Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > BARBÁRIE NO RIO

A razão e o clima de “nunca mais”

Por Alberto Dines em 13/02/2007 na edição 419

Pode entrar para a história a entrevista da jornalista Fátima Bernardes com os pais de João Hélio, a criança martirizada pelos bandidos no Rio, apresentada domingo (11/2) no Fantástico e parcialmente repetida na segunda (12) no Jornal Nacional e no Jornal da Globo.


A jornalista cumpriu uma missão difícil, a Rede Globo foi decisiva, mas quem tocou na alma do país inteiro foram os pais da criança. Ou melhor, as suas palavras.


Destroçados pela barbaridade, conseguiram apelar para a razão. Articulados, conseguiram superar as emoções. Tocaram os corações, tocaram as mentes e alguma coisa começou a se mexer no coração da sociedade brasileira.


Há um clima de ‘Nunca Mais’ no ar que precisa ser aproveitado. Juristas e magistrados acham perigoso mexer na legislação em momentos dramáticos, mas o Brasil mexe nas leis, nos códigos e até na Constituição com uma facilidade e uma freqüência que beira a irresponsabilidade.


Não cabe à mídia decidir o que precisa ser feito, mas cabe a ela colocar urgências e premências na agenda nacional.

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  1. Comentou em 13/02/2007 Vicente Estevam Junior

    Em compensação, a matéria sobre o caso, que a Veja apresenta em seu sítio, da forma como está lá, é porca e tendenciosa. Cheia de menções a Chico Buarque e ao ‘Meu Guri’, a revista esbanja falsas ironias dando voz àqueles que sempre se colocaram num parnaso, como se não fosse toda a sociedade responsável por tudo isso. A escalada da violência é fruto da crise social, sim! A ausência do Estado não se mostra apenas na falta de dinheiro da maioria do povo, mas na falta de educação, de preservação das instituições e de valores que o próprio Estado corrompe (e é corrompido). Se o Estado é corrompido, há um corruptor. E corruptores não são pessoas sem posses. É evidente a necessidade de mudanças profundas na legislação e nas formas de combate à violência. Mas é muito mais urgente e decisiva a mudança de postura do Estado brasileiro. A violência se dá num território conquistado por outro organismo que não o de direito. É preciso reconquistar esse território. Mas essa conquista jamais será feita apenas por armas, mas por uma presença firme e de qualidade do poder público, que deve se apresentar e devolver aos moradores dos territórios ocupados a dignidade e a cidadania. Se há muitas pessoas incapazes de violências, isso se dá porque em suas casas persistem valores fortes. Nem todos têm essa sorte. À imprensa cabe exigir mudanças profundas e não a intolerância. A Veja é uma vergonha!

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