Domingo, 22 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

INTERESSE PúBLICO > RÁDIO HELIÓPOLIS

Emissora volta a transmitir na favela

Por Fabiana Reinholz em 14/08/2007 na edição 446

A maior favela do país volta a ter voz própria novamente. A partir do próximo sábado, 11/8, a Rádio Comunitária Heliópolis está liberada para funcionar – em caráter experimental – 13 meses após ter sido fechada pela Polícia Federal, por solicitação da Anatel.

Os 125 mil habitantes da maior favela brasileira, a comunidade de Heliópolis, voltam a ter acesso a seu canal de comunicação democrático, alternativo e ‘preocupado com a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento integral da comunidade’. A rádio Comunitária Heliópolis, de São Paulo, que existe há 15 anos, teve seus equipamentos apreendidos e estava impedida de funcionar desde 20 de julho do ano passado. A Polícia Federal (PF) fechou a rádio a pedido da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que recebeu uma denúncia anônima de que a emissora estaria interferindo em sinal alheio.

Resistência

O fechamento, porém, não impediu que a RC deixasse de existir. Pelo contrário. A rádio continuou ‘quase normalmente’, mas de uma maneira bem inusitada. As ondas sonoras da Higienópolis percorriam as ruas da favela sobre as rodas da bicicleta do mestre de capoeira Didi, conta Cláudia Neves, locutora voluntária da Heliópolis há cinco anos. Dessa maneira, as informações sobre o bairro, as notícias do Brasil e também do mundo continuavam chegando aos moradores. ‘Pra gente, a rádio nunca fechou, ela só não estava no ar’, diz Cláudia.

Em outubro do ano passado, a Rádio Comunitária Heliópolis obteve uma autorização da Anatel para funcionar, também em caráter experimental. Contudo, a emissora não pode ir ao ar porque os equipamentos presos pela PF ainda estavam em poder da Justiça. Para reverter essa situação, a rádio recebeu doações de uma empresa de São Paulo.

O status experimental outorgado pela Agência tem vigência de seis meses, renováveis por igual período. Para que essa adoção fosse concedida, a emissora firmou parceria com a Universidade Metodista de São Bernardo do Campo. Ela também conta com o apoio da União Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis e São João Clímaco (UNAS) e do Oboré Projetos Especiais em Comunicação e Artes. O período de meio ano servirá como uma espécie de observatório, para monitorar se haverá ou não interferência nas rádios comerciais – exigência do Ministério das Comunicações e Anatel para conceder a outorga às rádios comunitárias do município de São Paulo. O novo dial da rádio será 87.7FM.

Das cornetas às ondas sonoras

Em oito de maio de 1992, ia ao ar a primeira versão da então ‘Rádio Popular de Heliópolis’. Através de cornetas instaladas em postes do bairro, os heliopolitanos ouviam o ‘choro’, antes abafados em encontros da comunidade realizados na UNAS.
Cinco anos depois, a rádio aposentava suas cornetas e começava a dar seus primeiros ‘passos’ sob a forma de dial. Quando em 2005 tem sua voz calada.

Agora a rádio volta, com sua programação multidiversificada – ‘para agradar aos mais variados estilos’ – mas mantendo, segundo Cláudia, seu compromisso comunitário no intuito de melhorar a qualidade de vida e democratizar a informação. Suas atividades ao vivo começam às seis da manhã e vão até à meia noite, diariamente. Depois, a programação é gravada. Quase todos que atuam na rádio pertencem à comunidade.

A rádio, ao longo de sua existência, se tornou um mecanismo de defesa da cidadania. ‘É o instrumento que dá voz à comunidade, fundamental na defesa dos direitos e deveres do cidadão. Ela junta as pessoas e faz com que busquem seus direitos’ afirma Geronino Barbosa, coordenador da rádio desde 1992.

Além da reabertura da rádio, sábado, serão entregues certificados do curso ‘Correspondentes da Cidadania’, que capacitou 30 jovens da comunidade, no período de 12 de maio a 23 de junho na área de locução, reportagem e linguagem radiofônica, técnicas de entrevista entre outras oficinas direcionadas a produção de rádio comunitária. O curso foi ministrado pela Oboré em parceria com a Universidade Metodista de São Bernardo do Campo.

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Da Redação FNDC

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