A profissão mais antiga do mundo | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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A profissão mais antiga do mundo

Por Gilson Caroni Filho em 23/09/2008 na edição 504

Há algum tempo,em outubro de 2005, o jornalista Renato Rovai advertia quanto aos riscos que o tipo de jornalismo praticado por Diogo Mainardi e outros articulistas de Veja trazia para a imprensa como instituição e o jornalismo como profissão.

‘Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso’ (revista Fórum, outubro de 2005).

Em dezembro do mesmo ano, Olavo de Carvalho, em cruzada aberta contra o Observatório da Imprensa, afirmava que pelos critérios da esquerda ‘o simples salário de jornalista profissional, tão limpo quando pago a esquerdistas, se torna uma espécie de propina corruptora quando vai para o bolso de alguém politicamente incorreto’.

‘Uma prostituta de classe’

O ‘esquerdista’, subsidiado por uma tão onipresente quanto imaginária ‘Internacional Comunista’, sempre atuante nos arrazoados do auto-intitulado ‘filósofo’, seria o jornalista Alberto Dines, editor do Observatório. O ‘politicamente incorreto’, o iconoclasta de estimação da família Civita era, obviamente, o polemista Diogo Mainardi. É assim que Olavo costuma reorganizar as questões que o atormentam no campo das idéias: com simplificações e rótulos. É nesse marco que se processam suas ‘impagáveis abstrações.’

Passados três anos da publicação dos dois textos, o ‘oráculo de Ipanema’, em entrevista ao jornal-laboratório da Facha (edição nº 23, julho/agosto de 2008), tece considerações sobre o que julga ser a natureza de uma categoria profissional. Confirma os piores temores de Rovai e, por conseqüência, esclarece as dúvidas ‘olavianas’ sobre os critérios que definem o tipo de pagamento pelos serviços prestados por ela.

Lembrando da argumentação usada pelo pai do articulista, o publicitário Ênio Mainardi, para trocar as redações pela publicidade (‘se era para ser uma prostituta, seria, então, uma prostituta de classe’), os estudantes Daniela Lima e Diego Ferreira perguntaram a Diogo se ele se considerava uma prostituta no jornalismo.

Distância diminuiu

A resposta não podia ser mais categórica:

‘Hoje em dia, jornalistas e publicitários ganham a mesma coisa, saíram da Vila Mimosa para as ruas mais elegantes da cidade (…). Talvez seja essa a minha maior preocupação: ser menos prostituta possível.’

Não ficou claro se Mainardi produziu uma peça de péssimo gosto ou tentou esboçar análise de um novo projeto de construção da identidade do campo jornalístico brasileiro. Uma tosca tentativa de iniciar o debate sobre novas funções éticas da imprensa. Um processo que passa pela redefinição de como se dará a elaboração crítica da informação a partir de insuspeitas exigências da nova tecnologia.

Enquanto os especialistas não se debruçam detidamente sobre as questões levantadas na entrevista, uma coisa é certa: a distância entre Vila Mimosa, famosa área de prostituição do Rio de Janeiro, e a redação de conhecida revista semanal, na Avenida das Nações, 7221, em São Paulo, diminuiu consideravelmente. Em breve, será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.

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Professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), Rio de Janeiro, RJ

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/09/2010 augusto zanetti ferreira

    Com o recuo de Rubnei Quícoli na PF ontem, é estranho que o nome do empresário tenha sumido da Folha. Uma consulta ao http://busca.folha.uol.com.br/search mostra que a última vez que ele foi citado foi na edição de domingo. Nas 3 últimas edições (2ª, 3ª e hoje), nada de Rubnei Quícoli.
    Estranho?

  2. Comentou em 27/09/2008 Diogo Barbosa

    Li a orelha de um livros de Mainardi na semana passada… é assutador que alguém o compre depois de ver o que há escrito na apresentação feita por ele mesmo. Ele diz que não dá opinião de graça e por isso mesmo não responde a e-mails, que é um profissional da opinião, que tem opinião sobre tudo e que pode ter duas delas constrárias sobre o mesmo assunto. O problema é que no mesmo texto ele critica os brasileiros por darem opinão sobre tudo indiscriminadamente. Um palhaço, mais palhaço ainda quem dá atenção a ele. Reamente, é um fenômeno recente e urbano. Nada a ver com a dignidade das meninas de Vila Mimosa

  3. Comentou em 26/09/2008 Felipe Faria

    Divido as pessoas em2 grupos, os pagadores líquidos de impostos e os consumidores líquidos de impostos. Não sei em que atividade estatal você trabalha, se é uma carreira de estado, ou atividade em uma empresa estatal. Você é concursado, o que não muda nada em termos morais, mas muito provavelmente você é um consumidor líquido de impostos. Não sou militante da Veja, a leio frequentemente. Além da Veja, leio o JB, O Globo, Tribuna da Imprensa. O que você não compreende direito é que definitivamente abomino quaisquer ideologias coletivistas ou pessoas que tentam cercear a liberdade de outras.

  4. Comentou em 26/09/2008 Felipe Faria

    Publicitária reclamando de reputação. ….publicitário duvidando dos métodos de análise estatística de tiragem de revistas (como se tubarões capitalistas iriam gastar fortunas em revistas que nada vendem…..a sim, é uma conspiração mundial contra as revistas de esquerda). Quando vocês retornarem à realidade (sim, existe um mundo lá fora, dinâmico e produtivo, de gente que não quer saber de política, só de trabalhar e garantir seu sustento fora das esferas estatais) vão se dar conta de que em uma sociedade onde exista liberdade as pessoas consomem o que querem, o que podem, e sonham com coisas supérfluas aos olhos dos dogmáticos esquerdistas, dos religiosos fanáticos e dos reformadores sociais em geral. Chega de patrulha.

  5. Comentou em 26/09/2008 Carlos N Mendes

    Seu aparte é pertinente, Andrea. O que eu quis dizer é que Mainardi simula intimidade criando aquele clima de conversa informal, cheia de certezas, que temos com amigos que encontramos ao acaso no supermercado numa terça à noite; e essas conversas quase nunca são ‘coloquiais’, mas tem sempre aquele tom chulo de ofensa a terceiros das pessoas que tem certeza de tudo (‘aquele b*b*c* é um zé-mané, mesmo’…). Desculpe.

  6. Comentou em 26/09/2008 Andrea Guedes

    ‘Os cronistas usam linguagem ‘relaxada’, como se fosse uma conversa trivial’ Você não está confundindo coloquial com vulgar, grotesco? Há uma grande diferença entre os dois.

  7. Comentou em 26/09/2008 Thomaz Magalhães

    Gilson Caroni e o citado Renato Rovai têm em mente um ‘padrão’ jornalístico, que consideram o bom, o do bem. O deles, o de esquerda. Dentro deste parâmatro julgam não ser bom o jornalismo da Veja, a revista mais comprada – comprada – pelos cidadãos brasileiros. Acham, certamente, que os compradores da Veja pensam ser boa a ‘qualidade’ do jornalismo das cartas maiores e capitais da vida. E que os leitores escolhem, então, comprar a Veja porque ela é pior. Um espanto.

  8. Comentou em 26/09/2008 Carlos N Mendes

    Diogo Mainardi não é jornalista. É cronista. Os cronistas usam linguagem ‘relaxada’, como se fosse uma conversa trivial. Isso serve para desarmar o espírito crítico das pessoas, é a mesma técnica de aproximação de líderes religiosos. Esse desarme serve para as idéias políticas de Mainardi, ou quem quer que esteja por trás dele, entrarem como um Cavalo de Tróia na mente do leitor. É veneno. É doutrinação ideológica disfarçada de amenidade. Ms nem a mãe do Mainardi deve achar que o filho é jornalista. Jornalista é outra coisa.

  9. Comentou em 25/09/2008 Felipe Faria

    então nem dói…..imaginem o Mainardi no Jornal do PT. Aí iria ser dolorido. De qualquer maneira, isso tudo cheira a inveja da tiragem da Veja.

  10. Comentou em 25/09/2008 Felipe Faria

    Ou você ganha salário ou é independente. Qualquer pessoa no mundo deve a quem lhe paga o salário. O segredo é saber escolher patrões. Em qualquer profissão.

  11. Comentou em 06/04/2007 denise de fátima plácido

    Boa tarde,

    gostaria de saber , onde posso consultar/obter . via internet, matérias sobre a história da DIAGRAMAÇÃO NO MUNDO ?

    DESDE JÁ AGRADEÇO A ATENÇÃO

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