Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

INTERESSE PúBLICO > MIUDEZAS & SUTILEZAS

Aprendendo a ler jornais

Por Alberto Dines em 27/08/2013 na edição 761

A mídia impressa desenvolveu ao longo dos séculos diferentes vozes e entonações. Nos anos da censura militar, era possível entender o que realmente se passava pelo que era proibido noticiar. Em tempos de transparência, publicam-se informações aparentemente irrelevantes que significam muito e outras com razões e sentidos opostos ao que aparentam. Exemplos:

>> Na edição do Globo de quarta-feira (21/8, pág.2), seção “O Globo por dentro”, sob o título “Futuro da mídia em debate”, noticiou-se uma conferência no auditório do jornal pronunciada por Ramón Salaverria, da Universidade de Navarra, dirigida ao público interno, sobre as tendências editoriais nos meios digitais.

O que precisa ser adicionado à informação: a Universidade de Navarra é o braço acadêmico do Opus Dei, a tropa de choque do catolicismo mais conservador e agressivo. Representante da Universidade de Navarra no Brasil é Carlos Alberto Di Franco, hierarca do Opus Dei, colaborador regular do Estado de S.Paulo e mais recentemente do Globo. Di Franco foi consultor da ANJ e dirige o curso Master de Jornalismo pelo qual costumam passar os editores e quadros intermediários da mídia regional brasileira. Uma consultoria da Universidade de Navarra chamada “Inovacción” serviu o Estadão ao longo de uma década e não são poucos nem são desimportantes aqueles que atribuem aos consultores do Opus Dei os monumentais erros estratégicos e empresariais cometidos pelo jornalão.

Tomada de posição

>> Na Folha de S.Paulo de quinta-feira (22/8), no pé da página A-11, chama a atenção uma matéria intitulada “Movimentos sociais pedem regulação de TVs e rádios”. Tratava-se de um ato que seria realizado naquele dia, na Câmara dos Deputados, organizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação em apoio ao projeto batizado de “Lei da Mídia Democrática”. A Folha estava ajudando a promover um ato – aliás justo e legítimo – que há um ano estaria condenando com veemência.

No dia seguinte, ainda com mais destaque no meio da página (A-14), o jornal foi ainda mais longe e noticiou a realização do ato e o seu objetivo: conseguir 1.3 milhão de assinaturas para o projeto da “Lei da Mídia Democrática” que regulará TV e rádios. O redator usou o verbo regular, até hoje anátema na grande mídia.

O que está acontecendo com o pacto entre os diferentes meios de comunicação? Simples: o monólito midiático começa a romper. A Folha demarca-se das pretensões dos concessionários de rádio e TV cujos interesses e procedimentos não endossa e até condena. Nestes termos o registro parece insignificante. Não é. 

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