Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

INTERESSE PúBLICO > MÍDIA RADIOFÔNICA

A busca pela qualidade

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 23/03/2010 na edição 582

O discurso da qualidade permeia nossa sociedade e faz com que muitas empresas hoje tomem providências e criem motivações no seu meio para desenvolver produtos de qualidade e gerem atendimento aos consumidores que façam com que sua marca seja aceita e respeitada. No meio rádio, a questão da qualidade ainda não tem muita aceitação por parte dos que se dizem proprietários deste meio de comunicação. A maioria dos programas de rádio hoje é levada ao ar sem produção, sem planejamento e muitas vezes se caracteriza por improvisos completamente fora dos anseios dos usuários do meio rádio.

Ao propugnar pela qualidade, alguns ouvintes são defenestrados do meio rádio e são tachados de resmungões ou simplesmente ignorados, pois sua opinião geralmente vai de encontro aos interesses dos grandes grupos de comunicação que preferem deixar o rádio à mercê dos interesses políticos e religiosos, sem cumprir sua missão primordial, que é gerar comunicação que agregue, que valorize os indivíduos e que invista em interatividade. O rádio precisa de investimentos na produção e na qualidade das emissões para que os programas falem a linguagem do povo e seja adequado às famílias e aos costumes dos cidadãos. O grande problema é que não há interesse em qualidade no meio rádio, pois a massa de ouvintes ainda não se deu conta do que é a qualidade e ainda não exerceu o poder de questionar os programas e exigir mudanças. Os ouvintes precisam ser educados para exigir do rádio seus verdadeiros propósitos e fazer com que este meio cresça não apenas em qualidade técnica, mas em qualidade da mensagem e do propósito de informar seriamente.

União, garra e companheirismo

A crítica ao que se passa no meio rádio parece-nos não existir, nossos meios de comunicação (jornais, televisão, revistas) sempre procuram varrer a situação para baixo do tapete, pois há muitos interesses envolvidos no caos em que se encontra a comunicação radiofônica e tem muita gente lucrando com programas que agridem e fazendo fortuna com o bizarro, com as graçolas indevidas, com o uso político do rádio e com a falta de uma massa crítica que abomine tais práticas para o bem do rádio e para sua qualificação. Afinal, o que querem do rádio? Por que deixam o rádio à mercê de tantos interesses? Por que querem sucatear o meio rádio? Nosso rádio AM está cada vez mais desprezado pelos grandes grupos de comunicação que ainda não se deram conta de sua importância e sua relevância para o processo de geração de idéias e coesão de nosso povo. Será que já mediram a presença do rádio no seio familiar? Já fizeram uma pesquisa fiel da penetração do rádio nas casas? Já fizeram uma análise do perfil do ouvinte de rádio? Por que não procuram gerar novo público para o rádio?

No meio FM, já notamos uma mudança – o rádio não é apenas o ‘vitrolão’. Algumas rádios já utilizam, além da música, a informação na sua programação talvez pelo fato de que já se sabe o objetivo do ouvinte em relação ao rádio. O rádio que o ouvinte quer não é apenas musical, mas sobretudo informativo, expressivo, verdadeiro e que seja aliado ao processo de cidadania. O rádio precisa urgentemente ser revisto, debatido, questionado. Não é desprezando idéias críticas sobre o rádio que a comunicação vai crescer, é preciso desenvolver momentos de questionamento sobre este meio de comunicação não apenas para desferir críticas, mas para apontar soluções que serão para o bem da comunicação de maneira geral.

Desse modo não entendemos o porquê de tanto desprezo aos grupos que defendem uma comunicação verdadeira, ética e cidadã. As idéias que temos sobre o rádio são esquecidas e desprezadas até mesmo por quem já foi prejudicado com as mudanças nefastas que têm ocorrido no meio rádio. No estado do Ceará tivemos mudanças que desempregaram profissionais e geraram comunicação de uma única via onde apenas se divulga uma religião ou um propósito político e ninguém diz nada… Parece que há um medo ou uma conivência com o caos e ninguém faz nada… O que querem que aconteça? Seria o fim do rádio? Por que ninguém se organiza na busca da qualidade pelo rádio? Muitas destas perguntas deveriam ser respondidas para o bem do rádio e para um processo de comunicação baseado no direito do cidadão e para geração de uma sociedade onde prevaleça justiça social e igualdade… Mãos à obra, ainda há tempo para a mudança, porém esta só será possível se houver união, garra e, sobretudo, companheirismo nos personagens do meio rádio para o seu bem e de toda a comunicação.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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