Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Os 90 anos do rádio brasileiro

Por Daniel Pimentel Slaviero em 02/10/2012 na edição 714

Um velho companheiro de milhões de brasileiros completou 90 anos. A 7 de setembro de 1922, um discurso do presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da independência, marcaria a primeira transmissão oficial de rádio no Brasil. Com equipamentos vindos especialmente dos EUA, o lançamento no Teatro Municipal do Rio de Janeiro teve um caráter experimental. A história do rádio no país começara na verdade em 1893, quando o sacerdote e cientista gaúcho Landell de Moura transmitiu um sinal de voz à distância, sem auxílio de fios. O padre se antecipou, assim, ao italiano Guglielmo Marconi, considerado no mundo o inventor do rádio.

A primeira emissora, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, só iria surgir em 1923, pela perseverança do médico e professor Roquette Pinto. Desde então, o rádio viveu tempos de dificuldades e de glórias. Os anos 1920 e 1930, marcados pela tecnologia precária, assinalam as primeiras concessões de canais e o início da publicidade na programação.

O jornalismo no rádio, com o Repórter Esso, a radionovela e programas de auditório embalam os anos 1940. A transmissão via satélite permite um salto tecnológico na década de 1960, quando é fundada a Abert, entidade que hoje representa 3 mil emissoras de rádio e TV. Chegam os anos 1970 e 1980, com o advento das emissoras FM. Na década de 1990, nasce o jornalismo 24 horas e são dados os primeiros passos na internet. Os anos 2000 tornam frenético o ritmo da inovação tecnológica. Os meios se digitalizam e a Abert começa a buscar o padrão que melhor se adapta ao nosso rádio.

Mais ouvintes, novos anunciantes

Nessas nove décadas, pela voz de milhares de comunicadores, o rádio participou das transformações do país, contou a história de seu povo e colaborou para o fortalecimento da identidade nacional e da democracia. Suas contribuições são inúmeras e fundamentais no campo econômico, social, político, cultural e educacional.

Hoje, o rádio está presente em nove de cada dez domicílios. Todavia, não foram poucas as vezes que se anunciou a morte do rádio, com a chegada da televisão aberta, da TV por assinatura e da internet. Mas o rádio provou sua força, soube se adaptar e valorizar atributos como instantaneidade, interatividade, mobilidade e a proximidade com o cidadão. Eis seu grande diferencial: um conteúdo de qualidade produzido com credibilidade.

O rádio ganhou aliados para expandir seu alcance, como o telefone celular, o iPod, o MP4 e o tablet. Das pessoas entre 12 e 75 anos, 8%, ou 4,2 milhões, escutaram rádio pela internet no último mês. O percentual vai a 11% entre jovens de 12 a 24 anos. Se, de um lado, a popularização da internet e das novas mídias amplia a concorrência, de outro temos certeza de que permitem que o rádio vá mais longe, conquiste mais ouvintes, atraia novos anunciantes.

Cultura, cidadania e democracia

Há, porém, questões relevantes a serem resolvidas.

Uma é a flexibilização da transmissão da Voz do Brasil, programa que tem a sua importância, mas que não pode se manter como uma imposição a emissoras e ouvintes.

Outra é a definição do padrão digital pelo Ministério das Comunicações, aguardada para este ano. E tão ou mais importante é a migração das rádios AM, afetadas por interferências crescentes, para a faixa de FM. A medida já está em estudo no Ministério das Comunicações.

Enfim, neste dia 25 de setembro, Dia do Rádio, homenageamos com entusiasmo este meio de comunicação que rejuvenesce e se reinventa, capacitando-se a contribuir sempre para valorizar a cultura nacional, fortificar a cidadania e consolidar a democracia.

***

[Daniel Pimentel Slaviero, 32, administrador de empresas, é presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão)]

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