Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ENTRE ASPAS >

Estatal venezuelana passa a cobrar por imagens de eventos oficiais

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 28/05/2008 na edição 487

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 28 de maio de 2008


VENEZUELA
Fabiano Maisonnave


Redes privadas terão de pagar por imagens de TV de Chávez


‘O canal estatal VTV, que detém o monopólio na cobertura da maioria dos eventos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, informou anteontem às emissoras privadas que passará a cobrar pela retransmissão de suas imagens, a um preço de R$ 335 mil por hora. Segundo o canal oposicionista Globovisión, a medida inviabiliza a cobertura de atos oficiais.


Em carta dirigida às TVs privadas, a VTV afirma que, a partir de 1º de junho, cobrará o equivalente a R$ 93 por segundo de retransmissão de sua imagem. Ou seja, uma entrevista coletiva de meia hora com um ministro de Chávez, por exemplo, custará R$ 167.500.


A única exceção fica por conta de ‘discursos, declarações públicas, atos oficiais e similares’ feitos por Chávez, desde que as imagens sejam usadas ‘única e exclusivamente’ em programas de notícias ‘claramente identificados’. Ou seja, se forem usadas numa propaganda institucional ou num documentário, por exemplo, é necessário pagar.


O comunicado da VTV afirma que o canal ‘se reserva o direito de proibir total ou parcialmente o uso e retransmissão de seu sinal a qualquer momento’.


Até agora, as regras na Venezuela eram similares às do Brasil, onde os canais privados têm acesso gratuito e sem restrições às imagens de coberturas presidenciais da estatal TV Brasil.


Após o anúncio, o ministro da Comunicação, Andrés Izarra, pediu demissão porque disse ter tomado a decisão sobre a cobrança ‘sem consultar as demais instâncias do governo nacional’, informou em breve fala a jornalistas.


A Folha procurou durante a tarde a direção da VTV, mas ninguém respondeu aos pedidos de entrevista.


Para o diretor-geral da Globovisión, Alberto Federico Ravell, a cobrança impedirá seu canal de cobrir o governo. ‘As informações do setor oficial não poderão mais sair em nossa tela’, disse ontem à Folha. ‘Não somos convocados a eventos oficiais. Se vamos, não nos deixam entrar. Nos atos populares do partido do governo, agridem nossos repórteres. Por isso, usamos o sinal da VTV, para que os telespectadores tenham a outra face da moeda. Mas não podemos pagar essa tarifa.’


Como exemplo, Ravell cita o ‘Alô, Presidente’, programa dominical de Chávez, que pode durar até sete horas e não é tecnicamente um ato oficial. Caso seja retransmitido por cinco horas, por exemplo, o custo será de R$1,67 milhão.


Ravell diz que a medida tem como alvo a propaganda institucional ‘Usted lo Vió’ (você viu). Transmitida durante os intervalos, mostra declarações constrangedoras para o chavismo, geralmente usando imagens da VTV.


É o caso de um discurso de Chávez feito em 2004 na Colômbia no qual ele jura ‘por Deus e pela minha santa mãe que, se eu apoiasse a guerrilha [Farc], não teria cara para vir aqui a Cartagena’.


‘Isso é o que mais incomoda o governo. Pegamos uma frase que alguém disse sem editá-la, sem modificá-la e a repetimos várias vezes. Os presidentes muitas vezes dizem coisas de que se arrependem. Então simplesmente colocamos ‘você viu pela Globovisión’ e passamos várias vezes por dia. Parece que todos os tiros vão dirigidos a isso’, disse Ravell.


Um ano sem RCTV


As mudanças nas regras de retransmissão coincidiram com o primeiro aniversário da não-renovação da concessão da emissora RCTV, sob a justificativa de que ela participou da tentativa de golpe de Estado contra Chávez em 2002.


Em entrevista coletiva, o presidente da emissora, Marcel Granier, disse ontem que, ao encerrar a concessão, ‘o presidente ficou nu em seu patético projeto totalitarista’.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Petrobras, Petrobras


‘Sites econômicos dos EUA dão mais um achado em ‘águas profundas’ da Petrobras, agora junto com a Shell, na costa da Louisiana, nos mesmos EUA.


E ‘pela primeira vez na história’, segundo Folha Online e outros, as ações de empresas brasileiras em Wall Street, Petrobras bem à frente, ‘superaram US$ 4 bilhões em movimentação diária’ na média de maio. Ficaram acima da média da Bovespa no mês.


Mas, no vaivém das Bolsas, ontem mesmo a notícia por aqui era a queda ‘puxada pela Petrobras’ -e pela cotação internacional menor do petróleo, no dia.


‘ENERGIA VERDE’


As primeiras fotos do carro Green Energy surgiram há um mês. É o merchandising da Petrobras em ‘Speed Racer’, agora Nintendo Wii etc. etc.


O ANIMADOR


Em destaque por Reuters Brasil, sites de jornais e portais, ‘Lula compara Minc a Amarildo por substituir a ‘Pelé’ Marina Silva’.


Dia após dia, os discursos de Lula vão tomando mais da cobertura, ontem ao vivo nos canais e rádios de notícias e em ‘live-blogging’, depois em vídeos on-line. Com o show minguante das CPIs, é ele quem anima o auditório.


TEM DONO


Um dia antes, o hit lulista foi ‘Amazônia tem dono’.


O londrino ‘Telegraph’ leu como crítica ao milionário Johan Eliasch, que defendeu a compra de toda a Amazônia por US$ 50 bilhões, e criticou Lula em editorial, ontem.


Ontem também, à AFP, ‘fonte ligada a Eliasch’ disse que a eventual investigação do milionário visa apenas a ‘incitar o nacionalismo’.


O ‘DEBATE’


Carlos Minc tomou posse, mas desde a semana passada, aqui e no exterior, o foco sobre a Amazônia está nas imagens do Inpe, para o desmatamento em Mato Grosso. Ontem, até o ‘Financial Times’ de Jonathan Wheatley noticiou o atraso na divulgação -e encontrou um ‘cientista’ anônimo para dar as fotos como ‘erradas’ e capazes de gerar ‘anarquia’. Como ressaltou o ‘New York Times’ de Alexei Barrionuevo, já no domingo, por trás do cerco está o ‘debate’ entre o Inpe (acima) e Blairo Maggi.


BRASIL & FLÓRIDA


Segundo o ‘Sun Sentinel’, linkado pelo site da Americas Society, ‘a economia dos EUA pode estar tropeçando, mas o comércio da Flórida continua batendo recordes graças ao robusto crescimento latino-americano’. E, sim, ‘o Brasil é central’, ele que se tornou ‘de longe o maior parceiro’.


ATÉ QUANDO?


O editor de investimento do ‘FT’, John Authers, ontem perguntou ‘até quando vai a alta latino-americana?’ Mais precisamente, brasileira. Ele diz que não é ‘bolha’, que ela resulta de commodities fortes e dólar fraco, mas alerta para o ‘principal risco’, a inflação, ‘problema crescente’.


EM MAIRIPORÃ


O humorístico ‘CQC’ dobrou a audiência de segunda na Band, diz a Folha Online, com o ‘stand up’ Rafinha Bastos protestando contra o preço do feijão usado para a merenda escolar numa pequena cidade -e ouvindo xingamentos


‘KNOCK OFF OBAMA’


Direta ou indiretamente, os adversários de Barack Obama remetem sem parar à sua morte. Na Fox News, analista chegou a defender que o matem, como suposta piada. Diante da forte reação via YouTube, desculpou-se’


 


MÍDIA NA JUSTIÇA
Folha de S. Paulo


Juiz julga improcedente ação de fiel da Universal contra a Folha


‘O juiz Giancarlo Carminati Baretta, de Santo Ângelo (RS), considerou improcedente a ação de indenização movida por Jadson Tiago Roballo, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, contra a Folha e a repórter Elvira Lobato.


Com esta decisão, chegam a 34 as sentenças favoráveis ao jornal, de 89 ações ajuizadas por seguidores da Iurd.


Roballo alegou que a reportagem intitulada ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’ ‘difama os fiéis’ e que o texto insinua que a igreja é ‘composta por pessoas inidôneas’.


O magistrado rejeitou o argumento de que o autor teria sofrido discriminação religiosa e viu nas ações com alegações iguais, em diversas comarcas, ‘uma orientação superior’ da igreja para ‘obter uma vantagem financeira e impossibilitar a defesa’.


Segundo o juiz, cabia à igreja, ‘quando procurada pela reportagem, vir a público e esclarecer tais fatos’. Para Baretta, ‘a forma como os fiéis promoveram ações semelhantes’ leva a crer que ‘eles foram orientados a orquestrarem tais demandas’.’


 


TELES
Denise Menchen e Lorenna Rodrigues


Oi critica falta de definição sobre mudanças no setor


‘O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, afirmou ontem que a falta de definição sobre as mudanças no marco regulatório do setor de telecomunicações, que impede a companhia de assumir o comando da Brasil Telecom, dificulta as decisões estratégicas da empresa. ‘Nossos competidores, inimigos queridos, não estão dando folga.’ Segundo ele, a definição é importante até mesmo para as decisões do dia-a-dia da empresa, como a expansão da rede.


Falco afirmou ‘estar torcendo’ para que o conselho da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprove as alterações no Plano Geral de Outorgas no encontro de amanhã. O tema já foi discutido na semana passada, mas a reunião foi encerrada sem que houvesse uma decisão.


Segundo ele, a aprovação fica mais difícil pelo fato de a agência estar trabalhando desde novembro do ano passado com quatro conselheiros, em vez de cinco. ‘Qualquer um fica com poder quase de veto’, disse. Para que as mudanças sejam aprovadas, são necessários pelo menos três votos favoráveis.


Falco disse ainda que está ‘ganhando de dez a zero’ a discussão sobre a operação, que, se concretizada, criará a maior empresa brasileira de telecomunicações. ‘Nunca ninguém me falou que ela não fosse boa para o Brasil com qualquer razoabilidade de argumentos. Estou ganhando de 10 a 0’, disse.


Hélio Costa


Em Brasília, o ministro Hélio Costa (Comunicações) disse que conselheiros da Anatel vêem como possível a compra da Brasil Telecom pela Oi.


‘Tenho a informação, partindo de conversas que tive com conselheiros, que eles viam como possível o procedimento da Anatel’, disse ele, ao se referir às mudanças da legislação do setor, feitas pela agência, que são necessárias para a aprovação da fusão.


O ministro disse ainda que a demora na aprovação das mudanças no PGO (Plano Geral de Outorgas) é normal por se tratar de um processo importante. ‘É uma questão de preocupações que eu acho válida para que uma decisão como essa não fique devendo nenhuma explicação’, disse Costa, durante evento de lançamento do serviço de TV Digital em alta definição da Net, em Brasília.


A Anatel analisa amanhã o processo que trata de mudanças no PGO, que atualmente proíbe que uma concessionária de telefonia fixa compre outra em área diferente. Na prática, a modificação permitirá a aprovação pela agência da compra da Brasil Telecom pela Oi -a operação foi concluída no fim de abril por R$ 5,863 bilhões.


O segundo processo a ser analisado pela agência cria o Plano Geral de Atualização do Marco Regulatório, que especificará mudanças necessárias em regulamentos, portarias e normas da agência para os próximos dez anos.


Os dois processos foram iniciados a pedido do Ministério das Comunicações.’


 


LEITURA
Lucas Ferraz


Mulher lê mais que homem, aponta pesquisa nacional


‘As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.


O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco -ou quase nenhum- tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.


Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira -43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.


O segundo colocado é o livro ‘O Sítio do Picapau Amarelo’, de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil.


A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo ousa e prepara novela jovem às 18h


‘Futuro diretor-geral da Área de Entretenimento da Globo, Manoel Martins resolveu arriscar e encomendou ao autor Carlos Lombardi uma novela das seis jovem, com ação, para substituir ‘Ciranda de Pedra’.


A trama, que ainda nem tem sinopse, será a cartada da Globo para tentar estancar a queda de audiência às 18h. Nesse horário, as últimas novelas perderam audiência entre os mais jovens e mais pobres. ‘Ciranda de Pedra’, uma novela de época, em muitos dias tem dado menos pontos do que a adolescente ‘Malhação’, que a antecede.


A novela de Lombardi, um autor tradicional das 19h, de folhetins ágeis e elencos ‘descamisados’, entrará no lugar do remake de ‘Paraíso’, de Benedito Ruy Barbosa, que substituiria ‘Ciranda’ em outubro. Martins optou por interromper os remakes de época às 18h.


Anteontem, após o cancelamento de ‘Paraíso’, corria na Globo a versão de que a próxima novela das seis seria de Miguel Falabella. Ontem, no entanto, Martins, que em junho assume definitivamente o comando artístico, revelou sua preferência por Lombardi. A decisão ainda depende do endosso de Octavio Florisbal, diretor-geral, que está em férias.


Procurado ontem à tarde, Lombardi, atualmente escrevendo a série ‘Guerra e Paz’, não confirmou nem negou sua escalação para escrever a próxima novela das seis. Mas demonstrou entusiasmo.


ÍNDEX Pelo menos dois dos novos programas que a Globo estreou em abril não terão uma segunda temporada: ‘Dicas de um Sedutor’, que vem perdendo para a Record, e ‘Faça Sua História’. O chatíssimo programa estrelado por Vladimir Brichta deu só 19 pontos no último domingo _em horário em que ‘BBB’ marcava 33 nos piores dias. ‘Casos e Acasos’ também tem futuro incerto.


CURINGA Em tentativa de impedir o crescimento do SBT, que está em alta desde que trocou ‘Charme’ por filmes, a Record fez alterações em sua programação vespertina. Encurtou o popularesco ‘Balanço Geral’ e passou a exibir uma hora de ‘Picapau’, a partir das 14h15. O velho desenho animado virou o ‘Chaves’ da Record.


HOMENAGEM VIVA A Globo, em 2009, passará a retratar a carreira de artistas vivos no ‘Por Toda a Minha Vida’, exibido eventualmente às sextas. Neste ano, serão quatro edições, entre elas de Mamonas Assassinas e Chacrinha.


CIUMEIRA 1 O boato de que Gugu Liberato estaria negociando com a Record (o que ambas as partes negam) tem relação com a reestréia do ‘Programa Silvio Santos’. Até a semana passada, havia a ameaça de o novo ‘PSS’ tirar espaço do ‘Domingo Legal’, que passaria a entrar às 19h.


CIUMEIRA 2 Mas Silvio Santos mandou enxugar seu programa, que terá duas horas, e não mais três horas. O ‘PSS’ entrará no próximo domingo às 15h. O ‘Domingo Legal’ continua às 18h.’


 


INTERNET
Raquel Cozer


A internet me deixou BURRO DEMAIS!


‘O ataque começa já no título. É a ‘geração mais estúpida’, anuncia ‘The Dumbest Generation’ (Tarcher, 272 págs.), lançado nos EUA há duas semanas, em referência a quem nasceu em algum momento das últimas três décadas.


A razão para tal epíteto, ainda mais controversa, é explicitada no subtítulo: ‘Como a era digital embasbaca os jovens americanos e põe em risco nosso futuro. Ou, nunca confie em ninguém com menos de 30’.


Às já bastante vilanizadas telas de TV e de videogames o autor Mark Bauerlein junta as telas de computadores e de celulares como as responsáveis por jovens ‘superficiais’, incapazes de lembrar (e de dar importância a) fatos históricos.


‘Eles praticamente não lêem. Com toda a informação disponível on-line, como nunca antes na história, eles preferem dedicar uma quantidade inacreditável de tempo a vasculhar vidas alheias e a expor as suas próprias em redes de relacionamento como o Facebook e o MySpace’, diz Bauerlein, 49, à Folha, por telefone, de Atlanta, onde dá aulas de inglês na Universidade de Emory.


Bauerlein, ex-diretor de pesquisa e análise da Fundação para as Artes nos EUA, acredita que o excesso de informações a que as crianças e os adolescentes têm acesso na rede faz com que eles percam a capacidade de diferenciar ‘o significativo do insignificante’ e, com isso, de embasar argumentos.


‘Nossa memória cultural está morrendo’, diz o autor. É uma opinião similar à do filósofo italiano Umberto Eco, que, em entrevista ao jornal espanhol ‘El País’ (reproduzida no último dia 11 no caderno Mais!), afirmou que ‘a abundância de informações sobre o presente não permite refletir sobre o passado’.


‘Recreações adolescentes’


‘The Dumbest Generation’ se levanta contra as ‘vozes pró-tecnologia’ que defendem que a navegação na internet seja benéfica à cognição (leia mais ao lado). ‘A realidade das práticas na web’, escreve Bauerlein, ‘é só o que poderíamos esperar: expressões adolescentes e recreações adolescentes’.


O que ele enxerga como uma dificuldade de absorção de informações entre os jovens resultaria também da leitura não-linear que os sites estimulam. No livro, Bauerlein fundamenta tal opinião com estudos do instituto de pesquisas Nielsen, segundo os quais os usuários mais ‘escaneiam’ com os olhos do que propriamente lêem as páginas à sua frente.


‘Além disso, sabe-se que, na internet, quanto mais simples a linguagem, mais os leitores acessam as páginas. O que os jovens lêem na rede não lhes acrescenta nada em termos de gramática nem de capacidade de elaborar textos’, diz.


Reações


Nos últimos dias, Bauerlein vem passando mais tempo que de costume em frente ao computador, para responder, um por um, aos e-mails ‘raivosos’ que têm abarrotado a caixa de entrada do seu Outlook.


‘Li recentemente um artigo no jornal ‘Boston Globe’ sobre seu último livro e escrevo para lhe dizer que você é um imbecil. Você deve saber disso. Ninguém que escreva um livro inteiro baseado na idéia de que uma geração esteja se tornando idiota por causa da tecnologia pode ter noção da realidade.’


A experiência de ignorar os adjetivos e discutir as ‘questões substantivas’ com os alvos de sua tese não tem surtido muito efeito. O autor aprova o debate mesmo assim. ‘É sinal de que os jovens se importam, de que têm valores a defender.’


O diálogo que a internet permite rendeu também páginas de comentários de leitores em sites como o da revista americana ‘Newsweek’. No último fim de semana, a publicação esquentou o debate ao lembrar que os mais velhos têm o costume de lamentar a ignorância dos mais novos ao menos desde os tempos em que, na Grécia Antiga, ‘os admiradores de Sófocles e Ésquilo questionaram a popularidade de Aristófanes’.


As críticas mais freqüentes ao livro de Bauerlein citam os testes de Quociente de Inteligência. Desde o começo século 20, o QI de crianças e adolescentes aumenta a cada geração. O conceito de ‘estúpido’ de Bauerlein, afirma a ‘Newsweek’, não faz sentido se forem levados em conta aspectos como a habilidade de pensar criticamente e de fazer analogias.


‘Eles [os críticos] não entenderam o ponto central da discussão’, defende-se o autor, renegando o viés anacrônico do debate. ‘[A discussão] não é sobre as ferramentas da internet em si, mas sobre seu uso. Quando um cientista diz que a tecnologia desafia as mentes e torna as pessoas mais espertas, ele está falando do MySpace? Ele sabe que os adolescentes passam muito mais horas em redes sociais do que estudando?’


Aos detratores Bauerlein costuma responder com dados oficiais, de órgãos como o Departamento de Educação americano e o Census Bureau.


Em sites, em resposta aos críticos, despeja uma porção de números da realidade norte-americana, às vezes aleatoriamente: uma pesquisa de 2006 contabilizou nove horas semanais de adolescentes conectados a redes sociais; outra constatou que 55% deles dedicam menos de uma hora semanal aos estudos em casa; uma terceira dá conta de que apenas 6% dos estudantes são considerados ‘muito bem preparados para a escrita’…


Quanto ao ‘estúpido’ do título, esclarece Bauerlein, é pura provocação. ‘Eu sou professor. Sei que são discussões como essa que fazem os jovens pensarem…’’


 


***


Especialista discorda e vê ‘progresso’


‘Em 2005, o então colunista da revista ‘Wired’ Steven Johnson, um dos mais influentes pensadores do cyberespaço, causou tanta polêmica quanto Mark Bauerlein ao afirmar, em seu livro ‘Surpreendente’ (Campus, 216 págs.), exatamente o inverso do que diz ‘The Dumbest Generation’.


Também provocativo no título original (‘Everything Bad Is Good for You’, tudo o que é ruim é bom para você), o livro de Johnson considera que os games, a internet e a TV potencializam as faculdades cognitivas das pessoas, ao exigirem elaboração constante de raciocínio.


‘O engajamento via internet toma um milhão de diferentes formas. Algumas são admiráveis, como a Wikipedia, os blogs políticos. Outras, como os chats e o MySpace, não diferem das trocas sociais que eu tinha na adolescência, pelo telefone’, diz Johnson, 39, em entrevista à Folha, por e-mail, discordando de Bauerlein.


Johnson vê a considerada ‘perda de memória’ como um aspecto natural, mas não acredita que ‘isso seja necessariamente uma coisa ruim’. ‘Pode ser verdade que estejamos nos tornando mais dependentes de extensões on-line para nossos cérebros e nossa memória -simplesmente porque há muita informação disponível-, mas isso não é necessariamente uma coisa ruim. Estamos adaptando nossas habilidades à capacidade de lidar com essas informações’, argumenta.


Ele acredita inclusive que esteja ocorrendo um ‘ligeiro declínio’ na capacidade de estruturar argumentos extensos, mas avalia que o efeito seja minimizado por essas mesmas ‘novas habilidades’.


O aumento do número de informações (e do acesso a elas) é um caminho natural na história, avalia. ‘Assim o progresso acontece. Uma das características das eras das trevas (e Eco deveria saber disso!) é o isolamento de informações entre grupos pequenos’, alfineta.’


 


Brasileiros ficam on-line 21h num mês


‘O Brasil abriga população das mais vorazes quanto ao acesso à internet. Segundo pesquisa do Ibope/NetRatings divulgada no ano passado, 25 milhões de brasileiros navegam na web em suas casas. Em abril de 2007, esses internautas (sem distinção de faixa etária) ficaram em média 21 horas e 44 minutos on-line. ‘Não somos consumidores de notícias. Freqüentamos comunidades e programas de bate-papo’, disse, à época, o coordenador da pesquisa’


 


CINEMA
Folha de S. Paulo


Hollywood lamenta morte de Pollack


‘‘Sydney fez do mundo um lugar melhor, fez do cinema algo melhor e até mesmo fez de jantares algo melhor. Ele fará uma falta enorme.’ Foi com essas palavras que o ator George Clooney lembrou o cineasta norte-americano Sydney Pollack, morto na última segunda-feira, aos 73 anos.


Segundo assessores, Pollack morreu na Califórnia, em decorrência de um câncer.


Pollack atuou ao lado de Clooney em ‘Conduta de Risco’, filme que recebeu sete indicações ao Oscar neste ano -Tilda Swinton ganhou o troféu de atriz coadjuvante.


‘Minha relação com Sydney, tanto pessoal como profissional, existe há mais de 40 anos. É algo muito pessoal para expressar em poucas palavras’, afirmou em nota o ator Robert Redford, que foi dirigido por Pollack em filmes como ‘Nosso Amor de Ontem’ (1973), ‘Três Dias do Condor’ (1975) e ‘Entre Dois Amores’ (1985).


‘Ter tido a oportunidade de conhecer e de trabalhar com Sydney foi um grande presente que recebi. Ele era um bom amigo e um diretor fenomenal’, lembrou Sally Field.


A atriz trabalhou com Pollack em ‘Ausência de Malícia’, filme que teve em seu elenco Paul Newman.


‘Nós começamos juntos em Nova York, e ele sempre se superava em qualquer coisa que fazia’, afirmou anteontem o ator Martin Landau.


Se, no início, Pollack privilegiou a carreira de ator -estudou no teatro Neighborhood Playhouse-, a partir da segunda metade dos anos 60 ele se dedicou à direção de filmes.


Ganhador do Oscar de direção em 1986 por ‘Entre Dois Amores’, foi indicado para o prêmio também por seu trabalho em ‘A Noite dos Desesperados’ (1969) e ‘Tootsie’ (1982).


‘Sydney deixava o diálogo e as emoções de uma cena se comunicarem naturalmente. Não gostava de truques cinematográficos; ele tinha um toque sutil, e seu foco na história nos permitia habitar o mundo que ele criava em seus filmes’, disse Michael Apted, cineasta e presidente do Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos.


Sobre o fato de atuar e dirigir, Pollack chegou a dizer, em 2005, durante o Tribeca Film Festival, em Nova York: ‘A maioria dos grandes cineastas que conheço não atuaram, então não dá para dizer que seja um pré-requisito. Mas, por outro lado, [ser ator] me dá uma grande ajuda’.


‘Espião’


Com humor, Pollack dizia que gostava tanto de atuar em filmes de outros cineastas para ‘espiar como outros diretores trabalham’. Para ele, ‘são como leões, que urinam em cada canto para marcar seu espaço.’


Entre os cineastas que dirigiram Pollack estão Woody Allen (‘Maridos e Esposas’), Robert Altman (‘O Jogador’) e Stanley Kubrick (‘De Olhos Bem Fechados’).


‘Ele fala em uma língua que os atores conseguem entender’, disse Ed Harris, que trabalhou com o cineasta em ‘A Firma’ (1993). ‘Sabia conversar a respeito de cada situação.’


Com agências internacionais’


 


Cássio Starling Carlos


Obra do diretor exala perfume nostálgico


‘Eficaz e bom artesão foram dois dos epítetos usados com maior freqüência por comentadores de todas as latitudes ao julgar os títulos que compõem a filmografia de Sydney Pollack.


O uso desses termos revela quase sempre um respeito pelo profissionalismo e competência na longa atividade no seio da indústria, o que já seria mais que suficiente para creditar mérito à trajetória de Pollack. E funcionam como elogio, na falta de um entusiasmo maior devido à ausência de sinais evidentes de originalidade.


Desde sua entrada no universo da ficção, pelo atalho da TV, no início dos anos 60, passando pelo sucesso de estima de alguns de seus trabalhos até meados dos anos 70, o relevo da trajetória de Pollack no cinema deriva de sua noção apurada de oportunismo. Tal estratégia consistiu em executar, a contento, as encomendas da indústria e em se associar a estrelas, regendo-as sem a ambição de roubar a cena, em esquemas de produção característicos do que chamamos ‘veículo’.


O parceiro mais constante nessas colaborações foi Robert Redford, com quem Pollack trabalhou sete vezes entre 1966 e 1991. Com sua lista de atores, sempre de primeiro time, o diretor soube se adequar às transformações históricas, mantendo-se no topo com filmes capazes de seduzir o grande público interessado em nomes como Jane Fonda, Barbra Streisand, Al Pacino, Paul Newman, Dustin Hoffman, Meryl Streep, Tom Cruise e Harrison Ford.


Outra habilidade foi saber usar os códigos dos gêneros, transitando com segurança do melodrama ao thriller político, da comédia ao western e misturando a eles uma dose de contemporaneidade (a ecologia em ‘Jeremiah Johnson’, o feminismo em ‘Tootsie’, a globalização em ‘A Intérprete’) ou um pano de fundo politizado (a Depressão em ‘A Noite dos Desesperados’, a caça às bruxas em ‘Nosso Amor de Ontem’, a guerra fria em ‘Os Três Dias do Condor’).


Situada entre o ocaso do sistema dos estúdios, a partir do fim dos anos 50, e o advento do ‘blockbuster’ turbinado por efeitos especiais, do fim dos anos 70 em diante, a carreira de Pollack exala um perfume nostálgico, uma paixão por histórias carregadas pelo magnetismo dos atores, que o diretor soube terminar antes que os patrões a declarassem irremediavelmente antiquada.’


 


MODA
Vivian Whiteman


Dobradinha traz Tom Ford e Armani


‘Os estilistas Tom Ford e Giorgio Armani fazem uma dobradinha fashion na programação dos canais GNT e A&E, em atrações que vão ao ar entre hoje e amanhã.


Hoje, no ‘GNT Fashion’, a apresentadora Lilian Pacce entrevista Tom Ford, que acaba de inaugurar uma filial de sua grife na Daslu, a primeira na América Latina.


Na entrevista, o estilista, que fez fama graças a seu jeitão sexy e à sua trajetória na Gucci e na Yves Saint-Laurent, fala dos novos rumos de sua carreira e das impressões sobre sua breve passagem pelo Brasil.


Amanhã, quem entra em cena é Armani, um dos grandes ícones da moda das últimas décadas. O A&E exibe o especial ‘One Night Only’, gravado no ano passado, em Londres.


Trata-se de um mix de desfile, show e evento de caridade, que reuniu celebridades poderosas como Bono, do U2, Beyoncé e Leonardo DiCaprio. O show aconteceu durante a semana de moda de Londres, quando o estilista apresentou a coleção primavera-verão da Emporio Armani. Além de promover as criações, o objetivo do evento era atrair a atenção sobre o trabalho do Fundo Mundial para a Luta contra a Aids, a Malária e a Tuberculose.


GNT FASHION


Quando: hoje, às 22h


Onde: no GNT


ARMANI: ONE NIGHT ONLY


Quando: amanhã, às 20h


Onde: no A&E’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 28 de maio de 2008


CAMPANHA
Ricardo Brandt


Alckmin recebe apoio do PSL e ganha tempo na TV


‘O pré-candidato a prefeito de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu ontem oficialmente o apoio do PSL – partido que, na disputa municipal de 2004, apoiou o PT. Com isso, os tucanos estimam conseguir até 5 minutos e 18 segundos de tempo no horário eleitoral gratuito de TV e de rádio durante a campanha. Além do PSL, o PSDB já fechou com o PTB e o PSDC.


O presidente estadual do PSL, Roberto Siqueira, havia afirmado que uma resolução do partido determinava ser ‘imprescindível lançar candidato próprio nas capitais’. Porém, no último final de semana, em Belo Horizonte, o caso de São Paulo foi debatido em um encontro da legenda e a direção nacional decidiu aceitar a proposta de aliança feita pelos tucanos.


‘Em 2004 tivemos muitos problemas, não com a candidata, mas com a coordenação de campanha do PT. Passou o pleito eleitoral, ela perdeu e não tivemos mais nenhum contato. Estive agora recentemente com a própria ministra e relatei para ela as dificuldades que tivemos em 2004. Isso pesou muito na nossa análise atual’, explica Siqueira.


A aliança negociada com o nanico PSL é apenas para a disputa majoritária. Na corrida pela Câmara Municipal, o partido seguirá com chapa de vereadores própria.


‘Estamos com um quadro completo para a disputa a vereador. São 83 candidatos e estamos preparados para fazer um ou dois vereadores’, afirmou o presidente do PSL.


Com o PSDC, o acordo foi o mesmo: coligação na disputa de prefeito e chapas separadas no pleito para vereadores. Só com o PTB, do deputado estadual Campos Machado, a aliança negociada é majoritária e proporcional. Campos é o principal cotado a vice na chapa.’


 


DOCUMENTOS SECRETOS
Felipe Recondo


Arquivos podem perder sigilo eterno


‘O governo prepara um projeto de lei, a ser encaminhado ao Congresso, para pôr fim ao sigilo eterno de documentos referentes ao regime militar (1964-1985), incidentes diplomáticos e guerras. A idéia que prevalece é de estipular um prazo máximo de até 60 anos – 30 anos, renováveis por mais 30 – para que esses arquivos permaneçam fechados para consulta.


Após esse prazo, os papéis seriam abertos e ficariam integralmente disponíveis no Arquivo Nacional para qualquer interessado. Nem mesmo as tarjas pretas, que protegem determinadas informações – como nomes de envolvidos em fatos históricos -, seriam mantidas.


A discussão do projeto de lei está sob o comando da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ordem dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos, é para discutir a melhor forma de tirar os documentos das gavetas. Não há, porém, prazo para que o projeto seja encaminhado ao Congresso.


O decreto que regulamenta a questão define que ‘o acesso aos documentos sigilosos referentes à segurança da sociedade e do Estado’ será restrito por até 30 anos, renováveis por mais 30, a partir da data de elaboração dos papéis. Os documentos ‘referentes à honra e à imagem das pessoas’ poderiam ficar até 100 anos em segredo. Mas a Lei 11.111, promulgada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permite que, com uma canetada da Comissão de Averiguação e Análise de Informações Sigilosas, os documentos sejam mantidos em sigilo para sempre.


Basta aos integrantes da comissão justificarem que a papelada ‘ameaçará a soberania, a integridade territorial nacional ou as relações internacionais do País’. Se for essa a alegação, o colegiado pode ‘manter a permanência da ressalva ao acesso do documento pelo tempo que estipular’.


O que o governo pretende agora, de acordo com integrantes do grupo que discute o pré-projeto, é tirar esse poder discricionário da comissão. Esgotado o prazo de 60 anos, mesmo que o governo entenda que as informações podem prejudicar a relação com outro país, os documentos se tornarão públicos.


RESISTÊNCIA


A principal resistência à mudança vem do Itamaraty e das Forças Armadas. Segundo integrantes do grupo de trabalho, o Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, é o principal depositário de documentos de sigilo eterno, textos que poderiam complicar a relação do Brasil com países da América do Sul.


Exército, Marinha e Aeronáutica, de acordo com um ministro do governo, resistem à abertura de arquivos porque afirmam não dispor de documentos próprios da época da ditadura militar, que relatariam o seu lado da história.


A discussão surge no mesmo momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) é instado a julgar a constitucionalidade da Lei 11.111. Na semada passada, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, questionou no Supremo a constitucionalidade da norma, sob o argumento de que a sociedade tem o direito de conhecer sua história.’


 


***


Governo prepara lei de acesso a dados


‘Além de estabelecer limites para o sigilo dos documentos da ditadura, o governo prepara a Lei de Acesso a Informações Públicas, com regras e prazos para que órgãos públicos disponibilizem informações a qualquer brasileiro, à exceção das que ponham em risco a segurança nacional. O texto está na Casa Civil e deve ser enviado ao Congresso nos próximos meses.


Se aprovada, a lei vai regulamentar, com duas décadas de atraso, o artigo 5º da Constituição de 1988, que determina que ‘todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral’. Mas o mesmo artigo previa que o prazo para que as informações fossem disponibilizadas seria definido em legislação específica – que só agora o governo está preparando.


Essa demora fez o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas repreender o governo em abril. Dentre as recomendações feitas pelos 47 países do conselho, e acatadas pelo Brasil, está a aprovação de uma lei de acesso a informações públicas. Na América Latina, países como Peru, Argentina, México e Colômbia já têm leis desse tipo. A dos Estados Unidos vigora há 42 anos.


Na Câmara, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) apresentou há cinco anos um projeto nesse sentido, que está parado. Por ele, qualquer brasileiro poderia solicitar por escrito informações a qualquer órgão público, que teria prazo de 15 dias úteis para prestá-las. Caso contrário, o funcionário responsável responderia a processo.


Em abril, em palestra na Câmara, o vice-presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Enrique Santos, cobrou do governo não só a lei de acesso como o compromisso com a transparência e a garantia de que os documentos serão divulgados por completo, sem alterações ou dados falsos.


Para ele, a manutenção de papéis sob sigilo, sob alegação de risco à segurança nacional, deve ser exceção e precisa ser fundamentada. ‘O governo tem de provar que tem motivos.’ Santos disse ainda que a experiência de outros países mostra que é preciso treinar servidores para lidarem com a lei, pois há uma ‘cultura do secreto’ entre eles que precisa acabar.’


 


CUBA
O Estado de S. Paulo


Jornal cubano faz rara crítica a meios oficiais


‘O jornal cubano Juventud Rebelde, vinculado ao PC, alertou ontem para a necessidade de reportagens mais realistas nos meios de comunicação do governo. ‘Os meios de imprensa cubanos podem perder credibilidade se dermos informações incompletas, se deixarmos vazios que possam ser cobertos por forças hostis à revolução ou pela especulação das ruas’, assinalou.’


 


PUBLICIDADE
O Estado de S. Paulo


Cannes chega a 28 mil peças inscritas


‘O Brasil terá 12% mais inscrições este ano na 55ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, que se realiza em junho, na França. No total, os 85 países participantes inscreveram 28 mil peças, o que representa um número 10,2% maior que no ano passado. Esse índice foi engordado com a inclusão da nova categoria Design e com a ampliação da categoria Filmes, que passou a considerar comerciais criados para outros meios além de TV e Cinema. O Brasil é o terceiro país em número de inscrições, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. O Estado é representante do Cannes Lions no Brasil.’


 


TELES
Mônica Ciarelli


Oi espera que Anatel mude amanhã a legislação das teles


‘O presidente do Grupo Oi, Luiz Eduardo Falco, acredita que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) possa votar amanhã mudanças no Plano Geral de Outorgas (PGO). ‘Nossa expectativa é que seja aprovado (o processo de mudanças no marco regulatório) logo. Nossos competidores, inimigos queridos, não estão dando folga nenhuma. Temos que saber se vamos trabalhar com as empresas juntas ou separadas’, disse o executivo.


A alteração no PGO é fundamental para que a compra da Br Telecom pela Oi saia do papel. Atualmente, a legislação impede que uma empresa de telefonia fixa seja adquirida por outra concessionária.


Apesar de confiante, Falco se mostrou preocupado com a demora na votação, que impede que o Grupo Oi possa assumir a condução dos negócios da BrT. ‘Trabalhávamos com a previsão que (a votação) seria há duas semanas’, afirmou. A criação da supertele, como vem sendo chamada a empresa que nasce da aquisição da Brasil Telecom pela Oi, ainda depende de a Anatel dar o sinal verde para a operação, em 240 dias.


Para Falco, essa definição é fundamental para questões gerenciais, como, por exemplo, para investimentos em crescimento de rede. ‘Hoje, não sabemos se vamos estar em uma área ou em duas. São coisas que não ajudam os negócios. O melhor seria ter uma definição logo, o mais rápido possível.’


O atraso, diz Falco, se deve ao fato de a Anatel estar desfalcada de um conselheiro em seus quadros desde novembro do ano passado. ‘Como se tem só quatro membros, de escolas diferentes, dois de um lado e dois de outro, pode haver discussões mais prolongadas, que é o que estamos vendo hoje.’


Pela regra brasileira, a mudança no marco regulatório depende de aprovação de pelo menos três conselheiros da Anatel. ‘Hoje, cada conselheiro tem mais poder de veto do que de aprovação’, avaliou. Ele lembrou que o previsto pelo regulamento é que a Anatel tenha cinco conselheiros, mas desde novembro trabalha com quatro.


Além da Anatel, a compra da BrT pela Oi precisa ser aprovada ainda pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Falco disse que já fez uma apresentação sobre o negócio para representantes do órgão. ‘Entendemos que a fusão é boa do ponto de vista concorrencial. É para disputarmos com os competidores estrangeiros.’


A Oi e a BrT querem inclusive evitar que o Cade tome alguma medida cautelar que venha a suspender o negócio antes que ele seja efetivado. Em documento encaminhado ao Cade na semana passada, as duas empresas asseguram que a operação pela qual a Oi deve comprar a BrT ‘não gerará qualquer concentração econômica’ até a alteração da legislação.


O documento reitera que o compromisso, divulgado no anúncio da intenção de compra, no fim de abril, que o negócio só será concluído depois da mudança no PGO.


COLABOROU GERUSA MARQUES’


 


TV POR ASSINATURA
Renato Cruz


TV paga mantém cobrança


‘As empresas de TV paga continuarão a cobrar pelo ponto extra a partir de segunda-feira, quando entra em vigor o novo regulamento para o setor, segundo a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA). No ano passado, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) chegou a anunciar que a cobrança deixaria de ser feita. Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), existe um sinal de que a agência está voltando atrás.


‘O regulamento é bastante claro quanto à impossibilidade cobrança’, disse Daniela Trettel, advogada do Idec. ‘O que a gente vê é má-fé.’ O artigo 29 da resolução 488 da Anatel, que trata do assunto, diz ‘a utilização de ponto extra e de ponto de extensão, sem ônus, é direito do assinante, pessoa natural, independentemente do plano de serviço contratado’. O artigo seguinte prevê que a empresa pode cobrar pela ‘instalação, ativação e manutenção da rede interna’. As regras também prevêem que o assinante pode instalar ele mesmo ou contratar de terceiros a instalação do ponto adicional.


As empresas de TV paga interpretam o artigo 30 como uma garantia de que podem cobrar pelo ponto extra. Não pelo conteúdo, mas pela infra-estrutura. ‘O ponto extra continua a ser cobrado’, afirmou Alexandre Annenberg, diretor-executivo da ABTA. ‘A redação das regras é que não ficou clara.’ Segundo ele, a rede interna do cliente faz parte da rede da operadora. ‘Existem diferenças entre uma rede inerte, como a telefônica, e uma ativa, como a de cabos.’


De acordo com Annenberg, pontos adicionais implicam em investimento extra em equipamentos de rede pela empresa de cabos. Daniela, do Idec, discorda: ‘A agência mesmo verificou que não existem problemas técnicos, quando permitiu que a instalação e a manutenção do ponto extra fosse feita por terceiros’. O diretor da ABTA questionou essa parte das regras: ‘A instalação precisa ser feita por pessoal habilitado pela empresa’. Procurada, a Anatel não havia se manifestado sobre o assunto até o fechamento desta edição. No dia 14, o Idec enviou uma carta à agência questionando-a sobre o ponto extra, com prazo de resposta de 15 dias.’


 


DESPEDIDA
Chiquinho Leite Moreira


Festa para Guga provoca polêmica


‘A festa de despedida de de Gustavo Kuerten em Roland Garros, no domingo, causa polêmica. Muitos apoiaram e elogiaram a iniciativa dos organizadores. Outros criticaram, alegando que se tratava de um jogo de Grand Slam e teria de ser levado mais a sério. De acordo com o L’Equipe, maior diário esportivo francês, ‘o adeus de Guga na quadra central, no venerado estádio Philippe Chatrier, em nada acrescentou ao esporte’. A opinião é do jornalista Franck Ramella. Para ele, colocar em quadra um tenista sem condições físicas, certo de que seria derrotado e ainda premiá-lo com um troféu trata-se de algo ‘fora de propósito’.


O próprio L’Equipe publicou outro texto com versão bem diferente, escrito pelo ex-tenista e também tricampeão de Roland Garros Mats Wilander. ‘Adorei o que vi no domingo’, escreveu o sueco, que em defesa de Guga foi até agressivo. ‘Acho idiota pensarem que uma festa para Guga poderia ser contra o esporte. Guga em Roland Garros é um monumento. Ao lado de Yannick Noah (último francês a vencer o Aberto da França, em 1983) é o mais querido do torneio’, prosseguiu. ‘Ao ver Guga na central, ao observar sua paralela de esquerda, tive a dimensão de como revolucionou o esporte com sua maneira de jogar no saibro.’


MAIS CHUVA


O tempo voltou a prejudicar os jogos de ontem em Roland Garros. Thomaz Bellucci e Rafael Nadal empatavam por 1 game a 1 quando a chuva interrompeu a partida. A continuação está programada para hoje, por volta das 7 horas (de Brasília).’


 


DOCUMENTÁRIO
Patrícia Villalba


DOCTV lança edital para produção de 35 filmes


‘A quarta edição do mais bem-sucedido programa de fomento à produção e difusão de documentários brasileiros, o DOCTV, foi lançado ontem na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Até o dia 11 de julho estão abertas as inscrições para o concurso que vai selecionar 35 projetos, nos 27 Estados brasileiros. Cada um receberá R$ 110 mil, além do apoio para desenvolvimento dos roteiros e a garantia de exibição nas diversas emissoras de TV públicas espalhadas pelo País, além do lançamento em DVD.


Todos os documentários são produzidos em parceria com as TVs públicas, que bancam R$ 30 mil dos R$ 110 destinados a cada projeto em seus Estados. Essas emissoras estão também comprometidas a exibirem os filmes, em horário nobre, a partir do dia 29 de maio de 2009.


Criado num dos melhores momentos da produção de documentários vivido pelo País, o DOC TV tem um modelo inovador, que vai além do tradicional edital de fomento. Mais do que destinar recursos, o programa acompanha todas as etapas de produção dos filmes, com uma série de oficinas, voltadas desde a elaboração dos projetos até a grade de difusão na TV pública. Por isso, nos seus três anos de atividade, nenhum filme deixou de ser exibido. ‘O programa é um sucesso porque começou como um modelo de negócio, para atender à nova realidade da TV. Antes de se pensar no que ele seria, se pensou em como seria’, observou Orlando Senna, diretor-geral da TV Brasil e um dos idealizadores do projeto, quando ocupou a Secretaria do Audiovisual.


O programa já se desdobrou numa versão para a América Latina, o DOCTV Iberoamérica, que une os países da região numa rede de produção de documentários e que deve ter uma segunda edição lançada ainda este ano, segundo o secretário do Audiovisual Silvio Da-Rin. ‘Estamos procurando dar escala a essa iniciativa. Na próxima semana teremos uma reunião com as TVs públicas dos países de Língua Portuguesa, para a criação do DOCTV CPLP’, adiantou o secretário.


Uma das novidades desta edição do concurso, que procura a regionalização da produção audiovisual brasileira, é a expansão das chamadas Carteiras Especiais que, graças a uma parceria entre as emissoras locais de TV, o Ministério da Cultura e a inciativa privada, vai expandir a premiação, que poderá alcançar mais 22 projetos nos Estados de Tocantins (1), Pernambuco (1), Distrito Federal (1) Rio de Janeiro (1), Maranhão (1), Sergipe (2), Goiás (2), Minas Gerais (2), Bahia (4) e São Paulo (7).


Estes sete projetos paulistas – que não entram na conta dos dois projetos a serem selecionados pelo concurso nacional – serão produzidos por meio da parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura, Fundação padre Anchieta e Sesc TV. Pela primeira vez, será promovida no Estado uma oficina para a formatação de projetos, entre os dias 30 de junho e 4 de julho, ministrada pelo diretor Marcelo Müller. Há 30 vagas, que serão preenchidas por sorteio. Os detalhes estão no www.tvcultura.com.br/doctv. O regulamento do concurso nacional está no http://www.cultura.gov.br/projetos_especiais/doctv.’


 


INTERNET
Livia Deodato


Capital Inicial ganha um canal exclusivo no site YouTube


‘O site Google Brasil acaba de fechar uma parceria nacional inédita, por meio do YouTube: a banda Capital Inicial, que contabiliza cerca de 25 anos de estrada, foi a escolhida para estrear um canal exclusivo sob domínio do maior endereço eletrônico de vídeos do mundo. Em www.youtube.com/capitalvideos, os fãs já podem vasculhar desde os bastidores da produção do clipe Aqui até o camarim dos músicos, minutos antes de eles entrarem em cena em Brasília, num show realizado em abril. Na página, o público ainda pode comentar os vídeos postados, mandar mensagens para o quarteto e optar por receber as notícias fresquinhas do grupo em seu correio eletrônico.


Segundo o presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, e a diretora de Marketing, Patricia Pflaeging, o Capital Inicial foi escolhido para estrear essa parceria pela relação intensa estabelecida com seus fãs, seja ao vivo, seja virtualmente – além, é claro, de já ter uma história consagrada na calçada da fama do rock brasileiro. Eles também já sondam as próximas bandas a integrarem os canais disponíveis no YouTube, mas preferem ainda não divulgar nomes. De acordo com Hohagen, não houve custo de investimento. ‘Estamos realizando uma parceria: entramos com a ferramenta e o Capital com sua história no mundo da música, com a produção de um conteúdo rico, com novas idéias’, diz o presidente do Google Brasil.


A página também vai promover um concurso interativo, em que os vencedores terão a chance de produzir o próximo videoclipe do grupo. Para isso, os interessados devem postar vídeos dos shows, feitos por eles mesmos, em seus próprios sites e enviar os respectivos links para o canal do Capital no YouTube. A banda vai escolher os melhores vídeos e montará um clipe produzido inteiramente com imagens dos participantes.


O canal do YouTube destinado à banda lembra, em muitos aspectos, as páginas musicais do MySpace, criada pela News Corp, de Rupert Murdoch: oferece uma breve descrição do grupo, informa quais e onde serão os próximos shows e disponibiliza os links para compra dos CDs, sem contar a possibilidade de aparecer na homepage do Capital como ‘melhor amigo’ de seus integrantes.’


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


9 mm vira seriado


‘A Fox vai estrear, dia 10 de junho, às 22 horas, a produção nacional 9 mm: São Paulo, com a Moonshot. Anteriormente anunciada como minissérie em quatro capítulos, agora já é certo que será uma série de 13 episódios, com possibilidade de haver uma segunda temporada.


A estratégia do canal é colocar no ar agora os capítulos já gravados e os outros nove episódios em 2009. ‘A exibição para a América Latina será feita já com a série completa, com 13 episódios, em 2009’, explica a diretora de Programação da Fox, Kátia Murgel, que não descarta a negociação com outros mercados como Estados Unidos e Europa.


9 mm mistura investigação criminal com drama na realidade da Polícia Civil de São Paulo, mais especificamente do DHPP, a Delegacia de Homicídios. ‘É meio The Shield, meio 24 Horas’, afirma o roteirista Newton Cannito. O diretor Michael Hummel diz que a série é sobre gente. ‘Não há mágicas na investigação e os policiais batem com a possibilidade de não encontrar o criminoso ou de encontrá-lo e não poder prendê-lo.’ A atração conta com verba da Ancine e já tem três de suas quatro cotas de patrocínio vendidas.’


 


Alline Dauroiz


Silvio Santos compra série Ugly Betty


‘Na semana passada, o SBT comprou da Disney a série Ugly Betty, exibida no Brasil pela Sony. O negócio foi fechado por Silvio Santos, em Los Angeles, na feira internacional de TV. A produção americana é inspirada na novela colombiana Betty, a Feia, exibida e reprisada no Brasil pela Rede TV! e adaptada em dezenas de países. A versão mexicana do seriado também já foi exibida pelo SBT no ano passado, mas não obteve tanto sucesso. O público não gostou das constantes trocas de horário e a trama foi encurtada em dois meses.’


 


CULTURA
Jotabê Medeiros


Os rejeitados da Lei Rouanet e a lógica do incentivo cultural


‘Geralmente, o que causa mais celeuma no mundo cultural é a divulgação do alto custo de alguns projetos aprovados para captar recursos pela Lei Rouanet. Mas uma análise dos projetos rejeitados pela mesma legislação também pode ser um exercício elucidativo das motivações e dos meandros do incentivo cultural no País.


Há duas semanas, foi divulgada pelo Ministério da Cultura a lista dos projetos examinados na 152ª reunião da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC). Dos 531 projetos que constavam na pauta, 438 foram aprovados, mas 58 foram indeferidos, 33 retirados de pauta e 2 não analisados. Ou seja: 93 projetos foram recusados, cerca de 17% do total. A CNIC é metade formada por representantes da sociedade civil e a outra metade por representantes do governo. Foram analisados projetos nas áreas de artes cênicas, artes plásticas, música, patrimônio, audiovisual, humanidades e artes integradas.


Entre os projetos indeferidos, estão dois filmes documentários sobre o universo futebolístico, Romário Mais de 1000 e Rogério Ceni. O primeiro foi rejeitado por não comprovar um tratamento ‘eminentemente cultural’, segundo o voto do conselheiro que o indeferiu. O segundo filme, sobre o goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, não foi aprovado por extrapolar o limite estabelecido pela Secretaria do Audiovisual (R$ 500 mil).


A fronteira entre o que é e o que não é considerado cultural derrubou muitos projetos, como o de uma conhecida marca de cosméticos que pretendia contar sua história (o que é considerado um expediente institucional). Os blocos de carnaval, que já fizeram a festa com patrocínios incentivados, estão tendo problemas agora. O plano do Babado Elétrico foi indeferido com a consideração de que é ‘carnaval fora de época e com venda de abadás’.


Projetos que envolvem altas somas de dinheiro também estão na mira. O espetáculo Cabaret teve seu pedido retirado da pauta por apresentar um orçamento ‘muito acima da realidade de mercado’ e não justificar esses gastos adequadamente. Entre cenários estimados em R$ 250 mil, também aparece a contratação de preparadores de corpo e voz durante seis meses para a temporada.


O show que comemora o centenário do compositor Cartola foi recusado por diversos fatores, um deles a previsão de um coquetel inaugural estimado em R$ 7, 5 mil (tal despesa é vetada por determinação do Tribunal de Contas da União). Outro show, que celebrava a arte do cantor Tim Maia, foi recusado por questões ambíguas relativas aos direitos autorais.


O projeto The Villa Lobos Event – From Classical Music to Bossa, encabeçado pelo pianista Marcelo Bratke, também foi indeferido. O plano consistia em uma triangulação de concertos entre Nova York e Tóquio em junho deste ano. A comissão de avaliação apontou gastos exagerados com passagens aéreas (que deverão ser recalculadas com preços de classe econômica), viagens injustificadas de produtores e acompanhantes e inadequação no espetáculo final, no teatro Oji Hall, em Tóquio, que seria restrito a convidados do patrocinador e autoridades.


Márcia Cavalini, produtora do evento de Bratke, disse que as restrições se devem a um equívoco de interpretação e está ‘adequando a linguagem’ do projeto para dirimir as dúvidas. Segundo ela, o concerto final não tem cobrança de ingressos, mas 115 entradas serão destinadas ao público em geral, 200 serão doadas pelo patrocinador a uma escola de música e convidados do governo japonês e embaixada brasileira. As passagens excedentes serão cortadas e o projeto será reapresentado à Lei Rouanet, acrescentou.


Na rede dos exageros, também foram apanhados muitos projetos de notória importância cultural. Por exemplo: foi indeferida a produção do Catálogo Raisonné do pintor Alfredo Volpi. ‘É um absurdo, qualquer que seja o motivo’, disse o curador e crítico de arte Olívio Tavares de Araújo. ‘Volpi está entre os cinco pintores mais importantes do Brasil’, considerou Araújo, que integra o Projeto Volpi, de resgate e divulgação da obra do artista.


Juca Ferreira, secretário-executivo do Ministério da Cultura, avalia que, ‘de fato, há mais rigor’, e que o esforço tem sido no sentido de se barrar ‘o que não merece o dinheiro público, ou não se enquadra na lei, ou pode ter amplo apoio do mercado’. Ferreira, entretanto, diz que é importante que prevaleça ‘o bom senso’ na análise dos projetos, e que o exame dos processos que são ‘claramente distorções’ não ultrapasse os limites da lei. Ele disse enxergar um ‘prenúncio de uma mudança na Lei Rouanet’.’


 


 


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