Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > MÍDIA GOIANA

Crise e propaganda zero

Por Marcus Fidelis Ferreira Castro em 04/09/2007 na edição 449

Na última eleição, o PMDB abandonou a crítica aos gastos com propaganda do governo goiano, tema recorrente nos últimos anos. Não parecia ser o caso no início da campanha: em agosto de 2006, Ney Moura Teles, candidato ao Senado, declarou, em Itumbiara, que nos últimos anos o governo do PSDB gastara mais de 1 bilhão de reais em publicidade. Determinante nessa mudança, a conquista da Prefeitura de Goiânia em 2004 e a perspectiva da reeleição do prefeito Íris Rezende, projeto em que a comunicação é crítica.

O prefeito já mudou três vezes o secretário da pasta – a última em maio – na busca de maior visibilidade para sua gestão. O orçamento divulgado, de 10 milhões de reais, seria um problema pela sua pequenez, se confrontado com os números divulgados por Teles para o governo estadual – equivalentes a mais de 100 milhões de reais anuais.

Seria, caso a crise não tivesse se instalado. Os dados disponibilizados pelo TCE, referentes ao primeiro trimestre de 2007, mostram que o governo estadual gastou 4,3 milhões de reais em propaganda no período, o que equivale a 17 milhões de reais ao longo de todo o ano. Nessas condições, a Prefeitura de Goiânia gastará mais da metade do que gastará o estado, agigantando-se como anunciante diante do governo estadual e dona de um caixa essencial para a sobrevivência das empresas de comunicação.

Do céu ao chão

Este texto e os gráficos que o ilustram foram elaborados a partir de tabela com a compilação de dados divulgados pelo TCE-GO. Para 2007, como foram divulgados apenas os dados do primeiro trimestre, os valores anuais são projeções feitas multiplicando-se aqueles por quatro.

Os gastos do governo de Goiás com propaganda (noticiário, propaganda ou promoção) ao longo dos últimos anos impressionam primeiro pelo seu total expressivo, segundo pelo aumento constante ao longo do período e finalmente pela queda brutal este ano. Considerados os valores nominais, não chegam ao bilhão mencionado por Ney Moura Teles (veja texto anterior), mas ficam bem perto – 789 milhões, sendo 232 milhões de 1999 a 2002 e 557 milhões de 2003 a 2006. O aumento da média de gastos anuais entre os dois períodos foi de 149%, passando de 58 milhões para 139 milhões. Já para este ano, chegariam a apenas 17 milhões. (gráfico 1)

Não há dados individualizados disponíveis para os anos de 1999 a 2001, apenas a média anual, de 58 milhões. O crescimento é constante até 2005: em 2002, 74 milhões; em 2003, 110 milhões; em 2004, 144 milhões; em 2005, 193 milhões. Em 2006 há uma redução, com a volta ao patamar de dois anos antes – 110 milhões e, no primeiro trimestre de 2007 uma redução abrupta, com um gasto de apenas 4,3 milhões (equivalentes a 17 milhões projetados para todo o ano – 9% do que foi gasto em 2005). (gráfico 2)

Dos 557 milhões gastos ao longo de 2003-2007, 91% concentram-se entre quatro fontes principais do governo : em primeiro lugar a Agecom, com 317 milhões (57%), seguida pela Celg, com 123 milhões (22%), depois o Detran, com 38 milhões (7%) e a Saneago, com 30 milhões (5%).( gráfico 3)

Em 2007, a queda acentuada na participação dessas quatro fontes principais, reduzindo drasticamente o montante total, fez com que aumentasse em 3,5 vezes a participação proporcional das outras fontes, que passou de 9% para 31%. (gráfico 4)

O tamanho de cada tombo

O caso do Detran é singular, pois já em 2006 sua participação, que fora de 14 milhões em 2005, tornou-se insignificante. Na Agecom, o tombo foi de 110 milhões em 2005 para 7 milhões este ano. Na Celg, redução de 51 milhões para 2 milhões . Na Saneago, curiosamente, houve aumento de 2005 para 2006 ( de 8 milhões para 9 milhões), para em seguida acompanhar a queda geral em 2007, reduzindo-se a 2 milhões. Finalmente, as outras fontes todas caíram de 14 milhões em 2005 para 5 milhões este ano. (gráfico 5)

O pico dos gastos com propaganda foi em 2005 (veja texto anterior). Em sua edição nº 1565, com circulação entre 3 e 9 de julho daquele ano, o Jornal Opção criticou os gastos elevados com propaganda pelo governo – do Distrito Federal.

Publicada na seção ‘Reportagens’, sob a rubrica ‘Fenômeno’, a matéria tinha o título ‘GDF paga para não ser notícia’, com o subtítulo ‘Governo de Joaquim Roriz gastou 100 milhões de reais com mídia’. O publicitário e ‘pecuarista’ Marcos Valério, com sua SMP&B, também atuou no DF.

Os 100 milhões se referiam aos gastos do GDF com propaganda em 2004. A matéria citava também os gastos em 2003 (68,5 milhões) e até junho de 2005 , de acordo com o Tribunal de Contas do DF. Os gastos do Governo de Goiás nos mesmos anos – 144 milhões em 2004 e 110 milhões em 2003, veja texto anterior – tinham sido muito superiores.

Para ler a matéria, selecione ‘edições anteriores’ no site do Jornal Opção.

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Produtor cultural, Goiânia, GO

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