Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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INTERESSE PúBLICO >

Censura, não; respeito, sim

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 07/04/2009 na edição 532

No último domingo (29 /03/09), o público ouvinte da Rádio Cidade AM de Fortaleza foi surpreendido com uma nota em que a emissora dizia que, por sugestão do Ministério Público e da Associação de Ouvintes, estava retirando os ouvintes do ar de toda programação da emissora. Tal providência certamente tem um único objetivo, que é colocar as pessoas menos avisadas contra a Associação de Ouvintes e contra o Ministério Público, o que é comum nos grupos que não respeitam o povo nem querem fazer um rádio de qualidade, interativo e respeitoso para com o ouvinte.

É público e notório que nesta rádio há programas de alto nível, com radialistas respeitosos, éticos e amigos dos ouvintes, prontos a ajudar, valorizar e desenvolver uma prática radiofônica que tenha certamente um serviço de qualidade em termos de mensagem e ação. No entanto, há programas na emissora que utilizam o espaço para colocar pessoas para se agredirem no ar, proferindo palavras de baixo calão, ameaçando os outros e desenvolvendo um tipo de ação que não faz parte do objetivo do rádio que sempre foi proposto e efetivado nas programações no decorrer da história.

Um rádio cidadão e honesto

O pior de tudo foi alguns radialistas – que procuram agradar os patrões, e não seu público, que sempre os respeitou – sugerirem em seus programas que o Ministério Público e a Associação de Ouvintes estariam praticando a censura. Não tem fundamento algum este tipo de afirmação, pois como normas do Direito e do que preceitua a Constituição, o rádio deve ter uma programação respeitosa, ética e sem discriminação, o que não acontece com os programas que têm essa característica e infelizmente são defendidos com unhas e dentes pela direção da emissora, que só vê o lucro obtido pelo programa. No caso em questão não há nenhum tipo de censura, pois o que foi questionado foi o tipo de ação que conduz a agressões e até ameaças de morte, que já ocorreram na rádio sem providência alguma de seus diretores. O povo certamente não quer censura, mas quer respeito e dignidade no rádio, que é um bem público, e não propriedade deste o daquele aventureiro.

Pelo espírito democrático de nossos membros e pela própria luta que sabemos que foi objeto de tantas ações pela liberdade de expressão, sabemos que este tipo de atitude fere frontalmente os princípios democráticos e o processo de valorização dos ouvintes. Os ouvintes sempre merecem respeito e têm algo a dizer, o que contribui certamente com a programação, desde que sejam mensagens verdadeiras, honestas, éticas e pautadas pela sinceridade e dignidade. Defendemos veementemente a participação dos ouvintes no rádio, mas não concordamos quando esta participação fere a moral e desrespeita ou denigre a imagem de qualquer outra pessoa. Queremos um rádio cidadão e respeitoso e vamos sempre lutar por isso enquanto estivermos funcionando como grupo que luta por um rádio cidadão, honesto e edificador de amizades, boas notícias e criador de benefícios, como sempre foi e será, mesmo que alguns não queiram nem lutem para isso.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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