Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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Vendas de jornais

Por Lúcio Flávio Pinto em 26/05/2009 na edição 539

Entre o terceiro trimestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano, o Diário do Pará praticamente manteve a sua tiragem, com um discretíssimo crescimento, mas perdeu duas posições no ranking nacional, caindo de 38º para 40º lugar entre os jornais de maior vendagem do país. A circulação paga do Diário, apurada pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação) no acumulado até setembro de 2008, era de 26.548 exemplares. Em março deste ano, o número era de 26.785. Imediatamente à frente do jornal da família, na 38ª e na 39ª posições, estão dois diários do Espírito Santo, com tiragens bem próximas, a Gazeta e Notícias Agora. Até poucos anos atrás, o jornal paraense de maior circulação mantinha vários corpos à frente das publicações capixabas.

Mas se há consolo para a já ultrapassada hegemonia do Pará, ela pode vir da constatação de que o outro jornal de maior vendagem na Amazônia Legal, O Estado do Maranhão, da família Sarney, está numa distante 70º posição, com menos de 10 mil exemplares, e o seguinte, o 76º, o Diário do Amazonas, de Manaus, com apenas 6.512 exemplares apurados pelo IVC em março deste ano – e em queda, como é a regra na tendência de venda dos jornais no Brasil. A Folha de S. Paulo, ainda na liderança, já está abaixo da marca dos 300 mil exemplares. Durante 2008 ela se manteve além desse limite, mas não conseguiu mais recuperar a antiga posição.

É pouco provável que qualquer dos jornais mais vendidos no mundo reconquiste as tiragens praticadas antes da universalização do acesso à internet e da crise econômica mundial. Isto não significa que um lugar no cemitério os espera. A salvação não está na concessão ao gosto fácil, ao sensacionalismo ou à vulgaridade. Parece mais recomendável que se aposte na segmentação pela qualidade, oferecendo ao público um produto que não está à disposição na rede mundial de computadores ou em outras mídias. Apostando no aprofundamento desse diferencial.

Não há fórmulas salvacionistas. Nem decálogo de destino já escrito nas estrelas. O momento requer, como em toda crise, criatividade e inteligência. Não são matérias primas em abundância no mercado. Um dos elementos diferenciadores pode ser a transparência, a honestidade e o diálogo com o leitor, numa forma de interatividade distinta da que existe na blogosfera: mais madura e responsável.

No Pará, não há indícios dessa perspectiva: o Diário do Pará continua sem divulgar para o seu leitor os resultados das auditagens que o IVC lhe entrega e O Liberal continua sem cumprir a promessa de retornar ao instituto, para possibilitar a comparação. Como o único jornal filiado é o dos Barbalho, não se pode dizer se ele está vendendo mais do que o dos Maiorana. Considerando a última verificação feita pelo IVC em O Liberal, pode-se especular que esteja mesmo à frente. Do contrário, a promessa feita em dezembro do ano passado pelo big boss Romulo Maiorana Júnior, da refiliação de O Liberal no mês seguinte, já teria sido cumprida.

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Sangria contornada

Durou apenas dois dias a reação do Diário do Pará à determinação judicial de excluir as fotografias chocantes ou degradantes do seu caderno policial. Para marcar o protesto, o jornal passou a colocar uma mal armada tarja preta sobre as imagens de violência explícita, escancarada. Parecia que ia desencadear uma campanha cívica contra o que classificou de ‘censura prévia’. Mas desistiu logo.

Por quê? O jornal não disse, mas uma dedução é lógica: os leitores, alertados para a confrontação com a imagem ‘censurada’, podem ter chegado à conclusão de que a ordem judicial está mesmo certa. Pelo que foi exposto, ele podia imaginar o que foi ocultado. Suficientemente impressionado para dar razão ao corretivo judicial aos excessos e abusos do procedimento editorial do jornal, em claro sensacionalismo comercial.

Melhor foi a resposta anunciada na última edição de domingo: o início de uma série de reportagens, em fascículos semanais, sobre os ‘maiores casos de polícia em nosso Estado’. O apelo comercial é evidente, mas para alcançá-lo a empresa utiliza o que deve ser sua competência específica: o jornalismo.

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Jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA)

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