Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

INTERESSE PúBLICO > SADDAM HUSSEIN

Iraquianos assistem a julgamento pela TV

20/10/2005 na edição 351

Desde o primeiro minuto do início do julgamento de Saddam Hussein, na quarta-feira (19/10), em Bagdá, os iraquianos pararam diante da TV para assisti-lo no banco dos réus, noticia Edward Wong [The New York Times, 19/10/05]. Os sentimentos em relação ao que se tornou um espetáculo nacional eram os mais diversos, de acordo com as etnias e linhas partidárias. Muitos sunitas, que eram protegidos pelo ditador, expressaram compaixão por ele, enquanto os xiitas e curdos, perseguidos por ele, demonstraram satisfação e também indignação por ele estar sendo julgado por uma corte criada sob ocupação dos EUA.


Hiba Raad, estudante de 20 anos da Universidade de al-Mustansiriya, uma das mais antiocidentais do mundo islâmico, afirmou que, no momento em que Saddam recusou-se a dizer seu nome ao juiz, soube que estava diante do homem que governava o Iraque com firmeza. ‘Ele é um herói, um líder firme. Se voltasse, estou certa que nos daria segurança’, disse Hiba. Ela não foi a única a apoiar o ditador. Em sua casa, seus pais, sua irmã e sua avó continuaram a olhar a televisão paralisados, mesmo depois do fim da transmissão. Sua avó, Samira al-Bayati, disse com tristeza: ‘Eu lamentei. Quase chorei. Todos os países do mundo têm terrorismo. Todos os presidentes desta região torturam seus povos. Por que, de todos os países, escolheram o nosso?’. Em Tikrit, terra natal de Saddam, centenas de pessoas marcharam nas ruas com faixas e fotos do ex-ditador.


Em Bagdá, na favela xiita de Cidade Sadr – que era conhecida como Cidade Saddam e foi rebatizada de Cidade Sadr, em homenagem ao clérigo al-Sadr –, a multidão aguardava a sentença de sua execução. ‘Isto é justiça divina. A sentença apropriada para ele seria execução. Seus crimes são muitos e a corte não deveria perder tempo em ouvi-lo. Gostaríamos que ele fosse julgado da mesma maneira que ele julgou suas vítimas’, afirmou Shakir Majeed, de 38 anos. Akil Jawad, de 20 anos, afirmou que não se sente otimista com o julgamento. ‘Saddam riu muito e expressou muita confiança em suas respostas. O juiz lidou com ele como se ele fosse um homem comum, e não um criminoso’, disse Jawad. Já Ali Abbas não era a favor da execução. ‘Não queremos que ele seja executado. Seria melhor que ele fosse golpeado com sapatos. Execução seria muita compaixão para ele’, declarou Abbas. No mundo árabe, uma das maiores humilhações é ser golpeado com solas de sapato.


Muitos ficaram desapontados com o fim da sessão, quando Saddam empurrou um guarda, e com o adiamento do julgamento do primeiro crime dele – a execução de 143 xiitas na vila de Dujail, ao norte do Iraque, em 1982 – para novembro, por falta de depoentes. Saddam e outros sete réus que também foram julgados declararam-se inocentes.

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