Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > MÍDIA RADIOFÔNICA

As mudanças necessárias

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 05/10/2010 na edição 610

Fica sempre claro que o papel do rádio é a prestação de serviços onde a interatividade, a participação popular e o questionamento do Poder Público são elementos necessários para que este meio de comunicação se torne forte, altivo e adequado aos interesses de nossa sociedade. É importantíssimo que o rádio invista na reportagem questionadora, no jornalismo imparcial e popular e deixe os seus usuários dizerem o que pensam buscando sempre a visão do povo sobre os acontecimentos do cotidiano com a resposta necessária aos queixumes e dúvidas do povo.

A informação verdadeira e investigadora é vital para o rádio, que deve deixar de lado alguns tipos de programas que se utilizam de um espaço tão precioso para promover baixarias, desrespeito ao ouvinte e propostas desnecessárias que não levam a lugar algum. O rádio tem grande penetração nos lares das pessoas de todos os lugares do mundo e por isso mesmo tem de ser colocado em lugar de destaque pelo papel que exerce no dia-a-dia dos cidadãos que o ouvem e que têm muito a dizer e que querem com certeza uma comunicação digna, verdadeira e adequada a um processo de geração de cidadania, valores e dignidade para todos indistintamente.

As temáticas que poderiam ser desenvolvidas no meio rádio deveriam incluir noções de conscientização ambiental, de formação cultural, de cidadania plena, de ética e de organização popular. As situações de concessões deste meio de comunicação deveriam ser verificadas e o seu caráter de concessão pública tem de ser buscado e exigido no momento em que muitos grupos políticos e religiosos acabam se apoderando do meio rádio para alienar e gerar pessoas sem conhecimento da situação verdadeira do nosso povo, que acaba se iludindo por mensagens que não dizem respeito a um processo de geração de comunicação democrática e verdadeira em todas as acepções.

Parte do cotidiano

O povo tem de se organizar para exigir a comunicação democrática e buscar grupos de pressão para dar ao rádio o destaque que esse merece e exigir que este cumpra seu caráter de meio de comunicação popular adequado aos interesses realmente populares. A organização popular e o fim da alienação de nossas comunidades devem ser buscadas para garantir a comunicação ética e verdadeira no meio rádio.

Os que fazem o rádio têm de mudar seus conceitos e verificar o papel verdadeiro deste meio ouvindo os seus usuários e aceitando os questionamentos que hoje vêm sendo feitos sobre o que se passa neste meio e que acabam desvirtuando seu verdadeiro papel. É preciso que operadores, locutores, coordenadores de programação e os supostos proprietários de rádio ouçam as vozes das ruas e verifiquem a realidade do mundo radiofônico que em alguns países tem provado o verdadeiro sentido da comunicação radiofônica.

É urgente que se criem mecanismos de divulgação da importância do rádio como meio de comunicação a serviço do processo de cidadania e se gere nos grupos jovens o interesse pelo rádio e a segmentação de público para garantir a perpetuação deste meio de comunicação e a manutenção de sua importância que continua mesmo com os problemas que hoje enfrentam.

Os que fazem parte de outras mídias têm de acreditar no potencial do rádio, na sua versatilidade e na sua facilidade de comunicação divulgando tais aspectos e procurando gerar no povo o hábito do conhecimento da história do rádio, seus personagens, sua importância, seu papel ontem e hoje e as ações desenvolvidas para uma boa comunicação e um bom conhecimento. É vital que os cursos de comunicação resgatem a história do rádio, discutam seu potencial no seio popular e gerem profissionais para trazer novas ideias que promovam o fortalecimento deste meio de comunicação e promovam a valorização dos que fazem o rádio com atratividade profissional e valorização dos trabalhadores deste meio de comunicação.

É urgente lutar pela garantia de maiores investimentos do rádio e geração de um meio popular que realmente satisfaça os interesses de nosso povo. O rádio será sempre importante, o que prova que merece maior participação dos grupos empresariais na manutenção financeira de um meio que resiste ao sucateamento proposital e que fez e fará sempre parte do cotidiano de todos os cidadãos de nossa sociedade.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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