Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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INTERESSE PúBLICO > CASO DANIEL DANTAS

Luis Nassif rebate as
acusações de Mainardi

Por Luiz Antonio Magalhães em 13/07/2008 na edição 493

O jornalista Luis Nassif decidiu neste domingo publicar uma resposta, em seu blog, para as acusações que constam da coluna de Diogo Mainardi na edição desta semana da revista Veja. Nassif assume que convidou o ex-secretário Saulo de Abreu Filho para uma palestra organizada pela Agência Dinheiro Vivo, mas nega que tenha tentado achacá-lo. A seguir, a íntegra da resposta de Luis Nassif.


***


Luis Nassif


‘O padrão Veja de difamação’, copyright Blog do Luis Nassif, 13/07/08


‘Na série ‘O Caso de Veja’ dou inúmeros exemplos da metodologia da Veja para assassinar reputações.


Vamos conferir mais um exemplo didático de como a revista procede, através do colunista incumbido dos ataques mais irresponsáveis: Diogo Mainardi.


Segundo ele, movi uma campanha de achaques contra o ex-Secretário de Segurança Saulo de Castro Abreu, por ter recusado o patrocínio a um seminário do Projeto Brasil.


O que Mainardi diz ter são emails com propostas de patrocínio da Dinheiro Vivo à Secretaria de Segurança Pública e a afirmação de que movi uma campanha contra Saulo por não ter conseguido o patrocínio.


Vamos juntar peças, datas e circunstâncias da maneira correta.


Em 2004 o Projeto Brasil tentou montar um Seminário de Segurança Pública. Não conseguiu por falta de patrocinadores. O comercial ainda tentou patrocínios de última hora mas não foi possível. Por ser tema relevante, tentamos no ano seguinte. Para os dois eventos foram enviadas propostas de patrocínio a dezenas de empresas e entidades, incluindo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. A proposta de patrocínio incluía visibilidade dos ANÚNCIOS do Fórum publicados na Folha – espaço que consegui em permuta com o que recebia do jornal.


Nada se conseguiu. O que não foi impedimento para que houvesse o Seminário em 28 de abril de 2005.


Foi um belíssimo Seminário ao qual compareceram os seguintes palestrantes: Walter Fanganiello Maierovitch, Ib Teixeira (pesquisador da FGV), Maíra Rocha Machado (professora da Escola de Direito da FGV-SP), Maria Lucia Fatorelli Carneiro ( Presidente da Unafisco), Ítalo Morelle (Juiz de direito), Marcelo Itagiba (Secretaria de Segurança Pública do RJ) e… Saulo de Castro Abreu (Secretaria de Segurança Pública de SP). Saulo compareceu, fez uma boa palestra, disputou holofotes com Marcelo Itagiba, do Rio, e confirmou a imagem de um Secretário eficiente, que seria destruída no ano seguinte pelos eventos do PCC.


É crível achar que ele compareceria a um evento no qual se sentiu achacado?


O que ocorreu depois?


Um ano depois, escrevi quatro colunas com críticas a ele. Repito: um ano depois. Foram as seguintes colunas::


1. Em 16 de maio de 2006, quando estoura o caso PCC: Um dia de cão.


2. Em 26 de maio de 2006: O PSDB e a centro-esquerda, onde ele é mencionado em apenas uma linha: ‘a política de segurança de Saulo de Castro Abreu/Geraldo Alckmin, com toda sua dose de ineficiência’


3. Em 31 de maio de 2006, O Homem Errado, onde se analisam os problemas internos de segurança do governo Alckmin a partir de conversas com dois Secretários: Nagashi e o Secretário da Segurança Alexandre Mores. Era um artigo em defesa de Nagashi e contra as truculências de Saulo. Conheço Nagashi há anos e tenho uma relação de profundo respeito por ele. Mesmo assim, me baseei na avaliação de dois secretários – dele e de Moraes – para poder julgar melhor o comportamento de Saulo.


4. Em 14 de julho de 2006, Lembo no Reino dos Espertos, critiquei as explicações de Saulo para o caso PCC.


Todas essas colunas estão na íntegra na aba Colunas do Nassif, neste endereço: clique aqui.


A maneira como Mainardi escreveu sugere que, do nada, passei a criticá-lo como represália. Como é inepto e só sabe repetir o que lhe sopram, não lhe passou pela cabeça o básico: analisar se as críticas que eu fiz eram isoladas e sistemáticas (o que poderia caracterizar campanha) ou se estavam dentro de um contexto muito mais amplo. Depois dos ataques do PCC e dos desencontros da segurança paulista, qual era a imagem de Saulo?


Vamos conferir quais os episódios em que Saulo estava envolvido e quais as críticas que recebia de outros articulistas da Folha, e da própria Folha em editorial.


Todos esses artigos estão armazenado neste endereço: clique aqui.


1. Matéria de 7 de junho de 2006 mostrando como Saulo levou 70 policiais fardados para ocupar o auditório da Assembléia.


2. Em 7 de junho de 2006, matéria sobre Saulo na Assembléia, ironizando deputados e não explicando ataques ao PCC.


3. Em 13 de junho de 2006, uma comissão independente responsável pela investigação de 492 mortes violentas ocorridas em São Paulo, defendeu a demissão de Saulo.


4. Em 7 de julho de 2006, deputados estaduais entram com representação contra Saulo.


5. Em 8 de julho de 2006, editorial da Folha: ‘Perto do descontrole’ .


6. Em 13 de julho de 2006, ONG denuncia que torturas levaram à eclosão da guerra do PCC.


7. No mesmo dia, artigo de Plínio Fraga, do Rio, dizendo que ‘Na questão, têm sobrado homens, carros, omissão, incompetência e arrogância -quesito no qual o secretário Saulo de Castro Abreu Filho dá contribuição só equivalente à de Marcola, o pseudointelectual do PCC ‘ . E Mercadante e Quércia defendendo a saída de Saulo.


8. Em 14 de julho de 2006, Clóvis Rossi defende a demissão sumária de Saulo.


9. Em 15 de julho de 2006 já se analisava a necessidade da entrada do Exército.


10. Em 8 de agosto de 2006, matéria relatando atentado do PCC em 18 cidades.


11. Em 9 de agosto de 2006 matéria informando que 300 carros da PM ficaram parados no pátio por falta de peças de reposição.


12. Em 10 de agosto de 2006, matéria da Folha dizendo que políticos do PSDB e do PFL estavam pressionando Lembo para permitir a entrada de tropas federais.


13. Em 12 de agosto de 2006, matéria de Rogério Gentile, Editor de Cotidiano da Folha, acusando o governo de São Paulo pelo crescimento do PCC.


14. Em 16 de agosto de 2006, várias entidades que representam meios de comunicação acusando autoridades estaduais e federais de descoordenação.


15. Em 31 de agosto de 2006, matéria mostrando que Saulo criou atrito com a cúpula da Polícia Militar e com o Ministério Público.Em 10 de novembro de 2006, Saulo denunciado por desacato, por episódios ocorridos na AL, que critiquei no meu Blog.


Veja bem, foi uma pesquisa rápida e apenas em um jornal, a própria Folha.


Comentário


Entrei em contato com a Folha para saber essa história de Mainardi – de que Otávio Frias Filho teria lhe dito que fui demitido por ter achacado Saulo. Otávio está em local incerto e não sabido, com a família, em período de luto por conta do falecimento de sua mãe. Estou aguardando contato dele.


Mais Saulo


16. Em 04.08.2007 Delegado cai após ‘reciclar’ investigação


Matéria falando de delegado, e enfatizando que era ligado a Saulo.


17. Em 02.08.2007, Por 3 anos, SP errou estatísticas de crime


Denunciando manipulação de estatísticas na gestão Alckmin-Saulo


18. Em 03 de maio de 2007 Assalto a bancos foi o dobro do divulgado


19. Em 19 de outubro de 2006, SP diz não saber o que ocorreu com os 600 presos por atentados


20. Em 19 de outubro de 2006, Folha pede dados desde o início de agosto sobre a Secretaria e nao recebe.


21. Em 6 de abril de 2006: Pelo menos 44 funcionários ficaram feridos no motim, que só acabou após intervenção da PM. Febem enfrenta 1ª rebelião na gestão Lembo.


A Febem afirma que os internos se rebelaram ‘em solidariedade’ a um grupo que estava de castigo (isolados) após tentativa frustrada de fuga. Os rebelados, ainda de acordo com a Febem, exigiram a demissão de um dos diretores. Já as entidades de direitos humanos afirmam que o motim foi conseqüência de agressões recentes.


(…) A gente esperava que essa rebelião fosse acontecer a qualquer momento. Estão tirando jovens do circuito médio e colocando no grave’, disse uma funcionária da unidade 14, que preferiu não se identificar.


22. Em 2 de abril de 2006: Quadrilha faz arrastão em prédio em Moema.


23, Em 1 de abril de 2006: Secretário critica vítima de arrastão:


Mantido em uma das pastas mais criticadas do governo tucano, o secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, afirmou ontem, ao ser questionado sobre os recentes arrastões em prédios de luxo da capital, que há muitos infratores, como ‘doleiros’ e ‘vendedores de jóias’, sendo roubados. ‘


24. Em 07 de abril de 2006, editorial da Folha criticando a violência nas prisões e a ofensiva contra os direitos humanos.


25. Em 13 de abril de 2006: Assassinato na Sé


Matéria sobre os mendigos assassinados e a promessa de Saulo de que tudo seria resolvido em trinta dias


26. Em 13 de maio de 2006: Primeiro Ataque do PCC


27. Em 14 de maio de 2006: Maior ataque do PCC faz 32 mortos em São Paulo.


Além disso teve o episódio do Saulo chamando a polícia para resolver uma questão com o dono de um restaurante, que provocou repercussões na época.


Pergunto: essa quantidade inédita de matérias negativas contra Saulo, reportagens, editoriais, colunas, decorriam de quê? Achaque coletivo ou porque o Secretário tinha metido os pés pelas mãos, tornando-se quase um imperador de São Paulo?’

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