Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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ENTRE ASPAS >

Censura contra Estadão é tema de debate na TV

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 20/08/2009 na edição 551


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 20 de agosto de 2009 


 


CENSURA


Daniel Bramatti


Censura contra ‘Estado’ é tema de debate na TV


‘A imposição de censura ao Estado e a outros jornais por meio de decisões judiciais foi criticada por todos os convidados do programa Observatório da Imprensa, exibido na noite de terça-feira pela TV Brasil.


Único debatedor sem vínculos diretos com o jornalismo, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares, enfatizou que a entidade condena a censura e disse estar convicto de que não há uma ‘investida’ contra a liberdade de imprensa no País. ‘Temos mais de 20 mil magistrados. Infelizmente há algumas exceções, mas não há, no Judiciário, o sentimento de limitar o exercício da função de jornalista.’


Por decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o Estado está impedido de publicar informações sobre investigação da Polícia Federal que atingiu Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). ‘Vivemos uma dicotomia, uma situação esdrúxula’, apontou Aluízio Maranhão, editor de Opinião do jornal O Globo. ‘O Supremo Tribunal Federal decretou a nulidade da Lei de Imprensa herdada da ditadura, mas, em instâncias inferiores, na prática vigora a censura prévia.’


O jornalista Alberto Dines, apresentador do programa, qualificou o episódio que atingiou o Estado como ‘censura togada’. ‘Alguns magistrados não sentem o menor pudor em determinar a supressão de informações. Não impõem sanções pelo que já foi publicado. Agora arrogam-se o direito de atuar preventivamente para evitar a circulação daquilo que não consideram apropriado.’


Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, destacou que o jornal decidiu ‘espernear’ contra a ordem judicial sem desobedecê-la, em respeito ao Estado de Direito.


‘Hoje o grande inimigo da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão é o Poder Judiciário, principalmente por conta de decisões de magistrados de primeira instância’, disse Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). ‘Estão atropelando a Constituição.’


Tanto Gandour quanto Maranhão ressaltaram que não é função da imprensa preservar o chamado segredo de Justiça, que cobre determinados processos. ‘No nosso entender, o sigilo é de responsabilidade de quem o detém. Se a imprensa, por métodos jornalísticos lícitos, obteve a informação, é direito garantido pela Constituição que ela informe o que conseguiu apurar’, disse o representante do Estado.


O editor de Opinião de O Globo observou que há uma ‘tensão’ entre o direito à liberdade de expressão e o direito à privacidade. Disse ainda que os conflitos devem ser dirimidos pela Justiça. ‘O que estamos discutindo é, primeiro, a velocidade na definição destes conflitos. Segundo, tendências perigosas, principalmente nas instâncias inferiores, onde há concessão de liminares que consideramos descabidas.’


Gandour alertou para a possibilidade de a censura prejudicar a imagem do País. ‘Se o Brasil quer ser reconhecido por seus avanços econômicos, não deveria abrir mão de ser reconhecido politicamente. Não podemos correr o risco de ter um retrocesso político.’’


 


 


David Fleischer


Coisa de Hugo Chávez


‘No dia 30 de julho, o presidente do Tribunal de Justiça do DF, desembargador Dácio Vieira, emitiu liminar estabelecendo a censura prévia em cima do jornal O Estado de S. Paulo, vedando qualquer publicação sobre o sr. Fernando Sarney vis-à-vis acusações em relação à Operação Boi Barrica da Polícia Federal na qual o sr. Fernando foi indiciado no dia 15 de julho.


Há muito tempo, a censura prévia de jornais no Brasil caiu em ‘desuso’, sendo que em geral o Judiciário (principalmente em nível federal) considera que esse tipo de ação é inconstitucional e descabido no Brasil democrático regido pela Constituição de 1988. Na interpretação mais geral, pensa-se que isso é ‘coisa de Hugo Chávez’.


Essa decisão do desembargador Dácio Vieira suscitou questionamentos sobre seu passado e suas relações com a família Sarney. Tendo sido funcionário comissionado no Senado antes de ser nomeado para o TJ-DF pelo então governador Joaquim Roriz (PMDB), Vieira manteve fortes relações com o senador Sarney, como constou na foto no casamento da filha do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, onde Sarney e Vieira eram padrinhos da noiva.


Por essas e outras razões, muitos juristas e juízes acharam que essas relações com a família Sarney comprometeram Dácio Vieira e o desqualificaram para deliberar esse caso. O desembargador Vieira despachou esse caso exatamente no último dia do recesso do TJ-DF como presidente desse tribunal.


Depois de ter seus pedidos recusados por tribunais de primeira instância no Maranhão, em São Paulo e Brasília, Fernando Sarney procurou apoio com Dácio Vieira em Brasília.


De tão absurda tenha sido essa decisão, que o presidente do STF, Gilmar Mendes, cobrou ‘celeridade’ do TJ-DF em relação a esse caso. Vários outros juízes do STF e STJ emitiram opiniões semelhantes. Várias associações também reclamaram a ‘parcialidade’ dessa decisão como um atentado contra a liberdade de expressão – ABI, OAB, ANJ, Fenaj, AMB, entre outras.


No dia 17 de agosto, o senador Sarney subiu à tribuna do Senado para castigar O Estado de S. Paulo por ter divulgado o fato de sua família ocupar imóveis em São Paulo de uma empreiteira. Sarney chamou o jornal de ‘nazista’, mas não explicou como e por que esses imóveis ainda estavam registrados em nome da empresa Holdenn – que participa de licitações na área de energia elétrica, setor em que a família Sarney ainda detém muita ‘influência’.


Esse caso demonstra como a liberdade e a democracia plena ainda são coisas muito distantes no Brasil. E como uma poderosa família política, com raízes ainda nos anos 1950, tem tentáculos e influência suficiente para impor a censura prévia em cima de um jornal de circulação nacional por achar que a cobertura dos ‘negócios’ dessa família invadisse seu ‘seio íntimo’.


* David Fleischer é professor de ciência política na UnB e membro do conselho diretor da Transparência Brasil’


 


 


PROTESTO


O Estado de S. Paulo


Jornal acusa tropas israelenses de tráfico


‘Autoridades de Israel e da Suécia protestaram ontem contra um artigo publicado no jornal Aftonbladet, de Estocolmo, que afirma que soldados israelenses traficam órgãos de palestinos mortos. O jornal, líder de vendas no país, vincula a recente detenção, em Nova York, de um judeu americano acusado de tráfico de órgãos com as ações israelenses contra os palestinos. O artigo é ilustrado por uma foto que mostra um palestino morto com uma sutura cirúrgica na lateral do corpo. Israel disse que o artigo é ‘antissemita’. O jornal não se pronunciou.’


 


 


ELEIÇÕES


Diego Zanchetta e Felipe Grandin


Câmara aprova lei que libera pichações e placas eleitorais


‘Um ano depois de restringir a propaganda eleitoral em muros, casas e terrenos particulares, a Câmara Municipal de São Paulo revogou ontem a regra. No pleito de 2010, quando cerca de 20 dos 55 vereadores deve tentar vagas a deputados federais e estaduais, as pichações, cartazes e placas de até 4 metros quadrados, conforme especifica a lei federal, estarão liberados. Somente três parlamentares registraram posições contrárias à mudança. O projeto deve agora ser sancionado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), que ontem conseguiu duas importantes autorizações do Legislativo em uma sessão tumultuada de mais de sete horas: uma para elevar o teto do funcionalismo de R$ 12 mil para R$ 22.111 e outra que veta o trânsito de ônibus fretados em 70 km do centro expandido.


A mudança nas regras eleitorais, aprovada em segunda votação, foi costurada pelos líderes nos últimos três meses. Como a Lei Cidade Limpa, de 2007, não indicava como seriam as regras para a publicidade em terrenos particulares no período de eleições e a lei federal, por sua vez, permitia as pichações, os vereadores decidiram em junho do ano passado criar uma lei específica para estender os efeitos da legislação municipal durante os três meses da campanha. Um projeto do vereador Domingos Dissei (DEM) foi aprovado com apoio da maioria da Casa e, pela primeira vez, não houve as tradicionais inscrições pintadas em muros e os cartazes espalhados principalmente nas portas de casas de bairros da periferia..


‘Mas os vereadores acharam que poderiam concorrer na eleição do ano que vem em desvantagem com os candidatos de cidades vizinhas, onde a pichação é permitida. Muitos viram que foi difícil fazer campanha no ano passado com regras tão duras e quiseram revogar a lei’, afirmou após a votação o vereador Antonio Goulart (PMDB), que ajudou no ano passado o vereador Dissei a criar o projeto que restringia a propaganda. Os dois parlamentares e o vereador Gilberto Natalini (PSDB) se posicionaram contra a alteração. ‘Achei lamentável e de um profundo desrespeito com o munícipe uma mudança que permite mais sujeira na cidade. Foi tão bom fazer uma campanha limpa, sem aquelas toneladas de cartazes causando poluição visual’, criticou Natalini.


A Assessoria de Imprensa do Tribunal Regional Eleitoral informou que vale para 2010 a lei federal que autoriza as placas de 4 metros quadrados. Na Câmara em Brasília, está em discussão um projeto do deputado federal Flávio Dino (PCdoB-MA) que veda a pintura em muro e só permite a faixa de 4 metros quadrados em área particular. ‘No meu entendimento, vale ainda a Lei Cidade Limpa, que proíbe qualquer tipo de propaganda na cidade’, argumentou o líder de governo, ao ser questionado sobre as mudanças..


Mas outros parlamentares já comemoravam ontem a decisão. ‘Eu tive muita dificuldade em fazer campanha no ano passado com essas regras, não tinha como apresentar à sociedade minha candidatura’, afirmou Marco Aurélio Cunha (DEM). ‘Agora pode a pichação em muro e o cartaz. Foi entendimento de todas as lideranças da Câmara de que o projeto anterior criava normas muito duras. Os vereadores pensavam que só o cartaz seria vetado e, quando começou a campanha, todo mundo viu a dificuldade que foi sem nenhum recurso de publicidade permitido. Como presidente do PT municipal, recebi diversas reclamações dos candidatos’, afirmou José Américo (PT).


?RETROCESSO?


Mentora da Lei Cidade Limpa, a arquiteta e urbanista Regina Monteiro, presidente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), considerou um erro a revogação da lei 14.806/08. ‘Permitir faixas e a pintura de muros é um grande retrocesso na mudança cultural que ocorreu na cidade’, avaliou. ‘São Paulo é hoje uma referência mundial por causa dessa lei, acho que as regras rígidas deveriam ser mantidas.’ O projeto que revogou a lei foi assinado pelos vereadores Antonio Carlos Rodrigues (PR), Farhat (PTB) e Celso Jatene (PTB).’


 


 


ARGENTINA


Ariel Palacios


TV aberta é a novidade em campeonato endividado


‘Após várias semanas sem ver seus times em ação, os argentinos poderão, enfim, assistir aos primeiros embates nos estádios a partir de amanhã. A volta do futebol ao cotidiano contará com uma bela novidade: jogos grátis. Por causa do cancelamento do contrato que a Associação de Futebol da Argentina (AFA) tinha com a empresa privada Televisão Via Satélite Codificada (TSC) – que garantia o seu monopólio da exibição pela TV a cabo – a transmissão dos duelos será realizada na televisão aberta.


A jornada também marcará o início da estatização das transmissões dos jogos de futebol, pois o governo da presidente Cristina Kirchner, pivô do ‘divórcio’ entre a AFA e a TSC, ofereceu um suculento pagamento à entidade esportiva.


Representantes da AFA ressaltaram que, com o acordo, o Estado argentino pagará à entidade esportiva cerca de US$ 156 milhões anuais (cerca de R$ 287 milhões) por dez anos. O volume supera amplamente os US$ 69 milhões (R$ 126 milhões) pagos anualmente pela TSC.


Com os fundos adicionais, os clubes argentinos, à beira da falência, poderão pagar as dívidas que possuem com a AFA e com os próprios jogadores. Os clubes devem US$ 186 milhões (R$ 342 milhões). De quebra, poderiam ser beneficiados com uma anistia da Receita Federal.


JOGOS DE VOLTA


A retomada dos jogos ocorrerá com o Gimnasia x Godoy Cruz, amanhã, às 19 horas, dando início ao Campeonato Apertura. Às 21 horas será a vez de Independiente x Newell?s. Até ontem não estava definido qual canal transmitiria as partidas. Tudo indicava que a transmissão ficaria a cargo do estatal Canal 7. O anúncio oficial do acordo será anunciado no final da tarde de hoje, em Buenos Aires.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Rede se arma contra a estreia de Gugu


‘O SBT está armando um contra-ataque para a estreia de seu ex-funcionário na concorrência: Gugu, que entra no ar na Record no dia 30.


A emissora resolveu mudar seus planos para domingo e mantém suspense: a grade de programação do dia 30 ainda não foi fechada.


Bem em audiência no Domingo Legal, Celso Portiolli, que a princípio iria para o sábado, pode se manter aos domingos, abrindo a tarde na emissora. Há também a estreia de Eliana, que deve preceder o Programa Silvio Santos.


Se isso acontecer, o SBT terá de tirar do domingo a sessão de filmes Oito e Meia no Cinema, que vai mal em audiência, mas é forte comercialmente. Uma opção é reduzir o tempo do programa de Eliana e do Domingo Legal, para comportar todas as atrações na grade.


Outra dúvida é quem no SBT será o concorrente direto de Gugu no horário. O patrão não está disposto a encarar esse confronto.


A emissora ainda prepara uma surpresa para o dia 30. Fontes do mercado garantem que a rede lançará na data uma megapromoção dando carros, casas e prêmios em dinheiro.’


 


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 20 de agosto de 2009 


 


POLÍTICA


Editorial


Miséria moral


‘PRIMEIRO a prática, depois a teoria. O presidente Lula e o PT não têm feito segredo dos compromissos que os vinculam, hoje em dia, ao ex-presidente José Sarney -para nada dizer das relações cordiais que mantêm com Fernando Collor de Mello.


Adversários históricos, todos se conciliam em torno de um objetivo que só na aparência corresponde à desgastada tese da ‘governabilidade’.


Em pauta, acima de tudo, está o interesse lulista de garantir o apoio do PMDB à candidatura Dilma Rousseff.. Provêm dessa penosa circunstância, como se sabe, as cenas de hesitação eventual e de governismo explícito que dividem a bancada petista no Senado. É como se não houvesse nada de mais incômodo, no momento, do que discutir a ética na política -assunto que, no passado, constituía uma constante na retórica do partido.


O pragmatismo lulista vai seguindo seu curso habitual. Nada de novo haveria a assinalar neste tópico, não tivesse o presidente da República oferecido, em recente entrevista a uma emissora de rádio do Rio, estranhas justificações teóricas para o espetáculo que protagoniza.


Em meio a nebulosas considerações sobre a qualidade dos times brasileiros de futebol e sobre os peixes que cria num lago do Palácio da Alvorada, Lula recorreu a um exemplo histórico para condenar o que chamou de ‘denuncismo’.


‘Eu estava lembrando o seguinte’, disse Lula. ‘Este país teve um presidente que governou com mão dura durante 15 anos, chamado Getúlio Vargas (…) esse homem, em quatro anos de democracia, foi levado ao suicídio porque era chamado de ladrão todos os dias’.


Num vertiginoso retrospecto, Lula relembrou outros casos de ‘denuncismo’, coroando suas considerações com uma referência casual: ‘depois foi o Collor’.


Nada como uma ditadura, portanto, para proteger governantes de denúncias. É esta, sem dúvida, a única conclusão cabível da referência feita pelo presidente ao período de ‘mão dura’ do Estado Novo.


Não é certamente o caso de atribuir peso excessivo a mais uma das incontáveis infelicidades verbais de Lula. Sinais de tentação autoritária, comuns tanto à direita quanto à esquerda sul-americana, mostram-se menos presentes no Brasil do que em outros países do continente.


Persiste, entretanto, a renitente disposição governista de atacar a imprensa, cada vez que se desvelam os abusos dos poderosos de plantão.


A crítica lulista ao ‘denuncismo’ não é nova. Mas que se faça o elogio da repressão ditatorial varguista, e que se chegue ao ponto de lembrar o impeachment de Collor como exemplo dos possíveis perigos das mobilizações da opinião pública, é algo que revela, lamentavelmente, a miséria moral do petismo -e o tipo de companhias de que depende para a continuidade de seu projeto de poder.’


 


 


CENSURA


Carlos Heitor Cony


Liberdade de imprensa


‘RIO DE JANEIRO – A Associação Nacional de Jornais está comemorando 30 anos de existência e denunciou 31 casos de violação à liberdade de imprensa no Brasil. Devem ser casos na maioria recentes, uma vez que, no período da ditadura, mesmo nos últimos anos do regime totalitário, simplesmente não havia liberdade de imprensa e não havia o que violentar.


Tenho alguns anos nas costas como profissional. Eu próprio já fui enquadrado na Lei de Segurança Nacional e na extinta Lei de Imprensa. Sou dos poucos jornalistas que, além de ser proibido de escrever certas matérias, foi condenado e cumpriu pena. Apesar disso, sempre fiz uma distinção quando se fala em liberdade de imprensa.


Uma pessoa ou entidade que processe um jornal ou um jornalista, uma vez que se sentiu prejudicado por uma informação ou comentário, tem o direito de recorrer à Justiça. Afinal, vivemos ou pretendemos viver num Estado de Direito. Temos os códigos Penal e Civil, que regulam a matéria, sem necessidade de uma lei específica. Cabe à Justiça administrar este Estado de Direito, que inclui a prerrogativa de um cidadão recorrer toda vez que se sinta difamado, caluniado etc. É evidente que cabem recursos no trânsito da Justiça, uma corte superior por confirmar ou reformar a sentença anterior. Elementar.


Acho exagerado o fervor de certos setores da imprensa em reclamar de processos ou de sentenças da Justiça, considerando violação de uma liberdade a qual todos têm direito, desde que não fira direito de terceiros.


Afinal, a imprensa não é uma vestal inatacável, acima de qualquer valor da sociedade. Ela está sujeita ao Estado de Direito, que dá liberdade a qualquer cidadão, jornalista ou não. O fato de um juiz aceitar um processo não é uma violação.’


 


 


DIREITO


Cláudio Michelon e Conrado Hübner Mendes


Os dois corpos do jurista


‘IMAGINEMOS um caso hipotético: um tribunal qualquer, num país qualquer, está prestes a decidir uma causa de grande impacto (qualquer que seja o impacto: para os cofres públicos ou privados, para a sensibilidade política dos cidadãos etc.).


Uma batalha legal, com conceituados juristas de ambos os lados. Aos vencedores, as recompensas financeiras pelo sucesso judicial. Estrategicamente, essa batalha se trava em dois campos paralelos. De um lado, as partes se enfrentam nas petições e nos pareceres apresentados aos órgãos decisórios. Tentam persuadir os juízes. De outro, manifestam-se nos jornais de grande circulação, em conferências e em artigos acadêmicos. Querem convencer um público mais amplo (e, por via indireta, também influenciar tais juízes).


Os atores são basicamente os mesmos. Mudam apenas a indumentária. No primeiro plano, são técnicos contratados para representar interesses. No segundo, são professores e intelectuais. Nada errado até aqui. Mas suponhamos também que os atores omitam sua condição de advogados da causa quando opinam sobre o tema como intelectuais públicos, que a roupa do jurista imparcial esconda o traje do advogado.


Há algum dilema ético nessa dupla atuação silenciosa? Alguma incompatibilidade moral ou profissional? Essa é uma das tentações da profissão do jurista. Na esfera pública, apresenta-se como cientista do direito. Suas opiniões gozam do prestígio que seus títulos lhe conferem. Sua tarefa como bom cientista, afinal, é produzir conhecimento, aproximar-se da verdade. Tem compromisso com a imparcialidade e o interesse público. Na esfera privada, ao contrário, tem um interesse predefinido que aceitou defender.


São duas funções fundamentais para o Estado de Direito. Todavia, se não exercidas de forma franca e transparente, geram um dano que nem sempre é fácil perceber. A fronteira entre prática profissional e academia, na área do direito, é nebulosa e deve ser vigiada. O vácuo regulatório dessa fronteira é perigoso. Quando juristas circulam disfarçadamente entre as duas esferas, praticam um tipo de patrimonialismo acadêmico: usam de veículos públicos a partir de suas credenciais universitárias sem revelar o interesse privado na causa.


A confusão entre as duas máscaras é conveniente para quem as veste, fonte de poder e de lucro, mas trágica para a democracia. Por que trágica? Porque induz a erro o cidadão e a opinião pública. Obviamente, a condição de advogado ou parecerista não os proíbe de participar da discussão sobre os casos em que atuam. Eles podem posicionar-se e argumentar legitimamente em qualquer controvérsia. O cidadão a quem essas opiniões se dirigem, no entanto, deve ser informado de que os interesses do jurista no desfecho do caso não são puramente acadêmicos.


Essa informação, aparentemente banal, permite ao leitor avaliar as ideias apresentadas em melhores condições e desconfiar de sua imparcialidade. Não significa presumir má-fé, mas simplesmente examinar os argumentos sem dar a eles nenhum trunfo especial pelo pedigree acadêmico que carregam.


Omitir os interesses não acadêmicos por trás dos casos não é, muitas vezes, mero esquecimento. A prática, com frequência, é deliberada e, como tal, um abuso da natureza camaleônica dessa profissão. É perniciosa não apenas para o debate público mas também para a própria autoridade intelectual do acadêmico.


Talvez não haja incompatibilidade no exercício das duas funções. A história traz exemplos de quem exerceu ambos os papéis com razoável competência. Não podemos só lamentar os casos em que, eventualmente, o advogado/acadêmico expressa opiniões públicas de forma ardilosa. Trata-se de um problema que exige regulação atenta da profissão de advogado, das faculdades de direito e mesmo uma autorregulação da imprensa.


Informar o público leitor sobre a concorrência de interesses do advogado/acadêmico deve ser um dever legal e institucional do advogado e do acadêmico. Mais ainda: os veículos de comunicação poderiam contribuir se exigissem de seus articulistas a abertura dessas informações.


Quanto vale a opinião do jurista? No mercado, somas astronômicas de dinheiro. O jurista dá a empresas e pessoas físicas um conforto sobre a legalidade de suas operações e é regiamente remunerado por isso. No debate público e acadêmico, cumpre um papel indispensável de azeitar a máquina do Estado de Direito, de iluminar caminhos para a interpretação e a aplicação das numerosas e conflitantes leis que organizam qualquer país moderno.


Quando os dois corpos do jurista se sobrepõem, ambos saem perdendo.


CLÁUDIO MICHELON, 38, é professor de filosofia do direito da Universidade de Edimburgo (Escócia).


CONRADO HÜBNER MENDES, 32, é professor licenciado da Escola de Direito da FGV-SP e da Sociedade Brasileira de Direito Público.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Sarney & Virgílio


‘Na manchete da Folha Online ao longo de tarde e noite, ‘Conselho rejeita os recursos e livra Sarney e Virgílio de acusações’. Logo abaixo, ‘confirmou tese de acordão’. No UOL, ‘Sarney e Virgílio’.


E na voz de Fátima Bernardes, ao dar a notícia no fim da tarde, ‘Conselho arquivou as denúncias contra Arthur Virgílio, do PSDB, e o presidente do Senado, José Sarney’. Já na manchete do ‘Jornal Nacional’, depois, Sarney sim, Virgílio não.


AOS POUCOS


Na Folha Online, ‘Marina Silva comunica saída do PT e diz que partido não deu ‘condições políticas’, mais o destaque de que ‘vai definir futuro até o fim do mês’. Na Reuters Brasil, ‘Marina deixa PT, mas não anuncia ainda filiação ao PV’, mais o destaque de que ‘disse ainda não ter tomado decisão de candidatar-se’.


Ecoou em posts no britânico ‘Guardian’ e no espanhol ‘El País’, este com o título ‘Marina Silva deixa Lula para unir-se ao Partido Verde’, com destaque também para ‘o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil’, que, segundo o correspondente, ‘se ofereceu’ para vice.


NO ANIVERSÁRIO


UOL e outros saudaram a Embraer pela data. Mas o ‘Wall Street Journal’ deu, ontem também, que os órgãos de segurança aérea dos EUA buscam apoio para ‘exigir reparos em centenas de jatos regionais da Embraer’


O FIM DA HEGEMONIA


Em ‘Reequilibrando relações com a China’, no ‘Washington Post’ de ontem, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que comandou a aproximação dos dois, alerta que ‘por décadas o sistema global se baseou na aceitação do predomínio dos EUA’, mas a crise a ‘abalou’.


Avalia que a América agora busca um ‘novo papel, distinto da hegemonia’. Diz que, diante do risco de ‘catástrofe’ nas reservas, Pequim quer ‘reduzir a sua dependência das decisões americanas’ e já se move. ‘A China inicia o comércio com Índia, Rússia e Brasil em suas moedas próprias’ e busca alternativas para as reservas.


Kissinger sugere aos EUA ‘resistir ao manual da Guerra Fria’ e abrir caminho para ‘a influência chinesa nas decisões globais’. Mas sem G2, que ‘não é do interesse de nenhum dos dois’, até porque os ‘excluídos podem cair no nacionalismo’.


KRUGMAN NA AL


Na home da Folha Online, o economista e prêmio Nobel Paul Krugman, em palestra em Bogotá, na Colômbia, disse que a América Latina vai superar a crise global ‘mais rapidamente do que os países avançados’, mas depois dos asiáticos. A região já estaria ‘mais preparada’.


ROUBINI NA ÁSIA


Já o economista Nouriel Roubini, ontem em artigo no indiano ‘Business Standard’, questionou o ‘consenso entre economistas de que está no fim a recessão’. Avalia que a recuperação será ‘anêmica nas economias avançadas’ e os emergentes estão ‘bem abaixo do potencial’.


SEIS ANOS DEPOIS


Em artigo no ‘WP’ de ontem, Laurent Vieira de Mello lembrou os ‘Heróis esquecidos das batalhas’, no sexto aniversário da morte de seu pai, o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, num atentado à ONU em Bagdá. ‘Infelizmente, as más condições para os trabalhadores humanitários estão se deteriorando’, alerta.


A LENDA


Um dia após a morte do ‘príncipe das trevas’, outro célebre jornalista morreu nos EUA, Don Hewitt, criador do ‘60 Minutes’. Mas ele é dado por ‘lenda que mudou a TV’, no ‘NYT’, no Politico.


MENOS ‘OFF’


O ‘NYT’ encabeçou carta a 600 assessores de imprensa de Washington, por limites à ‘prática de declarações ‘off-the-record’ das autoridades’. Argumenta até com o Twitter, que deixa tudo vazar.’


 


 


ELEIÇÕES


Conrado Corsalette


Câmara de São Paulo revoga lei que proibia propaganda em muro


‘De olho nas eleições do ano que vem, os vereadores de São Paulo revogaram ontem a legislação que proibia propaganda política em muros e fachadas de imóveis particulares durante o período de campanha.


A lei paulistana havia entrado em vigor pouco antes das eleições do ano passado, quando boa parte dos vereadores disputaria a reeleição. Na prática, a medida dificultou a vida de novos candidatos e facilitou a de quem já tinha mandato.


Na época, os parlamentares locais tratavam as restrições como um complemento da Lei Cidade Limpa, que baniu outdoors e restringiu a propaganda comercial em São Paulo.


Agora, os vereadores dizem que a revogação foi necessária porque os candidatos da capital ficariam em desvantagem em relação aos adversários de outros municípios, onde a legislação é bem mais permissiva.


‘Muitos aqui serão candidatos a deputado’, admitiu o vereador Antonio Goulart (PMDB). Até agora, cerca de 20 dos 55 integrantes da Câmara Municipal paulistana já mostraram disposição de disputar as eleições do ano que vem.


Alguns parlamentares protestaram. ‘Claro que a cidade vai ficar mais suja’, afirmou Gilberto Natalini (PSDB), um dos poucos que se declararam contrários à revogação, aprovada em votação simbólica.


Tramita no Congresso um projeto de lei que pretende acabar com ‘casuísmos’ do gênero, nas palavras de Flávio Dino (PC do B-MA), relator da matéria na Câmara dos Deputados.


Segundo a proposta, que já passou pelo crivo dos deputados federais e agora está no Senado, as regras para propaganda eleitoral serão nacionais.


‘Há casos de cidades onde houve proibições de comícios e até passeatas sob alegação de que isso atrapalharia o sossego público.. Muitas vezes amplia-se ou restringe-se a legislação ao sabor das conveniências do poder local’, afirmou Dino.


A proposta de lei federal permite apenas propagandas móveis (bonecos e cavaletes) e faixas de até 4 m2 e veta as inscrições em muros, agora liberadas pelos vereadores paulistanos. Assim como em eleições passadas, os outdoors continuariam proibidos em todo o país..


Líder do governo na Câmara Municipal, José Police Neto (PSDB) não quis entrar em muitos detalhes sobre a revogação de ontem. Limitou-se a dizer que o mais importante, a Lei Cidade Limpa, estava preservado. Ele negou casuísmo e chegou a dizer que a pintura de muros não estava liberada, entendimento não compartilhado por seus colegas.


Outros vereadores também negaram estar defendendo os próprios interesses. Apenas ressaltaram a necessidade de competir em igualdade com candidatos de fora da cidade.’


 


 


STF


Folha de S. Paulo


Câmara terá de entregar notas fiscais à Folha


‘O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello determinou que a Câmara dos Deputados permita que a Folha consulte as notas fiscais entregues pelos deputados, de setembro a dezembro de 2008, sobre os gastos da verba indenizatória.


Marco Aurélio deu a liminar em um mandado de segurança movido pela empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha.. A Câmara ainda não foi notificada. Cabe recurso.


Antes de recorrer ao STF, a Folha fez dois pedidos formais ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), negados por ‘inviabilidade técnica’ por envolver ‘numerosa documentação’.


Na sua decisão, Marco Aurélio diz que é ‘incompreensível negar-se o acesso a documentos comprobatórios de despesas públicas’. E rebateu o argumento técnico: ‘Nem mesmo a lei pode criar embaraço à informação, o que se dirá quanto a aspectos burocráticos’.


A Folha fez pedido idêntico ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também negado. O jornal recorreu ao Supremo. O relator é o ministro Eros Grau.


A verba indenizatória existe desde 2001. Neste ano, após denúncias de uso indevido, Câmara e Senado decidiram publicar detalhes dos gastos, mas só os relativos a gastos de abril em diante: os documentos anteriores seguem trancados.’


 


 


AFEGANISTÃO


Igor Gielow


Governo ameaça expulsar quem não respeitar censura


‘O governo afegão começou a censurar o trabalho dos jornalistas ontem e promete punir quem não cumprir a ordem de não divulgar atos violentos hoje: expulsar os estrangeiros e fechar meios locais.


‘Não é bem o que chamam de uma democracia. Isso é ridículo’, afirmou à Folha o diretor da principal rede privada, a Tolo TV, Saad Mohseni.


Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a medida visa evitar que notícias de violência afastem pessoas do pleito. A abstenção é o objetivo principal da campanha intimidatória do Taleban e o principal temor da ONU.


As Nações Unidas, contudo, rejeitaram a censura e pediram a suspensão da medida. ‘As pessoas precisam de acesso à informação. A credibilidade destas eleições está ligada diretamente à informação a que as pessoas têm acesso’, disse o porta-voz Alim Siddique.


A ordem havia sido expedida anteontem, mas os meios locais afirmaram que não iriam respeitá-la. ‘Em cada país democrático, há situações extraordinárias que levam o governo a tomar decisões para preservar o interesse nacional’, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ahmad Zahir Faqiri.


O blecaute informativo sobre violência em tempo real, segundo os decretos de terça-feira, vale das 6h às 20h de hoje (22h30 de ontem e 12h30 de hoje no Brasil). A eleição ocorre entre as 8h e as 16h no Afeganistão.. Além disso, está proibida a presença de jornalistas em locais em que tenha havido atos violentos no período.


Mas a repressão ao trabalho dos jornalistas efetivamente já começou ontem. A Associated Press foi proibida de tirar fotos no centro da cidade, e em vários bloqueios pela cidade nenhuma credencial era aceita.


Quando chegou ao final do cerco militar ao banco que havia sido tomado pelo Taleban no centro de Cabul, a Folha foi obrigada e ficar atrás de uma barreira policial. Quando tentou fotografar, um soldado do Exército afegão deu um tapa na câmera.


‘São as ordens’, disse ele. Mas o decreto que também proíbe a presença de jornalistas em cenas de atentados só vale para o dia da eleição. ‘Não interessa’, foi sua resposta ao tradutor.


Mais tarde, a reportagem foi parada e obrigada a dar meia-volta em quatro bloqueios próximos ao palácio presidencial. Num deles, o soldado tentou reter o passaporte do repórter, sem sucesso.


O Afeganistão é um país movido a boatos. Nas cidades maiores, conversas de bazar viram histórias mirabolantes com certa frequência.


Mas é inescapável lembrar que o Taleban está cumprindo sua promessa de atacar o processo eleitoral com violência.


A repórteres, o diretor da Associação dos Jornalistas Independentes do Afeganistão afirmou que o governo está sendo tolo. ‘Ninguém vai deixar de trabalhar, esconder as coisas só vai piorar tudo’, afirmou Rahimullah Samander.’


 


 


VENEZUELA


Folha de S. Paulo


Para Chávez, jornalistas ‘provocaram agressão’


‘O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse anteontem que os jornalistas agredidos na semana passada por um grupo de manifestantes chavistas ‘provocaram’ o ataque sofrido.


‘[Eles] não estavam fazendo o trabalho de jornalistas, estavam em uma marcha contra a nova lei de educação, distribuindo panfletos e fazendo atividade proselitista. (…) Segundo tenho entendido -e há provas-, estavam provocando a gente do povo que estava por ali’, disse o presidente, em entrevista à TV estatal.


Doze jornalistas do diário ‘Últimas Notícias’ foram agredidos a pauladas, no dia 13, enquanto distribuíam panfletos de oposição ao artigo 50 da nova Lei Orgânica da Educação (LOE), que, segundo opinam, fere a liberdade de expressão. Um dos jornalistas sofreu politraumatismo.


Em um de seus artigos mais polêmicos, a LOE, aprovada no dia 14, obriga os meios de comunicação a ‘conceder espaços que materializem os fins da educação’ e os proíbe de publicar notícias ‘que produzam terror nas crianças, incitem o ódio e atentem contra os valores sãos do povo venezuelano e contra a saúde mental e física da população’.


O sindicato venezuelano de trabalhadores da imprensa respondeu ontem com um ‘alerta à opinião pública sobre a evidente intenção de meios e grupos governistas de deformar a realidade dos fatos da quinta passada, quando 12 jornalistas ficaram feridos nas mãos de exaltados que não ocultaram a identificação com o chamado processo revolucionário’.


Anteontem, autoridades venezuelanas haviam prendido um dos suspeitos das agressões, o que motivou elogio da ONG Repórteres Sem Fronteiras.


A lei da educação -também criticada pela Igreja Católica, pela oposição e por reitores universitários-, que prevê aumento da influência estatal em vários aspectos da educação, foi aprovada na semana passada pela Assembleia Legislativa venezuelana, alinhada a Chávez, e promulgada no domingo pelo presidente. Alguns pontos terão de ser regulamentados por leis complementares.


Outro ponto polêmico da LOE é a redução da autonomia de universidades federais sobre admissões e processos eleitorais internos. Chávez defende que não reconhece ‘a autoridade universitária que não surja de um processo legítimo’.


A oposição venezuelana se declarou ‘em desacato’ à lei e convocou para sábado um protesto em Caracas.’


 


 


LUTO


Associated Press


Morre Don Hewitt, criador do programa de TV ‘60 Minutes’


‘O diretor e produtor de TV Don Hewitt, que transformou o jornalismo televisivo nos EUA ao criar, em 1968, o programa dominical ‘60 Minutes’ na rede CBS, morreu ontem, aos 86 anos, em sua casa, no interior do Estado de Nova York, vítima de câncer no pâncreas.


Em mais de 60 anos de carreira, Hewitt dirigiu programas históricos, como o primeiro debate televisionado entre candidatos à Presidência dos EUA, em 1960, quando John F. Kennedy enfrentou Richard Nixon.


Na ocasião, os candidatos negaram a maquiagem oferecida por Hewitt, e o efeito foi o contraste entre um bronzeado Kennedy e um pálido e suado Nixon. As imagens do confronto foram consideradas cruciais no pleito vencido por Kennedy.


Quando criou o ‘60 Minutes’, Hewitt inovou ao reunir incisivas reportagens investigativas e entretenimento no horário nobre americano. A fórmula serviu de modelo para inúmeros programas nos EUA e em outros países.


Contratado pela CBS em 1948, trabalhou na TV desde os primórdios. Contra sua vontade, afastou-se da emissora em 2004, aos 82, quando ainda produzia o ‘60 Minutes’. Nascido em Nova York, Hewitt deixou viúva e quatro filhos.’


 


 


TECNOLOGIA


Folha de S. Paulo


Revista vai ter anúncio em vídeo


‘A edição do mês que vem da ‘Entertainment Weekly’ vai ter anúncio em vídeo e que fala. Resultado de uma parceria da Pepsi com a rede de TV CBS, a página tem uma tela de cristal líquida fina como a de um telefone celular. O custo não foi revelado, e o anúncio só vai enviado para assinantes da revista das regiões de Los Angeles e Nova York.’


 


 


ARGENTINA


Folha de S. Paulo


Com TV, futebol recomeça amanhã


‘A primeira rodada do Torneio Apertura começará com duas partidas, após ter sido adiada por dívidas dos clubes argentinos e o rompimento do contrato com o canal pago TSC. Agora, as partidas serão transmitidas pela TV aberta graças a acordo com o governo, que resolveu bancar os direitos de transmissão do campeonato e pretende repassá- -los a outras emissoras.’


 


 


LITERATURA


Marcos Strecker e Raquel Cozer


Bienal do Rio une best-sellers e escritores cult


‘O colaborador da ‘New Yorker’ David Grann, autor do livro-reportagem ‘A Cidade Perdida de Z’ (que vai virar filme com Brad Pitt), o irlandês Joseph O’Neill, fenômeno de vendas após seu romance ‘Terras Baixas’ ser elogiado por Barack Obama, o israelense David Grossman e a indiana Thrity Umrigar estão entre os nomes confirmados para a 14ª Bienal Internacional do Livro do Rio, de 10 a 20 de setembro.


A Bienal do Rio é um dos maiores eventos literários do país -a expectativa é receber 600 mil visitantes. A programação anunciada ontem inclui o ex-correspondente do ‘New York Times’ Larry Rohter e o historiador britânico Andrew Keen, que vai na contramão da maior parte dos pensadores do ciberespaço ao defender que a web 2.0 está matando a cultura.


A exemplo das últimas edições, o evento também aposta em autores best-sellers, como Bernard Cornwell (autor de ‘As Crônicas de Artur’) e Meg Cabot (‘O Diário da Princesa’).


‘A Bienal tem perfil diferente da Flip, quer aproximar o escritor do grande público. Mas teremos autores cult, como O’Neill’, diz o crítico literário Ítalo Moriconi, curador dos espaços do auditório e do Café Literário. ‘É claro que a seleção depende muito do mercado, já que envolve o que será lançado no país, mas tem o mérito de incluir nomes de prestígio ainda pouco conhecidos aqui.’


A edição celebra os EUA, país de 12 dos 18 estrangeiros. Além de Grann, Rohter, Cabot e Umrigar (naturalizada americana), destacam-se David Wroblewski (‘A História de Edgar Sawtelle’, cujos direitos foram comprados por Tom Hanks) e o jovem quadrinista Dash Shaw.


Dentre os mais de cem brasileiros, Moriconi ressalta alguns encontros de gerações, como o do colunista da Folha Ferreira Gullar com Eucanaã Ferraz, um dos principais novos poetas do país. Reinaldo Moraes, autor de um dos mais elogiados lançamentos nacionais do ano, ‘Pornopopeia’, conversará com Marcelo Rubens Paiva e Marcelo Mirisola. Outras mesas terão os colunistas da Folha Carlos Heitor Cony, Moacyr Scliar e Ruy Castro.


O investimento na programação é de R$ 1,7 milhão -30% a mais que na última edição. Quase um terço desse valor foi para o espaço infanto-juvenil, que terá mais destaque.


Dentre as novidades, Roberto Feith, diretor-presidente da Objetiva e organizador da programação cultural, chama a atenção para o Livro em Cena. O espaço, com curadoria do ator Paulo José, terá Marília Pêra, Paulo Betti e outros lendo textos de grandes nomes da literatura brasileira.


Também pela primeira vez haverá um espaço dedicado às mulheres, com Betty Milan e a colunista da Folha Danuza Leão, entre outras. E uma mostra lembrará José Olympio, editor pioneiro que publicou Gilberto Freyre.’


 


 


INTERNET


Raul Juste Lores


You Quê?


‘Quer ver todos os episódios de ‘Lost’ de graça e sem interrupções? Ou de ‘Prison Break’ e ‘Heroes’? O Youku (www.youku.com) faz o serviço. O site chinês, cópia do YouTube, virou o pesadelo de qualquer TV paga ao colocar na rede filmes e seriados na íntegra.


Até séries que não fazem sucesso na China, como ‘True Blood’ e ‘Mad Men’, estão lá.


Essa videolocadora grátis do século 21 só é possível graças à inexistência de leis de propriedade intelectual na China (as poucas que existem também não são lá muito fiscalizadas pelo governo).


Os usuários põem no ar os episódios -tanto gravados da própria TV americana como copiados de DVDs piratas encontrados em qualquer lojinha na China- enquanto grupos de jovens chineses se encarregam de legendá-los. Para quem domina o inglês, é um programão.


Apesar da poluição visual típica dos sites chineses, é só digitar o nome da série no espaço de busca, em inglês mesmo, sem necessidade de usar ideogramas. Usuários nos EUA, Europa e até no Brasil já descobriram o conteúdo livre.


Criado em 2006, o Youku se tornou um dos dez sites mais acessados da China, seguindo o mesmo modelo do americano YouTube (a empresa nega a cópia do nome, alegando que os ideogramas chineses que compõe ‘Youku’ significam ‘bom’ e ‘legal’). Rapidamente, começou a fazer o que o original é impedido por lei.


Autocensura


A ascensão do Youku tem relação direta com o bloqueio do YouTube na China. O site americano foi proibido na China no ano passado, quando foram postados vídeos em que monges tibetanos são surrados pela polícia chinesa em Lhasa.


O governo chinês bloqueava o YouTube sempre que vídeos com violência policial ou denúncias de desrespeito aos direitos humanos entravam no ar. No final do ano passado, bloqueou-o permanentemente.


Já o Youku, como todos os grandes sites chineses, tem sua autocensura. Mais de cem pessoas se encarregam de checar e deletar vídeos que contenham temas sensíveis ao governo.


Na gíria chinesa, o Youku é um site ‘harmonizado’. O lema do Partido Comunista é criar uma ‘sociedade harmoniosa’ e a censura à internet representa essa harmonia à força.


Outro comportamento diferente do Youku é quanto ao conteúdo local. O site não utiliza a programação da TV estatal chinesa sem autorização.


‘Assinamos acordos com as TVs do governo e pagamos pelos direitos’, explica o gerente de relações internacionais do Youku, Steven Lin.


Pirataria envergonhada


Quando a Folha pergunta sobre o sucesso dos seriados americanos colocados na íntegra no site, o gerente de relações internacionais diz que ‘só uma minoria assiste a eles’.


‘Por que as empresas chinesas pagam por anúncios de dez segundos antes de cada episódio americano, o que não acontece com as novelas chinesas?’, pergunto.


O relações públicas perde a diplomacia. ‘Se for para escrever sobre Youku e pirataria, a entrevista está encerrada’, responde, aos gritos. ‘Dou entrevistas à CNN e à Fox sobre internet livre. Se for para nos acusar de pirataria, não.’ No mesmo dia, 2,5 milhões de chineses assistiram, de graça, a episódios da terceira temporada de ‘Prison Break’.’


 


 


***


Conectar-se na China é uma aventura


‘Um maremoto provocado pelo tufão que atingiu Taiwan na semana passada se tornou a mais nova calamidade da internet chinesa. Segundo a gigante estatal das telecomunicações, o maremoto avariou um cabo transoceânico que liga a rede ao país.


Conectar-se virou uma aventura – com interrupções frequentes e mais lentidão que o habitual.


Sem desastres naturais, a internet já é turbulenta. Facebook e Twitter estão bloqueados desde as eleições iranianas em junho, quando viraram ferramentas na luta por democracia. O YouTube já estava bloqueado. É normal que sites noticiosos como o do ‘New York Times’ ou o da BBC saiam do ar.


Aniversários da rebelião do Tibete (março), do massacre na praça da Paz Celestial (junho), do banimento da seita Falun Gong (julho) e da República Comunista (outubro) aumentam o controle, com sites bloqueados e tráfego mais lento.


Estima-se que 30 mil censores trabalhem no governo. Os maiores portais do país, como Sina e Sohu, têm censores internos que deletam até comentários mais críticos ao governo.


Há diversos mecanismos tecnológicos (vpns, proxies) para se driblar a censura, mas pouquíssimos tentam ver o que é proibido. ‘Só uma pequenina minoria tem interesse ou fala inglês para tentar descobrir o que está acontecendo no mundo’, diz Steven Lin, gerente do Youku. ‘Para a maioria, não faz diferença.’’


 


 


Marco Aurélio Canônico


Site é mais um porto seguro para os piratas


‘Mesmo que você nunca entre no www.youku.com (ele é chinês, pouco amigável para quem não lê ideogramas), provavelmente vai encontrar, em outros sites e blogs, vídeos tirados de lá -como se encontram, hoje em dia, vídeos do YouTube em todo canto.


Isso porque o Youku é uma cópia do modelo do YouTube (que é bloqueado na China), mas sem as restrições deste: não há limite para o tamanho dos vídeos (o que permite colocar filmes de duas horas em um único arquivo) e, principalmente, não há a mínima preocupação com a noção de ‘direitos autorais’.


Isso faz com que os vídeos mais desejados (séries, filmes, programas de TV etc.) estejam livre e facilmente acessíveis.


É essa mistura de farto conteúdo ‘pirateado’ (não em termos da lei chinesa) com acesso descomplicado (não é preciso baixar nada; como no YouTube, você pode pausar e voltar ao vídeo quando quiser) que atrai ocidentais para o Youku e seus similares, o www.tudou.com e o 56.com.


Com as tentativas da indústria do entretenimento de apertar o cerco contra quem baixa ou disponibiliza material com direito autoral reservado (vide os processos contra o Pirate Bay e o Mininova), os sites chineses de vídeos se tornam portos seguros para uma geração vista como ‘pirata’.


Mas é claro que isso não encerra essa batalha -o Youku é bloqueado em várias partes dos EUA, por exemplo.’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Universal Channel aposta em série sobre transplantes


‘Um dos canais pagos mais vistos, o Universal Channel comprou a série ‘Three Rivers’, que só estreia nos EUA, na CBS, em 4 de outubro, um domingo, às 21h. Aqui, deverá entrar no ar em novembro.


O seriado aposta em novo subfilão dos dramas hospitalares: o dos transplantes. Traz três jovens médicos correndo contra o tempo, enfrentando situações limites: uma pessoa que vai morrer se não receber órgãos e uma outra com morte cerebral já declarada, mas com obstáculos legais para a doação.


Os três protagonistas de ‘Three Rivers’ têm apelo sensual. São eles Alex O’Loughlin (de ‘Moonlight’), Katherine Moenning (‘The L Word’) e Daniel Henney (‘X-Men Origins: Wolverine’).


A compra de séries que ainda não estrearam nos EUA é normal pelos canais que atuam na América Latina. ‘A gente sempre compra no escuro. Quando as séries são lançadas, os canais correm para comprá-las. Hoje, há uma cláusula contratual que nos obriga a comprar também as próximas temporadas. É quase um casamento’, diz Paulo Barata, diretor do Universal Channel no Brasil, canal que já exibe ‘Heroes’, ‘House’ e ‘Brothers and Sisters’.


Barata afirma ter ‘vários indícios’ de que ‘Three Rivers’ será bem-sucedida, como a exibição aos domingos nos EUA. ‘Isso é sinal de que a série será prioridade.’ Segundo ele, a CBS refez cenas do piloto porque queria um hospital mais cenográfico. Além de ‘Three Rivers’, o Universal negocia a compra de mais uma série em 2009. Para abrigá-las, o canal reduzirá o espaço de filmes.


CONCESSÃO 1


Apesar da ‘guerra’ entre Globo e Record/Igreja Universal, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou ontem a renovação das concessões da Globo em São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte e da Record em Itajaí (SC) e Rio. Não houve discussões.


CONCESSÃO 2


As renovações seguem agora para o presidente do Senado, José Sarney, que editará decreto legislativo, última etapa do processo, iniciado há dois anos.


DETECTOR


Carlos Massa, o Ratinho, grava hoje seu primeiro ‘Nada Além da Verdade’, no SBT. O programa, que era apresentado por Silvio Santos, agora só terá anônimos. Estreia em 20/9.


MAIS BRIGA 1


Executivos da Record têm dito que torcem para que a Globo continue noticiando supostos crimes envolvendo líderes da Igreja Universal e da própria emissora. Avaliam que a Record só cresce no Ibope..


MAIS BRIGA 2


Na média diária (7h/24h), a Record teve entre quarta e anteontem sua melhor semana dos últimos meses (7,8 pontos).


MAIS BRIGA 3


O bom momento da Record, no entanto, tem a ver com o final de ‘A Fazenda’. A Record teve sua melhor terça do ano (9,5 pontos) explorando a aparição da mãe de Carlinhos. Ontem, a mulher foi dispensada porque não queria dividir sofá com a mãe de Dado Dolabella.’


 


 


Gustavo Villas Boas


Internet vai ao passado e futuro da série ‘Lost’


‘Um programa de TV da década de 80 ajuda a explicar o que é a organização secreta Iniciativa Dharma -que construiu casas modernas na ilha de ‘Lost’.


‘Mysteries of Universe’ (mistérios do universo) é uma série de miniepisódios que vai ao ar pelo site da ABC e simula um documentário algo sensacionalista que trata de ‘vida fora da terra, monstros, culturas antigas’, entre outras coisas. Se monstros e culturas antigas são temas claros para os fãs de ‘Lost’, alienígenas… talvez seja preciso se preparar para eles.


Já no primeiro capítulo on-line insinua-se uma relação entre ‘sociedades secretas infiltradas em cada canto’ do nosso mundo e inteligência extraterrestre. O segundo compara claramente o uniforme da Dharma com o dos possíveis trabalhadores da Área 51 -uma base militar no deserto de Nevada que guardaria restos de discos voadores, um lugar caro a ‘Arquivo X’. O ponto de partida para o falso documentário são as consequências do aparecimento de um uniforme da sociedade secreta de ‘Lost’ em uma loja próxima à Área 51.


O passado de personagens marginais, como Phil, o guarda de segurança que trabalha com Sawyer na quinta temporada, também foi visitado, deixando mais claro como era o recrutamento para ir à ilha.


Nos dois capítulos já transmitidos também há falas do narrador que remetem a diálogos. Ao todo, serão cinco capítulos. O terceiro irá ao ar em 8 de setembro; o último está planejado para novembro.


Esse episódios depois serão reunidos e ampliados nos extras da caixa de DVDs da quinta temporada. Por enquanto, servem para alimentar a atenção dos fãs. Blogs como o brasileiro ‘Dude, We Are Lost’ (www.du dewearelost.blogspot.com) colocam os episódios no YouTube e discutem cada detalhe.


Outra forma de atrair os entusiastas da série são os jogos de realidade alternativa, ou ARGs, em inglês. Eles misturam sites e pistas na internet com eventos reais. Um deles começou na Comic Con, evento de cultura pop que aconteceu no final de julho nos EUA.. Lá, o comediante Paul Scheer entregou um bizarro quadro aos produtores de ‘Lost’.


O quadro remetia a uma página (damoncarltonandapo larbear.com), que começa a exibir outras pinturas relacionadas à série. A partir do site, no último domingo, foi organizada uma festa real em Los Angeles, num bar cheio de referências a ‘Lost’. Sterling Beaumon, que interpreta o Ben adolescente, apareceu por lá.


Scheer é responsável pelo maior ‘spoiler’ (vazamento de informações inéditas) até agora da nova temporada. Em vídeo em que supostamente invade a sede da ABC, rouba papéis com o título do primeiro episódio: ‘LA X’. LAX, sem espaço, é o aeroporto onde o voo 815 deveria ter pousado, se não tivesse caído na ilha.’


 


 


Folha de S. Paulo


STJ nega recurso da Bandeirantes contra Xuxa


‘O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Sidnei Beneti manteve a indenização que a Rede Bandeirantes deve pagar a Xuxa, no valor de R$ 4,1 milhões. A cantora e apresentadora moveu e ganhou ação contra a rede por exibir, em 2008, num programa à tarde, fotos de nudez dela. A Band, que pode recorrer, questionava a validade de um tribunal do Rio julgar tal ação.’


 


 


 


 


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