Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Um Brasil melhor nas revistas

Por Luciano Martins Costa em 25/05/2009 na edição 538

As páginas amarelas de Veja, que já foram consideradas um marco do jornalismo nacional por trazer entrevistas instigantes de personagens interessantes, andou perdendo importância nos últimos anos, na onda de ideologização que tomou conta de toda a publicação.


Mas a edição desta semana (nº 2114, de 27/5/2009) traz um conteúdo que vale o preço da revista: uma entrevista com a economista venezuelana Carlota Pérez, professora na Universidade Cambridge, na Inglaterra, na qual ela faz um retrato esclarecedor da atual crise econômica, anunciando uma nova era de prosperidade impulsionada pela tecnologia e a inovação.


O Brasil aparece com perspectivas muito otimistas.


Época, a principal concorrente da revista Veja, traz um pacote de presente para o leitor: uma edição especial de aniversário com um esforçado exercício de futurologia sobre como estaremos vivendo em 2020.


Catastrofismo furado


Com mais de cem páginas, a ampla reportagem especial sobre nossa próxima década se concentra na análise do processo de maturação de alguns fenômenos presentes, como as tendências demográficas e de educação e o avanço de tecnologias determinantes do nosso modo de vida.


Da mesma forma, o retrato pintado para o Brasil do ano 2020 é otimista.


Os grandes desafios como a questão da educação, a previdência social, a violência e a qualidade de vida nas grandes cidades também foram contemplados no trabalho jornalístico, mas em lugar do costumeiro ramerrão de lamentações, Época vai em busca de soluções possíveis, muitas delas já em desenvolvimento.


Escapando das armadilhas do viés político, a revista consegue compor um quadro que vale a pena ler e guardar.


E por que será que as duas revistas semanais de informação mais lidas do país resolvem apostar numa visão otimista do futuro?


Certamente porque, passado o primeiro terço do ano e desmentidas as previsões catastrofistas que a própria imprensa havia desenhado para os efeitos da crise internacional no Brasil, fica claro que podemos, sim, construir um país melhor.

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