Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Hackers investigam ginastas chinesas

09/09/2008 na edição 502

O especialista em segurança da computação Mike Walker não acompanhava ginástica olímpica e tampouco se entusiasmou em assistir aos Jogos Olímpicos de Pequim. Mas mudou de idéia após descobrir que documentos digitais sobre a idade das ginastas chinesas haviam desaparecido da rede. Para competir oficialmente, elas têm que ter no mínimo 16 anos; algumas, entretanto, pareciam jovens demais – o que levantou suspeitas sobre a falsificação da idade. Walker, que mora nos EUA, achou que seria uma boa oportunidade para testar suas habilidades de hacker. ‘Quando fiquei sabendo que alguns documentos haviam sido disponibilizados e então bloqueados, pensei que poderia achá-los; é algo que gosto de fazer’, contou.

Na semana passada, após passar três dias à procura de documentos, ele encontrou um arquivo que havia sido postado em um sítio do governo chinês. Nele, a idade da ginasta He Kexin, que ganhou medalha de ouro, estava indicada como 14 anos – e não 16, como está escrito em seu passaporte. Diante desta informação, Walker decidiu criar um blog, cujo primeiro post incluía cópias do que ele encontrou e explicações de como obteve os dados. O post rendeu mais de 1.500 comentários e reacendeu o debate sobre a idade de He. Walker disponibilizou ainda um documento que sugere que a ginasta Jiang Yuyuan também tem menos de 16 anos.

A busca do hacker por documentos que comprovem a farsa na ginástica chinesa já lhe rendeu entrevistas na Fox News e em outras redes de TV. Alguns hackers chineses têm lhe enviado dicas de como encontrar mais evidências de que as ginastas não têm 16 anos e outros tentam ajudar a descobrir novos dados.

Fraude?

O governo chinês insiste que todas as atletas têm a idade apropriada e declarou que houve ‘um erro’ no registro da idade de He – por isso haveria o documento com dois anos a menos. O Comitê Olímpico Internacional (COI) pediu à Federação de Ginástica Olímpica Internacional para investigar o caso. A federação chinesa foi solicitada a fornecer passaportes, certidões de nascimento e carteiras de identidade de cinco dos seis membros da equipe feminina. Quatro medalhas olímpicas – incluindo a de ouro do time – estão em jogo. ‘Não temos uma data definida para a conclusão desta investigação’, informou Giselle Davies, porta-voz do COI.

Na opinião de Jonathan Zittrain, professor de Direito de Harvard, os esforços de Walker são um sinal da nova geração de indivíduos que querem se sentir parte do processo de elaboração de notícias. ‘É um sinal positivo’, analisa. ‘Mesmo com esforços como o do sítio Internet Archive [que guarda páginas antigas da rede], a falta de um arquivo oficial e completo na internet torna possível que a informação digital desapareça para sempre’.

Trabalho duro

Os documentos encontrados por Walker estavam na ‘memória cache’ do Google (memória rápida para armazenar dados), mas só foram localizados devido a muito esforço. Walker fez uma pesquisa em sítios chineses que continham o nome da ginasta e o ano de 1994. Ele conseguiu apenas um resultado, do registro de atletas da Administração Geral de Esporte da China – mas, quando clicou no link, o arquivo não estava mais lá. Ele obteve, então, acesso à versão em cache, porém o nome de He havia sido deletado. Isto levantou suspeitas de que o Google teria modificado as páginas em arquivo, talvez a pedido do governo chinês – o que foi oficialmente negado. Ao tentar as mesmas ações com o sítio de busca chinês Baidu, Walker obteve o documento completo, com o nome da ginasta e sua data de nascimento: 1º de janeiro de 1994. Informações de Miguel Helft [The New York Times, 29/8/08].

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