Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 2/6

Venda de jornais no Brasil supera média mundial

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 03/06/2008 na edição 488

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 2 de junho de 2008


CIRCULAÇÃO
Folha de S. Paulo


Venda de jornais sobe mais no Brasil do que no mundo


‘A venda de jornais no Brasil avançou 11,8% no ano passado, superando a média mundial, que foi de 2,57%, de acordo com a WAN (Associação Mundial de Jornais, na sigla em inglês). O mesmo cenário já tinha ocorrido em 2006, quando a circulação no Brasil cresceu 6,5%, e a mundial, 2,3%.


Os números brasileiros são idênticos aos que já foram apresentados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que mostraram que a circulação diária de jornais pagos ultrapassou 8 milhões de exemplares no ano passado.


O crescimento das vendas no Brasil foi o maior na América Latina e um dos mais expressivos no mundo, superado apenas por algumas antigas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão, países da África (Quênia, Gâmbia e Líbia), Malásia e Kuait. Nos últimos cinco anos, a circulação de jornais no país cresceu 24,93%. Na América do Sul, por exemplo, a Argentina teve alta de 22,7% no período, e o Equador, de 15,2%.


Segundo o levantamento da WAN em 232 países e territórios, mais de 532 milhões de exemplares foram vendidos em média todos os dias no mundo em 2007 -17 milhões a mais do que no ano anterior. Ainda de acordo com a associação, o número de pessoas que lêem um jornal diário subiu para 1,7 bilhão, 300 milhões a mais. As vendas cresceram ou ficaram estáveis em aproximadamente 80% dos países pesquisados (elas caíram nos EUA, na União Européia e no Japão).


A China é o país em que mais se vendem jornais: 107 milhões de cópias diárias. Mas, em média, os japoneses são os maiores consumidores: 624 exemplares vendidos para cada 1.000 adultos. O Japão é o terceiro maior mercado, com 68 milhões de exemplares comercializados, atrás também da Índia. Os Estados Unidos e a Alemanha são o quarto e o quinto maiores mercados, respectivamente.


Os turcos passam 74 minutos lendo jornais diariamente, 20 minutos mais que os belgas, que estão em segundo lugar.


O faturamento mundial com publicidade dos jornais pagos aumentou 0,86% em 2007 em relação ao ano anterior -havia crescido quase 4% na comparação entre 2006 e 2005. Nos últimos cinco anos, essa receita avançou 12,84%.


Na América Latina, a receita dos jornais com publicidade se expandiu em 10,77% entre 2006 e o ano passado, só perdendo para o avanço no Oriente Médio e na África, de 13,17%.


Apesar do avanço, os jornais tiveram uma pequena perda na fatia do mercado mundial de publicidade: de 28,7% para 27,5%. Ainda assim, eles continuam como o segundo meio de comunicação que mais fatura com propaganda (atrás da TV, com 38%) e com uma receita superior à de internet, rádio, cinema e mídia ao ar livre somadas, de acordo com a WAN.’


 


ECONOMIA
Fernando Canzian


Além da arrebentação


‘EM DUAS das paredes da seção que edita o caderno Dinheiro da Folha estão pregadas 13 cópias de primeiras páginas do jornal. Elas contam um pouco da história econômica do Brasil a partir de 1964. Nove delas abrangem um período mais recente, iniciado a partir do Plano Cruzado de José Sarney, em fevereiro de 1986.


É um pesadelo. Das manchetes, gritam palavras como ‘moratória’, ‘choque’, ‘congelamento’ e ‘desvalorização’. Em gráficos e fotos, a expressão do horror em que vivíamos e das urgências que sugaram a maior parte da energia nacional por quase duas décadas. São retratos do inferno que manteve apreensiva uma geração inteira.


Os dias são corridos e as notícias, muitas. Mas vale a pena recordar que há cinco anos o Brasil ainda vivia mergulhado nesse mar de incertezas -quebrado, pendurado no FMI e desacreditado.


Mas, como o náufrago do filme de Tom Hanks, há pouco o país encontrou asas. Com a ajuda do vento a favor da economia internacional, pôde finalmente ultrapassar a forte arrebentação que o prendia a uma praia sombria, infestada de problemas financeiros e amaldiçoada pela inflação.


Hoje navegamos cada vez mais para longe desse passado tão próximo. Aos poucos, reforçamos a embarcação. Mas cabe a pergunta: vencidas as ondas na largada, o país não estaria agora à deriva?


É possível acreditar (e a realidade com o tempo acaba corroborando essa impressão) que o fim das urgências econômicas que obliteravam todo o resto acabará abrindo aos poucos novos espaços na agenda de preocupações. Vencido o turbilhão das ondas, haverá braços a bordo para cuidarmos, afinal, de outras desgraças que aparecerem pelo caminho. Mas o problema parece ser justamente esse.


Em vários setores e aspectos são os fatos e acontecimentos que acabam ditando a agenda nacional. Não o contrário, como seria mais prudente e produtivo no caso de um país que já perdeu tanto tempo, tempo demais.


Acordamos para o problema dos índios depois que eles já estão em pé de guerra. Discutimos bebida, jovens e direção quando já há corpos frios acidentados pelo chão.


Esperamos a inflação se manifestar para finalmente decidir conter o gasto público, como na semana passada. Abrimos o olho para o reino podre do sindicalismo só após o escândalo. Quando a Previdência finalmente quebrar, aí vamos reformar. E por aí vai.


Não se trata de pedir que o Estado e suas demais ‘instituições’ metam ainda mais o bedelho na vida dos cidadãos. Mas de refletir se os Poderes e seus apêndices, sempre caríssimos e preguiçosos, estão plenamente cientes do novo e promissor estágio ao qual chegamos.


Ao que parece, estão boiando.


FERNANDO CANZIAN é repórter especial da Folha .’


 


VIOLÊNCIA
Folha de S. Paulo


Governo liga polícia a tortura de jornalistas


‘O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse ontem que já identificou que há policiais envolvidos no seqüestro e tortura de uma equipe do jornal ‘O Dia’, do Rio, na favela do Batan, na zona oeste da cidade.


O caso foi publicado na edição de ontem de ‘O Dia’. A equipe fazia uma reportagem sobre a atuação no local de uma milícia, grupo que disputa o poder com traficantes em favelas, geralmente formado por soldados, policiais ou bombeiros da ativa ou afastados.


O secretário afirmou não querer dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações. Segundo Beltrame, é fácil identificar as milícias, mas difícil conseguir provas contra quem faz parte delas. Ele disse que não adianta prender se não houver provas suficientes para mantê-los presos e serem expulsos da corporação. ‘Temos que ter provas e dar como certa a expulsão. Queremos enxergar um horizonte além da prisão.’


Segundo ele, o Batan é uma das cerca de cem favelas dominadas pela milícia no Rio. O grupo já estava sendo investigado, disse. Beltrame afirmou que as investigações para identificar quem torturou a equipe de reportagem começou assim que soube do caso pelo jornal, mas não disse quando. Também disse que os comandantes de batalhões que tenham policiais envolvidos com a milícia podem ser responsabilizados se for comprovado que sabiam.


Segundo a reportagem de ‘O Dia’, os integrantes da equipe foram espancados e submetidos a uma sessão de choques elétricos e sufocamento com saco plástico pelos milicianos durante sete horas e meia.


Os três foram capturados em 14 de maio, diz o diário. Eles moravam numa casa alugada na favela desde 1º de maio. Segundo o jornal, a equipe pretendia fazer uma reportagem sobre a vida dos moradores em comunidades dominadas por milícias. O diário não revelou a identidade dos funcionários.


Repercussão


O Ministério da Justiça, associações da imprensa e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) condenaram a violência.


Luiz Paulo Teles Barreto, ministro interino, afirmou, via assessoria, que considera o episódio um ‘atentado contra a liberdade de imprensa’ e disse que o governo federal ‘vai apoiar as investigações’. Ainda não está definido, porém, se a PF entrará no caso. Tarso Genro está de férias e volta no dia 9.


‘O governo federal já vem apoiando o governo estadual nas ações no Rio. Um exemplo são as ações do Complexo do Alemão. A Força Nacional de Segurança tem dado apoio constante’, disse o interino.


O presidente da OAB, Cezar Britto, considerou o episódio um ‘escândalo intolerável’. ‘Moradores das favelas cariocas são hoje reféns de bandidos, que disputam o poder, uns em nome do crime, outros em nome de seu combate.’


Para a OAB, a ação das milícias é ‘tolerada’ pelo poder público. ‘O empenho em impedir o trabalho da imprensa mostra o temor de que a sociedade conheça métodos e propósitos das milícias, toleradas pelo poder público sob o argumento de que prestariam alguma assistência, ainda que por métodos heterodoxos, aos moradores.’


O presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azêdo, afirmou que vai cobrar empenho na apuração: ‘Estamos indignados com o relato da situação vivida pela equipe. Estamos nos dirigindo ao governo do Estado para pedir informações. Vamos cobrar a apuração dos fatos e a prisão dos responsáveis’.


Em nota, a ANJ (Associação Nacional de Jornais) classificou a atitude dos milicianos como um ‘bárbaro crime’. ‘Além de ter ocorrido uma execrável violência contra a integridade física dos profissionais do jornal, houve um violento atentado à liberdade de informação e ao livre exercício da profissão’, diz a ANJ, em nota assinada por Antonio Athayde, diretor-executivo da associação.


A entidade disse ainda que ‘o caso expõe o preocupante estado da segurança pública no Rio, sobretudo levando-se em conta que os torturadores integram grupo, segundo denúncia do jornal, formado por policiais’.


A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em nota, protestou: ‘A exemplo dos traficantes, esses bandos criminosos chamados ‘milícias’ criam áreas de exclusão, nas quais impõem as suas próprias leis, valendo-se da intimidação e do assassinato’.


Colaborou a Sucursal de Brasília’


 


Entidades lembram que jornais devem zelar por suas equipes


‘Além de cobrar apuração dos fatos e de manifestar solidariedade à equipe de reportagem e ao jornal ‘O Dia’, a Abraji e o Sindicato dos Jornalistas do Rio lembraram também que cabe às empresas zelar pela segurança de seus funcionários.


Em sua nota, a Abraji faz um ‘alerta’ às empresas de comunicação sobre ‘a responsabilidade que elas têm na segurança de seus funcionários. A elas cabe avaliar os riscos que eles possam correr.’


Ainda na nota, a associação lembra que hoje completam-se seis anos do assassinato de Tim Lopes -jornalista da TV Globo que foi torturado e morto por traficantes quando apurava exploração sexual de crianças e adolescentes em bailes funk.


A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, Suzana Blass, também ressaltou o aspecto da segurança para o exercício da profissão: ‘A maneira como o jornal colocou os repórteres para fazer a cobertura precisa ser discutida. Qual tipo de proteção era possível ter ali? Era preciso ter uma estratégia para tirá-los em caso de emergência. Essa é uma questão que precisa ser discutida.’


O sindicato vai promover na tarde de hoje um ato em repúdio à agressão sofrida pelos jornalistas. ‘A ação dessas milícias não é um acontecimento recente, não é algo exatamente novo, e precisamos cobrar ações concretas’, disse a presidente da entidade.


Na avaliação de Blass, a situação da segurança pública no Rio mudou e hoje é mais difícil fazer reportagens em áreas de risco. ‘Acho que ‘O Dia’ foi romântico. No passado, conseguia-se fazer excelentes reportagens, e ‘O Dia’ fez muitas, com repórteres disfarçados. Mas hoje estamos vivendo em um estado de exceção, não tem jeito. Depois do caso do Tim Lopes, não achava que isso pudesse acontecer’, disse Blass.


Para Maurício Azêdo, da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), o risco que os jornalistas correram é inerente à profissão. ‘Muitas vezes esses são os meios que os veículos têm para obter informações e mostrá-las para toda a sociedade. O importante é que esteja dentro da ética. E nesse caso não me parece que houve qualquer infração’, afirmou.


Procurada ontem para comentar as questões levantadas pelo sindicato sobre as condições de segurança dadas aos repórteres, a direção do jornal ‘O Dia’ não se manifestou até o fechamento desta edição.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Não é tão perdida


‘Nos EUA, elas saíram até nas rádios, da NPR ao programa de Rush Limbaugh, que descreveu ‘selvagens’. Também pelas redes NBC, ABC, a canadense CBC e a Al Jazeera, do Qatar, todas com vídeos on-line. Mais ‘New York Times’, ‘Le Monde’, ‘Guardian’, o escocês ‘Scotsman’. São as fotos da tribo na Amazônia, supostamente sem contato, que rodam mundo.


Além delas, nas reportagens, encontram-se porta-vozes da Survival International, de Londres, que fez parte das fotos e tem até vídeo sobre o tema, no site. Os entrevistados admitem que a ação tem fim político -conter o avanço sobre a terra, no lado peruano.


Mas o momento e o teor das reportagens coincidem também com a decisão do Supremo sobre a reserva em Roraima. Enquanto a Associated Press já destaca que a tribo é conhecida há décadas, na verdade, o site de humor The Spoof lança piada, sob o título ‘Tribo perdida do Brasil não está tão perdida, afinal’.


OS BRANCOS


O assunto avança pelas seções do ‘NYT’, que ontem resenhou a obra ‘Tree of Rivers: The Story of the Amazon’, de John Hemming. Ele ‘mapeia a destruição dos índios por homens que não viam valor na floresta, só escravos’, e afirma que ‘sua sobrevivência depende de evitar os brancos’


O MILIONÁRIO


Johan Eliasch, o consultor do primeiro-ministro britânico, falou ao ‘Fantástico’ e se tornou alvo da nova histeria global -agora que antigos chefes militares se lançaram contra a reserva Raposa/Serra do Sol.


A rede mostrou ‘o que tem a dizer o milionário sueco que está sendo investigado pela enorme quantidade de terras que comprou na Amazônia’. Tem mais, ‘nossos repórteres foram até a propriedade do milionário e descobriram que alguns dos projetos ambientais que ele afirma desenvolver na verdade não existem’.


EM PÉ DE GUERRA


O ‘Wall Street Journal’ avisa que a ‘cúpula sobre inflação dos alimentos’, esta semana em Roma, vai virar ‘debate sobre biocombustíveis’. Já virou, pelo que diziam ontem as agências, com Lula agarrando toda chance de defender etanol e culpar a ‘especulação com petróleo’.


NÚMERO UM


Lula foi além e disse à BBC Brasil que Cuba vai produzir etanol de cana, ‘parece.’ O chanceler Celso Amorim, recém-chegado de lá, gaguejou e não confirmou. Nos dias anteriores, por Folha Online e outros, ele e o vice cubano previam o Brasil como ‘parceiro número um’ de Cuba.


‘POLICIAIS’


Sábado à tarde já estava nas bancas do Rio ‘O Dia’, com a denúncia de tortura de seus próprios jornalistas pelas ‘milícias’ de policiais e outros na favela do Batan. Repercutiu pelos sites e telejornais, ainda no sábado -com o ‘Jornal Nacional’ dando até escalada para a ‘violência contra a equipe de um jornal da cidade’’


 


PUBLICIDADE
Cristiane Barbieri


País leva 13 prêmios em festival publicitário


‘O festival de comunicação publicitária El Sol terminou sábado em San Sebastián, no norte da Espanha, premiando 189 peças. No ano anterior, haviam sido distribuídos 225 troféus.


O Brasil ficou com 13, um deles para a campanha de mídia impressa das sandálias Havaianas, criadas pela Almap BBDO. ‘A campanha parece já ter sido muito premiada, mas mostra que sempre se pode superar a barreira da criatividade e trabalhar a marca por muito tempo na mesma linguagem,’ afirmou Carlos Pérez, presidente do júri das peças gráficas.


A proporção de prêmios seguiu o número de inscrições por países. A Espanha inscreveu 2.278 campanhas e levou 110 troféus. Da Argentina foram 520 para 34 prêmios e o Brasil, terceiro em número de inscrições e prêmios entre os 19 países ibero-americanos inscritos, apresentou 228 peças para levar 13 troféus. A maioria dos prêmios distribuídos priorizou a integração e o uso de diversas formas de mídia.


O prêmio El Sol Platino foi dado ao concurso ‘Atrapalo’, transmitido pela TV espanhola com participação pela internet. Os quase 90 mil jogadores inscritos tinham de capturar um personagem on-line para ganhar passagens aéreas de baixo custo, e houve uma grande repercussão pela Espanha.


O grande vencedor da categoria de uso de meios de comunicação foi o banco ING, com a campanha ‘Aficionado Profissional’. Por meio de anúncios em jornais, buscava-se o maior fã de Fernando Alonso, que ganharia 3.000 por mês, mais hospedagem e alimentação, para acompanhar o piloto durante todo o campeonato de F-1. Houve mais de 35 mil inscritos, que criaram blogs, comunidades e postaram vídeos no YouTube, entre outras ações.


Já na estreante categoria de Relações Públicas o vencedor foi a rede de hotéis NH, criada pela agência Señor Goldwind. O hotel precisava de reformas, e hóspedes foram convidados a derrubar as paredes de quartos como forma de desestressar.


A jornalista CRISTIANE BARBIERI viajou a convite da organização do festival’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Pilar do SBT, carnê do Baú definha aos 50


‘Símbolo da televisão brasileira dos anos 60, 70 e 80, o carnê do Baú é um objeto em extinção. Primeiro negócio do conglomerado empresarial de Silvio Santos e pilar da criação do SBT, o carnê só não acabou porque o Grupo Silvio Santos está comemorando 50 anos.


Desde setembro, a marca Baú da Felicidade vem passando por redefinição. As lojas em que os compradores do carnê resgatavam seus valores em produtos (mais caros do que na concorrência) viraram uma rede de varejo como as Casas Bahia. Até agora, são apenas 11 lojas de crediário, principalmente para eletrodomésticos, no Estado de São Paulo. A meta é chegar a 250 em cinco anos.


O carnê do Baú, antes vendido em abordagem porta-a-porta, agora só é encontrado nessas lojas. As equipes que antes vendiam carnês de casa em casa passaram a oferecer eletrodomésticos, em um negócio que o Grupo Silvio Santos chama de venda programada.


Diretor de marketing do Baú, José Francisco Queiróz admite que o carnê ‘perdeu importância’, mas nega que o produto esteja em processo de extinção. ‘O carnê vende o sonho de sorteio enquanto se faz poupança’, diz. ‘Atualmente, as pessoas o utilizam como entrada para compras no crediário.’


Segundo Queiróz, o carnê ‘perdeu sentido’ com a estabilidade da moeda, nos anos 90, e com o acesso das classes mais pobres ao crédito.


FESTA NO CABO


Sem transmissão da TV aberta, o primeiro Botafogo x Corinthians, no dia 20, foi o jogo de futebol mais visto da TV paga neste ano. Sua exibição pelo SporTV alcançou 1,5 milhão de pessoas. A média foi de 3,5 pontos, coisa rara no cabo.


SINDICATO


O ator José de Abreu está mobilizando atores da novela ‘Pantanal’ para acionarem o SBT, que negocia a compra da novela. Vão tentar na Justiça receber antecipadamente os direitos pela reprise da obra.


AUDIÊNCIA FINAL


O final de ‘Duas Caras’, anteontem, teve média de 46 pontos no Ibope da Grande SP, segundo dados preliminares. Do primeiro ao último capítulo, a média da novela foi de 41, a segunda pior das 21h na década.


EDITORIAL 1


A Globo fez um editorial disfarçado de cena de novela com dura crítica à classificação indicativa. Na quinta, em ‘Duas Caras’, um delegado tentou impedir o show de Alzira (Flávia Alessandra) em uma boate. Disse que agia em nome ‘da moral e dos bons costumes’.


EDITORIAL 2


Ação do policial contra a dança do poste teve reações: ‘É censura’, disse um personagem. Ou seja, para a Globo, classificação indicativa é censura.


EDITORIAL 3


Foi por causa da dança do poste que ‘Duas Caras’ fora reclassificada das 20h para as 21h, o que obrigou a Globo a exibir a novela das sete depois do ‘Jornal Nacional’ nos Estados com fuso de menos uma hora em relação a Brasília.’


 


Bruna Bittencourt


E! mostra lado ‘chocante’ da fama


‘Nem só de sorrisos se faz uma celebridade. E é com foco no lado menos glamouroso da fama que o E! compilou na série ‘101 Most Shocking Moments In Entertainment’ (os 101 mais chocantes momentos do entretenimento) os episódios mais surpreendentes vividos por celebridades, como resume seu título, que o canal exibe entre hoje e sexta, às 18h.


A série acaba por percorrer um pouco da história do século 20 ao relembrar as mortes de James Dean, Marilyn Monroe, Elvis Presley, Grace Kelly e John Kennedy. E reaviva episódios recentes, como o caso Monica Lewinsky, o suicídio de Kurt Cobain, ou o assassinato da esposa do jogador de futebol americano O.J. Simpson.


Há também espaço para episódios no mínimo desconcertantes, como a mordida que Mike Tyson deu na orelha de Evander Holyfield, durante uma luta de boxe, ou o flagrante de Winona Ryder furtando em uma loja de departamentos.


O primeiro programa, exibido hoje, relembra o anúncio da homossexualidade de George Michael, o assassinato de Gianni Versace e os problemas com drogas de Drew Barrymore, enquanto Michael Jackson aparece em todos os episódios. Já a contagem regressiva dos acontecimentos mais chocantes, eixo do programa, denuncia um pouco da crueldade do nosso voyeurismo.


101 MOST SHOCKING MOMENTS IN ENTERTAINMENT


Quando: hoje a sexta, às 18h


Onde: no E!’


 


INTERNET
Leticia de Castro


Confidências on-line


‘O ponto de encontro é a internet, as conversas são digitadas no teclado do computador, e o máximo de expressão que cada revelação provoca são carinhas amarelas de emoticons.


O cenário pode parecer esquisito, mas é justamente nesse ambiente frio e virtual que muitos adolescentes se sentem à vontade para trocar confidências, falar sobre assuntos íntimos e até pedir e dar conselhos sentimentais. E o mais importante: com pessoas que nunca viram pessoalmente, que só conhecem pelo computador.


Foi na intimidade de seu MSN que Jaqueline Ávila dos Santos, 16, conheceu seu melhor amigo, Pedro Henrique Rago, 17. Ela mora em São Paulo; ele, em Recife.


Eles foram apresentados no MSN por outro amigo de Jaqueline, Guilherme, que ela conhece pessoalmente. ‘Fiquei amiga do Pedro quando eu estava pensando em terminar o meu namoro. Ele acompanhou todo o processo, o rompimento, o outro garoto de quem eu fiquei a fim’, conta Jaqueline, que conversa com Pedro de uma a três horas por dia.


A cada decisão, ela consultava Pedro, e ele sempre tinha um conselho na manga. ‘Ele falou para eu não ‘entrar de cabeça’ na história do novo garoto. Não consegui seguir o conselho, e me dei mal. Agora ele está me consolando’, lamenta a garota.


Pedro, por sua vez, também recorre a Jaqueline para resolver questões sentimentais. Quando está a fim de uma garota, pede dicas à amiga virtual.


Para eles, a vantagem de uma amizade a distância é que os riscos de as confidências trocadas chegarem aos ouvidos das pessoas envolvidas é praticamente nulo. ‘Ela não conhece nenhuma das pessoas de quem eu falo. Não tem como espalhar, fazer fofoca’, conta Pedro.


‘Geralmente, os amigos da vida real têm segundas intenções, por isso é bom ter um amigo que você não encontra, mas com quem sabe que pode contar’, diz Jaqueline.


Para Jonas Amorim, 16, há outras vantagens nas amizades virtuais. ‘Às vezes você fala uma coisa chata e, pelo MSN, não precisa olhar para a cara da pessoa e ver a reação’, opina.


Certos assuntos, Jonas só consegue conversar com Felipe, seu melhor amigo virtual. Paqueras, por exemplo, são temas constantes dos papos no MSN. ‘Não falo com os meus amigos ‘reais’ sobre essas coisas, rola muita fofoca’, conta.


‘Como o Felipe é mais velho [tem 20 anos], conta para mim sobre os problemas de trabalho, fala das brigas da família e me dá bons conselhos’, diz.


Precaução


Vinicius Coimbra, 17, já evitou que um amigo virtual fizesse uma loucura. ‘Ele queria fugir de casa, disse que tinha juntado dinheiro para passar uns dias num hotel. Ele achava que, quando voltasse, a família iria respeitá-lo mais’, diz.


Prudente, Vinicius desencorajou o garoto a fugir. ‘Fiquei argumentando, dizendo que não iria adiantar nada, que fugir só iria piorar as coisas, e ele desistiu’, diz, orgulhoso. As amizades virtuais, no entanto, não são o forte de Vinicius. Atualmente, ele é muito cuidadoso. ‘Acho perigoso. Há desde casos de pedofilia até pessoas que dizem ser o que não são.’’


 


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Conselhos virtuais são positivos, diz psicóloga


‘Para a psicóloga Andréa Jotta, do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC, o aprofundamento das amizades virtuais é um processo natural. ‘O virtual está fazendo cada vez mais parte do real’, observa.


‘Eu acho isso ótimo. Há uma necessidade dos jovens de escutar outras opiniões além das do seu próprio grupo. Há uma abertura para ouvir outras opiniões sobre os seus problemas, e isso é um ganho’, diz Andrea.


Mas ela alerta para os riscos dos relacionamentos virtuais. Antes de tudo, é preciso ter certeza da identidade da pessoa com quem se está criando o vínculo de amizade. ‘Não dá para acreditar em identidades virtuais. É preciso fazer o teste para se certificar de que aquela pessoa que está do outro lado do computador é real’, diz. (veja dicas no quadro abaixo)


A psicóloga observa que, para o adolescente, a vantagem da relação pela internet é que não há a necessidade da temida aceitação social.


‘Não precisa disso porque a pessoa não está convivendo com você. De certa forma, parte-se do pressuposto de que, se a pessoa está escutando você, é porque ela quer escutar. Senão essa pessoa corta a conversa e sai do MSN. Se ela não está deletando você é porque está automaticamente querendo escutar’, comenta.’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 2 de junho de 2008


INCÊNDIO
O Estado de S. Paulo


Fogo destrói parte do acervo da Universal


‘Um incêndio que começou na manhã de ontem destruiu parte do acervo do estúdio de cinema e televisão Universal, a cerca de 15 quilômetros do centro de Los Angeles. Além de danificar mais de 40 mil rolos de filmes e vídeos, o fogo destruiu cenários clássicos que fazem parte do parque temático que o estúdio mantém aberto à visitação do público. Uma réplica do personagem King Kong, que gritava para os visitantes – e era parada obrigatória dos turistas – e um set do longa-metragem De Volta Para o Futuro (sucesso de Robert Zemeckis, de 1985) foram atingidos pelas chamas.


O incêndio começou em um estúdio de som localizado em um cenário que reproduzia fachadas de ruas de Nova York, por volta das 4h30, e foi contido durante o dia pelos bombeiros.


Entre os vídeos danificados havia, por exemplo, trechos das filmagens de séries de televisão como Miami Vice e I Love Lucy. Segundo o estúdio, porém, todo o material tinha cópias de segurança arquivadas em um outro local. ‘Nada está perdido para sempre’, disse Ron Meyer, presidente da NBC Universal, que comanda o estúdio – localizado num terreno de 160 hectares.


O conhecido quarteirão do tribunal de De Volta Para o Futuro, porém, foi destruído, e a torre que continha o relógio que permitiu ao personagem de Michael J. Fox viajar no tempo ficou danificada. Segundo Daryl Jacobs, inspetor do corpo de bombeiros, pelo menos três quadras de cenários foram avariadas pelo fogo. Um filme publicitário estava sendo rodado quando o incêndio começou, mas ninguém foi ferido. As causas do incidente ainda estão sendo investigadas.


Segundo Meyer, o parque seria reaberto ainda na tarde de ontem. O trajeto das visitas, porém, seria alterado para evitar a área onde fica o King Kong. Cerca de 25 mil pessoas visitam o parque temático todo fim de semana.


Fundado em 1909 pelo empresário Carl Laemmle, sob o nome Independent Moving Picture Company, o estúdio – que passou a ter a palavra Universal no nome em 1912 – foi sede de filmagens de vários sucessos recentes do cinema, como Guerra dos Mundos, de 2005, além de ter produzido centenas de filmes clássicos. Uma das atrações mais populares do parque é a casa que aparece em Psicose, de Alfred Hitchcock.’


 



PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Censura preocupa publicitários


‘Quando foi anunciada a realização da 4ª edição do Congresso Brasileiro de Publicidade, que será realizado em julho depois de um hiato de 30 anos, o tema que prevaleceu nas conversas entre os profissionais da área era a remuneração das agências. Entretanto, depois de um rápido acerto no tom, a preocupação que vai dominar o futuro encontro será a liberdade de expressão.


O avanço de propostas que combatem determinado tipo de propaganda – caso, no Brasil, das que visam restringir os horários de anúncios de cerveja – acendeu o sinal de alerta. ‘Há um clima xenófobo contra a atividade. Existe um sentimento do tipo: vamos solucionar os problemas do País proibindo a publicidade. Isso é muito perigoso’, diz Dalton Pastore, presidente do Congresso e da Associação Brasileira de Agências de Publicidade, entidade que lidera a promoção do evento – que será apoiada por outras 24 associações.


Na última vez em que se realizou o congresso, em 1978, estabeleceram-se parâmetros para a atividade, com a criação do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar). Pastore defende que o evento não pode se limitar a uma questão que, segundo ele, está resolvida. A polêmica em torno do Bônus de Veiculação, que está embutido na questão da remuneração das agências, é coisa do passado, diz.


No exterior, as agências de publicidade se uniram aos bancos para criar os birôs de mídia, que compravam em grande volume o espaço nos veículos de comunicação e, por isso, garantiam preços baixos. Com o tempo, essa margem foi se estreitando e esses birôs deixaram de ser rentáveis. Os bancos abandonaram a atividade e as agências, que sempre foram as responsáveis pela compra de mídia para os anunciantes, retomaram a função. Hoje, os dez maiores birôs do mundo pertencem aos cinco maiores conglomerados de comunicação.


‘Lá fora, as agências de publicidade voltaram a ser donas da negociação de mídia’, diz Pastore. ‘O Brasil, que nunca adotou esse modelo e, por um tempo, ficou atrás do mercado global, agora está à frente.’ Quem mais reivindicava a implantação do modelo eram as multinacionais, atrás dos benefícios obtidos nas negociações.


A liberdade de expressão, por seu lado, embora possa parecer um tema deslocado num momento em que o País vive em plena democracia, vem incomodando os publicitários. Segundo Pastore, permeia os debates das 15 comissões que preparam as discussões para o encontro.


‘Temos grupos aprofundando pontos como o que considera que, ao reduzir a liberdade de expressão comercial, se reduz a independência da imprensa. Os veículos precisam da verba de publicidade para se manter’, diz. ‘Uma das palestras previstas será de Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, sobre liberdade, independência de imprensa e democracia’.


O evento terá também a presença do ganhador do Nobel da Paz e ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e da jornalista Judith Miller, ganhadora do prêmio Pulitzer nos EUA. Ambos vão falar sobre os limites da liberdade. Tema que conhecem bem. Judith passou 85 dias presa ao se recusar a revelar uma fonte para a Justiça americana. O caso mobilizou importantes órgãos da imprensa, já que, entre seus adversários, estavam membros do alto escalão do governo George Bush.


Há ainda outra reflexão que preocupa o meio, em especial os empresários dos veículos de comunicação, como reconhece Pastore, e que diz respeito ao avanço de ações comerciais sobre o espaço editorial. A questão aqui é a de se preservar os limites da credibilidade do veículo, não deixando que a propaganda invada o conteúdo. Batizada de brand entertainment, essa ferramenta publicitária busca, por meio de formatos fora dos padrões tradicionais, passar suas mensagens comerciais. Esse quesito será o centro da comissão ‘mídia e conteúdo’, coordenada por João Carlos Saad, presidente da Rede Bandeirantes.


‘É uma questão delicada’, diz Pastore. ‘Vamos ter de discutir como um conteúdo patrocinado poderá contribuir para uma programação, ou para um trabalho editorial. Onde essa ação comercial pode ou não pode entrar, sem prejuízo da qualidade editorial’, acrescenta.’


 



INTERNET
Marili Ribeiro


Portal do ‘Estado’ ganha novas ferramentas


‘Uma nova campanha para ampliar o relacionamento dos assinantes com o Estado entra hoje no ar. Alguns anúncios em forma de teaser, chamando para as novidades, já foram veiculados nos últimos quatro dias. O objetivo agora é chamar a atenção para as reformulações feitas no portal eletrônico do jornal, que ficará mais agradável e fácil de navegar. Com isso, o jornal quer fidelizar esse público.


No portal, os assinantes poderão encontrar serviços mais incrementados. Estarão disponíveis as promoções habituais e ofertas para compra de produtos com preços especiais. A maior mudança é a possibilidade de os assinantes interagirem com os serviços oferecidos no portal.


A partir de agora eles poderão, por exemplo, indicar suas preferências para que a equipe de profissionais do jornal estude novas parcerias. Haverá também espaço para opiniões sobre a qualidade e a eficiência das promoções.


Na busca de estreitar as relações com os assinantes, o portal vai disponibilizar uma área específica para um álbum de fotos dos eventos e comemorações promovidas pelo jornal. Quem ganhou ingressos para algum evento poderá, por exemplo, usar o ambiente do portal para convidar alguém para participar da mesma promoção. Depois, também poderá registrar o fato e exibir a foto na galeria virtual disponibilizada no portal.


Cartões virtuais são outra boa notícia que passa a integrar as ofertas presentes no portal. Os assinantes poderão enviá-los à sua rede de relacionamentos. Há desde os mais adequados para celebrações, como aniversários e congratulações, até os neutros.


A campanha para comunicar todas as reformulações e o novo visual do portal do assinante será veiculada no Estado e também em ações como o envio de e-mail marketing. As novidades foram desenvolvidas por duas agências: a Fábrica Comunicação Dirigida fez os anúncios e peças promocionais da campanha; já a Midiaweb Inteligência Interativa reformulou o portal do assinante.’


 



VIOLÊNCIA
Nicola Pamplona e Clarissa Thomé


Rio identifica torturadores de jornalistas


‘A polícia já identificou os milicianos que seqüestraram e torturaram uma equipe de reportagem do jornal O Dia no dia 14. Segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, houve a participação de policiais no crime. Os jornalistas trabalhavam em uma reportagem sobre a ação de milícias na Favela do Batan, na zona oeste da cidade. Beltrame, porém, disse que ‘ainda não é hora’ de ocupar a área e prender os criminosos, pois não há provas suficientes para condená-los.


Uma repórter, um fotógrafo e um motorista ficaram mais de sete horas em cárcere privado. Eles estavam vivendo em uma casa alugada na favela e foram denunciado às lideranças da milícia que controla o local. Os três foram agredidos com socos, pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico e roleta russa. Eles, no entanto, não fizeram exame de corpo de delito que comprovasse as agressões. Beltrame admitiu que o fato pode prejudicar o trabalho da polícia, mas disse reconhecer que o medo os levasse a tomar tal atitude. Segundo ele, o problema é não haver elementos que levem ao flagrante.


‘É difícil que uma testemunha concorde em ir a juízo depor em casos assim’, apontou. ‘Por isso, é um trabalho longo e árduo da inteligência. Não adianta só prender, temos de ter provas para condenar e extirpar essas pessoas da polícia.’ O secretário não quis estipular um prazo para prender os envolvidos no crime contra os jornalistas, que viviam na favela havia duas semanas para uma reportagem sobre a ação dos milicianos.


As milícias controlam 63 favelas nas zonas norte e oeste da cidade, segundo levantamento da prefeitura. São grupos paramilitares, formados por policiais militares, civis e bombeiros da ativa e da reserva, que expulsaram facções criminosas e assumiram a ‘segurança’ das comunidades.


A Favela do Batan foi alvo de uma operação policial na noite de ontem, momentos depois de as agressões terem sido noticiadas, mas o resultado foi pífio: foram apreendidos cinco revólveres enferrujados, dois deles sem gatilho. Os policiais estiveram na Rua São Dagoberto, 91. No local, além das armas quebradas, apreenderam 180 botijões de gás e 17 galões de água, além de aparelhos conversores e moduladores de canal, usados no serviço pirata de TV a cabo.


Beltrame disse que a operação não teve a ver com as agressões aos repórteres e que deve ter sido uma operação de emergência, atendendo a chamado do 190 ou do disque-denúncia. ‘As operações contra milícias são feitas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco)’, ressaltou.


SEGURANÇA REFORÇADA


Funcionários de O Dia foram orientados a não comentar o caso, principalmente por rádio ou telefone. As portas da sede da empresa ficaram fechadas ontem e a segurança do prédio foi reforçada.


O combate às milícias é uma das prioridades da Secretaria de Segurança. ‘O miliciano é um marginal ao quadrado, porque usa a estrutura do Estado, a carteira e o emblema da instituição’, disse Beltrame. Segundo ele, o número de comunidades controladas por esses grupos caiu de 122 para ‘menos de 100’ desde o início dos trabalhos. Ele não quis dar detalhes sobre investigações específicas, incluindo a referente às agressões aos repórteres, alegando que poderia atrapalhar os trabalhos.


A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados divulgou nota ontem condenando a ação da milícia da Favela do Batan e cobrando providências do governo estadual.’


 




Lígia Formenti e Márcia Vieira


Autoridades e sociedade civil repudiam ato violento


‘A tortura à equipe de O Dia por milicianos na Favela do Batan chocou autoridades e dirigentes de entidades ligadas à imprensa. O governador do Rio, Sergio Cabral, disse, em nota, que ‘considera absolutamente intolerável’ o ocorrido e determinou ‘rigor máximo nas investigações’, e que ‘a liberdade de expressão deve ser assegurada. A imprensa precisa – e deve – fazer seu trabalho’.


O ministro da Justiça interino, Luís Paulo Barreto, prometeu acompanhar o caso de perto. ‘Vemos com muita preocupação esse tipo de ação criminosa contra jornalistas.’ Ele disse que a parceria com o governo do Rio deve se fortalecer e ser ampliada. O prefeito Cesar Maia, por sua vez, chamou o ataque de ‘fato de extrema gravidade, pois reproduz a lógica do tráfico’.


Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), disse estar indignado. Ele lembrou que ontem foi Dia da Imprensa e véspera do aniversário de 6 anos do assassinato do jornalista Tim Lopes por traficantes no Complexo do Alemão. ‘Não mudaram as condições que conduziram à imolação de Tim. É milagre a equipe ter sobrevivido.’


O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Brito, diz que a presença de policiais na ação revela a urgência de um reforma na segurança. ‘O empenho em impedir o trabalho da imprensa mostra temor de que a sociedade conheça métodos e propósitos das milícias, toleradas pelo poder público sob o argumento de que prestariam assistência’, disse.


‘Além de execrável violência (…), houve violento atentado à liberdade de informação e ao livre exercício da profissão’, disse a Associação Nacional de Jornais (ANJ), em nota. Para lembrar a morte de Tim Lopes e protestar contra a tortura, o Sindicato dos Jornalistas do Rio faz hoje, na Cinelândia, ato de repúdio ao Estado paralelo. Em nota, o sindicato diz que ‘se Sérgio Cabral não punir de forma exemplar os torturadores, passará à história como cúmplice da tortura no Rio’.


A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), criada após a morte de Tim Lopes, chama atenção para a responsabilidade das empresas de comunicação na ‘segurança de seus funcionários. A elas cabe avaliar os riscos que eles possam correr’, disse, em nota. Segundo a Associação Mundial de Periódicos, desde novembro foram assassinados 28 jornalistas no mundo.’


 



Jamil Chade


ONU pede medidas contra ‘crise de segurança’


‘A violência policial no Brasil será exposta hoje pela ONU a diplomatas de todo o mundo. Embaixadores, especialistas e ativistas vão se reunir em Genebra para tratar do tema, e a ONU pedirá medidas urgentes do governo brasileiro para impedir o que a entidade chama de ‘verdadeira crise de segurança pública’ no País. O Itamaraty será ainda pressionado a dar uma resposta à situação que, segundo a Anistia Internacional, começa a afetar a credibilidade do País nos fóruns diplomáticos.


O relator da ONU para assassinatos sumários, Phillip Alston, apresentará sua avaliação sobre o Brasil ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e acusará a polícia de envolvimento com grupos criminosos e formação de esquadrões da morte.


Entre as medidas sugeridas por Alston está a reforma do sistema judiciário para poder julgar policiais, além de maiores salários aos policiais para que não caiam em esquemas de corrupção. ‘É desconcertante ver que poucos homicídios são julgados’, afirmou Alston. Ele ainda sugere uma ampla investigação na atuação das polícias, além de monitoramento das prisões e maiores recursos para os ministérios públicos.


Organizações não-governamentais, como a Conectas, Gajop e Justiça Global, enviaram à ONU e aos governos uma carta, na semana passada, alertando que o Brasil até agora não pôs em prática as recomendações da entidade. ‘As organizações destacam que os casos de execuções sumárias pela polícia se agravaram em 2008’, informou a carta das entidades.


A ONU alerta que entre 45 mil e 50 mil pessoas são vítimas de homicídios no Brasil por ano e que as táticas da polícia e do governo não têm dado resultados. Alston diz que a operação no Morro do Alemão, na zona note do Rio, em junho de 2007, poderia ser exemplo dessa situação ‘trágica’ e ataca o governo pela atitude. A ONU se queixa de não ter recebido nenhuma evidência de que as 19 mortes ocorridas na operação tivessem sido necessárias. Para piorar, os resultados da operação foram modestos: o chefe do tráfico não foi preso, nem uma grande quantidade de armas foi apreendida. Para Alston, táticas de guerra não funcionam.


Segundo a ONU, o número de homicídios vem gerando um temor generalizado na população, além de um sentimento de insegurança. Mesmo assim, ‘nada é feito para investigar, processar e condenar os responsáveis’. Na avaliação da organização, só 10% dos homicídios em São Paulo e no Rio são levados ao tribunal. Em Pernambuco, essa taxa é de apenas 3%.’


 



TELEVISÃO
Patrícia Villalba


O aprendiz no horário nobre


‘João Emanuel Carneiro dá hoje um passo enorme em sua carreira de novelista, com a estréia de A Favorita, no horário das 9 da TV Globo. Passa agora a fazer parte de uma espécie de Olimpo, que tem uma meia dúzia de feras da teledramaturgia acostumadas a falar todas as noites com 80 milhões de pessoas, num processo que nunca é indolor. Carneiro chega ao posto com dois sucessos no horário das 7, Da Cor do Pecado (2004) e Cobras & Lagartos (2006). E antes de estrear na TV, já tinha um belo currículo como roteirista de cinema – assina Central do Brasil (1998) , Castelo Rá-Tim-Bum (1999) e Redentor (2003), por exemplo. E, ainda, numa investida como diretor levou um Kikito no Festival de Gramado com o curta-metragem Zero a Zero, em 1991. ‘ Nem a equipe me respeitava. Eu dizia ‘corta’ e o câmera não cortava’, lembra o autor, dando a pista de que o cinema não tem feito falta.


Mas, muito antes de tudo isso, quando ainda era um menino brincando sozinho, já inventava histórias para seus soldadinhos de chumbo, cidadãos de um país imaginário. ‘Meu país era muito organizado. Cada um dos bonecos tinha nome e endereço ‘, conta ele. Foi um laboratório especial, conta ele nesta entrevista feita a convite do Estado pelo mestre noveleiro Silvio de Abreu. A escolha do entrevistador não é aleatória: Silvio acompanhou o début de Carneiro na TV, como orientador de texto de Da Cor do Pecado, novela colorida e despretensiosa, que ganhou o público.


Despretensioso é uma qualidade que pode ser vista como louvável no texto de João Emanuel. Tanto é que, enquanto se cobra uma inovação na maneira de fazer novela a cada estréia, ele define A Favorita como um ‘novelão’ dos velhos tempos, com poucos personagens e história concentrada num núcleo central onde – ufa! – não estão ‘novas apostas’, mas as divas Patricia Pillar e Claudia Raia, vivendo rivais. ‘ Não tenho a pretensão de inovar a teledramaturgia. Quero contar uma boa história’, resume Carneiro.


A entrevista


Silvio de Abreu – Quando li a sinopse de Chocolate, que resultou em Da Cor do Pecado, seu primeiro sucesso em novelas, percebi um autor que tinha uma imaginação privilegiada e sabia muito bem contar uma história. Isso nasceu com você ou foi cultivado?


João Emanuel Carneiro – Fui um filho único muito solitário na infância. Meu escape era a imaginação. Tinha um quarto de brinquedos, onde vivia uma população de soldadinhos de chumbo que pertenciam a um país imaginário. Na minha cabeça, eu era o primeiro-ministro e os soldados eram cidadãos do país. Meu país era muito organizado. Cada um dos soldadinhos tinha nome e endereço. Eles votavam todo final de ano. Em mim, é claro. Eu era sempre reeleito. Eu escrevia histórias para eles. Acho que foi aí que comecei com a coisa do ficcionista. Os personagens das minhas novelas não deixam de ser de novo meus soldadinhos de chumbo.


Histórias podem ser contadas em livros, filmes, peças de teatro, por que você escolheu a televisão?


Porque acho que é a grande saída para o escritor de audiovisual no Brasil. Já publiquei um livro de contos e tenho um projeto de escrever um romance. Mas a ficção da TV tem essa mágica de entrar na casa de milhões de pessoas. É um outro barato. Um jogo que você estabelece com as pessoas, muito diferente de escrever um livro em casa. Não sei quem disse que, se Victor Hugo vivesse nos dias de hoje, ia querer escrever para a TV. Concordo com isso.


A meu ver novela é uma especialidade muito difícil que nada tem a ver com nenhuma outra forma de escrita ou raciocínio. Vou passar para você uma pergunta que sempre me fazem: o que é necessário para ser um autor de novelas?


Bom, antes de tudo é necessário ter alguma coisa a dizer. Mas isso vale para todo escritor. O autor de novelas tem uma maneira própria de enxergar a narrativa. Uma novela é uma história de 200 horas. São 100 longas-metragens. Quem escreve precisa sentir, farejar a história que pode render, que pode se reinventar, que tem fôlego. É uma coisa instintiva. Um ofício muito específico, muito diferente do trabalho de um escritor de romances ou de um roteirista de cinema. Você até adquire a manha fazendo, mas acho que tem que ter um dom, um quê de Xerezade em você para conseguir fazer isso.


Escrever é um ato solitário, você sente solidão?


Muita solidão. Escrever, ainda mais novela, é um ato terrivelmente solitário. Por isso conto com meus colaboradores. Eles são meus interlocutores.


Em 1991, você ganhou o Kikito no Festival de Gramado com o curta-metragem Zero a Zero. A carreira de cineasta ficou por aí?


Não era roteirista, diretor, não era nada quando fiz o Zero a Zero. Nem a equipe me respeitava. Eu dizia ‘corta’ e o câmera não cortava. Nunca esperava que fosse dar tão certo. Fiquei tão nervoso na estréia que passei mal. Fiz mais um curta, e depois me tornei roteirista de cinema. Nunca mais voltei pro set.


Nós temos carreiras parecidas, ambos viemos do cinema e abraçamos a televisão. Você fez excelentes roteiros para filmes importantes e muitos foram premiados, trabalhou com os mais prestigiados diretores do cinema brasileiro. Alguma saudade?


Nenhuma saudade. A Globo formou um grupo de criadores de universos, o que o cinema nacional não fez porque só investiu em diretores. A televisão deu tão certo no Brasil, e é tão importante aqui, que esse é o resultado.


Ser roteirista de cinema no Brasil é possível como profissão?


Pode até ser que alguém consiga pagar as contas do fim do mês trabalhando como roteirista de cinema. Mas você vai estar sempre contando a história que o diretor quer contar, nunca a história que você quer contar. Por isso é tão frustrante.


Embora Paulo Autran costumasse dizer maldosamente que o teatro é a arte do ator, o cinema do diretor e a televisão do patrocinador, sempre achei que a TV é a arte do povo, porque é para ele que a gente escreve. Fazer sucesso, dar audiência, é imprescindível para uma novela?


Também acho que a TV é arte do povo. Por isso que a elite brasileira, e, de cambulhada, a imprensa, geralmente, fazem questão de desprezá-la. Mas acho que esse tipo de preconceito está ficando meio caduco. A telenovela é uma forma de expressão como outra qualquer. E uma das grandes razões do seu sucesso é o mergulho no melodrama, que é a cara do povo latino-americano. Somos gente de sangue quente. Quanto ao sucesso, é claro que sempre queremos fazer sucesso, mas não dá para pensar na novela como uma coisa que precisa agradar de qualquer maneira. A história precisa agradar a mim primeiro. Eu sou o primeiro espectador do que faço.


Pelas chamadas de A Favorita percebo que a novela tem um toque de policial, o que evidentemente me deixa muito animado porque, junto com a comédia, é o meu gênero preferido. A sua novela é um thriller?


Também sempre fui louco pelo gênero policial. Uma novela sua que eu adorei foi a Próxima Vítima (de 1995). Lá o desafio era descobrir quem era o assassino. Aqui temos as duas mulheres. Uma está dizendo a verdade, outra está mentindo. A novela é uma parábola sobre a dúvida, sobre o julgamento que fazemos das pessoas. É um drama que nasce de uma premissa policial. Uma moça dividida entre duas mães. Uma delas matou seu pai.


Claudia Raia e Patricia Pillar são duas excelentes atrizes de métodos e formação muito diferentes, a escalação é proposital?


As duas são excelentes atrizes e eu acho divertido que elas soem tão diferentes por causa dos métodos de cada uma. A idéia é que Flora (Patricia Pillar) e Donatela (Claudia Raia) sejam o mais diferente possível uma da outra. Se elas fossem parecidas, não teria a menor graça.


Quem é a vilã e quem é a heroína?


Ambas podem ser vilãs ou heroínas. As duas têm qualidades e defeitos. Uma delas é uma assassina. Elas serão julgadas pelo público e por mim. Esse é o jogo. Num dado momento da história eu vou decidir, vou dar o meu veredicto.


Novela é um trabalho de equipe e é imprescindível que autor e diretor trabalhem com confiança e harmonia. Como está sendo o trabalho com Ricardo Waddington?


Ricardo é um diretor muito talentoso, perfeccionista e obstinado pelo trabalho. Acho que ele está fazendo uma leitura muito interessante do meu texto. Está dando verdade a essa fábula que eu criei.


A cada estréia de novela sempre nos cobram alguma inovação, como se contar uma boa história nunca fosse o suficiente. Você está preparado para isso?


Eu não tenho a pretensão de inovar a teledramaturgia. Quero contar uma boa história. Uma história que me interesse como espectador.


Quando escrevi Rainha da Sucata para as 21 h em 1990, também vinha de muitos sucessos às 19 h como você, e tive dificuldade em assimilar o que o público da ‘novela das 8’, muito mais amplo do que o das outras novelas, espera como entretenimento. Tem sentido achar diferença entre escrever para as 19 e para as 21 h?


Percebo, mesmo antes da estréia, que existe uma expectativa muito maior da novela, da história, do autor. O autor das 8 h é um outro personagem da trama para o espectador. O público elogia ou critica o que o autor faz, como faria com um técnico de futebol. Na novela das 7, o autor não é um personagem tão marcante.


Para terminar, quero desejar um enorme sucesso para A Favorita, dizer do quanto estou orgulhoso de você ter chegado até aqui e perguntar como o menino, filho único, que cresceu solitário e quase sem amigos, se sente prestes a ser acolhido e ter que conversar, diariamente, com 80 milhões de pessoas?


O bom é que agora não estou mais sozinho no quarto de brinquedos como antes, já que as minhas fabulações repercutem na vida de um monte de gente.’


 



Cristina Padiglione


Homens são 95%


‘Essa história de que mulher se interessa cada vez mais por futebol parece muito inusitada, mas é pura alegoria. Pesquisa realizada em 2007 e consolidada em maio passado para o Premiére Futebol Clube, canal de pay-per-view da GloboSat, indica que 95% dos entrevistados são mesmo do sexo masculino. A média de idade está em 33 anos (28% têm entre 25 e 34 anos; 22%, entre 35 e 44; e 16%, entre 18 e 24 anos).


Do tipo qualitativa, a pesquisa foi feita pela Qualibest e somou 2.982 pessoas.


As mulheres, isso sim, com média de 32 anos, lideram a lista das companhias mais freqüentes do assinante na hora do jogo. Em segundo lugar, com 25%, estão filhos de até 17 anos.


Reflexo do poder aquisitivo de quem pode pagar mais para ver TV, a média mensal dessa turma esbarra nos R$ 5 mil; 69% chegaram ao ensino superior.


Dos assinantes, atesta o levantamento, 74% juram que não abandonaram o hábito de freqüentar estádios em função da TV. Os times mais citados são Flamengo (15%), Corinthians (12%), Fluminense (12%), São Paulo (8%), Grêmio (7%) e Internacional (7%).’



 


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Meio & Mensagem


Segunda-feira, 2 de junho de 2008


CIRCULAÇÃO
Sandra Silva


Receita publicitária mundial de jornais cresce 0,86%


‘A circulação mundial de jornais cresceu 2,57% em 2007, segundo a Associação Mundial de Jornais (WAN). O crescimento acumulado nos últimos cinco anos é de 9,39%. Diariamente, mais de 532 milhões de pessoas compram jornais, acumulando uma média de leitores de 1,7 bilhões de pessoas por dia. Em 2003, esse número era de 486 milhões. Se os títulos gratuitos forem adicionados, o crescimento global da circulação mundial passa a ser de 3,65%, e de 14,30%, nos últimos cinco anos. A participação dos diários gratuitos na circulação total global é de 7%, e de 23%, na Europa.


Dos 100 jornais mais vendidos diariamente, 74 estão na Ásia. Os três maiores mercados de jornais do mundo são China (107 milhões de exemplares), India (99 milhões) e Japão (68 milhões). Os seis jornais de maior circulação diária do mundo são o Leggo (Itália), Metro (Reino Unido), 20 Minutos (Espanha), Metro (Canadá)e Que! e ADN (Espanha).


Na América do Sul, a circulação de jornais cresceu 6,72% em 2007. No Brasil o crescimento no mesmo período foi expressivo, para uma indústria que vem registrando perda de leitores em outras partes do mundo.


A expansão foi de 11,80% (24,93%, no acumulado de cinco anos). Na vizinha Argentina, a alta na circulação foi de 7,54% (22,70%). A Índia teve uma performance semelhante a do Brasil, com expansão de 11,20% na circulação em 2007 (35,51%, nos últimos cinco anos) embora a receita de publicidade do mercado indiano tenha caído 1,42% em 2007.


Para o diretor de redação do Zero Hora (Grupo RBS), Marcelo Rech, o crescimento na circulação dos jornais no Brasil é puxado pelo segmento dos populares. ‘No Grupo RBS, o popular Diário Gaúcho é o que mais cresce’, afirma o diretor, na cerimônia de abertura do congresso da WAN, em Gotemburgo. Na internet, o Zero Hora bateu 4 milhões de visitantes.


Para atrair leitores mais jovens, o Valor relançará em 2009 o site do jornal. ‘O perfil do leitor do Valor é de pessoas com 40 anos. Os jovens executivos lêem o jornal que o pai assina ou lêem apenas na internet’, afirma o presidente e CEO do Valor, Nicolino Spina, que participa do congresso da WAN em Gotemburgo.


O jornal O Estado de S. Paulo conseguiu aumentar a circulação com uma revitalização dos assinantes e aumento das vendas corporativas (destinadas a empresas, restaurantes, etc.). ‘Estamos investindo também em internet. Em agosto, o Estadão lança o site Território Eldorado, da Rádio Eldorado, onde o internauta pode escolher uma seleção de músicas. Também lançamos recentemente o AE Investimentos. Neste ano, vamos investir mais fortemente em marketing do AE Investimentos’, afirma o diretor de marketing e mercado leitor do O Estado de S.Paulo, Antônio Hércules Jr, que também participa do congresso da WAN.


Crescimento vigoroso em internet


A receita com publicidade em jornais diários de todo o mundo cresceu 0,86% em 2007, somando acumulado de 12,84% nos últimos cinco anos. Os ganhos de publicidade em mídia impressa (jornais e revistas) equivalem a 40% da veiculação de publicidade, superando a TV (38%). Em geral, a publicidade cresceu em todos os países com exceção da América do Norte, cujo mercado encolheu 2,77% (o mercado americano é o maior em publicidade no mundo). A China teve crescimento de 16,13%. Europa Central e África tiveram expansão de 13,17% e a América Latina, 10,77%.


‘Mesmo em países com queda na circulação de jornais, notadamente os Estados Unidos e algumas regiões da Europa, os jornais gratuitos e de nicho além das plataformas multimídia têm expandido a atuação da indústria de jornais’, afirma o CEO da WAN, Timothy Balding.


A receita de publicidade online cresceu vigorosamente 32,45% mundialmente e 200% nos últimos cinco anos. A maior parte dessa receita é gerada no mercado norte-americano, principalmente, Europa Oriental e Ásia Pacífico. A expectativa dos jornais é que a receita de publicidade online dobre em jornais nos próximos cinco anos.


Abertura


A abertura do 61º Congresso Mundial de Jornais ocorreu na Ópera House, neste domingo, 1º de junho, em Gotemburgo, com apresentação da Orquestra de Gotemburgo e boas-vindas do presidente da WAN, Gavin O’Reilly e de Tomas Brunegard (Grupo sueco Stampen). O evento reúne 1.800 publishers, editores e executivos de jornais de 113 países, num recorde de inscrições.’


 


 


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El País


Segunda-feira, 2 de junho de 2008


ÉTICA
Rosario G. Gómez


Los periodistas estarán obligados a cumplir un código ético


‘Periodistas y políticos llevan años discutiendo sobre la manera de regular el derecho a la información y la libertad de expresión. La falta de una normativa ha llevado a situaciones insólitas, como la protagonizada recientemente por Telma Ortiz, hermana de la princesa de Asturias, que demandó ante los tribunales a medio centenar de medios de comunicación para que el juez les prohíba hablar de su vida privada.


El caso de Telma Ortiz es un ejemplo más del eterno conflicto en torno a los derechos y deberes de los profesionales, una cuestión que el Gobierno se ha comprometido a regular mediante un Estatuto del Periodista. La Asociación de la Prensa de Madrid (AMP) ha dado ya el primer paso. Una comisión creada en el seno de este organismo ha recogido el testigo para elaborar un documento, todavía en fase de borrador, que sirva de base para el futuro estatuto. ‘Define quién es periodista y en qué circunstancias puede dejar de serlo’, avanza el catedrático de la Universidad Complutense de Madrid Manuel Núñez Encabo, que forma parte del comité de expertos formado por periodistas, juristas, catedráticos y constitucionalistas.


Los periodistas estarán obligados a cumplir, según precisa Núñez Encabo, un código deontológico, un catálogo de deberes que se inspira en una resolución aprobada por el Consejo de Europa en 1993. Para ejercer el periodismo será necesaria una titulación. Y dejarán de ser considerados periodistas ‘quienes vulneren los códigos deontológicos’. Una comisión se encargará de vigilar el cumplimiento de estas normas, tal y como ocurre en la mayoría de los países europeos. En el Reino Unido, por ejemplo, esta misión recae en la Comisión de Quejas de la Prensa, que tiene potestad para imponer sanciones, aunque éstas se limitan a exigir al medio en cuestón una disculpa. Italia y Portugal van mucho más allá. En determinados caso, los periodistas pueden ser sancionados con multas económicas.


Una vez concluido el texto está previsto que sea remitido al Gobierno, según sus autores. Pero antes de poner en marcha su tramitación parlamentaria, el Ejecutivo aspira a conseguir un consenso entre los agentes afectados: asociaciones profesionales, empresas y sindicatos, para evitar el fracaso cosechado en la pasada legislatura. Aquel Estatuto del Periodista -elaborado por el Foro de Organizaciones de Periodistas y defendido por Izquierda Unida- empantanó en el Congreso de los Diputados a su paso por la Comisión Constitucional. Al tratarse de una ley orgánica, para su aprobación es necesaria la mayoría absoluta.


El documento de la APM, que inicialmente consta de 20 artículos, define los derechos y los deberes de los periodistas. Regula algunos de los aspectos recogidos en la Constitución -como la cláusula de conciencia y el secreto profesional-, y garantiza la independencia de los profesionales, tanto frente a los poderes públicos como frente a sus propias empresas. Junto a Núñez Encabo, en su redacción participan los periodistas Antonio Petit y Marisa Ciriza, el ex magistrado del Tribunal Constitucional Rafael Mendizábal, y el jurista Luis Martí Mingarro, entre otros.’


 




RELIGIÃO
Miguel Mora


La Iglesia aprende a comunicar


‘¿Cómo vender el producto cristiano, es decir fe y doctrina, verdad y razón, en un mundo poscristiano, pagano y tecnologizado? ¿Cómo comunicar la moral de la Iglesia a una sociedad relativista, saturada de información y harta de regañinas y maximalismos? A estas respuestas intenta responder la Iglesia católica, especialmente desde que el papa Ratzinger llegó al poder. La última moda en Roma parece sugerir el camino opuesto al que han elegido los obispos españoles, al apostar por la continuidad en la cadena que el cardenal Carlos Amigo ha rebautizado como ‘el dolor de cabeza permanente’ (la Cope).


Un seminario organizado por la Universidad del Opus Dei en Roma, la Santa Cruz, ha analizado cómo fluyen en el siglo XXI las corrientes y problemas de la comunicación católica. La primera premisa es que la Iglesia tiene que llegar más y mejor, influir y estar presente. Pero diciendo la verdad y sin aburrir.


Según Austen Ivereigh, del Arzobispado de Westminster, el primer dilema es hablar o callar. ‘Todos podemos pensar en líderes eclesiásticos que, como dijera el poeta Shelley de su padre, han perdido el arte de la comunicación pero no, tristemente, el don de dar discursos. Hay otros que no aciertan a seguir el consejo de Abraham Lincoln, mejor quedarse callado y que piensen que uno es tonto, a abrir la boca y despejar las dudas’, ironizó.


Según Ivereigh, la cosa no tiene duda: ‘La Iglesia existe no sólo para la salvación de sus miembros, sino para el bien común de la sociedad. Eso significa participar en la conversación nacional’.


Conversar equivale a discutir. Marc Carroggio, profesor de relaciones con los medios y director de comunicación del Opus Dei en Roma, cree que la Iglesia debe abrazar el debate y ‘la cultura de la controversia mediática’, porque ése es el ambiente donde se desarrolla, hoy, la actividad pública. ‘La filosofía es que la controversia es una oportunidad, no un peligro’. Una buena comunicación, añade, debe sonar ‘clara en las palabras y los argumentos’, y ‘ser amable y correcta en el estilo’. Todo, con una estrategia: obtener el consenso del auditorio neutro. ¿El secreto? ‘Reaccionar de manera adecuada, con ponderación, sin desmesuras’. Hay una clave más en esta nueva estrategia católica. Ha sido puesta en práctica para dar ejemplo, nada menos que por el jefe supremo, el Papa. Se trata de la sinceridad. Lo dice el jesuita Federico Lombardi, director de la Oficina de Información de la Santa Sede. El Papa, aclara, no evita los problemas, ‘sino que tiene la valentía de decir la verdad’, como hizo al hablar de los abusos sexuales en su viaje a Estados Unidos.


‘El Papa comprendió que para curar las heridas del pasado hacía falta ese tipo de sinceridad’. El Papa es él mismo, no trata de esconderse en una imagen, añade su portavoz.


Pero un buen comunicador, según recordó el vaticanista estadounidense John Allen, debe saber que ‘la rutina no es noticia, y que el conflicto es siempre la gasolina que mueve el motor de las historias’. El reto que lanzó Allen a los modernos comunicadores católicos es triple: ‘Explotar nuestras divisiones y nuestras celebridades; convertir las parroquias locales en centros de búsqueda global, y colocar la comunicación en el centro de la vida pastoral’.’


 


 


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