Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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INTERESSE PúBLICO > THE WASHINGTON POST

Curvando-se à China

28/02/2012 na edição 683
Sobre artigo de Patrick B. Pexton, de Washington (EUA)

Em 13/2, o Washington Post publicou, em mais da metade da página, a transcriçãode uma entrevista com o vice-presidente da China, Xi Jinping, no dia em que o futuro líder do país chegou a Washington para uma visita oficial. No dia seguinte, o Post publicou uma correção atípica sobre a entrevista – que na realidade pouco tinha de entrevista.

Ao publicar a transcrição, que estava mais para um release do que para notícia, o Post abriu um precedente ruim com o governo autoritário em Pequim. O jornal frequentemente pede entrevistas a líderes de Estado estrangeiros, em especial antes das visitas a Washington. Elas são muito difíceis de serem concedidas. Há um ano, por exemplo, o Post e oWall Street Journal pediram entrevistas ao presidente chinês, Hu Jintao, e, em resposta, Pequim permitiu que as duas publicações enviassem perguntas por escrito e Jintao e sua equipe enviaram respostas também por escrito – que foram publicadas pelos dois jornais.

Eu pergunto, eu respondo

Este ano, o Post fez a mesma solicitação e enviou perguntas por escrito, mas a resposta foi diferente, com o governo chinês modificando, apagando e acrescentando questões às submetidas pelo jornal. Como resultado, o diário não publicou as perguntas – apenas as repostas.

Na opinião do ombudsman Patrick Pexton (24/2), o jornal não deveria ter aceito respostas de perguntas que não foram feitas por seus jornalistas. Tudo bem, o Post foi o único jornal a ter alguma resposta de Jinping – a transcrição foi sua única declaração pública durante a viagem. Mas suas palavras foram meramente diplomáticas, sem acrescentar nada de novo ou relevante: basicamente, o vice-presidente falou que a relação entre EUA e China beneficia os dois países e é construída com base em respeito e compreensão mútuos.

Segundo o editor-executivo Marcus Brauchli, ao publicar a transcrição, o objetivo era dar aos leitores alguma noção de uma figura política relativamente desconhecida e que deverá ser muito importante para os EUA nos próximos anos. Mas, no dia seguinte, ao ver a página impressa, ele achou que o texto poderia confundir os leitores, que poderiam pensar se tratar de uma entrevista real – e então deu início ao processo de correção.

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