. ‘Se surgir uma dúvida, vou à Barsa’, diz, sem titubear. Mariana, porém, foge daquele estereótipo de nerds dos anos 1980. A garota é antenada, usa computador diariamente e não descola do celular. ‘Mas ela não é patricinha, não’, intervém o pai. Agora, falta o iPod. ‘Eu quero, mas meu pai é contra.’


Mente comprou a Barsa porque o amigo Arthur Sabadin, também economista, conheceu o representante Fernando Forster, de 47 anos, dos quais 28 como livreiro de porta em porta, de casa em casa, de escola em escola, em São Paulo. Sabadin, de 55 anos, só queria que a filha Ana Carolina, de 13 anos, estudasse com bons livros, como ele. ‘Forster fez uma apresentação no Colégio Rio Branco e lembrei que, quando criança, tinha uma coleção em casa. Minha mulher, então, me incentivou a comprar’, diz Sabadin.


Formaram um grupo de pais, que foi diminuindo, diminuindo, diminuindo até acabar na dupla Mente e Sabadin. ‘Muitos acharam caro. Não é um produto de massa. Juntos tentamos um preço melhor’, conta Sabadin, sem revelar quanto pagaram pelas coleções. Segundo Forster, a pechincha reduz o preço da Barsa, que completa, com 18 volumes, DVD, CDs e acesso a atualizações mensais na internet, custa R$ 5 mil. Vale até parcelar em 36 vezes. ‘O segredo é a negociação’, garante Forster. ‘O mais importante é que o cliente valoriza o livro como instrumento de leitura reflexiva.’


A professora de música Maria Bernadete Lima, de 59 anos, pertence a esse grupo de clientes de Forster preocupados com a formação cultural dos filhos. Para Fernanda, de 12 anos, ela comprou uma coleção. ‘Perdi meu pai aos 5 anos e a grande herança que ele me deixou foi a Tesouros da Juventude. Isso marcou minha vida. Quando eu folheava os livros com meu irmão me lembrava do meu pai’, conta. ‘Quero que minha filha descubra nos livros a curiosidade pela vida’, diz Bernadete.


Em uma geração intermediária, entre Maria Bernadete e Fernanda, o bancário Demétrio Prado, de 33 anos, lembra com saudade das tardes de estudos nos tempos de escola. ‘Comprar a Barsa era uma vontade muito antiga. Quando eu era moleque usava sempre a coleção de uma vizinha para fazer os trabalhos.’ Hoje, ele pode. Comprou. Recentemente, antes de concluir o MBA em Finanças, ele diz ter usado a coleção com freqüência, sempre tentando conciliar livros e internet. ‘Muita gente prefere só a internet, mas eu acredito nos livros.’


LUCROS


De acordo com a Barsa, um representante em início de carreira fatura R$ 3 mil por mês e um vendedor médio, R$ 7 mil. Hoje, 1.592 representantes trabalham na empresa. Forster, por exemplo, é top, mas, entre 1995 e 2000, a popularização da internet o assustou, ao ver as vendas despencarem de 20 para dez coleções por mês. Hoje o patamar foi retomado e a Barsa viu o faturamento crescer 22% em 2007, com a venda de 70 mil coleções.’


 


 


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Primeira edição teve equipe de ‘celebridades’


‘Da família detentora dos direitos autorais da Encyclopaedia Britannica nos EUA, Dorita Barret, com o marido brasileiro Alfredo Almeida Sá, lançou a idéia de produzir a primeira enciclopédia no Brasil, em 1950. Eles fundaram, então, a Barsa, que resulta da junção das sílabas Bar e Sa dos sobrenomes. Para lançar a coleção com 16 volumes, em 1964, eles convidaram 268 colaboradores, tendo como redator-chefe Antonio Callado. Colaboraram também Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre, Aurélio Buarque de Holanda, Sérgio Millet, Dom Hélder Câmara, Oscar Niemeyer. Do trabalho dessa equipe, surgiram 7 mil páginas, 4,5 milhões de vocábulos, 6 mil ilustrações. A primeira tiragem vendeu 45 mil coleções e esgotou em 10 meses.’


 


 


TELEVISÃO
Gustavo Miller


Band no YouTube


‘A TV Bandeirantes, em parceria com o YouTube, vem promovendo na internet um concurso em que o público faz uma pergunta para os candidatos à prefeitura de sua cidade. A idéia é simples: o internauta grava um vídeo/pergunta e o publica no canal Pergunte ao Candidato (www.youtube.com/eleicoes). A questão não pode ser direcionada a alguém em específico, apenas para uma cidade. A Band vai selecionar algumas perguntas e entrará em contato com os políticos, que as responderão nos programas jornalísticos do canal e no próprio YouTube.


O concurso entrou no ar há duas semanas, sem nenhuma divulgação. Até a última sexta-feira nove pessoas haviam participado e não tiveram resposta. Tais vídeos parecem ter sido gravados num só dia, na Avenida Paulista.


‘Se houver interesse dos candidatos em responder, vamos publicar. Esse projeto é um experimento nosso que visa a triangular o público com a classe política e com um veículo de comunicação’, explica Walter Ceneviva, vice-presidente executivo da TV Bandeirantes.


Segundo Ceneviva, a emissora só terá uma avaliação do projeto ao final das eleições municipais.’


 


 


 


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