Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

INTERESSE PúBLICO > RIO+20

Rio+20 problemas

Por Marcus Tavares em 19/06/2012 na edição 699
Reproduzido de O Dia, 16/6/2012; intertítulo do OI

Estudo divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente, semana passada, revelou que 78% da população brasileira desconhece a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que receberá, a partir desta quarta-feira, cerca de 80 chefes de Estado. Grande parte da imprensa, bem como do governo, noticiou o fato com certa dose de surpresa. Não entendi o espanto. O desconhecimento é totalmente previsível e justificável: meio ambiente não faz parte da pauta da agenda da sociedade. A pesquisa comprovou que a saúde (81%) é a maior preocupação dos cidadãos, seguida da violência (65%) e do desemprego (34%).

Convenhamos: se de fato os governos quisessem que o tema ganhasse força, teriam que defender, sem demagogia, a causa em primeiro lugar, atuando em questões práticas. Por exemplo: a recente medida, tantas vezes já praticada, que reduziu o IPI dos carros novos vai exatamente de encontro a qualquer projeto de mundo sustentável. Em vez de investir em transporte público de qualidade e não poluente, o governo opta, em nome da aceleração da economia e da crise, por aquecer o mercado de veículos, estimulando o consumo, contribuindo para o trânsito já caótico e aumentando o nível de gás carbônico, prejudicial para o efeito estufa e o aquecimento global.

Nada muda

Se o meio ambiente fosse prioridade, a prefeitura já tinha implantado uma completa e responsável coleta seletiva. Só reaproveitamos 3% das 8,4 mil toneladas de lixo diárias. A Comlurb separa apenas 0,27%. A coleta seletiva é feita em apenas 41 os 160 bairros e, mesmo assim, parcialmente. E o que dizer então das praias, das lagoas e da Baía de Guanabara? Os problemas, as soluções e as promessas não mudam. Só a poluição e a degradação é que aumentam.

Meio ambiente, definitivamente, não é prioridade dos governos. Cabe à sociedade se organizar e propor mudanças? Sim. Mas, no nível de prioridades, como revela a pesquisa, essa questão só aparece em sexto lugar. Então fica combinado: nada muda. Sejam bem-vindos ao Rio+20 problemas.

***

[Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Educação e Mídia]

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