Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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ENTRE ASPAS >

Mantega acusa mídia de ‘exagero’ sobre inflação

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 03/07/2008 na edição 492

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 3 de julho de 2008


 


ECONOMIA
Ribamar Oliveira


Mantega vê ‘certo exagero’ nas notícias sobre a inflação


‘O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que está havendo ‘um certo exagero’ da imprensa ao tratar o atual surto inflacionário. Para ele, ‘não há necessidade de alarmismo’, pois a inflação brasileira ‘subiu um pouquinho, de 1,5% a 2%’, menos que na maioria dos países, e a ‘situação está sob controle, com o governo tomando as medidas que são necessárias para combatê-la’.


Mantega assegurou que o governo não tomará medidas para ‘abortar o crescimento econômico’. Ele lembrou que a China e a Índia, mesmo com inflação maior que a brasileira, ‘estão mantendo o crescimento’.


Segundo Mantega, o governo fará ‘uma pequena desaceleração’, que permitirá uma expansão de 4,5% a 5% este ano.


‘É exagerado falar no dragão da inflação. Não estamos nesse ponto. Não chega a ser um monstro perigoso que pode causar maiores problemas. Esse tipo de análise causa um alarmismo que é fora de propósito. Há uma elevação (dos preços) sim, mas é moderada, de 1,5% a 2%’, disse o ministro, durante depoimento ontem na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, que durou mais de três horas.


Para Mantega, esse ‘alarmismo’ está causando ‘quase pânico’ na população. ‘Daqui a pouco, vamos ter donas de casas indo aos supermercados para fazer estoques de produtos. Eu digo a elas: não façam isso, pois a safra vai começar agora e muitos produtos vão cair de preço.’


Durante o depoimento, Mantega disse que o governo já adotou várias medidas para o controle da inflação, como a elevação do superávit primário (poupança para pagar parte dos juros das dívidas públicas) e da taxa de juros.


O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras e a instituição de depósito compulsório sobre as operações de leasing dos bancos reduziram, segundo o ministro, a expansão do crédito. Ele disse que o governo não tem meta para expansão do crédito, mas defendeu uma ‘desaceleração’ no atual ritmo de alta dessas operações.


O ministro da Fazenda disse que o atual governo ‘não cometerá os erros do passado’, pois não vai ‘asfixiar a economia’ para conter a inflação. ‘Não há motivo para isso porque o atual fenômeno (de subida dos preços) é controlado e não se trata de uma hiperinflação.’


O deputado Paulo Renato (PSDB-SP) disse que ficou mais preocupado com o problema da inflação depois de ouvir as palavras do ministro da Fazenda. Segundo ele, o problema central foi que o governo utilizou unicamente a taxa de juro e a valorização do real para controlar a inflação e não controlou a elevação dos gastos públicos, que está na raiz do problema. ‘Nós desperdiçamos os anos de vacas gordas e começamos agora os anos de vacas magras, sem nenhuma gordura’, disse o deputado tucano.


O deputado Antonio Palocci (PT-SP) saiu em defesa de Mantega e negou que o governo Lula tenha perdido ‘os anos de vacas gordas’. ‘As gorduras estão aí, deputado, pois o País acumulou US$ 200 bilhões em reservas.’ Segundo ele, o governo Lula poderia ter usado as reservas mas não o fez.’


 


 


CAMPANHA
O Estado de S. Paulo


ANJ defende rádio e jornal multados no RJ


‘A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) solidarizou-se ontem com o jornal O Debate e a Rádio 95 FM, de Macaé (RJ), multados pelo juiz eleitoral Sandro de Araújo Lontra por terem divulgado entrevista com o deputado federal Silvio Lopes Teixeira (PSDB). Na nota, assinada por seu vice-presidente, Júlio César Mesquita, a ANJ lembra que a decisão foi tomada no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revogou a regra que vinha sendo utilizada por outros juízes para tais decisões. E considera ‘inquestionável que a sentença’, contrária à Constituição, ‘será anulada em instância superior’.’


 


 


INTERNET
William Glauber e Rodrigo Pereira


Google abrirá 18 mil álbuns do Orkut


‘Representantes brasileiros do Google, que mantém a rede de relacionamentos Orkut, assinaram ontem, em Brasília, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que se comprometem a auxiliar no combate a crimes de pedofilia. Após mais de dois anos de disputa judicial, notificações do Ministério Público Federal (MPF) e convocações pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, a empresa cedeu e assinou o documento com o MPF e a SaferNet – ONG que encaminha denúncias contra crimes na internet. A pedido da CPI, o Google aprovou a quebra de sigilo de 18.330 álbuns suspeitos no Orkut.


Mais informações


O acordo prevê que o Google encaminhará ao MPF, com autorização judicial, dados sobre membros do Orkut após recebimento de denúncia de usuários e da SaferNet, que recebe 500 reclamações por dia. O Google deverá também armazenar essas ‘provas’ por seis meses, renováveis pelo mesmo período, em caso de decisão judicial. Antes, a empresa deletava os dados em 30 dias. Em 15 dias, o Google terá de avaliar as denúncias dos próprios usuários e encaminhar respostas às queixas. O descumprimento das cláusulas implicará multa diária de R$ 25 mil. O acordo rende à empresa a extinção de ação civil pública de agosto de 2006 por descumprimento de ordens judiciais para quebra de sigilos.


Em São Paulo, o presidente do Google no Brasil, Alexandre Hohagen, disse que a empresa vai implantar sistemas de filtro de imagens para coibir o compartilhamento de material de pedofilia no Orkut. Um banco de dados será criado e o material será notificado automaticamente ao MPF. ‘É como se cada imagem tivesse uma impressão digital. Elas serão identificadas e tratadas. O servidor consegue impedir que a imagem seja colocada no ar novamente’, explicou Hohagen.


Sem detalhar a tecnologia que será implantada no combate à pedofilia no Orkut, que só no Brasil conta com 27 milhões de usuários, Hohagen informou que uma combinação ‘complexa’ de hardware e software será criada para permitir o rastreamento de perfis suspeitos, como, por exemplo, o cruzamento de palavras-chave e códigos. A empresa vai promover uma campanha de educação.


O Google terá de cumprir a legislação brasileira sobre crimes virtuais. Antes, a cada notificação do MPF, a empresa argumentava respeitar a legislação dos Estados Unidos. Em relação a essa postura, Hohagen minimizou as queixas. ‘O Google sempre respeitou as leis brasileiras. Estamos sediados aqui, temos funcionários aqui.’


O procurador da República Sérgio Suiama comemorou o acordo, mas o considerou tardio. ‘Houve muita resistência. Na sexta-feira, demos um ultimato à empresa e só foi assinado depois de o representante ser convocado pela CPI. Por muito tempo, se recusaram a negociar. Imagine quantos pedófilos ficaram impunes’, disse. Segundo o MPF, 90% do conteúdo investigado está no Orkut. Das 624 apurações do MPF no ano passado, 420 referiam-se à pornografia infantil no Orkut.


Das 27.883 denúncias reportadas à SaferNet neste ano, 22.761 são do Orkut. Para o presidente, Thiago Tavares, o acordo ‘quebra paradigma ao obrigar o Google a seguir as leis brasileiras’. Membros da CPI disseram que o acordo abre precedentes. ‘Como se trata de empresa com atuação mundial, quando se mexe na lógica adotada em um país, isso causa impacto nas relações da empresa em outros países onde ela atua’, afirmou o senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI.


QUEDA-DE-BRAÇO


O ACORDO


O que o Google terá de fazer


Notificar automaticamente o Ministério Público Federal sobre abusos no Orkut e preservar dados


Desenvolver filtros e impedir a publicação de imagens impróprias


Ter comunicação direta com o MPF e fazer campanha educativa


O CASO


Março de 2006: Após denúncias de crimes, o Ministério Público cobra explicações do Google e pede a quebra de sigilo de comunidades do Orkut. No mês seguinte, a empresa promete colaborar


Agosto de 2006: O MPF entra com ação para obrigar o Google a pagar multa diária e indenização por não identificar internautas acusados de pedofilia e racismo. Deputados entregam à Embaixada americana relatório de denúncias. Na semana seguinte, usuários do Orkut começam a ser alertados sobre crimes no site


Setembro de 2006: O Google anuncia tecnologia para barrar conteúdos inadequados no Orkut


Setembro de 2007: A empresa retira do Orkut os links patrocinados – a ONG SaferNet, que luta contra crimes na web, apontou que as propagandas eram exibidas em comunidades com conteúdo criminoso, como pedofilia


Janeiro de 2008: O Google Brasil já acata ordens judiciais para a quebra de sigilo de suspeitos


Abril de 2008: O MPF entra com mais uma ação civil pública contra o Google Brasil. A empresa entrega à CPI da Pedofilia dados de 3.261 páginas suspeitas do Orkut e anuncia criação de filtros


Julho de 2008: O Google anuncia pacote antipedofilia no Brasil’


 


 


O Estado de S. Paulo


Microsoft volta a mostrar interesse no Yahoo


‘A Microsoft se prepara para uma nova investida nos negócios de busca do Yahoo. Para isso, abordou nos últimos dias outros grupos de mídia sobre o interesse de juntar-se a ela na oferta, segundo informações do Wall Street Journal. Segundo o jornal, a Microsoft manteve discussões com a Time Warner e a News Corp., entre outros grupos. No passado, a Microsoft já tentou um acordo no qual iria adquirir o serviço de busca do Yahoo e outro parceiro, como o MySpace, da News Corp., ou a AOL, da Time Warner, combinaria forças com o que restasse da empresa de internet.


Algumas pessoas próximas a essas discussões disseram que elas são preliminares e não devem resultar em um acordo com o Yahoo. De fato, há duas semanas, o presidente da Microsoft, Steve Ballmer, chamou o presidente do conselho do Yahoo, Roy Bostock, sugerindo uma reunião para discutir uma nova idéia envolvendo outros parceiros, disse uma fonte.


A reunião, agendada para segunda-feira, foi posteriormente cancelada pela Microsoft, o que o Yahoo entendeu como um sinal de que os esforços de Ballmer para encontrar um parceiro até o momento fracassaram.


PROPOSTA


A Microsoft, que fez no início do ano uma proposta para compra do Yahoo, posteriormente retirou a oferta por toda a empresa, após dificuldades de se chegar a um acordo sobre o preço – a Microsoft chegou a oferecer US$ 33 por ação, enquanto a direção do Yahoo exigia US$ 37 – e oposição dos próprios executivos e acionistas da Microsoft. A gigante do software, no entanto, acredita que adquirir apenas os negócios de busca do Yahoo é a maneira mais rápida de ganhar os ativos necessários para competir com o Google.


Enquanto isso, o Yahoo pode ter se mostrado mais ansioso do que inicialmente em vender a empresa inteira. Em meados de maio – semanas após a Microsoft ter retirado a sua oferta – o Yahoo se ofereceu para ser vendido por cerca de US$ 33 por ação, um preço que o próprio site de busca havia rejeitado anteriormente, disseram pessoas próximas das discussões ao Wall Street Journal. A Microsoft rejeitou a iniciativa.


Segundo as fontes, o Yahoo permanece cético sobre a viabilidade de um acordo que quebraria seu principal negócio de busca, mas a empresa permanece aberta a qualquer proposta da Microsoft. O Yahoo anunciou em 12 de junho uma parceria de anúncios em páginas de busca com o Google, com o objetivo de impulsionar a sua receita.’


 


 


RÁDIO COMUNITÁRIA
Bruno Paes Manso


Rádios comunitárias começam a ser legalizadas após 20 anos


‘Com uma vitrola e grandes cornetas amarradas em um poste, anunciando para a comunidade as datas das reuniões de moradia, distribuição de leite e vagas em creche, a Rádio Heliópolis começou a funcionar na zona sul em maio de 1992. Em 2006, com antena, transmissor e 50 voluntários no batente, a rádio teve todo os equipamentos apreendidos pela Polícia Federal e ficou um ano fechada.


No Tucuruvi, em 1996, o padre Dorvalino Silva, da Paróquia Santa Joana D?Arc, comprou um transmissor, antena e microfones para dialogar com moradores e tocar músicas. Quatro anos depois, foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto, proibido de sair do Estado por mais de oito dias e tendo de fazer visitas mensais à Justiça. Fechou a rádio no ano 2000.


Após quase 20 anos atuando na clandestinidade, 72 associações comunitárias em São Paulo devem ter suas rádios legalizadas para transmitir de 45 pontos espalhados por toda a cidade, dez anos depois de ter sido sancionada a lei que regulamenta a radiodifusão comunitária no Brasil.


A primeira autorização chegou em maio, levada a Heliópolis pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Outros seis processos aguardam a assinatura do ministro para que as rádios sejam legalizadas. A expectativa de entidades do setor é que todas as rádios estejam funcionando até o final do ano.


‘No dia-a-dia, não existem grandes mudanças com a legalização, a não ser o fato de que agora não estamos mais na mira da polícia’, avalia Cláudia Neves Pires, diretora da Rádio Heliópolis. Os desafios em obter recursos permanecerão os mesmos. A rádio consegue R$ 400 mensais em apoio cultural, o que nem sempre é suficiente para arcar com as despesas. ‘Mesmo assim, trata-se de uma vitória importante.’


Para que cada rádio pudesse ser regularizada, as associações de bairro enfrentaram um longo e burocrático processo de seleção. Em setembro de 2006, o Ministério das Comunicações recebeu a documentação de 153 rádios que desejavam se habilitar. Foram aprovadas 117, para 33 pontos na cidade. Iniciaram-se conversas entre associações e o ministério para se chegar aos 45 pontos em São Paulo. Cada ponto deve estar a uma distância de quatro quilômetros um do outro, para que não ocorra interferência. As associações preteridas voltaram a conversar entre si para combinar transmissões em conjunto, o que aumentou o total de entidades beneficiadas.


As 72 entidades que aguardam a regularização foram escolhidas segundo o número de assinaturas colhidas na comunidade local, o que desagradou às entidades que militam no setor. ‘Todas as 117 rádios deveriam buscar a composição, em vez de competirem. Ficaram de fora do processo rádios que, apesar de não terem assinaturas suficientes, eram importantes para as comunidades. O diálogo seria importante para que todas pudessem se beneficiar’, avalia o jornalista Sérgio Gomes, diretor da Oboré e representante no Brasil da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc).


Todas as rádios funcionarão em um único canal – o 198, freqüência 87,5 MHz no dial -, com antenas que poderão ter no máximo 30 metros de altura e transmissor capaz de alcançar 25 watts de potência. Dessa maneira, cada rádio consegue atingir distância máxima de um quilômetro. As rádios ainda não podem ter publicidade e devem funcionar por meio do apoio de entidades culturais locais, situadas nessa faixa de um quilômetro.


FORÇA-TAREFA


Na segunda semana de junho, uma força-tarefa composta pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Polícia Militar Ambiental e Polícia Federal deu um passo importante para abrir caminho para a transmissão das rádios comunitárias em São Paulo. Em um ponto escondido da Serra da Cantareira, na zona norte, em mata fechada, fechou a Rádio Samba, que, apesar de pirata, era uma das mais populares de São Paulo. Vendia espaço para comercial de empresas que compravam cheques protestados e limpavam nomes sujos na praça.


Operando com 2.500 watts de potência, cobria toda a região metropolitana de São Paulo, alcançando até Cotia. Para piorar, a rádio atuava justamente no canal 198 ou na freqüência 87,5 MHz, o mesmo a ser disponibilizado para as rádios comunitárias. Apenas uma locutora da rádio foi encontrada no dia da batida policial. Houve interrupção do sinal e apreensão de equipamentos. Assim como aconteceu outras vezes, contudo, nada impede que a rádio volte a funcionar de novo esconderijo.’


 


 


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Interferência é um dos problemas


‘As acusações mais freqüentes feitas às rádios clandestinas são as de transmitirem com alta potência, causando interferência nas rádios legalizadas e na comunicação entre pilotos de aviões e controladores de vôos. Outro ponto comumente lembrado é o fato de muitas pertencerem a grupos políticos ou religiosos e se destinarem a fins comerciais, e não de prestação de serviços à população das regiões onde são sintonizadas, o que justificaria a denominação de ‘rádio comunitária’.


Em novembro passado, a Prefeitura encontrou, pela primeira vez na capital, uma rádio pirata que utilizava um satélite para transmissões. A Rádio Nacional Web 101.3, fechada pela administração, funcionava na Avenida Paulista, o que surpreendeu os fiscais, já que a maioria das piratas interditadas nos meses anteriores estava na periferia. O sinal dessa rádio interferia na comunicação dos Aeroportos de Congonhas e Guarulhos, e seu transmissor tinha potência suficiente para que o sinal fosse captado até em Santos, Campinas e no Vale do Paraíba.’


 


 


CINEMA
Luiz Zanin Oricchio


A ficção que nasceu de uma crônica de jornal


‘Onde Andará Dulce Veiga?, quem diria, nasceu de uma crônica de jornal, aliás do Caderno 2, escrita por Caio Fernando Abreu em 1987. Intitulada então de Onde Andará Lyris Castellani?, o texto deu origem a um roteiro de cinema, a um romance e, por fim, ao longa-metragem que agora está em cartaz, dirigido pelo amigo de Caio, Guilherme de Almeida Prado. Onde Andará Dulce Veiga? é o quinto longa de Guilherme, cineasta que tem em A Dama do Cine Shangai seu maior sucesso. A seguir, trechos da entrevista de Guilherme ao Estado.


Gostaria que você relembrasse um pouco dessa origem do filme, com início na crônica.


Acho que foi muito enriquecedor porque acabou incorporando toda uma vivência de amizade entre o Caio e eu. Conhecia o Caio, mas não era amigo dele quando li a crônica Onde Andará Lyris Castellani? no Estadão. Já admirava o universo literário do Caio, mas era apenas conhecido e não amigo do Caio. O roteiro nasceu da crônica e da própria experiência do Caio como jornalista. O roteiro não agradou à Embrafilme na época. O Caio escreveu o livro pensando em ajudar a alavancar o projeto, mas veio o Collor e o projeto foi para a gaveta. Saiu graças ao laboratório do Sundance, que me ajudou a dar roupa nova e atual para o filme.


Em termos da sua filmografia, como você coloca o Dulce Veiga? Como um filme mais simples, mais linear que os anteriores, em especial A Hora Mágica? Lembro que você disse que seus filmes eram mais bem apreciados quando revistos.


Acho Dulce Veiga muito mais popular que A Hora Mágica. É meu filme mais parecido estruturalmente com Flor do Desejo, mas agora pude realizar melhor o que tinha apenas esboçado antes. Dezenas de pessoas já assistiram a Dulce Veiga duas vezes e algumas três e vieram me dizer que tinham gostado mais da segunda do que da primeira e mais ainda da terceira. Isso me deixa muito feliz. Acho que faz parte do meu estilo de contar estórias. Faço filmes que possam ser vistos mais de uma vez. Acho até que eles precisam ser vistos mais de uma vez para serem totalmente compreendidos e apreciados. Se for escolher uma lista dos meus filmes prediletos, de muitos deles não gostei à primeira vista. Foi o caso de Cidadão Kane, que numa primeira leitura achei confuso e sem emoção. Na segunda vez comecei a achar que havia alguma coisa interessante. Já o assisti mais de 30 vezes e sempre encontro algo novo e surpreendente.


Uma vez você disse que a sua obra é como meditação sobre os limites entre realidade e ficção.


Acho que o tênue limite entre a realidade e a imaginação é a tela onde pinto todos os meus filmes. A realidade está nos olhos do observador. Por isso desconfio tanto dos documentários. Sinto que os filmes documentários estão ficando cada dia mais parecidos com a linguagem dos antigos filmes de ficção, enquanto os de ficção tentam roubar sua autenticidade, imitando os documentários. Desconfio da sinceridade de ambos. Prefiro assumir a ficção e resgatar a verdade única que se encontra dentro de cada um de nós.


Como você vê a sua proposta no quadro do atual cinema brasileiro?


Eu não sei como me definir. Tenho aversão a rótulos, porque que eles servem mesmo é para domar e restringir a expressão e o talento. Sonho com um cinema brasileiro moderno e não-colonizado. Temos de investir em linguagem própria, em buscar a nossa verdadeira identidade cinematográfica, sem nenhum preconceito, nem preconceitos cinematográficos. A maioria dos filmes brasileiros que eu tenho visto, quando acabam me deixam uma pergunta no ar: ‘E daí?!?!?!’ Até o Linha de Passe do Walter Salles tem esse problema no final. Os filmes parecem que não têm mais argumento, apenas um pretexto. Sinceramente (com a exceção de alguns verdadeiros e bons documentários), não consigo ver esse cinema de ficção com empenho social. A não ser que você considere Tropa de Elite um filme com cunho social, o resto para mim tudo é filme ‘e daí?’’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


CQC volta a Brasília


‘A liberação do CQC, da Band, para gravar no Congresso Nacional deve abrir as portas para outros humorísticos, como Pânico e Casseta, pintarem por lá.


Após encabeçar uma campanha e um abaixo-assinado que recolheu 300 mil assinaturas para retomar seu acesso ao Congresso, o CQC conseguiu permissão da Secretaria do Senado para voltar a gravar nas dependências da Casa Legislativa.


Ontem mesmo, Rafinha Bastos – que foi expulso da Câmara há dois meses – voltaria a Brasília para pegar o credenciamento que lhe permitirá circular no local, podendo, enfim, gravar o desfecho da campanha.


A alegação da Câmara para vetar as gravações do CQC por lá é que se trata de programa humorístico, e não jornalístico, fato rebatido pela Band, uma vez que boa parte dos integrantes da atração é jornalista.


Essa pode ser a mesma ‘brecha’ alegada por Pânico e Casseta & Planeta, que têm jornalistas em seus times e já foram expulsos durante gravações internas no Congresso e na Câmara.


‘Realmente, livres, enfim. Um pouco bizarro comemorar o fim da censura em pleno 2008, mas foi isso’, fala Marcelo Tas, âncora do CQC.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 3 de julho de 2008


 


LEI SECA
Janio de Freitas


A lei bêbeda


‘A TV, OS JORNAIS e as rádios estão induzindo a opinião pública a enganos em série, a propósito da lei ilegalmente bêbeda e dos efeitos desatinados que já provocou em sua primeira semana. Como aperitivo: se as polícias não dispõem de detectores de álcool capazes de captar a dosagem que a lei passa a proibir nos motoristas, as tantas centenas de presos e os milhares de incomodados em blitz não o foram em razão da nova lei, mas da antiga. E, outra vez, não por causa da nova lei, mas só por haver, a pretexto da inovação, a fiscalização que nunca houve.


Os números de vítimas fatais do trânsito repassados à opinião pública, fator de apoio à lei bêbeda, são inverdadeiros. Tanto os modestos 35 mil como os 50 mil mais citados, e qualquer outro montante, fariam referência, na melhor hipótese, a mortos no lugar do acidente. Dos 400 ou 500 mil feridos, ou quantos sejam, não é conhecido o número dos que vêm a morrer, por decorrências do acidente, apesar de algum socorro. Nem mesmo o número dos mortos em hospitalização com o registro de acidente de trânsito incorpora-se, como deveria, ao chamados mortos do trânsito.


Muito simples: o Brasil não sabe quantas são as vítimas do trânsito. Os números citados são bastantes para apoiar providências contra tantos acidentes, mas insuficientes para justificar a imprecisão divulgada.


A queda nacional de 25% na venda de bebidas em bares e restaurantes, no fim de semana, não é para ser acreditada. Divulgado em TV e rádio já na terça-feira, o índice teria sido apurado em um só dia, a segunda-feira, em âmbito nacional, pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. Convenhamos que seria um exagero de organização para os nossos bravos ‘pés-sujos’ e pés-limpíssimos.


Mais grave é a impressão difundida de que todos devem se sujeitar ao propalado rigor da nova lei. Muito ao contrário. Isso que estão chamando de ‘lei seca’ é seca de inteligência, de fidelidade à Constituição e de respeito aos cidadãos. A partir deste último despropósito, pode alguém ficar detido por meia hora, uma hora, apesar dos seus compromissos e da correta condição legal, até que desapareça do hálito o mínimo sinal de que ingeriu algum álcool -em xarope contra tosse, em higiene bucal, em um peixe ao vinho branco? Já se soube de alguém -uma criança que seja- com perda de percepção e controle motor por ingerir um ou dois bombons licorados? É possível acreditar que um chope ou uma taça de vinho na refeição seja causa de acidente?


Diante de admissões assim idiotizadas pela nova lei, mas ampliadas pelos meios de comunicação, a muitos têm ocorrido essa constatação definitiva sobre o produto gerado no Congresso: pode-se ser até preso por beber uma taça de vinho ou uma latinha de cerveja no jantar fora, mas a mesma lei não promete aborrecimento a quem dirigir, sem se meter em acidente, depois de consumir cocaína, ecstasy, crack e outros entorpecentes.


A opinião pública não está sendo educada, está submetida a intimidação (o processo considerado educativo nas ditaduras). Nas centenas de pessoas presas a pretexto da nova lei, a regra para a maioria foi, por certo, a submissão a abuso de autoridade. Os relatos policiais não se referem àquelas centenas como causadores de acidentes por uso de álcool. Foram presos por ter ingerido álcool. Vários juristas (na Folha, por exemplo, o professor Luiz Flávio Gomes) e mesmo chefes policiais, como o delegado Tabajara Novazzi, apontam implicações da nova lei contrárias à Constituição, como a produção de provas contra si ou, se recusada, a prisão e outras penalidades. São vozes, porém, que mal chegam como sussurros à opinião pública, subestimadas pelos meios de comunicação em favor da lei bêbeda.


É pouco conhecida, também, a realidade que leva à aprovação de monstrengos no Congresso: está mais do que provado que a grande maioria vota sem sequer saber no que está votando, apenas obediente à direção do líder de bancada, a um pedido de colega ou, como merece ser dito, de araque mesmo. São votações bêbedas de leviandade.’


 


 


Josimar Melo


Lei seca é demagógica e gera corrupção


‘A nova lei sobre bebida no trânsito tem o enorme mérito de aumentar as penas para os bêbados ao volante, que devem ser punidos severamente. Mas tem um lado lamentável -a equiparação dos que bebem social e moderadamente (por exemplo, numa refeição) com os meliantes.


Era preciso isso para que houvesse uma real fiscalização contra os bêbados ao volante, que com seus ziguezagues e arrancadas tresloucadas são tão visíveis?


Antes o nível aceitável no Brasil já era rigoroso, equiparável a países da América do Norte e da Europa. Nestes, há tolerância com níveis moderados de bebida alcoólica no trânsito, mas não com bêbados. É por isso que nos Estados Unidos, no Canadá, na Inglaterra as pessoas são muito comedidas ao beber quando vão dirigir: porque sabem que o excesso será punido de verdade.


No Brasil, optou-se pela demagogia. Não é ainda a proibição total do álcool, mas é um belo passo: a lei dos sonhos dos moralistas, dos fanáticos religiosos, dos que sonham com uma humanidade conformada, careta e muito bem amestrada (típico destas leis de ‘tolerância zero’, como a política fascistóide do ex-prefeito Rudolph Giuliani, de Nova York: ‘atire antes e nem pergunte depois’, pois a população em seu curral é por definição criminosa, o grande pai deve decidir por ela).


A bolsa de corrupção já deve estar bombando (as cotações começando em R$ 1.000), pois toda norma exagerada estimula a propina.


E, como os fatos já mostram, o rico bêbado continua atropelando e ficando solto, o caminhoneiro pobre fica em cana quando é pego.


Mais uma lei que livra a cara dos ricos, joga água no moinho da caretice e sequer garante que, depois do show midiático, será realmente efetiva para coibir o verdadeiro problema -não o bebedor responsável, mas o bêbado criminoso que já deveria estar sendo contido, mas nunca foi. Será agora?’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


EUA e o apoio específico


‘A home do ‘New York Times’ deu como enunciado ‘Reféns na Colômbia são resgatados’ e, abaixo, ‘Funcionários dizem que EUA estavam envolvidos no resgate, que libertou Ingrid Betancourt e três americanos’. Só foi mencionar a ação dos ‘comandos colombianos, segundo reféns e autoridades colombianas’, na reportagem. Ainda assim, sublinhou que ‘os EUA estiveram envolvidos no planejamento da operação e providenciaram ‘apoio específico’, de acordo com a Casa Branca’, que evitou ‘descrever a natureza do apoio’. O porta-voz de George W. Bush afirmou que o almirante James Stavridis, que chefia o Comando Sul, voltado à América Latina, tomou parte do ‘planejamento’. E que Bush ‘foi mantido informado do planejamento’ e depois ligou ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e o congratulou como ‘um líder forte’.


À OPINIÃO PÚBLICA


O ministro de defesa entrou ao vivo na TV colombiana para ‘comunicar à opinião pública nacional e internacional o seguinte: em operação planejada e executada por nossa inteligência militar, foram resgatados Ingrid Betancourt, os três soldados norte-americanos e 11 membros de nossa força pública’. Os sites do colombiano ‘El Tiempo’ e dos franceses ‘Le Monde’ e ‘Le Figaro’ reproduziram o teor e o tom -além do vídeo, ‘incorporado’ do YouTube.


POR QUE, JOHN MCCAIN?


Antes do anúncio do resgate, a home do ‘Washington Post’ perguntava, no alto: ‘Por que John McCain está na Colômbia?’. E descrevia como o candidato republicano, ontem no ‘Good Morning America’, ‘se mostrou defensivo’, correndo a ‘se explicar’. Segundo o ‘NYT’, ele passou a noite na casa do presidente Álvaro Uribe em Cartagena. E amanheceu nos sites, em foto num barco militar, elogiando o ‘progresso substancial’ do Plano Colômbia.


KARL ROVE, O RETORNO


A manchete no site do ‘NYT’ e de outros, ontem ao longo do dia inteiro, foi para John McCain e sua decisão de mudar a cúpula da campanha. Entra como chefe, agora, Steve Schmidt, marqueteiro que estava também no comando da campanha de reeleição de George W. Bush, ‘trabalhando diretamente com Karl Rove’. A escolha ‘é só o sinal mais recente da influência crescente’ do grupo de Rove, ele que ‘ofereceu conselhos nos últimos dias’.


O PODEROSO


Nem resgate nem McCain. A manchete do dia para Drudge Report, Huffington Post e outros foi o perfil que o ‘NYT’ adiantou ontem. É de Rush Limbaugh, célebre radialista, de contrato novo (US$ 400 milhões) e confirmando que vai, sim, combater Obama


DONA RUTH


Larry Rohter deixou por um dia a cobertura de McCain e Obama e escreveu no ‘NYT’ o obituário de ‘Dona Ruth’, como chama a ‘antropóloga que fez carreira como uma das intelectuais e feministas mais respeitadas do Brasil antes de relutantemente se tornar sua primeira-dama’’


 


 


IMPRENSA NA JUSTIÇA
Folha de S. Paulo


Juiz do Piauí extingue ação de fiel da Universal contra a Folha


‘O juiz Carlos Barbosa Dias, do Juizado Especial Cível e Criminal de Parnaíba (PI), extinguiu ação de danos morais contra a Folha e a jornalista Elvira Lobato proposta por Leandro Pereira da Silva, que alegou ter ‘sofrido ofensas’ com a reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, publicada em dezembro de 2007.


‘A notícia, na forma publicada, não ofende diretamente a pessoa do autor, não tem a intenção de atingir a honra do autor como pessoa física’, entendeu o magistrado.


Já foram 40 sentenças proferidas, todas favoráveis à Folha, de um total de 98 ações movidas por fiéis.’


 


 


DOWNLOAD
Elvira Lobato


Baixar arquivo na internet pode virar crime


‘Projeto de lei sobre crimes eletrônicos, ou cibercrimes, em tramitação adiantada no Senado, pode levar à criminalização em massa de usuários de internet que baixam e trocam arquivos (músicas, textos e vídeos) sem autorização do titular.


Esse é o entendimento de seis professores da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas, em parecer conjunto divulgado no Rio. Segundo eles, as conseqüências iriam além do âmbito da internet. Pela amplitude da redação, poderia haver conseqüências até para donos de celulares que desbloqueiam seus aparelhos. O Brasil tem 130 milhões de celulares.


Assinam o parecer os advogados Ronaldo Lemos, Carlos Affonso Pereira de Souza, Pedro Nicoletti Miozukami, Sérgio Branco, Pedro Paranaguá e Bruno Magrani, fundadores do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV.


O projeto de lei foi aprovado pelas comissões de Assuntos Econômicos e de Constituição e Justiça do Senado, no mês passado, e está em fase de recebimento de proposta para votação em plenário.


O mesmo projeto já causara polêmica em 2006, quando especialistas e provedores de acesso à web reagiram contra a obrigatoriedade de identificação prévia dos internautas nas operações com interatividade, como envio de e-mails, que burocratizaria a rede.


O texto foi modificado, mas novos questionamentos estão sendo feitos. O parecer dos professores da FGV sustenta que os artigos 285-A e 285-B do projeto, que tratam dos crimes contra a segurança de sistemas informatizados, atingem ações triviais, praticadas por milhares de pessoas, na internet, e criam um instrumento de ‘criminalização de massas’.


O artigo 285-A qualifica como crime -com pena de reclusão de 1 a 3 meses e multa- ‘acessar rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado sem autorização do legítimo titular, quando exigida’.


Segundo o professor Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, as pessoas poderiam ser condenadas por desobedecer a termos de uso criados por particulares.


‘Cada ‘legítimo titular’ decide quais são os termos de autorização e passa a ser dele o papel de preencher o conteúdo da lei penal. A violação passa a ocorrer de acordo com condições subjetivas e com interesses específicos, dando margem para abusos de direito’, afirma o parecer dos professores.


MP3


Segundo Ronaldo Lemos, ao se referir a ‘rede de computadores’, ‘dispositivos de comunicação ‘ e ‘sistema informatizado’, o projeto engloba não só computadores mas reprodutores de MP3, aparelhos celulares, tocadores de DVD, sistemas de software e até conversores de TV digital, além de websites. Nessa linha, segundo ele, o projeto alcançaria até o desbloqueio de celular.


Os professores alegam que nenhum país criminaliza o acesso a informações na internet de forma tão ampla. ‘A legislação mais próxima ao que se propõe foi adotada nos EUA, que criminalizaram o ato de quebrar ou contornar medidas de proteção tecnológica. Mas nenhuma criminalizou o próprio acesso’, diz o parecer.


O artigo 285-B qualifica como crime, também sujeito a reclusão de um a três anos, e multa ‘obter ou transferir dado ou informação’ sem autorização do legítimo titular.


Os professores da FGV propõem a exclusão ou a mudança do texto dos dois artigos. Querem que só sejam considerados crime o acesso e a transferência de informações na internet se feito por meio fraudulento e com a finalidade de obter vantagem para si ou para outrem.


Vigilância


Um terceiro artigo do projeto de lei -o artigo 22- também está sendo questionado tanto pelos provedores de acesso à internet quanto pelos professores da Escola de Direito da FGV do Rio de Janeiro. Ele cria a obrigação para os provedores de informar, sigilosamente, às autoridades indícios de prática de crime de que tenham tomado conhecimento.


Para os professores da FGV, o artigo cria um sistema de delação e de vigilância privada sobre os internautas, na medida em que os provedores estariam obrigados a informar os casos em que -de acordo com suas próprias convicções- haveria indício de crimes.’


 


 


***


Relator diz que alvo são fraudadores


‘O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), relator do projeto de lei sobre os crimes cibernéticos, contesta o parecer dos professores da Fundação Getulio Vargas. Segundo sua assessoria, os alvos do projeto são os fraudadores que invadem as redes de computador para disseminar vírus, capturar informações e dar golpes, e não haveria risco para os demais internautas.


Já o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que fez o parecer favorável na Comissão de Assuntos Econômicos, disse à Folha que pode propor mudanças no texto se a assessoria do Senado concordar com os argumentos dos professores.


‘A alma da internet é a liberdade de expressão, e isso não pode ser perdido. Mas acho que é preciso criar legislação que assegure os direitos e os deveres na internet. O projeto prevê novos crimes, como inserção ou difusão de vírus. Hoje, o cidadão está indefeso contra eles.’


O senador Azeredo disse, via assessoria, que a proposta de combate aos crimes cibernéticos é o fruto de consenso entre os senadores, o Ministério da Justiça, as autoridades policiais e especialistas de diversas áreas.


Azeredo afirmou que o texto foi aprovado pelas comissões de Educação, Ciência e Tecnologia, Assuntos Econômicos e de Constituição e Justiça e que foi debatido em duas audiências públicas no Senado, em uma audiência na Câmara, em reuniões técnicas e em seminários.’


 


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Microsoft busca aliados por Yahoo!, diz jornal


‘A Microsoft está conversando com outras empresas, como a Time Warner e a News Corp., para fazer uma nova investida pelo Yahoo!, disseram pessoas envolvidas nas negociações ao ‘Wall Street Journal’. A News Corp. é proprietária do jornal econômico americano.


Caso as negociações avancem e elas façam uma oferta pelo Yahoo!, essas empresas dividiriam a companhia de tecnologia e a Microsoft ficaria com o setor de buscas. Essa área é importante para a Microsoft para que ela possa tentar competir com o Google, que domina o mercado de buscas na internet nos EUA.


No entanto, o ‘Wall Street Journal’ afirmou que as negociações estão em estágio preliminar e que é ‘improvável’ que elas resultem em acordo com o Yahoo!. Ainda assim, as ações do Yahoo! subiram 3,37% em um dia negativo para as Bolsas americanas. Já os papéis de Microsoft e Google caíram 3,68% e 1,44%, respectivamente.


As negociações entre Yahoo! e Microsoft começaram em fevereiro, quando a empresa de Bill Gates e Steve Ballmer ofereceu mais de US$ 40 bilhões pela rival. Depois de meses de recusas e novas investidas, o Yahoo! encerrou, em junho, as negociações e se aliou ao Google.’


 


 


Simone Iglesias


CPI da Pedofilia abre sigilo de 22,7 mil páginas do Orkut


‘A CPI da Pedofilia aprovou ontem a quebra de sigilo de 22.761 páginas do Orkut com possível conteúdo pedófilo.


Esses perfis e comunidades serão investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Com a aprovação da CPI, o Google é obrigado a fornecer dados dos proprietários das páginas e do conteúdo, para identificar supostos criminosos. Em abril, a comissão quebrou o sigilo de outras 3.261 páginas que já são investigadas.


A CPI também possibilitou o fim de uma disputa judicial que ocorre desde 2005 entre o Google e o Ministério Público Federal de São Paulo, por falta de cooperação da empresa no repasse de informações dos usuários do site Orkut suspeitos de pedofilia.


Foi assinado um termo de ajustamento de conduta em que o Google se compromete com 13 medidas, entre elas, armazenar, por até um ano, dados de internautas, conteúdo dos perfis, comunidades do Orkut e logs (arquivos) de acesso para que sejam utilizados pela polícia. A empresa fará ainda filtro do material a ser publicado, já que hoje não existe controle.


A partir de hoje, quando passa a valer o acordo, quem publicar imagens de pedofilia no Orkut passará a ser tratado como suspeito e investigado pela polícia. ‘A privacidade continua garantida aos usuários que utilizam o Orkut para o bem. Os que usam para o mal terão as informações repassadas’, disse o presidente da empresa no Brasil, Alexandre Hohagen.


Ele disse que não houve má vontade em cooperar, mas disse que o acesso a informações privadas é um tema complexo.


‘O Orkut é uma terra sem lei, onde agem pedófilos, traficantes, nazistas. Foi necessária a atuação da CPI para pôr fim a impasses históricos’, disse o procurador Sérgio Suiama, do Ministério Público Federal de São Paulo e responsável pela pressão para que o Google tivesse maior controle sobre o conteúdo do Orkut.


A empresa também se comprometeu a reformular o setor de atendimento ao consumidor, que fica obrigado a responder às reclamações de usuários prejudicados pela criação de perfis falsos ou ofensivos.


O Google receberá da ONG SaferNet denúncias de material pedófilo para que retire o conteúdo criminoso do ar e informe ao Ministério Público Federal quais contêm indícios de pornografia infantil, racismo e outros crimes. O site tem de preservar as provas. Se a empresa não cumprir as medidas do acordo, terá que pagar multa diária de R$ 25 mil.’


 


 


TABLÓIDE
Folha de S. Paulo


Jornal ironiza barriga e cigarro de Ronaldo


‘O atacante Ronaldo foi comparado a uma cantora e apresentadora de TV inglesa grávida de quatro meses por sua péssima forma física -para os padrões de um atleta- na edição on-line do ‘The Sun’, o mais popular tablóide inglês.


O site do jornal britânico publicou também uma foto do jogador de cueca e fumando um cigarro durante um passeio de barco em Ibiza, na Espanha, onde o atacante brasileiro passa férias com a namorada.


‘Uma é a bela ex-vocalista de uma banda de meninas esperando seu segundo filho. O outro já foi considerado o melhor jogador de futebol do mundo. Ainda assim, eles agora podem trocar suas roupas’, afirma o tablóide, comparando a barriga de Ronaldo com a de Louise Redknapp, ex-integrante do grupo Eternal.


Sobre a estadia de Ronaldo na Espanha, o ‘Sun’ ironiza o ‘descanso’ do atacante, que acaba de ter seu contrato com o Milan encerrado.


‘A estrela brasileira Ronaldo está se recuperando em Ibiza após ter sofrido uma lesão séria em fevereiro, enquanto jogava pelo Milan. Ainda que circular em um iate com uma cueca Calvin [Klein] minúscula e um cigarro na mão não seja exatamente o que os médicos do clube [de futebol] italiano tinham em mente’, afirma a reportagem, que aparece em uma seção chamada ‘Bizarro’.


O jornal ainda faz uma última comparação maldosa entre Ronaldo e David Beckham, afirmando que o jogador inglês não precisa se preocupar em perder seu contrato com a marca italiana Armani.


Ontem, o Milan mostrou interesse em renovar o contrato de Ronaldo, que se recupera da mais uma operação no joelho.


Mas condicionou isso à recuperação física do atacante.


‘Para ser sincero, ele precisa perder peso. Tem de treinar duro e se preparar, fazer sacrifícios’, declarou Adriano Galliani, vice-presidente e homem forte do poderoso clube italiano. Já o ‘Fenômeno’ afirma que só vai definir seu futuro após recuperar a condição de jogo, o que só deve acontecer próximo do final deste ano.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


‘Favorita’ perde um SBT e derruba Globo


‘‘A Favorita’ fechou junho com média de 35,2 pontos na Grande São Paulo, 10,2 a menos do que sua antecessora, ‘Duas Caras’, registrou em maio. Foi o pior primeiro mês de novela das oito em todos os tempos.


É normal uma novela dar menos audiência do que o último mês da anterior, mas não tanto assim. A Globo perdeu, com a trama de João Emanuel Carneiro, em apenas um mês, o equivalente a mais do que o ibope do SBT (8,1 pontos) no horário nobre (das 18h às 24h).


O mau desempenho de ‘A Favorita’ teve impacto em toda a programação da Globo. A emissora líder computou em junho média diária (das 7h às 24h) de 17,1 pontos na Grande SP, a menor desde dezembro passado (15,9). Dezembro é tradicionalmente o pior mês em audiência para as emissoras. No horário nobre, a Globo caiu 8% em relação a maio.


‘A Favorita’ não é vista como uma novela ruim. É uma novela tradicional, como as que se faziam nos anos 70. Perdeu público justamente para ‘Os Mutantes’, da Record, que é vista como ruim, mas inovadora.


Apesar dos números, a cúpula da Globo se diz otimista com ‘A Favorita’. Nos bastidores, porém, já surgem sinais de descontentamentos. Há críticas à escalação de Claudia Raia, uma atriz cômica, para o papel da vilã Donatela e ao grande espaço dado ao jornalista Zé Bob, cujo intérprete, Carmo Dalla Vecchia, é amigo íntimo do autor.


ENIGMA Funcionários do SBT estão queimando neurônios tentando entender o que Silvio Santos quis dizer, no programa do último domingo, ao afirmar que ‘tem gente que vale mais morto do que vivo’. Ele se referia a si mesmo e às suas filhas, a quem chamou de ‘megeras domadas’ que um dia ‘vão mandar ainda muito mais’ na emissora.


EFEMÉRIDE Blogs especializados em TV paga protestaram, anteontem, pelo primeiro aniversário de séries dubladas no canal Fox.


RESGATE Ex-diretor de programação da Band, Rogério Gallo foi convocado para tentar salvar o programa de Daniella Cicarelli, que não emplacou no Ibope. Em agosto, Gallo assume a direção do ‘Quem Pode Mais?’.


PENEIRA A Globo investiga indícios de vazamento de informações consideradas sigilosas em vários departamentos. Todas teriam ido parar na Record.


MOVIMENTO 1 Os grupos Abril, Band e Record entregaram anteontem uma série de reivindicações ao deputado Jorge Bittar (PT-RJ), relator do PL-29, que pretende reordenar o setor de TV paga.


MOVIMENTO 2 Os três grupos querem que os pacotes de TV paga tenham cota de 30% para canais nacionais, com um mínimo de quatro e máximo de 12. Ou seja, um pacote com 30 canais teria que ter até nove brasileiros. Pedem também que cada grupo econômico ocupe no máximo 25% dessa cota (de um a três canais), o que desagrada à Globo.’


 


 


Leandro Fortino


Prêmio Multishow sofre de conflitos da adolescência


‘O Prêmio Multishow de Música Brasileira chegou à sua 15ª edição com os conflitos de um adolescente nessa idade. Entre os indicados, poucos artistas novos e várias figuras manjadas de suas edições anteriores deram aquela sensação de ‘já vi esse filme’.


E viu mesmo. Mais uma vez Ivete Sangalo foi a grande premiada da noite (melhor cantora e DVD, o ‘Ao Vivo no Maracanã’), mais uma vez Vanessa da Mata levou melhor música (‘Boa Sorte/ Good Luck’).


Os únicos que nunca haviam levado nenhum prêmio do canal pago foram, obviamente, os indicados a artista revelação. A banda Strike saiu vitoriosa nessa categoria, que foi abocanhada no ano passado pelo fenômeno fonográfico NX Zero.


A banda paulista conquistou os prêmios de melhor grupo e, pasmem, melhor cantor, para Di Ferrero, desbancando medalhões como Caetano Veloso.


É claro que não se pode desconsiderar o fato de que todos os artistas foram indicados e escolhidos pelos espectadores do Multishow. Mas entregar a decisão aos fãs dos artistas dá no que deu: só os grandes vendedores de CDs, sem surpresas, levaram as estatuetas.


Neste ano a festa foi comandada por Lázaro Ramos, que correspondeu bem à tarefa de entreter a platéia durante os intervalos da transmissão.


Boas idéias surgiram e foram bem exploradas. Interpretando ‘Fullgás’, os indicados ao prêmio revelação dividiram o microfone para cantar o hit de Marina (o resultado foi bem melhor que a patética homenagem a Lulu Santos). ‘Eu mereço’, afirmou, sem modéstia, o cantor em decadência.


Também funcionou a piada de colocar sósias das indicadas a melhor cantora escondidas no meio da platéia (a drag queen escolhida para ser Ana Carolina roubou o show).


Talvez o maior problema do evento foram os apresentadores de prêmios, todos supercariocas. Em uma festa para a música brasileira, faltaram sotaques regionais. E, pior, sem roteiro, eles não falaram nada de interessante. Essa total falta de assunto mostra que a nossa música precisa de gente nova. E, se depender novamente da votação popular, muito pouco deverá mudar em 2009.’


 


 


Folha de S. Paulo


Especial vê bastidores de ‘Hamlet’


‘De volta ao teatro depois de ter virado celebridade, Wagner Moura chamou para si todas as atenções ao produzir e estrelar ‘Hamlet’, em cartaz na Faap, em SP, até setembro. Ciente de que isso aconteceria, sua mulher, a fotógrafa Sandra Delgado, pegou uma câmera e ficou perto desde o começo, no Rio.


O resultado é o documentário ‘Além Hamlet’, de pouco menos de 50 minutos, que estréia amanhã no Multishow trazendo os bastidores da peça, dirigida por Aderbal Freire-Filho.


‘Ser ou não ser, eis a questão… A frase mais falada do teatro, agora na voz do ator mais falado do Brasil’, diz a diretora, sem escapar do clima de adoração que permeia o making of.


Moura fala da ‘concretização de um sonho’. ‘Pela primeira vez, estou produzindo uma peça, chamando as pessoas com quem sempre quis trabalhar e fazendo esse texto, que eu namoro desde que tinha 15 anos.’


Mas Delgado ainda tenta dar algum espaço ao resto do elenco, em valiosos momentos de ensaio. ‘Quero os personagens íntimos meus. Você fica com uma relação de ser humano pra ser humano. Não é assim: ‘Estou aqui e agora entrei em cena’… É a intimidade desse personagem que você tem que trazer, dele enquanto pessoa humana. É o que te faz desmistificar e trazer [o personagem] humanamente para a cena’, ensina o veterano Tonico Pereira.


ALÉM HAMLET


Quando: amanhã, às 22h45 (classificação indicativa não informada)


Onde: no Multishow’


 


 


CULTURA
Folha de S. Paulo


Disputa por patrocínio municipal vai à Justiça


‘Uma briga na Justiça se anuncia em torno do concurso que a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo promove para patrocinar longas de ficção (com R$ 5,6 milhões).


‘Chega! Basta! É tudo tão estranho… A única coisa que posso fazer, no momento, é recorrer legalmente’, afirma a produtora Van Fresnot.


Fresnot anuncia que recorrerá para reaver a vitória do longa ‘Andar às Vozes’, de Eliane Caffé, que ela produz.


‘Andar às Vozes’ é um dos quatro filmes que haviam vencido a disputa, mas foram eliminados, anteontem, por ter suas filmagens realizadas fora de São Paulo. A trama de Caffé se passa em Belém.


Anulação


O resultado original do concurso, anunciado no último dia 14, foi anulado pelo secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, no sábado passado.


Ao divulgar o cancelamento da decisão do júri, a secretaria disse, em nota, que constatara a existência de ‘vícios no processo de avaliação dos projetos’.


Um dos jurados da disputa, que teve 55 longas inscritos, era o distribuidor Jean-Thomas Bernardini (Imovision). Ele possui contrato para lançar dois dos filmes vencedores.


A presidente do júri é a poeta Renata Palottinni. Os demais membros são o escritor João Silvério Trevisan, o diretor da Cinemateca Brasileira, Carlos Magalhães, e o jornalista Alcino Leite Neto, da Folha.


Cineastas preteridos denunciaram à secretaria que a presença de Bernardini no júri era irregular e exigiram a impugnação do resultado. Reclamaram ainda do fato de que quatro dos vencedores seriam filmados fora da cidade e que o quinto suplente, ‘LB Persona’, de Galileu Garcia, caracteriza-se como documentário.


O edital, para patrocínio a longas de ficção, estabelece que ‘somente serão selecionados projetos com vínculos culturais com a cidade de SP’.


‘O edital não prevê a obrigação de filmar em São Paulo’, aponta a produtora Sara Silveira, que tem dois filmes entre os vencedores (‘É Proibido Fumar’, de Anna Muylaert, e ‘Trabalhar Cansa’, de Marco Dutra e Juliana Rojas -distribuído pela Imovision), e um entre os eliminados, ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’, de Esmir Filho, que será rodado no Rio Grande do Sul. O longa de estréia de Filho, diretor do premiado curta ‘Alguma Coisa Assim’, era o primeiro suplente da lista original.


‘Vínculo cultural o que é? O diretor é paulista, pago todos os impostos aqui, pago todo o elenco aqui. Se, por uma questão artística e criativa, a história se desloca para outro lugar, o filme não perde os vínculos com São Paulo’, diz Silveira.


O produtor Sérgio Martinelli (‘LB Persona’) atribui o imbróglio do concurso à atuação da Apaci (Associação Paulista de Cineastas), que reúne aproximadamente 80 diretores.


‘A gente está vivendo em São Paulo a ditadura da Apaci. Tudo quanto é edital é assim. Se os apacianos não ficam contentes com o resultado, começam a bater pé e fazer fumaça’, diz.


Gustavo Steinberg, vice-presidente da entidade, diz que ‘a Apaci é uma reunião de diretores que defendem seus interesses, assim como qualquer associação de qualquer área’. Ele diz que, ‘neste caso específico, a Apaci nem se manifestou, porque depende da atuação coletiva da classe e vários associados haviam ganho o concurso’.


Martinelli diz que ‘LB Persona’ é um docudrama. Garcia o vê como documentário sobre Lima Barreto [1906-82] e seu filme ‘O Cangaceiro’ (1953), grande êxito da companhia Vera Cruz e, paradoxalmente, raiz de sua falência. A Vera Cruz sonhou (em vão) em fazer cinema no país em moldes industriais. ‘Um grande assunto, para um grande filme’, diz Garcia.’


 


 


***


Secretaria dá assunto por encerrado


‘O secretário municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil, não atendeu os pedidos de entrevista sobre o concurso de patrocínio a longas-metragens -feitos pela Folha desde quinta-feira passada- porque considera o assunto resolvido e superado, de acordo com sua assessoria de imprensa.


A pasta avalia que cumpriu sua obrigação de corrigir um erro na realização de concurso público, que o novo resultado está dentro da lei e que não deve responder a eventuais insatisfações de quem não foi contemplado.


À Folha, a secretaria se manifestou sobre o episódio apenas em nota. Texto divulgado na sexta passada confirmou a anulação do concurso, oficializada no ‘Diário Oficial’ no dia seguinte, e a reconvocação do júri. Uma segunda nota divulgada ontem continha a lista com os novos vencedores.’


 


 


 


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