Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > JORNAL DA IMPRENÇA

Moacir Japiassu

24/02/2004 na edição 265

"Abusado diretor de nossa sucursal cearense, Celsinho Neto parece disposto a encarar uma briga com dois cachorros grandes:

‘As pessoas que compõem a equipe do Lula e do partido dele, o PT, precisam, urgentemente, voltar para os bancos escolares para novamente estudarem geografia do Brasil. Veja esta beleza publicada no informativo eletrônico do PT, o Linha Aberta:

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta quarta-feira, famílias desabrigadas na cidade pernambucana de Juazeiro. Ele anunciou que as ações do governo para ajudar os desabrigados ocorrerão em duas etapas.

A primeira com a chegada de remédios, alimentos, abrigos e água potável para as pessoas que sofreram prejuízos com as enchentes. A segunda, com o trabalho do governo na reconstrução das casas.’

Pernambuco, pelo que sei, não tem nenhuma cidade chamada Juazeiro. Lula visitou Juazeiro da Bahia, conforme foi amplamente noticiado pela imprensa.

No mesmo dia o Jornal da Globo fez outra confusão geográfica, dizendo que Lula havia visitado a cidade de Juazeiro do Norte, na Bahia.

Ora, Juazeiro do Norte fica no sul do Ceará, Região do Cariri; é aquela onde existe uma estátua do ‘padre atômico’, Cícero Romão Batista.

Esses novos mapas geográficos desenhados pela equipe do Lula e pela cabroeira do Jornal da Globo certamente deverão estar incluídos no Atlas distribuído no programa Inteligência Zero.’

O misterioso Bezerra

Nossa considerada leitora Mariana Galiza passava os olhos pelo site do Correio Braziliense e se interessou pela materinha cujo título anunciava:

Comerciante é vítima de seqüestro relâmpago no Lago Norte

16h50 – Uma comerciante foi vítima de seqüestro relâmpago na manhã desta segunda-feira, em Brasília. Socorro Aparecida Souza da Silva, de 37 anos, moradora da chácara 97, trecho 7, do Setor de Mansões Norte, Lago Norte, estava em casa quando dois homens armados entraram e anunciaram o assalto. ‘Eles procuraram dinheiro com ela, mas não encontraram. Então levaram a vítima, que se encontrava sozinha, e o carro dela’, explica Bezerra.

Ainda de acordo com o agente, ao chegar na altura do Piscinão de Ramos, também no Lago Norte, eles abandonaram Socorro da Silva e seu carro sem levar nada. Ainda não há suspeitos do crime. O caso será investigado pela 6ª DP.

Mariana achou que faltava alguma coisa: ‘Não sei se estou ficando louca, mas… QUEM É BEZERRA?!?!’.

Janistraquis examinou o texto, concluiu que Bezerra deve ser agente da 6ª DP, porém arregalou os olhos: ‘Considerado, mais esquisito é esse Piscinão de Ramos do Lago Norte…’.

Poesia arretada

Acorrei, nefelibatas, à melhor poesia jovem do Brasil! Está no blog do poeta pernambucano-paraibano Astier Basílio, conhecido como o ‘Arquipoeta das Borboremas’: http://astierb.blog.uol.com.br/.

Censura braba

Nosso considerado Kazumi Kusano, editor do jornal Itapevi Agora (Grande São Paulo), leu à página 45 da indispensável (edição nº 1839, de 4 de fevereiro):

‘A região [fronteira do México com o Arizona] é toda cercada por censores de movimento espalhados no solo e torres com câmeras de raios infravermelhos.’

Censores!!! Janistraquis concorda com você, Kasumi: o governo americano colocou agentes de plantão na fronteira com o México, só para censurar os brasileiros desbocados que tentam entrar clandestinamente no país.

Chamem o responsável!

Jorge Ribeiro Neto, considerado colaborador desta coluna e que andava mais sumido que Antônio Carlos Magalhães, enviou esta lá de Indaiatuba, progressista cidade do interior paulista:

Deu no Correio Popular, de Campinas:

Cerca de 40 assegurados do Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS).

A matéria começa assim, é mole? Primeiro, ‘enriquecem’ nosso idioma com esta nova palavra, assegurados; depois, erram na definição da sigla, que é Seguro Social!!!.

E o revisor?? E o editor??’

Nem pergunte, Jorginho, nem pergunte…

Pelo menos…

Sob o título Chuvas deixam 66 mortos e 15 mil desabrigados no País em janeiro, nosso considerado leitor Felipe Barreto leu no IG:

‘Segundo dados da Defesa Civil Nacional, outras 90 pessoas ficaram feridas e 21 estão desaparecidas. Além disso, mais de 2 mil casas foram destruídas, deixando pelo menos 15.053 pessoas sem ter onde morar.’

Felipe, diligente estudante de jornalismo, desconfia de que o IG não prestou bom exemplo ao jornalismo:

‘Caro Janistraquis, fiquei meio encucado com esta notícia; como assim, pelo menos 15.053 ? Põe 15 mil logo, ó gajo!’

Xadrez furado

Carlos Vinicius Nogueira Duarte, considerado que reconhece ser enxadrista amador (e dos ruins), deixa o tabuleiro de lado e escreve a Janistraquis:

Veja na capa da revista Galileu deste mês esta chamada:

A maçã colocada em CHEQUE

Que raio é isso? Será que algum banco adotou o logotipo em forma de maçã para estampar nos talonários dos clientes?

E o pior é que insistiram no tal CHEQUE também no índice…

A matéria trata apenas de estudos questionando a lei da gravidade. Será que o considerado poderia dar um CHEQUE MATE na Editora Globo?

Janistraquis diz, ó Carlos Vinícius, que botar a maçã no cheque não é nada; pior é botar o cheque na mão do Valdomiro Diniz…

Deu água

A propósito da notinha intitulada Rio Cheio, que saiu na coluna de 5/2, nosso diretor paulistano, Daniel Sottomaior, competente engenheiro, esclarece:

‘Houve um falso alarme de erro, que também é um erro. Metros cúbicos são unidades de volume, assim como qualquer outra medida de comprimento cúbica. Um decímetro cúbico, por exemplo, é o volume de um cubo de lado igual a um decímetro — e corresponde a um litro.

Como vazões são medidas de volume escoado por tempo, metros cúbicos por segundo são unidade perfeitamente admissível de vazão, ao contrário do que afirmou a coluna.

Mas, sem querer, seu colaborador acabou expondo um outro mau uso de unidades. O texto original dizia que ‘o nível do Rio São Francisco subiu para oito mil metros cúbicos por segundo’, o que não faz sentido, pois o nível de um rio se mede em unidades de comprimento. Em metros, por exemplo.’

Abuso

Companheiro de Ariano Suassuna na cruzada nacional contra a avacalhação do nosso idioma, o diretor da sucursal brasiliense desta coluna, Roldão Simas Filho, denuncia o abuso do inglês nas denominações de edifícios e lojas em Brasília:

‘O Setor Comercial Norte é um espanto total. Além dos mencionados Trade Center, American Office Tower e Central Park há o Number One, o xópingue Liberty Mall, o Corporate/Financial Center e outros.

Nem adianta procurar; não se encontra UM com nome na nossa língua.

A praga se espalha pelos nomes dos hotéis. Não é que temos um Hotel St. Paul? E mais o Blue Tree Park, o Carlton, o Manhattan, o Metropolitan Flat e o incrível Quality Hotel & Suítes Lakeside.

Engraçado é Ribeirão Preto (SP) que tem um Hotel Black Steam…’

Nota dez

O mais meritório texto da semana, intitulado ENSINO SUPERIOR — A universidade e as corporações, saiu no Observatório da Imprensa, assinado por Victor Gentilli. Leiam o texto integral aqui:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a_universidade_e_as_corporacoes.

‘(…)A rigor, ninguém ainda conhece o modelo com que o governo pretende realizar a anunciada ‘reforma da universidade’, mas conviria entender por que as atuais instituições de ensino não aumentam vagas, não oferecem mais ensino noturno etc. As instituições públicas de ensino superior estão sem recursos, sem professores há mais de uma década. Por conta disso, as vagas para o ensino superior foram aparecer nas novas instituições privadas. Essas instituições vão agora oferecer também vagas públicas. Mas não são esses os cursos que o ministro diz que quer parar de abrir?(…)’

Errei, sim!

‘ACESSOS DE LOUCURA – Manchete de capa do Caderno B do Jornal do Brasil: Micofonados n’faniquitos. Janistraquis não entendeu mas considerou altamente obsceno. Tratava-se, todavia, dos fricotes do roqueiro Axl Rose, personagem encantador, capaz de provocar acessos de loucura na platéia e na Imprensa’. (fevereiro de 1993)"

BRASIL EM PORTUGAL
O Globo

 

"Portugal terá jornal para brasileiros", copyright O Globo, 18/02/04

"Começa a circular amanhã, em Portugal, o semanário ‘Correio do Brasil’. Editado pelo grupo Independente Global, que é responsável também pelo jornal ‘O Independente’, a nova publicação tem como público-alvo os quase cem mil brasileiros que vivem em Portugal.

O jornal vai tratar dos assuntos que marcaram a semana na vida brasileira, incluindo política, economia, cidadania, viagens, esportes, esoterismo, culinária, cinema, teatro, livros, televisão, música e internet.

A nova publicação também vai contar histórias de gente de sucesso, com portugueses no Brasil e brasileiros em Portugal, além de acontecimentos curiosos ocorridos nestes 504 anos de História.

Inicialmente, o jornal terá a tiragem de 20 mil exemplares e será distribuído em todo o território português, em todos os vôos da TAP e em aeroportos. O ‘Correio do Brasil’, que irá para as bancas todas as quintas-feiras, custará um euro.

A campanha de lançamento do jornal português está no ar, com spots de rádio e televisão (numa parceria com o GNT Portugal). Um CD de música brasileira, editado pela gravadora Som Livre, será distribuído gratuitamente para os leitores, junto com o primeiro número do ‘Correio do Brasil’."

RÚSSIA
Steven Lee Myers

 

"Russos só vêem na TV o que o Kremlin quer", copyright O Globo, 18/02/04

"Do New York Times – MOSCOU. Faltavam poucos minutos para as 17h e o noticiário estava para começar na TV estatal russa, há alguns dias. O âncora da Vesti, Mikhail Antonov, ainda sem estar maquiado, tinha que decidir cortar uma reportagem sobre protestos na Letônia ou um acidente de trem em Chicago. Estava fora de questão cortar o que quase sempre abre o noticiário, sendo interessante ou não.

– Se não há notícias obviamente muito importantes, começamos com o presidente Putin – disse Antonov, do canal estatal Rússia.

Esta é a situação da TV estatal na Rússia hoje. Mais de 12 anos depois do fim da União Soviética, o que os russos assistem, especialmente nos noticiários, continua a se sujeitar ao único indicador que conta no país: a opinião do Kremlin.

Um resultado disso tem sido o modo bajulador com que o presidente Vladimir Putin é retratado. Cada vez mais as TVs estão sofrendo comparações com as antigas transmissões soviéticas e isto vem gerando alertas de que o controle estatal se tornou um dos maiores obstáculos para uma sociedade democrática.

– É tudo propaganda – afirmou Irina M. Khakamada, uma dos seis concorrentes de Putin na eleição presidencial de 14 de março e que praticamente não aparece no único meio de comunicação que alcança todo o território do país.

Observadores internacionais criticaram TV nas eleições

Nas semanas que antecederam as eleições parlamentares em dezembro, os programas de notícias fizeram uma cobertura extremamente positiva do partido leal a Putin, o Rússia Unida. Observadores internacionais citaram a mídia tendenciosa quando criticaram a eleição.

Todas as redes de TV nacionais são agora de propriedade do Estado ou controladas por corporações estatais, incluindo a NTV, que era crítica ao governo mas foi comprada em 2001 pela Gazprom, a estatal de gás.

No estúdio da Vesti naquela noite, assim que a introdução acabou, a abertura da transmissão não foi com apenas uma, mas duas reportagens sobre o dia de Putin: um encontro com o presidente do Banco Central e outro com o ministro do Exterior italiano."

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