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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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INTERESSE PúBLICO > RÁDIO NA AMAZÔNIA

O principal meio de comunicação do campo com o mundo

Por Amanda de Oliveira Silva em 04/02/2014 na edição 784

Escrever sobre a relação do rádio com a Amazônia é levar em consideração a forte ligação que esse veículo, mais que qualquer outro, estabeleceu com a região. São grandes extensões territoriais que separam uma família da outra, o rural do urbano, o homem isolado nas diversas vilas e comunidades. Florestas e rios dificultaram a implantação de outras mídias, mas para o rádio foi fácil superar essas adversidades e ele se tornou o principal meio de comunicação da população do campo com o mundo.

O homem da zona rural nasceu, cresceu e viveu em um ambiente isolado. Segundo Paulo Ferreira (2005), longe de cidades e centros urbanos, o cidadão do campo, por meio de barcos, se contatava com habitantes de outras comunidades, recebia e enviava correspondências e também conseguia abastecimento para sua família, com as mercadorias que chegavam. Além de tudo isso, o Regatão, como esse tipo de navegação era conhecida, levava à população as informações sobre cidade.

Quando o rádio chegou à Amazônia, o homem entrou em contato com outras realidades. Até a mais distante comunidade rural foi comtemplada pelo sinal do rádio. “As ondas do rádio chegavam até os vilarejos mais distantes, na beira do rio, nos garimpos, nos seringais, nas fazendas, nas roças, dentro das canoas, dos barcos, dos navios, dos caminhões tipo pau-de-arara etc.” (FERREIRA, 2005, p. 2).

Parte do dia a dia

Lá pela década de 1920, o meio de comunicação mais utilizado era o jornal impresso, que ficava restrito ao ambiente da cidade. Além das distâncias que separavam o urbano do rural, o que impossibilitava o seu transporte, esse meio de comunicação não abrangia a parte da população que era analfabeta. Para o rádio, no entanto, tais barreiras não existiam. Além do custo de um aparelho ser baixo e se encaixar no orçamento da população rural.

A capacidade auditiva do ouvinte era o fator condicionante para que ele se aproximasse do veículo. A linguagem, clara e concisa, devido à instantaneidade do rádio, também foi um fator que garantiu maior público, assim como a regionalização da fala, que aproximou e facilitou o entendimento da mensagem pelo ouvinte. Essa definição de linguagem e a criação de efeitos sonoros foram indispensáveis para ajudar o ouvinte a criar uma imagem mental daquilo que estava escutando. “A linguagem radiofônica engloba o uso da voz humana, da música, dos efeitos sonoros, e do silêncio, que atuam isoladamente ou combinados entre si de diversas formas. Cada um destes elementos contribui, com características próprias, para o todo da mensagem” (FERRARETTO, 2007, p. 26).

Quando as grandes companhias de navegação chegaram ao período de decadência, e os navios não apareceram mais, o rádio permaneceu firme nas comunidades do interior. Como não haveria de ser, já que ele realizava o trabalho dos antigos barcos, levando informações das terras distantes? A consolidação do rádio no Brasil aconteceu na década de 1960, e sua presença nos lares brasileiros foi massiva. Não só como fonte de entretenimento, com suas músicas e radionovelas, mas o rádio permitiu à população o conhecimento sobre outras culturas e formas de viver, dentro e fora do país.

No território da Amazônia paraense, essa mídia, que em muitos locais está relacionada ao passado, como veículo de comunicação obsoleto, faz parte do dia a dia de muitas famílias. É o resgate da memória do povo paraense, após tantos anos se enraizando ao solo fértil dessas terras. É o principal meio de comunicação com o mundo.

Referências bibliográficas

FERRARETTO, Luiz Artur. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto Alegre: Dora Luzzatto, 2007.

FERREIRA, Paulo Roberto. Após o regatão, o rádio e a televisão. 2005. Disponível em: http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/3o-encontro-2005-1 Acesso em 24/10/2013

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Amanda de Oliveira Silva é estudante, Castanhal, PA

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