Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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INTERESSE PúBLICO > AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Pelo direito de saber

Por Nelson Breve em 18/02/2014 na edição 786

Reproduzido da Revista de Jornalismo ESPM nº 8, jan/fev/mar 2014; intertítulo do OI

Dos pombos correios às redes sociais, a humanidade teve quase dois séculos de avanços tecnológicos que deram sustentação ao papel determinante das agências de notícias na transformação do mundo em uma

aldeia global. Da sociedade mercantilista à sociedade da comunicação, o fluxo de informações que move o capitalismo e promove a democracia tornou-se um patrimônio social imprescindível para a vida social. As agências de notícias têm sido fundamentais para aproximar o indivíduo do mundo e o mundo do indivíduo, com informações necessárias para nos inserirmos na sociedade e nos posicionarmos em relação aos acontecimentos.

No Brasil, as agências de notícias chegaram quase um século depois das pioneiras internacionais Havas e Reuters, já no Estado Novo de Getúlio Vargas. O ramo privado teve início com a Agência Meridional de Notícias, criada por Assis Chateaubriand e vinculada aos Diários Associados. Diferentemente da maioria dos países, nos quais as agências são empresas independentes dos principais jornais, esse modelo tem sido mantido até hoje pelos periódicos brasileiros.

No campo público, a primeira agência de notícias brasileira foi a Agência Nacional, vinculada à Rádio Nacional e depois à Radiobrás. Não distribuía material escrito, apenas noticiário radiofônico. Somente no fim da década de 1970, durante a ditadura militar, foi criada a EBN – Empresa Brasileira de Notícias, uma empresa pública destinada a produzir notícias e fotografias distribuídas por telex e rádio. Porém, a EBN teve vida curta. Menos de uma década depois, foi incorporada pela Radiobrás, que então produzia e distribuía a Voz do Brasil para as emissoras de rádio.

Foco ampliado

Na década de 1990, a Radiobrás recuperou o projeto da EBN, criando a Agência Brasil. Por pertencer a uma empresa estatal, a Agência Brasil tem sido considerada, até hoje, como porta-voz governamental. Esse nunca foi o papel dela, mas essa confusão é compreensível pelo fato de ter uma pauta excessivamente concentrada na cobertura das ações governamentais.

No início do governo Lula houve uma tentativa de redirecionar a pauta para a sociedade, com o foco nos movimentos sociais e o uso mais intenso das novas mídias. Esse distanciamento proporcionou um ganho de credibilidade, ampliação e diversificação da audiência, mas não teve respaldo suficiente para institucionalizar o novo conceito.

Com a criação da EBC, isso passou a ser alcançável, já que a própria lei nº 11.652/2008, que regulamentou os serviços públicos de comunicação, estabeleceu princípios e objetivos sintonizados com a proposta de ampliação e diversificação do foco de cobertura da comunicação pública. Notadamente os que se referem a autonomia, pluralidade, não discriminação, construção da cidadania, inclusão social e formação da cons-ciência crítica das pessoas. No entanto, com justa razão, o projeto de instituição da TV Brasil teve prioridade absoluta nos primeiros anos da EBC. Com isso, a adaptação da Agência Brasil ao novo cenário foi mais lenta.

Hoje, ela conta com cerca de 90 profissionais entre jornalistas e repórteres fotográficos, que produzem e distribuem cerca de 2.000 notícias e 1.500 fotos por mês. Nos últimos dois anos, com a criação da Superintendência de Comunicação Multimídia, responsável pelo empacotamento e distribuição dos conteúdos pela internet, os acessos dela quadruplicaram, alcançando mais de 1,2 milhão de visitantes únicos em outubro de 2013. O novo site da Agência Brasil, com lançamento previsto para janeiro de 2014, tem um visual mais moderno e novas funcionalidades que permitirão mais agilidade e diversificação dos conteúdos distribuídos. Além disso, haverá um ambiente especial de relacionamento com os editores dos milhares de veículos de comunicação que reproduzem os conteúdos da Agência para sugestão de pautas e acesso a imagens com melhor qualidade de publicação e facilidades para transporte e edição de textos.

O novo site marcará o início do projeto previsto no Plano Estratégico da EBC, que deverá ter na Agência Brasil seu núcleo central de produção jornalística. Pretendemos aumentar substancialmente o efetivo de repórteres, ampliando o foco da cobertura, para reportar esses conteúdos e fortalecer o exercício da cidadania, de forma a atender aos direitos de saber e de dizer.

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Nelson Breve é jornalista e diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

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