Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

INTERESSE PúBLICO > MÍDIA RADIOFÔNICA

Adianta fazer algo pelo rádio?

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 27/07/2010 na edição 600

A impressão que temos é que a luta pelo rádio-cidadão é praticamente em vão, pois os que dominam este meio de comunicação jamais irão mudar se não houver uma revolução dos costumes dos usuários no sentido de exigir uma programação de qualidade que atenda realmente aos interesses dos ouvintes e dos cidadãos em geral. A luta por um rádio-cidadão é dificílima, pois os grupos de poder que dominam o rádio não querem mudanças e os mecanismos de pressão dos usuários são muito fracos no sentido de organização, luta e mudança. Às vezes, os que ouvem rádio não querem ou não podem exercer o poder da crítica nem buscam canais de intervenção em muitas anomalias que aí estão no rádio e que acabam mostrando uma comunicação anômala e destoada dos objetivos reais de um meio de comunicação que resiste ante as incompreensões e interesses dos que os dominam.

O ouvinte de rádio precisa se organizar, precisa protestar contra problemas que o rádio tem mostrado, precisa buscar mecanismos de pressão junto às emissoras questionando o espaço dado para exercício da cidadania e exigindo que o rádio cumpra seus objetivos, que são a comunicação sadia, com valores e, principalmente, com respeito a quem ouve rádio. Em uma oportunidade, estava com minhas filhas a ouvir um programa e elas me pediram para fechar o rádio, pois não aguentavam tanta besteira e tanto desrespeito. O que fazer diante desta situação? Fechar o rádio é muito simples, e daí? Será que os outros tomam a mesma decisão? O ideal seria gravar a transmissão e enviar ao Ministério das Comunicações mostrando a lei e o objetivo do rádio. Porém, não fazemos isso; preferimos nos calar e nos resignar e deixar a pornofonia tomar de conta do rádio. Puxa, como somos passivos…

Cidadania e respeito

O ideal seria a formação de um conselho de ouvintes no meio rádio, que exerceria fiscalização, o que não é censura, pois o rádio precisa de controle, precisa de regulação, precisa de respeito aos usuários que muitas vezes são os menos consultados em meio às programações que agridem, desrespeitam e promovem a baixaria e a pornofonia desenfreadas. O rádio precisa de regulação , precisa de respeito, precisa de cidadania. Em episódio recente, uma rádio de Fortaleza (Rádio Cidade AM) simplesmente cassou o direito do ouvinte se pronunciar alegando a lei eleitoral – que jamais proibiu a participação do ouvinte. Nesse caso, os que fazem a rádio aproveitaram para desenvolver seu objetivo que é não ouvir o que diz o povo nem deixar que a população diga o que pensa. Como nosso rádio sofre de bons administradores… Uma pena que seja assim…

Se não houver organização dos ouvintes em busca do bom rádio e da cidadania neste meio de comunicação certamente o fracasso virá e não adiantará rádio digital sem audiência, que continua migrando para outros meios de comunicação. Ouvir rádio deveria ser um prazer, mas não é mais devido a tanta agressão, desrespeito e falta de cidadania que hoje se promove neste meio de comunicação. É urgente que se faça algo pelo rádio e se devolva a cidadania e o respeito ao ouvinte e sua participação, pois o ouvinte tem muito a dizer e sua participação nos programas tem importância vital, desde que o mote seja aproveitado, discutido e debatido para o bem da comunicação e para a construção de uma cidadania participativa e ativa.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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