Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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Exigir qualidade é censura?

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 10/02/2009 na edição 524

A luta por uma programação de qualidade e pela valorização dos que fazem o rádio é vital para o desenvolvimento da democracia e para a mudança do mundo em termos da geração de um processo de justiça, ética, valores cristãos e tudo que lembre um processo de melhoria da vida de todos em uma ação que vise, sobretudo, ao desenvolvimento pleno de um mundo ideal para se viver.

Dentro desse processo de luta têm surgido várias organizações que visam à democracia nas comunicações e ao respeito mútuo que deve haver entre comunicadores, ouvintes e todos os que estão direta ou indiretamente envolvidos na mídia rádio.

O que entristece é que nem todos estão preparados para a crítica – adoram elogios e acham sempre que estão certos, não aceitando qualquer tipo de questionamento ao modelo de rádio que agride, deseduca e desinforma. O ouvinte é agredido, desrespeitado, tem informação truncada e não pode dizer nada. Quando age na busca de respeito no rádio é acusado de se estar utilizando de censura e não tem sequer oportunidade de se defender , pois o poder é deles, que não admitem que o rádio é uma concessão pública.

A anti-democracia ronda o rádio de forma brutal, pois um pequeno questionamento é imediatamente tido como agressão de quem inocentemente quer apenas colaborar para a mudança do rádio e para sua melhoria e crescimento. Neste processo de dominação do rádio pelos ricos e pelos poderes políticos, o processo de democratização das comunicações é uma palavra maldita e rechaçada de todos os modos.

Palavrões, preconceitos e agressões

O rádio e seus supostos proprietários devem ouvir o que dizem seus usuários (ouvintes), que têm de ter oportunidade de dizer o que pensam das programações e questionar os momentos em que o rádio sai de sua missão para agredir, desrespeitar e desfazer do conhecimento que todos que ouvem rádio.

A massa de ouvintes é desconhecida pelos que se dizem proprietários do meio rádio e que não se aproximam dos seus usuários, preferindo os que têm poder, dinheiro ou posição política. Estes, sim, podem dizer o querem, podem utilizar tempo interminável e dizer todo tipo de asneira, dependendo do interesse ou da barganha que esta participação possa trazer.

Fazer rádio não é tarefa fácil. Tem seus problemas, suas dificuldades, porém se feito como amor e respeito terá sempre momentos gratificantes na relação com os ouvintes e com todos que estão direta ou indiretamente envolvidos. O papel dos que fazem rádio é certamente criar mecanismos de respeito e participação dos seus usuários, que sabem o que querem e certamente não merecem ouvir baixarias ou agressões.

O rádio precisa ser questionado, é preciso que o poder público comece a cobrar condições para renovação de concessões que, em muitos casos, já passaram do prazo de renovação. A justiça tem de fiscalizar o que se diz no rádio e ver se as mensagens são adequadas ao que diz a lei que regulamenta o setor. Os’proprietários’ têm de ouvir as rádios que controlam para ver o que está sendo feito por seus locutores, que distribuem em meio às emissões palavrões, idéias preconceituosas e todo tipo de agressão, tanto verbal quanto de pensamento. Os radialistas precisam se unir contra os maus profissionais que usam o rádio para mecanismos de desrespeito e desunião.

Exigindo respeito

O mundo mudou e muitos que se dizem donos de rádios ainda não compreenderam esta realidade. Preferem ainda deixar seus meios de comunicação nas mãos de profissionais que, em nome da audiência, fazem do rádio um espetáculo de baixarias que chegam às nossas casas sem pedirmos licença nem termos direito de defesa numa suposta e alegada liberdade de imprensa.

Vale ressaltar que liberdade não significa libertinagem e que a comunicação não existe para se dizer o que se quer numa pretensa situação de democracia. O processo de comunicação exige que os usuários sejam respeitados, tendo direito a notícias verdadeiras, informação de qualidade, músicas de nível respeitoso e programas que promovam interatividade respeitosa e seja adequada a um modelo de democracia que permita o confronto das idéias sem agressões ou críticas a quem pensa diferente. Se nossos empresários de rádio tivessem uma visão mais empreendedora, incentivariam a formação de grupos de ouvintes para analisar e questionar o que se diz no meio de comunicação que dominam, pois talvez isto pudesse ser a redenção do meio rádio, tão combalido, tão desrespeitado e tão desvalorizado pelas outras mídias.

Questionando o rádio, não estamos praticando censura, e sim, exigindo a pequena parte que cabe a todos que são usuários da comunicação: respeito…

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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