Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

INTERESSE PúBLICO > ECOS DA RIO+20

Depois da Rio+20

Por Irina Bokova, Lena Ek e Hirofumi Hirano em 26/06/2012 na edição 700

Reproduzido da seção “Tendências/Debates” da Folha de S.Paulo, 24/6/2012; intertítulos do OI

Quando o terremoto e a tsunami atingiram o Japão em 2011, quase todos os estudantes do ensino médio e fundamental de Kamaishi sobreviveram, pois tinham sido ensinados a reagir. Lá, a defesa contra essas catástrofes está nas mentes de crianças e adultos. É uma habilidade.

Habilidades são a chave para o desenvolvimento sustentável em tempos de mudança global. Construir essas habilidades deve começar o mais cedo possível nas escolas.

Muito longe dali, na Jamaica, Lorna Down leciona literatura. Em sua primeira reunião sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS), ela ainda não entendia como a sua disciplina estaria relacionada com o tema.

Logo percebeu que poderia abordar a questão nas aulas por meio do tema da violência, um assunto social importante em seu país. Hoje, seu programa foi adotado pelos professores universitários na Jamaica.

Novas competências

Essas duas histórias têm algo em comum: a importância de educar para o desenvolvimento sustentável.

Após a Rio+20, os líderes globais devem seguir com a ideia de que o crescimento verde não é alcançado exclusivamente por acordos econômicos e políticos ou soluções tecnológicas. Não há desenvolvimento sustentável se riscos corroem o progresso, se desigualdades e violência enfraquecem as sociedades. O crescimento verde acontece se enraizado nas sociedades sustentáveis, baseado no conhecimento adequado e em habilidades e valores.

Esse é o propósito da EDS, que exige revisão de currículos, qualificações profissionais, programas educacionais, formação adequada e capacitação para ampla variedade de profissionais. Nada fácil, mas vale a pena todo esforço.

Imagine alunos do ensino médio discutindo mudanças climáticas. Depois de aprender sobre as causas e os efeitos de gases de efeito estufa na atmosfera, eles trabalham em pequenos grupos sobre o que podem fazer para reduzir a emissão individual de carbono. Desenvolvem uma lista sobre como poupar energia em casa e na escola. Iniciam plantio de árvores na escola. Adquirem as habilidades sociais necessárias para empregos verdes, aprendendo sobre contextos ecológicos.

Os alunos também informam a comunidade sobre o projeto, com material para a revista da escola e o jornal local, criando novas competências, essenciais para a inovação e o desenvolvimento sustentável.

Essa visão deve ser uma realidade em todas as escolas.

Novo quadro

A Suécia tornou obrigatório no currículo nacional de ensino a aprendizagem do desenvolvimento sustentável nos níveis do sistema educacional. Mais de 800 profissionais de 42 países na Ásia e África já participaram de programas de formação financiados pela Suécia.

O Japão colocou a EDS nas diretrizes curriculares nacionais. A China designou mil escolas como experimentais para EDS e a incluiu em sua reforma educacional.

A Educação para o Desenvolvimento Sustentável amadureceu. A Rio+20 proporcionou uma oportunidade de reconhecê-la e aplicá-la. O próximo passo é incluí-la nas estratégias de desenvolvimento.

Quando os objetivos de desenvolvimento do milênio expirarem em 2015, um novo quadro de “objetivos de desenvolvimento sustentável” deve renovar o nosso compromisso para o desenvolvimento. A EDS deve ser parte integrante do quadro de cooperação pós-2015.

***

[Irina Bokova é diretora-geral da Unesco; Lena Ek é ministra do Meio Ambiente da Suécia; Hirofumi Hirano é ministro da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão]

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