Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

INTERESSE PúBLICO > OLHAR INTERNO

Continente africano terá canal de notícias

23/01/2006 na edição 365

Há mais de 20 anos, Mohammed Amin gravou com sua câmera cenas de pessoas morrendo de fome em Korem, no norte da Etiópia, para uma reportagem de Michael Buerk, da BBC. As imagens marcantes deixaram uma forte impressão nos telespectadores britânicos. Agora, o filho do cinegrafista, Salim Amin, quer causar impacto no jornalismo africano, dando aos jornalistas do continente a oportunidade de apresentar melhor sua realidade ao mundo. Amin planeja lançar, em março de 2007, o primeiro canal de notícias da África, informa Meera Selva [The Independent, 18/1/06].

Mohammed Amin morreu em 1996, quando um avião no qual ele viajava foi seqüestrado e caiu no mar. Seu filho está determinado a assumir a tarefa de divulgar um lado não muito conhecido da África. Executivo-chefe da Camerapix, produtora com sede em Nairóbi, ele acredita que sua missão é criar uma versão do canal árabe al-Jazira, com transmissões em inglês e francês para pessoas na África e em outros países. ‘A idéia é fazer com que os africanos se comuniquem entre si, em vez de receberem informações de países de fora da África sobre o que está acontecendo em seu continente’, afirma. ‘Nós queremos mostrar tanto as más notícias quanto as boas, e esclarecer que há mais que famintos e guerras no continente. Meu pai sempre me falou como era importante para os africanos receber notícias de outros africanos.’

A prioridade da futura emissora é treinar jornalistas locais – divididos em escritórios em 50 diferentes países do continente – para o padrão internacional, a fim de competir globalmente com outros canais internacionais. ‘Temos que tornar a emissora economicamente viável, e para isso precisamos manter alto o nível da equipe’, diz Amin. A programação inicial será de seis horas diárias, mas a meta é, futuramente, transmitir notícias 24 horas por dia. Amin acredita que precisará de US$ 20 milhões para conseguir lançar o canal.

Já existem programas de notícias na África, mas eles não têm credibilidade porque são produzidos por emissoras de televisão estatais ou por equipes mal-treinadas. Os telespectadores locais geralmente preferem ouvir a rádio BBC para ter acesso às informações precisas.

Canais internacionais de notícias em inglês

Emissoras em todo o mundo estão começando a entender o valor de possuir um canal de notícias internacional transmitido em inglês. O Kremlin fundou o seu – com o nome de Russia Today (RT) – recentemente, e a emissora árabe al-Jazira pretende lançar um serviço em inglês em breve. O jornal The Times of India fez uma parceria com a agência de notícias Reuters para lançar um canal em inglês. A emissora americana a cabo CNN também já entrou no mercado indiano ao transmitir através da emissora local IBN.

‘Todos estes canais de notícias deram às pessoas acesso a pontos de vistas que são diferentes daqueles transmitidos exclusivamente pela CNN ou BBC. Os talk-shows da al-Jazira mostram diferentes perspectivas sobre o que está acontecendo na região. Queremos fazer o mesmo na África’, conclui Amin.

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