Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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INTERESSE PúBLICO > CONGRESSO DA ANJ

Jornais, o passado e o futuro

Por Alberto Dines em 18/08/2008 na edição 498

Está sendo badalado como o ‘o mais importante evento da indústria jornalística brasileira’. Logo se imagina que o 7º Congresso Brasileiro de Jornais, que começa na segunda-feira (18/8), em São Paulo, deverá comemorar os 200 anos da criação da imprensa brasileira apresentando-a como a instituição que impulsionou decisivamente o desenvolvimento cultural e político do país.


Nada disso: os 800 inscritos no evento querem discutir como serão os jornais no ano 2020 e como será a ‘A (re)construção do jornal para a era digital’. Ora, reconstrução faz supor que algo foi destruído. Os jornais, porventura, foram destruídos? Em caso positivo, quem ou o que os prejudica?


O pessoal da indústria jornalística acha que está tudo bem com os jornais de hoje, só está interessado no futuro. Aliás, o que é exatamente a ‘indústria jornalística’? Um conjunto de gráficas onde se imprime qualquer coisa desde que produza lucros? Não era isso que pensava o patriarca da imprensa brasileira Hipólito da Costa, que em 1808 via o jornalismo como um serviço público.


Efeméride escondida


Para Hipólito da Costa, a imprensa era uma instituição a serviço da sociedade. Uma indústria, em teoria, está a serviço de si mesma ou dos seus acionistas. Acontece que na agenda do grandioso evento de dois dias não está prevista nenhuma menção ao bicentenário do nosso jornalismo que deveria ser comemorado a partir de junho até setembro deste ano.


O ministro da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, será o principal orador e na dupla condição de veterano jornalista e autoridade governamental certamente lembrará aos patrocinadores do Congresso que não se pode pensar no futuro sem rever o passado e entender o presente.


O que acontecerá em 2020 depende exclusivamente do desempenho atual. E, no momento, os participantes do 7º Congresso Brasileiro de Jornais estão empenhados apenas em esconder os 200 anos da imprensa. Uma instituição ou uma indústria – vá lá – que desconhece o seu passado condena-se a repetir os erros que cometeu.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/08/2008 Ney José Pereira

    A Folha (de S. Paulo) na edição de domingo, 17 de agosto de 2008 à página A8 (brasil) traz ‘reportagem’ sobre o tal 7º Congresso Brasileiro de Jornais. A certa altura diz o texto da ‘reportagem’ ‘A recuperação da circulação dos jornais coincidiu com o aumento dos investimentos [sic] publicitários, que cresceram 15,2% no ano passado'[2007]. Acredito que há alguma coisa errada nesses ‘investimentos’ publicitários. Pois, pela lógica empresarial e mercadológica os tais ‘investimentos’ publicitários é que deveriam coincidir com a recuperação da circulação dos jornais. Como pode haver mais circulação por causa dos ‘investimentos’ publicitários?. Mais ‘investimentos’ publicitários deveria haver se a circulação aumentasse!. A conclusão é que a publicidade não se importa mais com a mercadologia e sim com a ‘sustentação da liberdade de imprensa’. A circulação de jornais cresceu em 2007 11,8%. Os tais ‘investimentos’ publicitários cresceram no mesmo ano 15,2%. A publicidade está perdendo dinheiro?.
    Na mesma página a Folha informa que a ANJ será presidida entre 2008 e 2010 por Maria Judith de Brito funcionária da própria Folha. Mas, por se tratar de cargo eletivo e representativo da classe empresarial a presidência da ANJ deveria ser do próprio patrão. Ou seja, nesse caso, o presidente deveria ser o Luís Frias Neto ou o Otavio Frias Filho e não a funcionária deles.

  2. Comentou em 19/08/2008 Pedro pereira pereira

    É só vera programaçao do congresso que veremos que não se trata realmente do que o Sr Dines cita.Procurando um pouco mais veremos tbem que se trata de um congresso mais ligado a jornais e sua logistica do que de jornalismo embora tenha alguns tema relevantes e com fundo de sustentabilidade.
    O perigo de se achar que jornal tem que ter funçao social sob qualquer otica, está justamente no comportamento que este Sr tem quando se trata de qualquer assunto. Avocar o direito que não lhe foi dado de querer representar a sociedade sem limitaçoes criticas e ver conspiraçoes qaundo o tema não lhe for agradável mesmo quando está completamente enganado como nesse caso.
    Naõ é os jornais que vão acabar, é o jornalismo querendo sobreviver, no novo mundo da mídia.
    Novos ares, mais puros e desinfectados, com espaço suficiente para a dialética e a simples ratificaçao das informaçoes, como aconteceu agora.
    E o começo do fim do patrulhamento.

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