Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > MÍDIA RADIOFÔNICA

Apelo aos ouvintes

Por Francisco Djacyr S. de Souza em 26/01/2010 na edição 574

Sei que nós, ouvintes, somos uma das classes menos privilegiadas do rádio para alguns personagens do meio radiofônico. Para eles, somos tratados como ‘malas’, pessoas inconvenientes e muitas vezes nossa participação nos programas de rádio é motivo de críticas feitas em off e muita ridicularização das opiniões que damos no rádio. A realidade do rádio atual prova que o respeito ao ouvinte não é meta de alguns radialistas que infelizmente dominam a audiência em programas de grandes emissoras. Claro que para estes o que importa é o número de anunciantes e o prestígio político que ganharão em um elogio fácil ou a bajulação comum no meio rádio. Não sabemos o porquê da forma de tratamento que algumas rádios têm com o ouvinte que limita sua participação e cassa o desejo de dizer a verdade inconveniente que geralmente afeta o patrocinador de origem pública.

No entanto, nossa força é grande. Temos na mão o dial que pode imediatamente provar que nosso senso crítico mudará o estado de coisas do rádio atual. Devemos boicotar programas que não respeitam o ouvinte e prestigiar aqueles que agem com respeito ao nosso modo de ser, às nossas idéias, ao nosso bom gosto, que geralmente é vilipendiado com músicas de duplo sentido e piadas preconceituosas que muitos acham bonitas e engraçadas, mas que trazem uma carga forte de preconceito e desvalorização do ser humano. É preciso que o ouvinte exerça esta força e busque uma revolução de conceitos do rádio, mas para isso é preciso que o mesmo esqueça o individualismo e parta firme para a cooperação, a união e o debate sobre o que se passa no meio rádio buscando de forma organizada combater as anomalias e exercer claramente o ouvido crítico, filtrando os conteúdos pornográficos do rádio e os interesses que hoje o permeiam. O rádio não mudará se o ouvinte não mudar, pois somos usuários e nosso papel de usuário é questionar o produto que às vezes tem uma qualidade questionável e que não se adequou a aos ideais verdadeiros de uma sociedade ética e plural.

O elemento mais importante da programação

O nível de participação dos ouvintes no rádio deve mudar e é preciso que cada participante seja conciso, respeitoso e tenha em suas mensagens algo que possa promover reflexões para o bem da sociedade e para a construção de um mundo melhor. Temos que lutar por espaços de questionamento das programações para que os usuários tenham oportunidade de dizer o que pensam dos programas e sejam atendidos em suas solicitações ou, em caso negativo, sejam comunicados das razões do não atendimento. O rádio interativo é uma luta que deve ser desenvolvida pelos usuários do rádio, pois a comunicação só tem sentido se for de mão dupla, se for marcada por uma interatividade verdadeira e ética. Sabemos que os grandes radialistas de hoje se acham auto-suficientes e não aceitam de maneira alguma ser questionados, mas somente com força organizativa faremos com que eles compreendam que a mudança é necessária e que o mundo interativo já faz parte da realidade que eles teimam em ignorar.

Os ouvintes de rádio têm que mudar sua postura perante o rádio e exigir programação de qualidade no sentido de respeito, eticidade, compromisso político e ações firmes em busca da melhoria de vida do povo. Os ouvintes não devem buscar apenas a participação nos programas como item de satisfação, pois seu papel vai além das saudações ou recados que manda nos programas. Vemos que somente ouvintes organizados como usuários conscientes e críticos podem mudar a situação em que o rádio se encontra e criar mecanismos fortes para um processo de mudança e geração de qualidade tanto em termos técnicos quanto em conteúdo. Os ouvintes têm de se educar para garantir uma participação séria e segura nas programações de rádio exercendo um papel de geração de discussões, satisfação e alegria por ter no rádio a certeza da luta por uma sociedade justa, igualitária e pautada no processo de construção de dias melhores para todos indistintamente.

Devemos ter em mente que o rádio precisa de ouvintes que saibam todos os aspectos da sua história, seu papel na construção da sociedade e sua importância ontem, hoje e sempre. Os ouvintes de rádio precisam se considerar como os elementos mais importantes da programação, pois sem ouvinte, para que o rádio?

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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