Terça-feira, 24 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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INTERESSE PúBLICO > TV BRASIL

Conselho vai apurar denúncia da Folha

Por Marcelo Tavela / C-se em 08/04/2008 na edição 480

O Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) criará uma comissão de corregedoria, formada por um relator e dois outros integrantes, para analisar as denúncias de ingerência por parte do Palácio do Planalto trazidas pela Folha de S.Paulo. Em matéria assinada pelo colunista Daniel Castro (ver aqui, para assinantes), Luiz Lobo, ex-editor do Repórter Brasil, conta ter que submeter seus textos a uma jornalista casada com um assessor da presidência.


‘Já enviei um comunicado aos demais conselheiros e formaremos a comissão em 24 horas. Vamos ouvir as duas partes, a diretoria da empresa e o demitido, para decidir o que fazer. Não podemos tomar esta decisão baseados só na matéria do jornal’, disse Luiz Gonzaga Belluzzo, diretor do Conselho Curador. Ainda não estão definidos data e local onde se dará a audiência.


Cuidado além do jornalístico


Na reportagem, Lobo diz que teve vários textos reescritos por Jaqueline Paiva, chefe de telejornais, que é casada com Nelson Breve, secretário-adjunto para imprensa da Presidência da República. ‘Há um cuidado que vai além do jornalístico’, diz, completando que a pressão cresceu muito nas duas últimas semanas com o vazamento do dossiê de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, elaborado pela Casa Civil.


‘Não podíamos falar em dossiê, mas em ‘levantamento sobre uso dos cartões’. Depois, a orientação era falar ‘suposto dossiê’’, comenta Lobo. Outro caso citado pelo jornalista foi a derrubada da CPMF. ‘Fizemos uma reportagem falando que a verba do SUS acabaria antes do fim do ano. A Helena [Chagas, diretora de jornalismo da EBC] me chamou na sala dela e disse que era um absurdo uma matéria daquelas ir ao ar, porque em nenhum momento mencionava a falta dos bilhões da CPMF’, conta.


O ex-editor-chefe afirma ter relatado a interferência ao diretor-geral da EBC, Orlando Senna.


‘Recebi um e-mail do Lobo, e levei a questão para a diretoria da empresa, quando já havia a decisão da diretoria de jornalismo de dispensá-lo. O que está no jornal será analisado pelo Conselho. Da nossa parte, foi uma decisão interna da empresa’, diz Senna ao Comunique-se.


O lado da EBC


À Folha, Helena Chagas disse que o Repórter Brasil deu matérias sobre o dossiê todos os dias. ‘O que a gente faz não é chapa-preta nem branca. É jornalismo’, afirma. Ela argumenta que tanto o uso dos termos ‘suposto dossiê’ quanto o complemento da informação sobre a CPMF são observações estritamente jornalísticas.


Jaqueline Paiva, que trabalhou com Helena no SBT, e já passou por Record e Globo, se diz ‘uma mulher de televisão. O que mais gosto é de notícia (…). Jamais fechei um texto sem o editor junto’.


Segundo a assessoria da TV Brasil, Luiz Lobo foi demitido por se recusar a assinar contrato de trabalho e por chegar às 16h, quando seu cargo pedia que chegasse antes.

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Da Redação do Comunique-se

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