Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > MÍDIA RADIOFÔNICA

Como mudar o rádio

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 10/07/2012 na edição 702

Soluções prontas não são possíveis, mas é provável que muitas cabeças poderiam trazer grandes modificações para o mundo do rádio, uma vez que há muitos problemas neste meio de comunicação que certamente jamais serão extintos, mas precisam de muitas modificações para crescer e avançar nos interesses de seus usuários e demais personagens. A primeira solução é tentar ver o que o povo pensa do rádio resgatando estudos, teses e produção científica sobre este no sentido real de buscar um diagnóstico mais abalizado sobre seus problemas e dilemas. Depois é interessante que haja união de todos aqueles que estão envolvidos na construção deste meio de comunicação para gerar uma rodada de opiniões e construir o rádio que interessa realmente ao povo. É preciso entender urgentemente o caráter deste meio de comunicação em relação a sua história, suas relações e seus dilemas de ontem e de hoje.

É preciso realizar ações no sentido de gerar cultura no povo para entender a função do rádio, discutir sua real posição como meio de comunicação e fazer com que o povo entenda sua importância nos dias de hoje. Claro que sua versatilidade e sua capacidade de alcance podem realmente gerar muitas coisas boas para este meio de comunicação, mas é preciso ir além fazendo com que haja o entendimento de caráter como concessão pública, que certamente deveria servir ao povo e garantir plenamente os interesses populares como um todo. É deveras importante que se aprofunde a discussão sobre o rádio, criem-se fóruns, seminários e colóquios que façam com que a discussão seja rentável e gere transformações a contento. O rádio precisa ser enaltecido, precisa ser valorizado, precisa de apoio para crescimento e precisa mudar a programação gerando respeito ao seu usuário e ampliando a participação.

A serviço da cidadania

Quando iniciamos a experiência da Associação de Ouvintes de Rádio no estado do Ceará fomos duramente incompreendidos, pois pensavam que éramos grupos de censores que queriam influenciar na programação e até promover perseguição aos radialistas. Apesar de não concordar com muitas coisas que se passam no rádio, não é esta a função da Associação, pois sempre buscamos ações que visem a desenvolver o respeito a este meio de comunicação e buscar a valorização de todos seus personagens. Defendemos plenamente a participação dos ouvintes no rádio como exercício de cidadania. O cidadão deve ser preparado para dizer o que pensa, propor mudanças e dizer o tipo de comunicação que lhe interessa e que realmente seja adequada ao processo de comunicação democrática, verdadeira e afinada com os interesses da população de forma real e efetiva.

O rádio não precisa de heróis, precisa de luta, precisa de compreensão e de entendimento de sua importância perante a comunidade e os indivíduos de forma geral. É importante que se abram espaços nas outras mídias para discutir a importância do rádio e seu caráter como instrumento de luta do povo. Os ouvintes devem ser educados para participação nos programas de rádio e não devem ser ignorados pelos locutores, operadores e gestores das emissoras, pois a opinião popular é hoje um grande ingrediente para uma comunicação real e alinhada com aqueles que propugnam por uma sociedade mais justa e real em todos os sentidos. O rádio precisa ser resgatado como comunicação a serviço das lutas populares e da cidadania. Talvez hoje não esteja acontecendo isso, mas se aprofundarmos ações em termos de melhoria e garantia de mudança de rumo, isso pode ser possível. É preciso aprofundar a organização dos usuários deste meio de comunicação na construção da interatividade que será certamente o grande cerne do crescimento do rádio para melhor.

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[Francisco Djacyr Silva de Souza, presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará]

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