Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 5/8

Juiz desmente
manchete da FSP

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 06/08/2008 na edição 497


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 5 de agosto de 2008


 VAZAMENTOS & ENTUPIMENTOS
Leonardo Souza e Hudson Corrêa


Acesso da PF a telefones é controlado, afirma Sanctis


‘A 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, responsável pela Operação Satiagraha, divulgou nota na qual afirma contar com mecanismos de controle para evitar possível uso ilegal ou abusivo, por parte da Polícia Federal, de dados do cadastro e do histórico de ligações dos assinantes das companhias de telefonia do país.


Reportagem publicada pela Folha anteontem revelou que o delegado Protógenes Queiroz e sua equipe obtiveram, na investigação da Operação Satiagraha, autorização judicial para receber senhas das empresas de telefonia do país que lhes permitiam acesso ao banco de dados no qual estão o cadastro completo e os extratos de ligações dos assinantes.


A Justiça Federal confirma que as senhas dão acesso a cadastro e histórico de ligações dos assinantes das companhias telefônicas, como publicou a Folha, mas diz que a intenção da autorização não foi para que o acesso fosse irrestrito.


‘Importante mencionar que a autorização restringe-se à busca de informações cadastrais exclusivamente das chamadas feitas pelos investigados ou por estes recebidas’, informa a nota, assinada pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal (leia a íntegra da nota ao lado).


Contudo, conforme a reportagem de domingo, as senhas fornecidas pelas telefônicas não limitam os acessos, permitindo, em tese, que os policiais pudessem verificar informações de quaisquer assinantes. Segundo o juiz, cada senha, fornecida a um policial, é pessoal e intransferível. ‘Não é possível, pois, a utilização leviana do dispositivo sem que se saiba a autoria, razão pela qual até o momento não foi observado qualquer desvio de conduta.’


Por esse mecanismo de controle, o juiz precisaria requisitar às companhias informações sobre quais dados foram acessados e por qual agente da PF. Ou seja, se tal agente obteve informações sobre pessoas que nem sequer fizeram chamadas para os alvos da investigação.


A reportagem apurou que até agora, contudo, nenhuma solicitação às companhias ocorreu sob a alegação de que não há suspeita de ilegalidade. A Justiça Federal ressalta ser da responsabilidade dos policiais com direito a senha ‘a utilização indevida do mecanismo’.


‘A 6ª Vara Federal Criminal não tem admitido a obtenção, de forma ampla, de senhas que possibilitem o fornecimento de dados cadastrais de terminais telefônicos e todos os demais relacionados a um determinado terminal…’, afirma o início da nota divulgada.


O objetivo da senha é agilizar a investigação. As informações sobre as ligações são necessárias para a PF avaliar também se essas pessoas que ligaram para os investigados precisariam ser grampeadas.


De Sanctis fez uma comparação com os dados dos contribuintes mantidos sob a responsabilidade da Receita Federal, aos quais os auditores têm acesso com o uso de senha, mas desde que limitados ao objeto da fiscalização que realizam. Do contrário, podem responder a procedimento disciplinar por acesso a informações indevidas ou não justificadas.


‘Saliente-se que dados cadastrais da Receita Federal do Brasil e de concessionárias de telefonia, por vezes, são vendidos, de forma irregular em praça pública, fato que já ensejou a instauração de ação penal contra os seus responsáveis junto à 6ª Vara Federal Criminal’, afirma o juiz na nota.


A Polícia Federal informou, na sexta-feira passada, que em suas investigações faz uso de senhas para obter somente informações de pessoas que ligaram para investigados.’


 


 


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Juiz diz que não tem autorizado senhas irrestritas


‘Leia a íntegra da nota do juiz Fausto De Sanctis.


‘Com relação à matéria jornalística publicada na data de ontem (3/8/2008) na Folha de S.Paulo intitulada ‘Polícia Federal obteve acesso total ao registro de chamadas do país’, impõe-se esclarecer o que segue:


1. A 6ª Vara Federal Criminal não tem admitido a obtenção, de forma ampla, de senhas que possibilitem o fornecimento de dados cadastrais de terminais telefônicos e todos os demais relacionados a um determinado terminal, bem como do histórico das últimas chamadas efetuadas e recebidas, conforme, aliás, pode-se verificar de entendimento constante de livro recentemente publicado acerca da lavagem de dinheiro, de autoria do juiz titular, Fausto Martin De Sanctis (cf. Combate à Lavagem de Dinheiro. Teoria e Prática. Campinas: Millennium, 2008, p.117 e 118);


2. Na hipótese de apuração de um caso concreto, e desde que devidamente fundamentado o pedido, é possível a obtenção de senhas viabilizando-se a vinda de informações e a análise policial em tempo razoável para eventuais futuras solicitações. Não teria sentido que, a cada ligação telefônica suspeita, fosse necessário requerer em juízo a expedição de ofício a uma determinada concessionária de serviço público para obtenção de dados cadastrais, sob pena de inviabilizar e tumultuar, desnecessariamente, a investigação.


3. Saliente-se que dados cadastrais da Receita Federal do Brasil e de concessionárias de telefonia, por vezes, são vendidos, de forma irregular em praça pública, fato que já ensejou a instauração de ação penal contra os seus responsáveis junto à 6ª Vara Federal Criminal;


4. Assim, as autorizações somente existem quando vinculadas a uma determinada investigação e a atuação da polícia deve se circunscrever a esta. Ressalte-se que essa utilização nunca foi considerada irregular pelas cortes de Justiça nos processos que tramitam na 6ª Vara Federal Criminal;


5. Importante mencionar que a autorização restringe-se à busca de informações cadastrais exclusivamente das chamadas feitas pelos investigados ou por estes recebidas e medidas futuras necessitarão que se levem em consideração o teor dos diálogos e a necessidade eventual de maiores informações daqueles que tiveram contatos com os primeiros (investigados);


6. A decisão judicial deferindo a obtenção de senhas deixa claro que a autorização é pessoal e intransferível, fornecida apenas para agentes policiais federais determinados e para a investigação em curso, sendo de sua responsabilidade a utilização indevida do mecanismo;


7. A busca de informações junto às concessionárias públicas mediante senhas judicialmente deferidas somente é realizada por meio computacional, automaticamente com registro do agente policial solicitante, de molde ser possível detectar, com facilidade, quem fez a pesquisa;


8. Não é possível, pois, a utilização leviana do dispositivo sem que se saiba a autoria, razão pela qual até o momento não foi observado qualquer desvio de conduta funcional;


9. A autorização de obtenção de senhas não se confunde com autorização para interceptação de linhas telefônicas porquanto a primeira não leva à segunda, nem indiretamente. Os monitoramentos (interceptações) somente entram em funcionamento após a obtenção de ordem judicial, jamais de maneira automática, ou sem critério, não havendo possibilidade de extensão às outras linhas que se comunicarem com a linha interceptada;


10. No caso de ser relevante para a investigação em andamento o diálogo interceptado, o analista designado para acompanhamento dos trabalhos (agentes policiais) identifica o número e somente a partir daí, e em razão da senha obtida, solicita à operadora de telefonia os seus dados cadastrais (desde, é claro, que exista autorizada ordem judicial);


11. Com os dados obtidos, ele apresenta à autoridade policial um relatório circunstanciado sobre o diálogo mantido entre o investigado e seu interlocutor, sugerindo, se o caso, representação ao Poder Judiciário. Somente após a obtenção da decisão judicial, é que a linha que se comunicou com o monitorado pode ser interceptada;


12. Logo, não possui qualquer fundamento afirmar que haveria acesso irrestrito para monitoramentos telefônicos, ou mesmo para acessar banco de dados das companhias telefônicas de qualquer usuário ou assinante, sendo certo que o procedimento de obtenção de senhas é acompanhado pelo Ministério Público Federal e submetido a real controle da Justiça Federal.’’


 


 


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Entidades discordam de monitoramento da PF


‘Entidades que representam magistrados, procuradores e advogados são contra a concessão de autorização para policiais consultarem o cadastro e monitorarem ligações dos clientes das companhias de telefonia. Durante a Operação Satiagraha, a Polícia Federal obteve, com aval da Justiça, senhas para monitorar o histórico de ligações de qualquer cliente das telefônicas.


Advogados consultados pela reportagem também reclamaram de que há abusos na realização de escutas telefônicas. Já os juízes e os representantes do Ministério Público as defenderam, desde que haja um foco delimitado de investigação.


Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, é preciso controlar a ação do Estado. ‘Parte do setor da magistratura se comporta como se fosse uma milícia judiciária, porque acha que o Estado pode investigar, denunciar, processar e condenar sem que o cidadão se defenda.’


O advogado criminalista Tales Castelo Branco diz que a liberação de senhas é uma forma velada de interceptação telefônica. ‘Está havendo uma brutal violação do direito constitucional do cidadão no que diz respeito à vida íntima e sigilo.’


O advogado e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Célio Borja afirma que há a violação de privacidade de quem nem é investigado. ‘Quando uma pessoa que não é passível de responder por conduta penalmente punível é investigada à sua revelia trata-se de uma violação da sua privacidade.’


O presidente interino da Associação dos Magistrados Brasileiros, Cláudio Dell’Orto, reitera que qualquer monitoramento deve se limitar aos suspeitos. ‘Muitas escutas são feitas a partir de um investigado e expandidas como cascata.’


O presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), Antonio Carlos Bigonha, descarta a possibilidade de o Ministério Público solicitar quebra de sigilo telefônico genérica que atinja o investigado e seus contatos.’


 


 


Folha de S. Paulo


Todos grampeados, Editorial


‘COMO QUE A dar materialidade aos temores relativos ao sigilo telefônico que esta página enunciava na semana passada, reportagem publicada pela Folha no domingo mostrou que a Polícia Federal teve acesso irrestrito ao cadastro de todas as ligações feitas no país.


É até compreensível que policiais estejam ávidos para pôr as mãos nesse manancial de informações. Mas é inadmissível que a Justiça os autorize a ter acesso ao histórico de telefonemas de qualquer assinante do país. Nos termos da lei que regulamenta o sigilo telefônico, este só pode ser violado mediante ordem judicial, cuja concessão exige ‘indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal’ e a demonstração de que essa é única forma de produzir provas.


Magistrados federais que têm autorizado a PF a consultar o sistema se amparam numa lacuna da legislação. A lei nada fala sobre o acesso global ao cadastro de assinantes, simplesmente porque essa tecnologia não existia em 1996, quando a norma entrou em vigor.


É evidente, entretanto, que a prática fere gravemente o espírito da lei, que apenas admite levantar o sigilo constitucional sobre dados e comunicações telefônicas em último caso. Deve-se aproveitar o súbito interesse do governo Lula em aprovar um novo projeto de lei de escuta telefônica para nele incluir um mecanismo que vede explicitamente esse acesso indiscriminado ao sistema.


A difícil busca pelo equilíbrio entre o direito da sociedade de proteger-se contra bandidos e o direito de cada cidadão à intimidade e à vida privada não pode prescindir de instrumentos que limitem o poder do Estado de agir contra os cidadãos.


Cabe à Justiça decidir caso a caso quando a medida de exceção se justifica. É essa filtragem que, na ânsia de combater o crime e a corrupção, muitos magistrados estão deixando de fazer.’


 


 


MÍDIA & POLÍTICA
Eliane Cantanhêde


Chifre em cabeça de cavalo


‘BRASÍLIA – Alfredo Stroessner foi ditador do Paraguai de 1954 a 1989 e não era flor que se cheirasse -que o digam suas vítimas e descendentes. Mas, ao ser chutado do poder, veio parar no Brasil, instalado cômoda e tranqüilamente na capital da República como exilado político, até morrer em 2006 de morte morrida, aos 93 anos de idade.


Isso não significa que o governo brasileiro financiasse o terror paraguaio, nem articulasse um golpe no país vizinho, nem… nem coisa nenhuma. Apenas concedeu-lhe um direito internacionalmente reconhecido: o asilo político.


Agora, há um deus-nos-acuda porque o Brasil acolhe o cidadão colombiano Olivério Medina, ex-padre que se apresenta como ‘embaixador’ das Farc e cuja mulher, uma brasileira, trabalha no Ministério da Pesca. Entonces, pergunta-se: 1) o país que acolheu Stroessner por 17 anos não pode fazê-lo com Medina por quê? 2) nem ele nem sua mulher podem trabalhar e devem morrer de fome?


Essa discussão está fora de controle. A crítica que se deve fazer ao governo Lula é outra, por ter sido tão rápido e tão eficiente ao entregar os dois boxeadores cubanos de bandeja (ou melhor, de avião venezuelano) para o regime nada amistoso de Fidel Castro. Não por dar a Medina um status de asilado.


É como os e-mails das Farc citando brasileiros: isso não prova nada, muito menos participação na guerrilha, em contrabando de armas e cocaína, exportação de revoluções e articulações para derrubar Uribe.


Estamos carecas de saber das antigas ligações de setores da esquerda brasileira com as Farc, mas as Farc mudaram, o PT mudou, a turma do Planalto está feliz da vida com o poder. Ninguém mais fala em reformas, quanto mais em revolução em país alheio!


No máximo, pode-se falar em saídas negociadas entre Uribe e Farc, para evitar um mar de sangue. E daí? Com tantos problemas reais, é pouco para a gente ficar botando chifre em cabeça de cavalo.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Com matizes


‘Lula surgiu nas manchetes e em fotos com Cristina Kirchner nos argentinos ‘Clarín’ e ‘La Nación’ de ontem. Nos enunciados, respectivamente, ‘Cristina recebe Lula e buscar limar asperezas’ e ‘Cristina busca sinais de força junto a Lula e Chávez’. Fim do dia e, no site do ‘La Nación’, ‘Com matizes, Cristina e Lula defenderam reforçar a aliança produtiva’.


A foto do dia reuniu por fim, on-line, a argentina, o brasileiro e Hugo Chávez, juntando as mãos. Mas foi, sublinhou com estranheza o ‘Clarín’, ‘um encontro que custou a se concretizar e só se confirmou na última hora’, depois de ‘grande resistência do lado brasileiro’. E Lula partiu em seguida para Pequim.


EM BUSCA DO EIXO


O discurso de Lula em Buenos Aires, ressaltou o site do ‘La Nación’, foi acompanhado pelo embaixador americano, que elogiou a ‘integração regional’ de Argentina e Brasil como ‘muito útil’ também nas relações com os EUA.


Mas logo tomou destaque o enunciado, no mesmo site, de que Chávez anunciou que o encontro com Lula e Cristina era para ‘dar forma ao eixo central da América do Sul’.


‘SUPERMODERNO’


Em meio à cobertura da cúpula, o venezuelano ‘El Universal’ destacou que a ‘Espanha não vê problema se a Venezuela pagar um preço aceitável pela filial do Santander’.


Antes, na versão em papel, o mesmo ‘El Universal’ ressaltava que ‘Hugo Chávez indica que o Banco da Venezuela’, nome da filial, ‘vai copiar o modelo da Caixa do Brasil’, que ele descreve como uma ‘entidade supermoderna’.


OBAMA NEGATIVO


No novo comercial, as doações do ‘Big Oil’


O ataque de propaganda negativa por parte de John McCain, recebido com críticas pelos jornais e telejornais dos EUA, identificando a mão do marqueteiro Karl Rove, funcionou, como previam alguns.


E agora Barack Obama parte para o contra-ataque, não mais questionando o ‘jogo baixo’ do republicano, mas explorando seus pontos fracos. Em novo comercial (acima), usa imagem que cola McCain a George W. Bush e acusa o candidato de estar a serviço das companhias de petróleo. Na locução, ‘após um presidente no bolso do ‘Big Oil’, não podemos pagar por outro’.


SOBE-E-DESCE


O ‘New York Times’ já lista quem ganha e quem perde, na cobertura da campanha nos EUA. Aponta ‘audiência recorde’ para Keith Olberman (MSNBC) e Wolf Blitzer (CNN). Outro ‘vencedor’ é o site Politico. Mas em geral a campanha pouco melhora os números, principalmente nos telejornais das três grandes redes, CBS, ABC e NBC.


‘FIM DE ERA’


O ‘Chicago Sun-Times’ anunciou a ‘aposentadoria imediata’ de Robert Novak, com tumor no cérebro. Com coluna influente desde 1963, no ‘New York Herald-Tribune’, ele surgiu moderado e termina ultraconservador. Mais importante, diz o Politico, seu colunismo de ‘intrigas palacianas’, que ‘já foi a regra’, some junto com ele.


BRAÇOS, CABEÇA, UMA PERNA


Na Folha Online, ‘Equipes encontram braços da jovem britânica’. No G1, ‘Bombeiros dizem ter achado cabeça’. Na AP, pelo mundo todo, ‘Perna da jovem desmembrada é achada’. Resumindo, na BBC, ‘Membros encontrados na busca de corpo no Brasil’. No tablóide ‘Sun’, a jovem é citada nos títulos como ‘Sliced-up Cara’, Cara, a fatiada.


JOLIE-PITT


E saíram afinal as capas com os gêmeos de Angelina Jolie e Brad Pitt. Duas, para pagar US$ 11 milhões ou mais, segundo o Blue Bus’ 


 


TELECOMUNICAÇÕES
Elvira Lobato e Roberto Machado


Banda larga abre disputa na telefonia


‘Ao propor que as teles transformem sua infra-estrutura da telefonia fixa e a prestação de serviços em empresas independentes, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) abriu guerra em torno da banda larga, tecnologia que permite acesso à internet e transmissão de dados em alta velocidade.


A separação entre infra-estrutura das teles e prestação de serviços foi apontada como vital para a competição, por Embratel, TIM, Claro, Net Serviços e por provedores de acesso à internet, que estão na outra ponta da queda-de-braço pela banda larga.


O tema provocou mais polêmica na consulta pública da Anatel para mudança do Plano Geral de Outorgas da telefonia fixa do que a compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar em si. A mudança do plano de outorgas é condição essencial para o negócio entre as teles.


Os competidores dependem de acesso às redes de telefonia fixa para chegarem às casas dos usuários. A queda-de-braço se deve ao valor do acesso cobrado pelas teles. Os competidores sustentam que as teles cobram preços altos para dificultar a competição e que a separação entre rede e serviços daria transparência.


A Telefônica afirmou em manifestação por escrito à Anatel, na sexta, que a medida causaria uma perda de R$ 1,65 bilhão às concessionárias de telefonia fixa local e que ela sofreria uma redução de 4% a 8% em seu valor de mercado, caso a medida venha a ser implementada.


Para a Telefônica, a medida seria ilegal, prejudicaria o usuário, estaria na contramão da convergência tecnológica e afetaria o investimento das teles.


As teles dizem que a Anatel já as fez a investir milhões de reais na elaboração de modelo contábil com separação de custos da infra-estrutura e da prestação de serviços e que não seria preciso constituir empresas independentes para isso.


Segundo a TIM, para massificar a banda larga, é necessário, ‘desde já, e de forma transparente e objetiva’, a obrigação da desagregação de rede de acesso da concessionária de STFC local [telefonia fixa]’.


Segundo a empresa, a obrigação das teles de dar acesso às suas redes em condições de preços isonômicas foi prevista na Lei Geral de Telecomunicações, há dez anos, e não houve alteração no monopólio da infra-estrutura. Na consulta pública da Anatel, a empresa relacionou o crescimento da telefonia móvel ao fato de haver ao menos três grandes concorrentes por área, em contraste com a estagnação da telefonia fixa, em que não há competição.


A Embratel, controlada pelo grupo mexicano Telmex (controlador da Claro), disse que o serviço de telefonia fixa local é ‘a modalidade com o menor nível de competição’ e que há ‘amarras regulatórias que devem merecer exame da Anatel e que, se removidas, possibilitariam uma renovação na prestação do STFC [telefonia fixa]’.


Controlada pela Globo mas com expressiva participação acionária do grupo Telmex, a Net defendeu a constituição de empresas independentes para exploração de telefonia fixa e comunicação multimídia (banda larga). ‘Esse é um mecanismo que com certeza assegura transparência de custos.’


A Net aproveitou a consulta pública da Anatel para defender também a portabilidade numérica (que o consumidor possa mudar de operadora mantendo o número do telefone) e o que chamou de ‘venda casada’ de linhas telefônicas e acesso à banda larga.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Novela global terá superprodução na Índia


‘A Globo vai levar 50 profissionais para gravar na Índia, durante 45 dias, sua próxima novela das oito. As equipes embarcam em setembro.


É a primeira vez que a emissora envia tanta gente durante tanto tempo para gravar uma novela no exterior. A emissora só fez algo similar no Brasil.


A Globo tratará ‘Caminho das Índias’ como superprodução porque aposta nela para recuperar a audiência do horário, em queda nas últimas três novelas. A história será escrita pela popular Glória Perez.


A novela será ambientada na Índia e no Brasil, com passagens por outros países. Haverá cenas também em Dubai (Emirados Árabes Unidos).


Irão para a Índia técnicos e atores como Juliana Paes, Isis Valverde, Marcio Garcia, Toni Ramos e Rodrigo Lombardi, todos centrais.


Além dos 45 dias no país, ‘Caminho’ terá três cidades cenográficas, outro indicador de superprodução. Uma delas reproduzirá uma vila do Rajistão e outra, um trecho da boêmia Lapa, no Rio. A terceira será uma margem do rio Ganges.


Durante dois meses, a Globo ainda ocupará os estúdios da Tycoon, no Rio, com workshops para o elenco se familiarizar com a temática da novela. Segundo a emissora, serão ‘oficinas de vivência hindu’, aulas de gestual indiano, dança bollywoodiana, ioga etc. Uma escritora indiana virá ao Brasil para dar uma palestra.


ARROTO 1


O Ministério da Justiça rejeitou denúncia do Instituto Alana, que monitora o consumismo infantil na mídia, contra o infanto-juvenil Cartoon Network. No mês passado, a ONG apontou em vinhetas do Cartoon estímulo ‘à formação de valores e comportamentos inadequados e distorcidos socialmente em seu público-alvo’.


ARROTO 2


As vinhetas, intituladas ‘A gente faz o que quer’, traziam personagens do Cartoon arrotando, tirando meleca do nariz ou furtando mercadoria.


ARROTO 3


O ministério concluiu que as vinhetas não trazem conteúdo inadequado do ponto de vista da classificação indicativa. O parecer será encaminhado ao Ministério Público Federal.


TELÃO


Deu 25 pontos o ‘Fantástico’ de anteontem, comemorativo dos 35 anos do programa. A edição apresentou um telão que abre janelas com imagens ao toque do apresentador, novidade da Globo na cobertura de Pequim. A CNN já usa o telão.


AU, AU 1


A Rede TV! tirou do ar o ‘Late Show’, de Luísa Mell. Nos bastidores da emissora, comenta-se que o motivo teria sido um pedido de Daniela Albuquerque, mulher de Amilcare Dallevo, presidente da TV. Luísa, que já foi namorada de Dallevo, pretende convocar a imprensa para contar sua versão.


AU, AU 2


A Rede TV! esclarece que o programa acabou porque o contrato de Luísa Mell venceu dia 31 e não foi renovado.’


 


 


INTERNET
Raquel Cozer


Cinéfilos social clube


‘Quanto mais obscuro, melhor. Filmes badalados, para o Reframe (reframecollection. org), são justamente aqueles realizados às margens da indústria cinematográfica.


Há um mês, o site lançado pelo Tribeca Film Institute, em parceria com a Amazon.com, vem tirando da prateleira obras que tiveram pouca ou nenhuma circulação no mercado. O projeto digitaliza e disponibiliza os filmes para comercialização na rede, via DVD ou download -com preços, em caso de ‘aluguel’ (download temporário), a partir de US$ 1,99 (cerca de R$ 3).


Estrelas, aqui, são cineastas como a inglesa Sally Potter (de ‘Orlando’), o diretor americano de vanguarda Ken Jacobs e seu conterrâneo Jay Rosenblatt, vencedor do prêmio do júri no Sundance Festival por ‘Restos Humanos’ (1998). Nomes menos conhecidos proliferam entre os cerca de mil trabalhos já disponíveis na página.


A proposta do site é a de oferecer a cineastas a digitalização gratuita (ou a preços baixos, em filmes mais antigos), já que o processo, normalmente, pode chegar a milhares de dólares.


Com isso, o Reframe busca se firmar como referência em obras experimentais -e ponto de encontro para cinéfilos.


A iniciativa integra uma série de esforços recentes para aproveitar a capacidade da internet de disseminar filmes de arte. No Brasil, fãs do gênero têm também há um mês a possibilidade de se cadastrar no site de relacionamentos MovieMobz, em que podem se mobilizar para ver filmes independentes, clássicos e documentários na tela do cinema (leia mais no texto ao lado).


Fase de testes


Em fase beta (de testes), o Reframe, por enquanto, permite ao usuário apenas criar um perfil, comentar nos blogs da página e bancar o curador em listas de recomendações.


Outras ferramentas de comunidades on-line devem entrar no ar nas próximas semanas, diz à Folha, por telefone, Brian Newman, diretor-executivo do Tribeca.


‘A idéia é que seja um lugar em que as pessoas recomendem filmes umas às outras, sendo que os ‘amigos’, no caso, podem ser especialistas nos assuntos sobre os quais se buscam obras’, diz o diretor.


O Reframe conta com uma equipe de 30 curadores -especialistas não só em cinema, mas em assuntos de interesse para o acervo de documentários, como direitos humanos e sociologia-, mas apresenta, ainda, grandes limitações. Entre elas, a venda para outros países que não os EUA.


‘Trabalhamos para que nos próximos meses países do mundo todo possam comprar pelo site. Digitalizamos filmes de cineastas de qualquer lugar do globo, mas, por questões legais, a venda ainda só é possível no mercado americano.’


Entre filmes de brasileiros, figuram alguns ‘muito conhecidos’, diz Newman, como ‘Cidade de Deus’, de Fernando Meirelles, e ‘Ônibus 174’, de José Padilha. ‘O site inclui filmes famosos por causa da parceria com a Amazon. Mas não é nosso foco’, afirma Newman.


Pirataria


Por filmes gratuitos os usuários ainda terão de esperar -o site pretende negociar com outros parceiros, além da Amazon, para que isso seja viável.


‘Além disso, a maior parte dos cineastas com que trabalhamos depende do dinheiro da venda e ainda não está disposta a disponibilizar os filmes de graça’, diz o diretor-executivo.


Ele tem noção, no entanto, de que, a partir do momento em que os filmes ganham versões digitalizadas, em pouco tempo podem perder o status de ‘raros’ e cair na rede para download ilegal.


‘A Amazon tem um software que dificulta a cópia, mas, como se sabe, as pessoas encontram maneiras de quebrar o código’, afirma o diretor. ‘Os cineastas com que trabalhamos sabem disso e estão dispostos a correr esse risco. Para eles, a obscuridade é um problema ainda mais grave do que a pirataria.’’


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 5 de agosto de 2008


 COLÔMBIA
O Estado de S. Paulo


TV exibe imagens inéditas de resgate


‘A ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt aparece em imagem inédita de vídeo divulgada ontem à noite pela TV colombiana RCN. O vídeo mostra o momento em que Ingrid, os 3 americanos e 11 policiais e soldados colombianos são libertados, em 2 de julho. Também mostra partes do processo de planejamento da operação e o grupo que realizou o resgate, entre eles uma pessoa usando um colete com o símbolo falso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.’


 


 


EUA
O Estado de S. Paulo


Colunista do caso Plame se aposenta


‘O colunista conservador Robert Novak, do ?Chicago Sun Times?, anunciou ontem que está se aposentando por causa de um grave tumor cerebral. Novak, de 77 anos, ex-coapresentador do programa ?Crossfire? da CNN, foi o primeiro a divulgar a identidade da agente da CIA Valerie Plame, cujo vazamento levou a uma prolongada investigação.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Fim antecipado


‘Duas novas produções da Globo podem sair do ar antes do previsto: Guerra e Paz e Faça Sua História. Projetos recentes da emissora, ambas não vêm alcançando a audiência esperada e podem dar lugar a outros produtos antes do fim do ano.


Dos dois títulos, Guerra e Paz é o que está com a corda mais apertada no pescoço. O seriado de Carlos Lombardi vem alcançando médias na casa dos 16 pontos no Ibope, mas já teve a liderança várias vezes ameaçada pela Record. Em seus piores dias, o seriado chegou a bater a casa dos 13 pontos, uma das menores audiências da Globo às sextas-feiras à noite.


Já Faça Sua História vem se mantendo na casa dos 20 e poucos pontos de audiência, mas sem grande repercussão.


Entre as novas apostas da Globo no gênero, o que tem lugar garantido pelo menos até dezembro é Casos e Acasos. O rodízio de histórias recentemente ganhou a direção-geral de Jayme Monjardim e o up de participações do primeiro time da Globo. A direção da casa acredita que o formato tem potencial e ainda pode decolar.


Procurada, a assessoria da Globo não se manifestou até o fechamento da coluna.


Só falta dançar no poste


Esta semana, a novela Chamas da Vida, da Record, ganha uma personagem bem ao estilo Alzira, de Duas Caras, da Globo. Andressa (Mariana Hein) será a recatada assistente social de um reformatório, que, à noite, vira garota de programa de luxo, com direito a fantasia masoquista para realizar os fetiches dos clientes.’


 


 


FALÊNCIA DA CRÍTICA
O Estado de S. Paulo


Obra de Vladimir Safatle discute o sentido da crítica na atualidade


‘As antigas formas de pensar vieram a pique e o fim das ideologias foi proclamado. Para discutir essas e outras idéias, Vladimir Safatle, professor de Filosofia da USP, escreveu Cinismo e Falência da Crítica (Boitempo, 216 págs., R$ 36), seis artigos que abordam temas como dialética, sexualidade, estética e política, resgatando conceitos de Adorno, Freud, Lacan e Hegel. Ele será lançado hoje, às 19h30, em debate no Auditório de Geografia da USP (Rua do Lago, 717), do qual participam Paulo Arantes, Maria Rita Kehl e Christian Dunker.’


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