Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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INTERESSE PúBLICO > EFEITOS DO PASSARALHO

Controle Público vs. descontrole privado

Por Paulo Rebêlo em 10/08/2004 na edição 289

O site Controle Público (www.controlepublico.com.br) foi retirado do ar repentinamente [veja remissão abaixo para nota de Ricardo A. Setti quando da estréia do site]. Criado em 2002 pela Folha de S.Paulo e o UOL (Universo Online), o projeto prestava um importante serviço à sociedade ao reunir um extenso banco de dados com informações eleitorais, pessoais e patrimoniais de mais de cinco mil políticos brasileiros que participaram das eleições de 1998, 2000 e 2002.

De acordo com o site/blog AdVillage, o serviço foi cortado nos recentes planos de reestruturação do Grupo Folha. Durante o ano de estréia, Controle Público ganhou menção de ‘Melhor Contribuição à Imprensa’ no Prêmio Esso de Jornalismo. No mesmo ano, Fernando Rodrigues, autor do projeto, levou o troféu do Prêmio Líbero Badaró na categoria de ‘Webjornalismo’. Sem contar diversas honrarias e menções durante congressos de jornalismo mundo afora.

Falta-me competência para opinar sobre as nuanças dos cortes no Grupo Folha, porém, é lamentável e muito sinistro que em plena véspera de eleições o Controle Público tenha saído do ar sob argumento de contenção de despesas. Também não faço a menor idéia de quanto custa para manter o site funcionando e como é o esquema de manutenção.

No entanto, parcos conhecimentos técnicos me permitem dizer que o custo é irrisório para manter qualquer site no ar, sem atualizações ou manutenção, apenas para consulta das pessoas. A quantidade de sites e ‘canais’ medíocres que são mantidos, inclusive no próprio UOL, apenas nos faz lamentar ainda mais.

Por quê?

Às vésperas de eleições, o mínimo que poderiam fazer é deixar o site no ar do jeito que estava, com o banco de dados disponível para consulta. Nem que fosse apenas até o fim do próximo pleito. Não ia custar quase nada. Não é um site a consumir tanta banda assim.

O mínimo de consideração seria o Grupo Folha ter avisado aos leitores que o site sairia do ar. Assim, daria tempo de salvar alguma coisa no computador (em PDF, HTML etc.) ou, simplesmente, usar um programa para armazenar as páginas localmente no computador. Sorte de quem fez isso enquanto era tempo.

Também não adianta ir no site Web Archive, um serviço para resgatar páginas que não existem mais. O Web Archive, além de ser lento, não tem a capacidade de puxar informações a fundo ou via banco de dados. É um serviço interessante para ver a capa ou o visual de sites antigos que não existem mais, contudo não serve para consultas.

É difícil de engolir uma mãe que alimenta filhos tão bem, vendo-os crescer, ganhar prêmios, prestar um precioso serviço à sociedade para depois afogá-los. Depois os gênios da economia e os superconsultores se perguntam ‘por que a conta nunca fecha?’.

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Jornalista, no Recife; (www.rebelo.org)

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