Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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INTERESSE PúBLICO > IMPRENSA NOS EUA

Estudo analisa violações éticas nas redações

10/05/2006 na edição 380

Estudo divulgado na terça-feira (9/5) pela Medill School of Journalism, da Universidade Northwestern, revela que incidentes considerados antiéticos são comuns nas redações dos jornais dos EUA. Mais da metade dos jornalistas entrevistados acredita que algum incidente deste tipo ocorreu na redação em que trabalha nos últimos cinco anos, enquanto sete de cada 10 profissionais de imprensa afirmaram ter sido acusados de parcialidade nos últimos 12 meses. Pelo menos 70% dos pesquisados apontaram ‘fatores acima do seu controle’ como causa dos episódios. Mais de 30% dos jornalistas que responderam às questões citaram problemas com informações equivocadas ou imprecisas vindas de fontes – confidenciais ou não.


O estudo da Medill, financiado pelo Mongerson Prize for Investigative Reporting on the News, entrevistou 527 jornalistas, escolhidos aleatoriamente, de 218 jornais diários americanos. Os profissionais foram perguntados sobre notícias imprecisas, erradas e inventadas. Os resultados iniciais foram divulgados no National Press Club, em Washington. A pesquisa completa pode ser encontrada no sítio Mongersonprize.org.


Queda da confiança


Os organizadores do estudo afirmam que seu objetivo era ‘medir se e quando os entrevistados se envolveram, direta ou indiretamente, em algum incidente envolvendo erros da redação ou comportamento antiético’. Os resultados demonstraram que quase todos os entrevistados já passaram por pelo menos duas situações do tipo.


‘Muitos jornalistas acreditam que os recentes pecados de outros jornais mancham seus próprios jornais e contribuem para a queda da confiança na imprensa em geral’, afirma Mary Ellen Shearer, reitora assistente da Medill e co-diretora do Medill News Service. Ela é, junto com o professor David Nelson e o pesquisador Steven Rolandelli, co-autora do estudo.


Estes jornalistas de jornais impressos acreditam também que mesmo problemas em noticiários televisivos, sítios, blogs e tablóides afetam indiretamente sua credibilidade. Além disso, quase um em cada cinco entrevistados disse que críticas feitas por políticos à mídia influenciam e comprometem a confiança dos leitores.


Rigor e denúncia


Mais da metade dos jornalistas pesquisados disse já ter trabalhado com algum colega ‘envolvido em invenção, plágio ou outro delito’, sendo que 20% acreditam que estes tipos de comportamento impróprio deveriam ser punidos com mais rigor. ‘Nós descobrimos que a maioria dos jornalistas demonstra grande apoio aos padrões e políticas de seus jornais, e quase 90% dizem que denunciariam algum comportamento antiético suspeito de um colega aos superiores’, completa Nelson.


Entre aqueles acusados de plágio no último ano, a maioria diz que uma má-edição contribuiu para a inexatidão em seus artigos. As fontes foram classificadas por muitos jornalistas como ‘problemáticas’, levando-os muitas vezes a erros factuais. Trinta e nove por cento dos entrevistados afirmaram já ter suspeitado que uma fonte os estivesse enganando deliberadamente; 31% disseram já ter sido enganados por uma fonte; 35% já souberam posteriormente que sua matéria continha informações falsas fornecidas por uma fonte; e 33% tiveram alguma preocupação com uma fonte que os levou a revisar a matéria com o consultor jurídico do jornal. Informações de Joe Strupp [Editor & Publisher, 9/5/06].

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