Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

INTERESSE PúBLICO > MÉXICO

Funcionários de jornal assassinados em Oaxaca

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 16/10/2007 na edição 455

Três funcionários do diário El Imparcial del Istmo foram assassinados a tiros na tarde desta segunda-feira, 08/10, quando viajavam em um veículo com o logotipo do jornal no estado de Oaxaca, no sul do país. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou hoje o ataque e instou as autoridades mexicanas a conduzirem uma investigação rápida e completa.

Às 13h15, uma caminhonete Equinox com vidros escurecidos perseguiu e obstruiu a passagem do veículo do El Imparcial del Istmo na estrada que liga as cidades de Salina Cruz e Tehuantepec, informou a imprensa mexicana. Segundo El Imparcial del Istmo, indivíduos não identificados desceram do carro e dispararam à queima-roupa contra o motorista Mateo Cortés Martínez e os entregadores Agustín López Nolasco e Flor Vásquez López.

Segundo a imprensa mexicana, o diretor regional de El Imparcial del Istmo, Gonzalo Domínguez, recebeu mais tarde uma ligação anônima dizendo que ele era o próximo. Luis David Quintana, subdiretor do jornal, declarou à imprensa local que o diário havia recebido várias mensagens eletrônicas e cartas durante o último mês nas quais eram advertidos de que deveriam abaixar o tom de sua cobertura sobre grupos de narcotraficantes.

Drogas e crime organizado

‘Oferecemos nossas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e colegas de Mateo Cortés Martínez, Augustín López Nolasco e Flor Vásquez López’, disse Joel Simon, diretor-executivo do CPJ. ‘Condenamos este ataque brutal e instamos as autoridades locais e federais a conduzirem uma investigação rápida e exaustiva e a levarem todos os responsáveis à justiça.’

As pesquisas do CPJ demonstram que durante o último ano repórteres e meios de comunicação no estado de Oaxaca foram atacados em represália por suas reportagens. Em 5 de agosto, um indivíduo não identificado feriu a tiros o jornalista Alberto Fernández Portilla em frente à sua casa, em Salina Cruz, advertindo: ‘Não se meta com nosso líder.’ Fernando havia informado extensivamente sobre um caso de corrupção envolvendo o monopólio público de gás e petróleo Petróleos Mexicanos (Pemex) e seu sindicato local em Oaxaca.

Em 27 de outubro de 2006, Bradley Roland Will, cinegrafista independente de Illinois e repórter do site de notícias Indymedia, sediado em Nova York, foi assassinado durante um conflito entre manifestantes anti-governamentais e homens em trajes civis identificados por testemunhas como supostos funcionários do governo local. O assassinato de Will ainda não foi solucionado.

O tráfico de drogas e o crime organizado converteram o México em um dos locais mais perigosos para jornalistas na América Latina, segundo as investigações do CPJ. Desde que a guerra entre poderosos cartéis de drogas se intensificou, há mais de dois anos, os repórteres que cobrem estes temas têm sido vítimas de ameaças e assassinatos. [Nova York, 9 de outubro de 2007]

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/10/2007 Filipe Fonseca

    Parece até a Veja, quando fala de Renan Calheiros sem falar do problema maior e mais sério das concessões. O Comitê fala da assassinatos em Oaxaca mas acoberta os casos com estorinhas de tráfico de drogas. Ora, há, ou houve até pouco tempo (a imprensa não informa) um conflito civil em Oaxaca. Esse conflito, inacreditavelmente, passou batido pelo artiguinho. A cada dia a capacidade da imprensa de ser hipócrita me surpreende. Nem diante da morte de colegas!

  2. Comentou em 04/05/2005 Marcus Bugs

    Olá equipe do Observatório. Ontem à noite (02/05) assisti como sempre ao programa e fiquei bastante desapontado. O assunto da pauta era o rádio e, no entanto, o que se falou foi somente das grandes emissoras. E as menores? O entrevistado, claro, com grande importância histórica no meio, estava mais do que apagado. Quase morto, eu diria. Todas as declarações sem graça, parecia um esforço a presença de Haroldo no programa.
    Uma pena. Sempre acompanho os programas do Observatório e a página na internet é mais do que referência quando se fala na profissão de jornalista neste país.
    Ontem à noite o que eu vi foi um programa atípico. Primeiro, porque tratou somente do ‘mainstream’ do rádio brasileiro e as fontes eram geralmente da Globo, salvo raras exceções. Fiquei bastante desapontado.
    Além do mais, fiquei exatamente 30 min tentando entrar em contato telefônico com o programa para participar e, quando completava a ligação, não atendia. É uma contradição para um programa que sempre se apresentou como a ‘alternativa’ à grande mídia. Ontem foi exatamente o contrário. Ontem parecia a assessoria de imprensa das grandes corporações com um entrevistado pouco atraente pelas histórias que contava, pelo pouco entusiasmo da sua participação. Frustrante.
    Mais. É inquestionável o papel das novas tecnologias na transmissão da informação. Mais uma pedalada do Observatório: e as rádios via internet? As comunitárias? E as rádio livres?
    Saber sobre a Globo, a Bandeirantes e a CBN é chover no molhado. A própria emissora, a Cultura – ao que parece – ficou em segundo plano devido ao exíguo tempo que teve no Observatório frente às maiores comerciais. Por isso parecia assessoria de imprensa.
    Onde está aquele programa combativo, crítico acima de tudo e inovador? Onde está a crítica bem alicerçada, o questionamento?
    Caros colegas, voltem ao antigo hábito. Um grande abraço!

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