Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > FOTOJORNALISMO

‘Você me manda essa foto por e-mail?’

Por Neco Varella em 17/07/2007 na edição 442

Nos últimos tempos, tem se apresentado um novo cenário para a profissão de repórter fotográfico: a cada ano que passa, os equipamentos digitais evoluem e ficam com preços mais accessíveis para os fotógrafos amadores, enquanto os profissionais que se propõem a continuar no mercado atuam como free-lancers, uma vez que os salários da profissão estão cada dia mais baixos. O que preocupa é um fenômeno que surge e parece que veio para ficar: os tais fotorepórteres, que os sites e até algumas emissoras de televisão procuram para que suas notícias sejam ilustradas.

Os equipamentos evoluíram e isto é ótimo, mas quem paga essa conta será o fim da fotografia profissional. Para onde vai o fotojornalismo diante desta situação? Só mesmo em um país onde o trabalho não tem valor é que alguém ousa pedir fotos de graça – para quem quer que seja, profissional ou não. Tente fazer isso num país como os Estados Unidos. Qual o repórter fotográfico que não ouviu a frase: você me manda esta foto por e-mail? Sequer se questiona se há algum custo pela foto, mas o curioso em tudo isso é que os mesmos que pedem material de graça não dão seus produtos de graça. Nenhum jornal impresso sai de graça e alguns portais dos mesmos veículos não são gratuitos. Os sites que pedem para o cidadão enviar suas fotos de graça cobram pelos serviços de provedor.

Mais um golpe

Ora, eu pergunto: onde estão os profissionais que até agora não se manifestaram sobre este assunto? Por que este fenômeno ocorre justamente num país em que todos os equipamentos são comprados em dólar e muito caros para quem é profissional e tenta se atualizar, viver do seu trabalho.

Sinceramente, gostaria de ouvir a opinião dos meus colegas. Acredito que nós mesmos estejamos acabando com a nossa profissão justamente por omissão – tanto por parte das nossas entidades, quanto de nós próprios, no sentido de nos manifestarmos ou nos posicionarmos sobre esta situação. Espero que algo seja feito a respeito, pois considero um abuso e um desrespeito para com os profissionais. Diria até que é mais um golpe dos que detêm o poder econômico e não pagam pelos serviços profissionais, uma cultura da falta de valor do trabalho. Será que algum dia este país vai valorizar o trabalho?

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Fotojornalista e freelancer para a agência EFE e agência Estado em Porto Alegre, RS

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/09/2007 Allan Rosolen de Carvalho

    O grande problema da banalização do fotojornalismo não é a evolução da tecnologia, e sim muitos fotógrafos amadores que ainda não se deram conta do valor de seus trabalhos. Independente da experiência de trabalho dos colegas, muitos são dotados de um enorme talento porém não fazem noção do mal que causam para o fotojornalismo quando ‘doam’ sua fotos para grandes grupos midiáticos. A partir do momento que todos nós passarmos a valorizar nosso trabalho, mesmo na situação de amador (como eu) melhoraríamos não só nosso retorno financeiro, mas também a qualidade de nossos trabalhos.
    Enquanto bons fotorepórteres continuarem se deixando explorar pela grande mídia, mais banalizada será a atividade.

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