Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Correspondentes são detidos após eleições

08/04/2008 na edição 480

Barry Bearak, correspondente do New York Times que vem cobrindo as eleições no Zimbábue, e o jornalista britânico Steven Bevan foram presos na semana passada (3/4) por trabalhar sem permissão do governo. O porta-voz da polícia nacional, Wayne Bvudzijena, informou apenas que dois jornalistas estrangeiros foram detidos em uma batida policial no hotel York Lodge, perto do centro da capital Harare, e estão sob custódia – sem, no entanto, identificá-los. O editor-executivo do NYTimes, Bill Keller, confirmou que Bearak, ganhador de um Pulitzer em 2002 por reportagens no Afeganistão, havia sido detido; Keller desconhecia, entretanto, o paradeiro do jornalista. ‘Não sabemos onde ele está preso ou se há acusações contra ele. Estamos fazendo o possível para saber como ele está, garantir que esteja seguro e sendo bem-tratado e que será solto logo’, afirmou.

Autoridades do Zimbábue, que proibiram grande parte da mídia internacional de cobrir as eleições gerais ocorridas há dois sábados (29/3), alertaram há duas semanas que seriam duros com os jornalistas que tentassem trabalhar ilegalmente no país. Ainda assim, diversas organizações de mídia estrangeiras – incluindo a BBC – tinham repórteres tentando cobrir o pleito.

Tensão

Os resultados oficiais ainda não foram divulgados, e enquanto isso a situação na capital do Zimbábue segue sob tensão. O presidente Robert Mugabe tenta se reeleger pela sexta vez, enquanto o partido da oposição Movimento para Mudança Democrática alega que seu candidato, Morgan Tsvangirai, teria vencido as eleições.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, com sede em Nova York, afirmou em declaração que está preocupado com o fato de jornalistas estrangeiros estarem detidos em Harare. O diretor-executivo da organização, Joel Simon, pediu às autoridades do Zimbábue que libertem imediatamente os repórteres. ‘Na atual situação política, é imperativo que todos os jornalistas, estrangeiros e locais, possam trabalhar livremente’, opinou. O Zimbábue tem regras rígidas sobre a atuação da mídia e nenhuma emissora de rádio ou TV independente tem autorização para funcionar no país. Só há um diário, o Herald, controlado pelo governo.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Gonzalo Gallegos, afirmou que a embaixada americana em Harare está acompanhando o caso. ‘Um funcionário da embaixada americana confirmou a prisão de pelo menos um americano e conseguiu falar com ele. Continuamos tentando obter mais informações e acesso a outros americanos que possam estar presos’, disse. Informações de Susan Njanji [AFP, 3/4/08] e de Nelson Banya [Reuters, 3/4/08].

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