Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

INTERESSE PúBLICO > TV BRASIL

Conselho Curador da TV Pública
decepciona ao incluir Delfim Netto

Por Alberto Dines em 28/11/2007 na edição 461

A TV Pública até agora vem sendo recebida com simpatia, a expectativa é positiva porque o telespectador cansou da fórmula oferecida pela TV comercial, quer algo diferente, mais palpitante.


Esta expectativa positiva foi quebrada na segunda-feira, quando o governo anunciou a constituição do Conselho Curador que vai supervisionar a nova rede.


Dos vinte nomes anunciados aquele que está provocando a mais intensa reação, verdadeira repulsa, é o do antigo czar da economia durante o regime militar, Antonio Delfim Netto.


A idéia de formar um Conselho Curador diversificado é boa, democrática, mas esta diversificação não pode ser desvirtuada ao se escolher para o comando de uma rede de televisão financiada por um governo democrático uma figura tão identificada com o autoritarismo e o desprezo pela liberdade.


Compreende-se que jornais e revistas do segmento privado tenham Antonio Delfim Netto como colaborador para atender aos seus interesses e gosto dos respectivos públicos, mas uma Rede Pública de TV tem compromissos maiores. Um desses compromissos é não pisotear o passado.


***


Sinal preocupante


Luiz Egypto


O governo anunciou na segunda-feira (26/11) os quinze representantes da sociedade civil no Conselho Curador da Empresa Brasileira de Comunicação, a entidade que abrigará a nova TV Brasil.


Ao Conselho Curador caberá aprovar a política de comunicação e a linha editorial propostas pela diretoria, e zelar pelo cumprimento dos objetivos previstos na medida provisória que criou a TV pública, entre outras responsabilidades – inclusive a de deliberar sobre eventual voto de desconfiança a integrantes da diretoria da emissora. Além dos escolhidos, farão parte do conselho quatro ministros e um representante dos funcionários da TV Brasil.


A indicação dos nomes foi feita exclusivamente pelo Executivo, sem a participação de representantes do campo da comunicação. A notar que nenhum dos escolhidos tomou parte do Fórum Nacional de TVs Públicas, que se reuniu em maio último. Para uma emissora que se quer pública, o processo de escolha do seu Conselho Curador submeteu-se muito mais ao governo que à sociedade. O que, por todos os metros, não é um bom sinal.


 


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Governo define nomes para o Conselho Curador – Tela Viva News

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/11/2007 Flávio Marques Guerra Marques Guerra

    Será que o senhor Antônio Denfim Netto tem orgulho do ‘ato’ ocorrido no dia 13 de dezembro de 1968?

  2. Comentou em 28/11/2007 Edilson Luiz da Silva

    *Não sou de criticar alguém por escolhas feitas no passado. Também não sou inocente a ponto de fechar os diante do fato do ex-deputado Delfim Neto só estar ali por ter tornado-se defensor da política econômica de Lula. Mas o fato é que, participando da ditadura ou não, sendo amigo do presidente ou não, alguém indicado para tal cargo deveria ter conhecimento do veículo a gerir. O ex-ministro, pelo que eu saiba, atua na tv apenas como entrevistado ou com algum comentário onde o governo necessite parecer eficiente. Nesse caso concordo contigo, foi uma péssima escolha.
    *O aguardo em meu quintal
    QUINTALDOPROFETA.BLIG.IG.COM.BR

  3. Comentou em 28/11/2007 Filipe Fonseca

    Rogério, posso lhe adiantar o seguinte: MV Bill não assinou o AI 5.

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