Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > MÍDIA RADIOFÔNICA

Exercendo o ouvido crítico

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 17/08/2010 na edição 603

O poder da crítica é essencial no mundo das comunicações, pois somente cidadãos críticos e conscientes têm nas mãos a poderosa força de analisar o que se passa nos meios de comunicação e podem questionar os meios de comunicação para exigir qualidade nos programas, na emissão e no relacionamento com os usuários. No rádio, o ouvido crítico é essencial, pois o ouvinte deve ser extremamente exigente com os programas, verificando sua interatividade, o nível de respeitabilidade e a forma como os cidadãos têm sido tratados nos programas e na programação em geral.

Exercendo o caráter de criticidade, o ouvinte pode discutir o melhor programa e garantir que estes programas continuem fazendo parte das programações para o bem do rádio e das comunicações em geral. Temos programas que hoje castram o direito de participação do ouvinte ou limitam suas falas num atentado forte ao processo de interatividade e de melhoria da comunicação crítica e questionadora. Há programas de rádio que agridem os ouvintes com palavrões, brincadeiras de mau gosto e jocosidades que não levam a nada. Por que não questionar estes programas? Por que não se abrem canais para que o ouvinte possa dizer o que pensa do rádio? Por que não se cria a figura do ouvidor das emissoras para que o ouvinte possa externar sua opinião sobre programas e condução da rádio e maneira geral?

A rádio precisa de organização dos ouvintes em busca de sua melhora e de sua mudança como um todo, pois hoje este meio tem problemas sérios que acabam promovendo ruídos na comunicação e destruindo firmemente o caráter de interatividade que sempre este meio vai necessitar para o bem da comunicação e para valorização da informação verdadeira, crítica e voltada para os interesses das comunidades.

A criticidade é um dos valores que devem ser cultuados nos usuários da comunicação radiofônica, pois o rádio é um meio de comunicação dos mais antigos e que continua a fazer parte da vida de milhões de pessoas. Tem provado que, com sua versatilidade e facilidade de comunicação, é o meio mais adequado para dar aos usuários notícias de qualidade, imediatismo, verdade e comunicação em tempo real.

Ouvidos críticos e conscientes

O rádio precisa urgentemente de pessoas que se organizem em busca de uma comunicação sadia, segura e voltada para os interesses do povo no sentido de poder questionar o que se passa neste meio e para dar o entendimento dos problemas da sociedade sem intromissões religiosas ou políticas que hoje povoam este meio de comunicação. A organização dos ouvintes para evitar a submissão do rádio a interesses políticos e religiosos é vital neste momento, pois o rádio vem sendo vítima de monopolizações que atentam claramente contra a pluralidade cultural de nosso povo.

O exercício do ouvido crítico para questionar os problemas do rádio é vital para uma comunicação sadia e verdadeira, que terá de mudar a partir dos questionamentos dos usuários da comunicação, o que será de bom alvitre para o rádio e para as comunicações de maneira geral. A rádio precisa de pessoas conscientes que pressionem as direções de rádio a abrir espaços para o questionamento da programação e da luta pela qualidade do meio, tanto técnica como em termos de mensagem. O rádio tem importância vital para uma comunicação salutar. Então, por que não mudar o perfil do ouvinte de rádio, que às vezes aceita passivamente ser chamado de ‘mala’ ou permite que os radialistas profiram palavrões e até pede para que eles façam isso?

O rádio precisa que os ouvintes se eduquem para ouvir rádio e possam mudar sua visão de mundo acerca da sociedade e, a partir daí, promovam a necessidade de uma comunicação diferente para o bem de todos e para a melhoria das comunicações de maneira geral. Somente ouvidos críticos e conscientes poderão mudar o rádio e dar-lhe perspectivas de melhora, sem agressões, sem pornofonia e sem utilização política e religiosa, que são condições vitais para uma comunicação melhor e salutar para o bem de todos.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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