Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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INTERESSE PúBLICO > LEITURAS DE FIM DE SEMANA

A guerra das revistas

Por Alberto Dines em 10/03/2008 na edição 475

Nossos semanários continuam tropeçando, principalmente os que abandonaram o jornalismo e se engajaram na política. Veja e CartaCapital saíram no último fim de semana com uniforme de campanha, prontas para entrar na guerra por causa das Farc.


Veja foi em cima das ‘feras radicais’ (Chávez, Correa, o líder das Farc, Tirofijo e ainda pegou Evo Morales que esteve fora desta). CartaCapital partiu na direção contrária: foi em cima do colombiano Álvaro Uribe, que segundo a revista só tem o apoio de George Bush.


Não contavam com a vocação conciliatória latino-americana: enquanto preparavam suas aguerridas edições do fim de semana Colômbia, Equador e Venezuela estavam mergulhados numa batalha diplomática e retórica, mas na sexta-feira (7/3) à tardinha, em Santo Domingo, República Dominicana, na reunião do Grupo do Rio, os combatentes mudaram de opinião.


Chávez, Correa e Uribe apertaram as mãos, exibiram sorrisos, trocaram tapinhas nas costas e, depois de uma semana de insultos e ameaças, mostraram-se muy amigos.


Enquanto nos jornais de sábado (8) as manchetes comemoravam o fim da guerrilha verbal, Veja e CartaCapital estavam nas bancas ainda engajadas em suas guerrilhas particulares e enganosas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/03/2008 Márcio Pereira

    Sinceramente, não sei qual apito toca o sr.Dines…essa comparação de ‘guerra’ entre carta capital e veja é esdrúxula!
    Veja já deixou de fazer jornalismo há décadas, já carta capital nos brinda com reportagens de alto teor jornalístico e toma posição sim, porque neutro quem tem que ser é sabão…E o sr. Dines? o que acha disso tudo que está acontecendo na América-Latina? Será que ele está mais pra sabão ou pra jornalista?

  2. Comentou em 11/03/2008 Luciano Baía Meneghite

    A história não é feita de mocinhos e bandidos.Pensar assim é simplificar demais assuntos complexos.Não sou filiado a nenhum partido,não sigo nenhuma religião,nem tenho idolatria por nada nem ninguém.Me julgo de certa forma isento para emitir uma opinião.O que vejo é que há sim uma guerra suja de informações distorcidas. Ao procurarmos o máximo de fontes alternativas de informações,sem preconceitos,vemos que é praticamente impossivel não culpar as organizações globo e a veja,por essas manipulações.

  3. Comentou em 11/03/2008 José Orair Silva

    Não tenho mais idade e disposição para participar desse debate apaixonado sobre as duas revistas. Fui leitor de Veja na sua primeira década de vida e sou assinante antigo de Carta Capital. Respeito plenamente o fato de os leitores de Veja não gostarem de Carta Capital e vice-versa. Gosto não se discute. Peço, respeitosamente, licença aos leitores de Veja para duas colocações que, a meu ver, diferenciam as duas revistas. Recentemente discordei de uma reportagem da revista Carta Capital sobre o jogador Kaká e encaminhei um comentário bem crítico para o blog do Diretor da Revista. O comentário foi publicado na íntegra. Sequer uma vírgula foi retirada. Diante disso, pergunto: na hipótese de um leitor da Veja discordar de uma reportagem, existe um blog do Diretor da revista onde ele possa publicar sua opinião discordante? Outro aspecto importante é que a revista Carta Capital explicita em editorial o seu posicionamento político, a exemplo do que fazem os grandes jornais ocidentais inclusive os norte-americanos. Parece que a Veja não faz isso. Consigno previamente meu respeito à opinião daqueles que, acreditando na isenção da revista, entendem que a publicação realmente não deve explicitar, como faz a Carta Capital, seu apoio a determinadas correntes políticas. O importante de tudo isso é que possamos discordar de forma civilizada. Um grande abraço aos leitores das duas revistas…

  4. Comentou em 10/03/2008 Wladson Dalfovo

    Caro Diniz, penso que o senhor não leu a série de Luis Nassif e comparar Veja com a Carta é no mínimo, desrespeito ao nosso jornalismo de qualidade.

  5. Comentou em 10/03/2008 Luciano Prado

    Dorit Hartd , Campo Grande-MS – dona de casa – A diferença entre Veja e Carta Capital é pequena, mas relevante: o fato, a verdade. Enquanto Carta Capital trabalha com jornalistas, Veja o faz com matadores de aluguel da honra alheia.

  6. Comentou em 10/03/2008 José Orair Silva

    ‘Chávez, Correa e Uribe apertaram as mãos, exibiram sorrisos, trocaram tapinhas nas costas e, depois de uma semana de insultos e ameaças, mostraram-se muy amigos’.
    Visão muito otimista a do Sr. Alberto Dines que, ao que parece, impressionou-se com abraços e talvez beijos trocados por políticos, mestres na arte de abraçar, beijar e esfaquear pelas costas… É claro que não haverá uma guerra. Venezuela e Equador preferiram a guerra verbal porque sabem, perfeitamente, que não têm poderio militar para enfrentar uma guerra convencional contra o poderoso e bem treinado exército colombiano. A Colômbia, por sua vez, deve privilegiar sua guerra interna com as FARCs antes de abrir novas frentes ainda que seja contra vizinhos fracos e mal armados. Ademais o objetivo colombiano já foi atingido ao interromper as sucessivas e desgastantes (para o governo colombiano) libertações de reféns patrocinadas por governos estrangeiros e contando com grande cobertura midiática. Os reféns foram os grandes perdedores. Tal como os peões no jogo de xadrez foram movimentados e sacrificados a interêsses estratégicos maiores. De qualquer forma não dá para acreditar que a partir de tão comovidos abraços Uribe, Chaves e Correa tornem-se amigos para sempre…

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