Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Papel e importância do rádio através da História

Por Raissa Araújo do Rosário Silva em 30/10/2012 na edição 718

A imagem tem mais facilidade para capturar e manter a atenção do telespectador, mas o rádio tem outra função e a exerce com maestria: ele desperta a imaginação de quem está ouvindo. O rádio se transformou e se adaptou à medida que as tecnologias surgiram e avançaram, tornou-se portátil e alcançou o ambiente virtual. Entretanto, a sua expansão não se deve somente aos avanços tecnológicos. Seu sinal chega aonde nenhum outro veículo de comunicação chega, daí o alto alcance geográfico. A abrangência de caráter social se deve à própria linguagem do rádio, muito mais direta, coloquial, persuasiva e intimista. Em comparação com os outros meios de comunicação, o rádio é o mais acessível economicamente e com isso ele atinge de forma mais direta as populações de baixa renda.

O rádio não exige alfabetização do receptor. Isso, em um Brasil que tem um dos mais altos índices de analfabetismo do mundo – de acordo com os dados dos IBGE, hoje, ainda há quase 14 milhões de brasileiros, com 15 anos ou mais, analfabetos – permite que o rádio, entre os meios de comunicação, seja o de potencial mais popular e democrático.

Reunindo todas essas condições, o rádio consegue cumprir com mais facilidade a função social da comunicação, que é atender aos interesses da sociedade em nível de circulação e pluralidade da informação sem excluir ou impedir alguém de receber e da capacidade de transmissão. Afinal, a informação é considerada um direito e uma ferramenta da sociedade para compreender e se movimentar na realidade.

Potencialidades do rádio

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), na Polônia ocupada, possuir um rádio era exclusividade dos alemães. Através dele, os nazistas ficavam sabendo das novas estratégias e ouviam as músicas preferidas de Hitler. As propagandas do líder nazista estimulavam o fanatismo, transmitiam palavras de ordem e ideologias. No filme Um Sinal de Esperança, dirigido por Peter Kassovitz, o comerciante Jakob (Robin Williams), que vive na Polônia em tempos de guerra entre nazistas e poloneses, traz esperança, otimismo e humor aos judeus ao dizer que ouviu na Rádio BBC de Londres notícias favoráveis com relação aos passos das tropas da Aliança para derrotar o exército de Hitler e outras informações que ele inventa usando a própria imaginação. O seu ato acabava por evitar que algumas pessoas se suicidassem. Quando os soldados alemães tomam conhecimento da existência de um fictício rádio, eles organizam uma repressão maior, pois não queriam que os judeus tivessem qualquer contato que lhe fornecesse informação sobre os reais acontecimentos.

O que ocorre é um líder que se legitima através do rádio, um povo aflito por viver em meio a uma guerra sem informação sobre o que está acontecendo, depois vem o nascimento de uma esperança e um curto entretenimento trazido pelas informações do fictício rádio de Jakob. Portanto, é possível perceber no filme a importância da informação, sobretudo da transmissão radiofônica que chegava muito mais rápida do que por meios impressos.

Foi na década que 30 que construíram a base para que a Era de Ouro do Rádio no Brasil acontecesse nas décadas de 40 e 50. Getúlio Vargas percebeu as potencialidades do rádio e o agregou aos seus interesses. Assim sendo, Vargas regulamentou o setor para que o governo tivesse um controle maior sobre o rádio, isentou ouvintes de taxas para que os aparelhos fossem instalados em suas casas e permitiu a veiculação de anúncios comerciais que tornaram as bases econômicas mais sólidas para a sobrevivência das rádios e promoveram o avanço do setor.

Repressão contra sambistas

Essas mudanças proporcionadas por Vargas estimularam o consumo nas massas e culminaram, entre várias outras coisas, no fortalecimento do poder político e sua popularização. A propaganda política tinha o objetivo de envolver multidões. O programa A Voz do Brasil, por exemplo, tinha caráter informativo, cívico e cultural. Por meio do programa, o governo iniciou a divulgação de seus discursos oficiais e atos para obter apoio, do mesmo modo que fez a exaltação do patriotismo. O programa, porém, teve grande rejeição popular.

A utilização do rádio uniu a propaganda do regime e o transformou em um instrumento para promover educação e cultura. Mas como nem tudo são flores e é necessário olhar os dois lados: essa “troca de favores” entre a classe do setor e o governo varguista proporcionou a participação de certo controle da imprensa. O rádio não escapou da censura do Estado Novo, houve o veto a notícias negativas para o governo, principalmente as relativas a problemas econômicos, e a aplicação de multas, perseguições e fechamentos de veículos.

Mesmo durante esse regime autoritário, a censura era mais leve quando se tratava de humor e música. Esta última foi classificada pelo governo como importante no processo formador da cultura nacional. O governo se preocupou em eleger um estilo que representasse o cidadão brasileiro. Aí surge o samba como representante do ritmo nacional. Apesar disso, Vargas adotou medidas de repressão contra os sambistas. Pois, para o governo, a figura do malandro e boêmio, presente em muitas letras, batia de frente com a política trabalhista de Vargas.

A Era de Ouro

Os sambas foram obrigados a se moldarem, caso contrário não haveria autorização para o registro da obra e veiculação nas emissoras. Após as modificações nas letras, o samba deixou de lado seu caráter regional, de periferia, e passou a ser consumido também pelas camadas elitistas da sociedade.

A história do rádio no Brasil também foi marcada pela entrada do país na Segunda Guerra Mundial. O acontecimento despertou grande interesse público, só que, diferentemente do que acontece no filme Um Sinal de Esperança, durante o conflito mundial os brasileiros puderam acompanhar o desenrolar da guerra. O fim da batalha foi noticiado no Brasil e as emissoras festejaram, pois junto dele adveio a queda do Estado Novo e as rádios avançaram mais de acordo com a democracia caminhando para a Era de Ouro do rádio.

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[Raissa Araújo do Rosário Silva é estudante de Comunicação Social – Jornalismo]

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