Domingo, 08 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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ENTRE ASPAS >

Morre controverso colunista político Robert Novak

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 19/08/2009 na edição 551


Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 19 de agosto de 2009 


 


EUA


Folha de S. Paulo


Morre colunista Bob Novak, que desvelou agente da CIA


‘O conservador Robert Novak, um dos mais famosos colunistas políticos dos EUA, morreu ontem em sua casa em Washington, aos 78 anos, devido a um câncer no cérebro.


Controverso, ele ganhou notoriedade mundial ao revelar, em 2003, o nome da ex-agente secreta da CIA Valerie Plame, que obteve de fontes do governo do ex-presidente George W. Bush (2001-2009).


A intenção do governo ao vazar o nome foi aparentemente ‘queimar’ Plame para se vingar de seu marido, o embaixador americano Joseph Wilson, que acusou Bush de distorcer informações sobre uma suposta compra de urânio pelo ditador Saddam Hussein para justificar a invasão do Iraque.


Apesar de ter criticado a guerra no Iraque, Novak foi o primeiro jornalista a divulgar o nome de Plame -vários outros receberam a informação do governo, mas não a publicaram.


O escândalo que se seguiu gerou uma longa investigação federal (é crime para um membro do governo dos EUA revelar a identidade de um agente da CIA). Lewis ‘Scooter’ Libby, então chefe de gabinete do ex-vice-presidente Dick Cheney, foi condenado por perjúrio e obstrução de Justiça, apesar de as verdadeiras fontes de Novak terem sido Richard Armitage, ex-subsecretário de Estado, e Karl Rove, assessor de Bush.


Após o episódio, Novak lamentou que o Plamegate se tornaria ‘para sempre parte de sua identidade pública’.


Ele achava que já tinha escrito textos mais importantes -entre eles, uma entrevista com o líder comunista chinês Deng Xiaoping e várias colunas sobre o caso Watergate.


Antes do escândalo, Novak era conhecido como um anticomunista radical e direitista linha-dura. Sua coluna de notícias e intrigas políticas, dividida por 30 anos com Rowland Evans, era publicada em cerca de 300 jornais dos EUA, inclusive o ‘Washington Post’ e o ‘Chicago Sun-Times’. Depois da aposentadoria de Evans, em 1993, Novak seguiu sozinho.


Apelidado de ‘príncipe das trevas’ por seu pessimismo, o colunista era também figura frequente em canais como a CNN e, desde 2005, a conservadora Fox News.


‘Ele era uma instituição de Washington’, afirmou em nota ontem o líder republicano no Senado, Mitch McConnell.’


 


 


TELEVISÃO


Jorge da Cunha Lima


A crise e a crise das televisões


‘A TELEVISÃO vive uma crise de destino, porque não se sabe quem vai ficar com o trono, se ela ou o filho bastardo, que é a internet. Vive uma crise de conteúdo, tanto as públicas quanto as privadas.


A TV comercial optou pelo rebaixamento de qualidade causado pela concorrência que disputa a audiência total e universal.


A TV pública está perplexa, com o bom-mocismo inato e o fascínio pela comercial. Não tem coragem de ousar, de confirmar a diferença e pôr as fichas na vanguarda criativa.


Com pouco dinheiro, incompreensão crônica dos poderes, padrões antigos de gestão, produção e criação, peso burocrático da saudade e falta de jovens criadores, não consegue a audiência mínima e se perde de si mesma. Seu prestígio perante a opinião pública foi obtido com a prática obstinada da independência política e editorial e com a programação infantil.


Dirigi a TV Cultura por nove anos, presidi a Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais), que conscientizou as televisões públicas, defendi essa independência e, ainda assim, não consegui fazer o que reclamo. Por quê?


Porque tive medo de virar a mesa.


TV pública é televisão para os cidadãos. Melhor dizendo, para o projeto de cidadania embutido no coração democrático das sociedades.


Isso pressupõe produzir informação analítica nos telejornais. O telespectador não merece o arremedo de espetáculo policial em que se transformou o noticiário. O cidadão merece compreender. Um jornal aberto, como fizemos no TV MIX da Gazeta, produzindo e gerindo os acontecimentos com a câmara na mão, a inteligência no olhar e a poesia na alma. A programação cultural não precisa de verniz nem de vernissage. Precisa de luz, de coragem, de 50 Zé Celsos por ano e de, pelo menos, um Rimbaud por década.


Na educação, não precisamos ‘curricular’ mais ninguém, mas transmitir educação superior e complementar para todas as classes, hoje igualmente mal-educadas, sobretudo para a classe C, que, nas pesquisas, tem se mostrado aberta e esforçada para alcançar uma pós-graduação humanística, presencial ou à distância. Praticamos juntos na Cultura, durante cinco anos, o jornalismo público, mas com timidez. Nossos melhores quadros migraram ou foram demitidos, e o jornalismo público virou guia encalhado de boas intenções.


‘Jornalista sem cultura será sempre um foca’, já dizia meu guru Claudio Abramo, e ‘Jornalista que não acredita na matéria deveria ficar tomando café na Redação’, bradava Samuel Wainer, meu segundo guru. Repórter cultural que pergunta para Lygia Fagundes Telles ‘O que é que a senhora faz, mesmo?’ merece a resposta que ela deu: ‘Minha filha, faço crochê e, quando tenho um tempinho, escrevo’.


Fiz a divulgação dos produtos não consagrados no mercado comercial da arte, mantive uma orquestra da fundação, mobilizei um grupo cultural para apurar as coisas numa reunião semanal, defendi a autonomia, criei cursos para o público interno, mas João gostava de Maria, que gostava de José, que gostava de Lúcia, que não gostava de ninguém.


A luz apagou, a orquestra fechou, e o enorme peso da instituição quase me transformou num busto.


Hoje, creio que a solução seria a implosão radical das grades de programação, com a introdução de faixas segmentadas de audiência, mas capazes de abrir janelas para os curiosos. Oferecer o mais alto nível para todas as classes, sem a falsa pressuposição de que as classes C e D querem lixo. A segmentação na TV pública é temática, e não de classes sociais. Acredito que a televisão pública ainda é o melhor antídoto contra a televisão nenhuma que se avizinha no horizonte.


Amaldiçoar a TV Brasil, legalizada sob princípios primorosos elaborados pelo campo público da televisão, só porque seu conselho descarrilou de um trilho mal pregado ou porque a programação, como em toda televisão brasileira, vive a crise precoce do envelhecimento beira o farisaísmo.


Da mesma forma, as 20 televisões estaduais existentes lutam para ter a cara e o caráter da televisão pública, apesar das oligarquias que as pretendem televisões estatais.


A TV Cultura, na pesquisa que realizei para escrever o livro dos 40 anos, evidenciou o quanto é uma instituição necessária. Mostrou-se ainda indestrutível, como serviço de utilidade pública mental, na ditadura, na transição democrática e na democracia globalizante. A universidade virtual, seu mais recente projeto de educação à distância, vai marcar a educação digital no Brasil.


Se lamento pelo que ainda não se pode fazer pela televisão pública brasileira -e mesmo na TV pública latino-americana-, eu e centenas de trabalhadores do campo público da televisão educativa, universitária e comunitária nos orgulhamos da obsessão proclamada em torno e em defesa da televisão pública.


JORGE DA CUNHA LIMA , 77, jornalista, escritor e poeta, é presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta e vice-presidente do Itaú Cultural.’


 


 


Daniel Castro


Globo estica ‘Paraíso’ para salvar estreia da sucessora


‘A Globo decidiu prolongar em uma semana a duração de sua atual novela das seis, ‘Paraíso’, que recuperou a audiência do horário. A novela rural tinha seu último capítulo marcado para 25 de setembro. Será agora em 2 de outubro.


Mais do que aproveitar o bom momento de ‘Paraíso’, a Globo quer evitar que a substituta, ‘Cama de Gato’, tenha um lançamento prejudicado.


É que a próxima novela das oito, ‘Viver a Vida’, estreia em 14 de setembro (inicialmente, seria no feriado da Independência). Se ‘Cama de Gato’ entrasse no ar no dia 28, teria apenas duas semanas de chamadas. Além disso, um eventual tropeço de ‘Viver a Vida’ poderia provocar uma avalanche de chamadas da nova novela das oito, o que ofuscaria o lançamento da nova das seis.


Consultada anteontem, Edmara Barbosa, responsável pela adaptação de ‘Paraíso’ (o texto original é do pai dela, Benedito Ruy Barbosa), concordou. ‘Estou fazendo um esforço para conseguir mais uma semana. Estou revendo os capítulos’, disse ontem.


‘Paraíso’ reverteu a curva descendente das novelas das seis da Globo. Desde 2005, as produções só caíram no Ibope, uma mais do que a outra. Sua antecessora, ‘Negócio da China’, amargou média de 20 pontos na Grande São Paulo, a pior da história, quase a metade que ‘Alma Gêmea’ (2005): 39.


Na Grande SP, ‘Paraíso’ tem até agora média de 25 pontos. Mas seu desempenho é melhor em outras capitais. Em Florianópolis, Salvador e Recife, a média acumulada é de 38 pontos. Na média nacional, tem 29.


INVESTIMENTO 1


O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tornou-se sócio da TV Esporte Interativo, empresa de direitos esportivos que mantém um canal aberto em antenas parabólicas e exibe futebol europeu na TV Gazeta.


INVESTIMENTO 2


O banco público adquiriu 15% do capital da Esporte Interativo, que agora irá se dedicar também a esportes olímpicos.


DESCONFORTO


Em seu blog, o repórter Ogg Ibrahim se justificou sobre reportagem em que defendeu a Igreja Universal e atacou a Globo, no ‘Jornal da Record’: ‘Ao contrário do que muitos pensam, não tenho nada contra a emissora [Globo] e nunca tive’.


PONTO VOADOR 1


Internautas devem desculpas a Karyn Bravo, que desde a semana passada divide a bancada do ‘SBT Brasil’ com Carlos Nascimento. Colocaram no YouTube vídeo em que afirmam que a jornalista perdeu um dente no ar, anteontem.


PONTO VOADOR 2


Os dentes de Karyn continuam impecáveis. O que caiu foi o ponto eletrônico que ela usava no ouvido esquerdo. O equipamento era provisório, menor do que a orelha da moça.


VALORIZAÇÃO


Esfriou o ‘namoro’ entre a Record e Carlos Lombardi, autor de novelas das sete da Globo. Segundo um executivo da Record, o novelista queria apenas um cafuné da Globo.’


 


 


Matheus Magenta


Em série, Globo ‘brinca’ com desvio de dízimo


‘A Globo deu início, em Salvador, às filmagens do seriado ‘Ó Paí, Ó’, que traz, entre os personagens da temporada, um pastor que desvia dízimos de evangélicos em seu benefício.


As gravações, iniciadas na semana passada, acontecem em meio a uma guerra com a Record, após extensas reportagens sobre denúncia acatada pela Justiça envolvendo a Igreja Universal do Reino de Deus.


‘É um texto visionário, uma coincidência de que só fui me dar conta realmente ontem [anteontem], quando estava filmando. Mas isso foi escrito em abril e deve ser encarado como uma brincadeira, como também brincamos com as novelas da Globo e com o candomblé’, explica a diretora-geral da série e do filme homônimo, Monique Gardenberg (‘Benjamim’).


A Globo diz, por meio de sua assessoria de imprensa, que ‘Ó Paí, Ó’ é uma produção independente que precisou de meses para preparação de roteiro e que esse trabalho antecedeu, e muito, as denúncias. Tentar fazer qualquer correlação de sua trama com os fatos que estão no noticiário é tirar completamente de contexto a proposta da série e de seus personagens’.


Depois de ter virado evangélico na última temporada, o personagem Queixão, interpretado por Matheus Nachtergaele, decide fundar a Igreja Evangélica do Tremor Divino. O nome faz referência à ameaça de desabamento do cortiço onde os personagens vivem, tema desta segunda temporada.


De acordo com o roteiro assinado por Guel Arraes, João Falcão e Adriana Falcão, o malandro Queixão, que se tornou o pastor Moisés, passa a desviar parte dos dízimos pagos pelos fiéis em benefício próprio.


‘O mundo conspira com assuntos que estão no ar.. Mas temos tentado fazer uma coisa livre, divertida’, afirma Nachtergaele. Anteontem, a reportagem acompanhou a gravação de uma cena na qual Queixão tenta expulsar, armado, um pastor concorrente para não precisar dividir os dízimos.


‘A série foi escrita antes das notícias, mas já tratávamos disso com Joana [personagem evangélica interpretada por Luciana de Souza]. Sobre os dízimos, não fui eu quem escreveu, então é melhor você perguntar para quem escreveu’, afirmou o ator Lázaro Ramos.


A reportagem não conseguiu entrar em contato com os autores até o fechamento da edição.


Série


Protagonizado por Roque (Ramos), um aspirante a cantor que também mora no cortiço ameaçado, ‘Ó Paí, Ó’ terá participações de Luana Piovani, Deborah Secco e do cantor Carlinhos Brown.


O seriado, previsto para ir ao ar em novembro deste ano, é marcado por gírias baianas e pela abordagem de temas polêmicos, como casamento gay, racismo e religião.


A produção dos quatro episódios ficou a cargo da Dueto Filmes, e as filmagens devem acabar em 20 dias.’


 


 


PRESIDENTE


Folha de S. Paulo


Lula compara Sarney a Getúlio e volta a criticar ‘denuncismo’


‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o ‘oba-oba do denuncismo’. Declarou que ‘o Senado tem instrumentos’ para conduzir a crise e, ao defender o senador José Sarney (PMDB-AP), disse que ‘é menos do que apoiar um homem, é apoiar a instituição’.


Ele comparou Sarney a ex-presidentes que não concluíram o mandato, como Fernando Collor (cujo afastamento Lula defendeu em 1992), Getúlio Vargas e João Goulart.


Em entrevista à rádio Tupi, do Rio de Janeiro, Lula pediu uma investigação justa e um julgamento correto para Sarney. ‘Se a pessoa for condenada, se condena. O que não quero é esse oba-oba do denuncismo’, afirmou.


Segundo Lula, Getúlio ‘foi levado ao suicídio porque era chamado de ladrão e corrupto todo dia. Juscelino Kubitschek era chamado de ladrão todo dia pelos denuncistas da época, a UDN moralizadora -a direita está cheia de ética para vender. Jânio Quadros renunciou por causa de forças ocultas, João Goulart caiu algum tempo depois, depois foi o Collor’.


Em Nova Iguaçu, o presidente foi recebido por 200 eleitores com camisetas ‘em apoio’ à ministra Dilma Rousseff. Lula comentou: ‘Não posso falar em candidatos, senão daqui a pouco eu sou processado’.’


 


 


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STJ anula condenação de Lula por entrevista concedida em 2001


‘A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça anulou ontem decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que havia condenado o presidente Lula a pagar R$ 40 mil, por danos morais, ao ex-prefeito de Campinas (SP) Francisco Amaral. Ele havia sido condenado por uma entrevista de 2001 na qual disse que Campinas havia sido assaltada pelos seus últimos dirigentes. A defesa de Lula argumentou que a frase era ‘genérica’ e não se referia a Amaral. O STJ acolheu a tese.’


 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Folha de S. Paulo


Ameaças contra a liberdade de imprensa preocupam ANJ


‘A defesa da liberdade de informação e a discussão sobre o futuro do jornalismo dominaram os debates ontem no painel realizado em Brasília para marcar os 30 anos da ANJ (Associação Nacional de Jornais) -entidade representativa das principais publicações do país, criada em 17 de agosto de 1979.


O painel reuniu representantes de grandes empresas de comunicação, que manifestaram preocupação com ameaças à liberdade de expressão, principalmente decisões judiciais que proíbem a publicação de reportagens.


‘Não há como conceber a nossa atividade sem ampla liberdade. Mais do que um direito dos jornais, a liberdade de informação é um direito dos cidadãos’, disse Judith Brito, presidente da ANJ e diretora-superintendente do Grupo Folha, no discurso de abertura.


De acordo com Ricardo Pedreira, diretor-executivo da ANJ, a associação discute a possibilidade de ingressar na Justiça para tentar evitar a censura prévia. ‘A associação estuda se é cabível alguma ação no Judiciário, mas ainda há divergências’, disse.


De acordo com a ANJ, nos últimos 12 meses ocorreram no Brasil 31 casos registrados de violação à liberdade de imprensa, sendo 16 decorrentes de decisões do Judiciário.


Participaram como debatedores do painel os jornalistas Merval Pereira (colunista de ‘O Globo’), Marcelo Rech (diretor-geral de Produto do Grupo RBS), Daniel Piza (editor-executivo e colunista de ‘O Estado de S. Paulo’), Carlos Eduardo Lins da Silva (ombudsman da Folha) e Alon Feuerwerker (colunista do ‘Correio Braziliense’). O encontro foi mediado por Fernando Rodrigues, repórter da Folha e diretor do Comitê Editorial da ANJ.


Convidado internacional do evento, o jornalista grego-britânico Iason Athanasiadis falou sobre os interrogatórios a que foi submetido no Irã, país em que ficou 20 dias preso, entre junho e julho, por suspeita de espionagem durante a cobertura sobre as manifestações contra o resultado da eleição que manteve Mahmoud Ahmadinejad no poder.


Durante a fala dos debatedores, foram citados como exemplo de censura prévia e ameaças à liberdade de imprensa a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que proibiu o jornal ‘O Estado de S. Paulo’ de publicar reportagens sobre investigação contra um dos filhos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e as ações movidas por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus contra a Folha e outros órgãos de imprensa.


‘O direito à liberdade de expressão é um direito fundamental (…), mas um direito nunca é absoluto. Os que se excedem prejudicam os outros, caluniam, tem que ser responsabilizados, mas a posteriori’, disse Lins da Silva. ‘É lamentável a censura prévia ao ‘Estado’, proibindo o jornal de divulgar um conteúdo de alto interesse público, que está acima do interesse de um filho de senador de impedir a publicação dessa informação’, afirmou Piza.


Na opinião de Feuerwerker, o Supremo Tribunal Federal já deixou claro que não é possível estabelecer um controle da informação a priori, já que há prevalência do direito à livre expressão sobre outros direitos, como o da imagem. Rech também manifestou preocupação com o que considera ameaças à atividade de informar, como o que chamou de ‘a indústria da indenização’.


Futuro


Houve divergência entre os debatedores quando o assunto foi o futuro do jornalismo diante das novas mídias. Merval Pereira defendeu a tese de que a divulgação de opiniões na internet, sem uma estrutura e o rigor adequados, não pode ser classificada como jornalismo: ‘O jornal, as empresas de comunicação, são a base do que a internet pode dar de melhor’.


Opinião semelhante manifestou o ombusdman da Folha: ‘Esse fenômeno do chamado jornalismo cidadão é um avanço no terreno da liberdade de opiniões, mas pode levar a um custo: o de a sociedade se transformar em uma sociedade de leitores pós-factuais, onde os fatos não interessam, mas sim as opiniões. (…) Há blogs excelentes, mas há blogs individuais, opinativos e difundidores de falsas informações, que, acho, são a maioria’.


Piza discordou, afirmando que não há como considerar bom jornalismo apenas aquele feito por pessoas que passaram por uma redação.


Também faz parte das comemorações o lançamento do livro ‘A Força dos Jornais’, de Judith Brito e Ricardo Pedreira (ANJ, 151 págs.). Antes do painel, integrantes da entidade participaram de um almoço com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na ocasião, o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, recebeu o título de Associado Honorário da ANJ.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


A escolha


‘Ecoa a reportagem do ‘New York Times’ com o presidente da Petrobras, ontem, sobre o plano para maior controle nacional do pré-sal.. No ‘Financial Times’, Kate Mackenzie destacou o temor americano de que, sem a ‘cooperação próxima’ das companhias estrangeiras, a produção demore mais.


Mas para o ‘FT’ a produção mais lenta ‘pode ser boa decisão estratégica’ para evitar o que ocorreu no México, que ‘queimou seu petróleo’ para atender aos EUA e hoje ‘caminha para o zero’. O jornal remete ao analista de petróleo Gregor Macdonald, que postou ontem no site financeiro Seeking Alpha o artigo ‘Brasil faz a escolha mais sábia de todas’.


Por outro lado, o site da ‘Foreign Policy’ saiu a campo contra o ‘nacionalismo’ do plano. Diz que ‘companhias nacionais bem geridas são exceção’ e questiona os ‘controles anticorrupção’. Cita o vínculo da estatal com Dilma Roussef, ‘a escolhida de Lula’. Em post à noite, o próprio editor-chefe da ‘FP’, o venezuelano Moisés Naím, falou em ‘maldição do petróleo’ no Brasil, dizendo que o modelo de exploração de recursos naturais deveria ser o Chile.


‘E O NOSSO TUPI?’


Após o ‘Investor’s Business Daily’, o ‘Wall Street Journal’ deu longo editorial sobre o crédito oferecido pelos EUA à Petrobras, para o pré-sal. O jornal acha estranho, ‘odd’, diante da ‘sede de dinheiro do Tesouro americano’ e do fato de que ‘a Petrobras é uma das maiores corporações nas Américas’. Mas sugere ‘olhar pelo lado bom’. Como se trata de Obama investindo em exploração no mar, ele poderia fazer o mesmo nos EUA, onde a prospecção é nas costas Leste e Oeste, ‘que poderiam ser os nossos equivalentes do campo de Tupi’.


QUINTA POTÊNCIA


Manchete do UOL, meio do dia, ‘Lina diz que não se sentiu pressionada por Dilma’. Fim do dia, ‘Dilma pediu rapidez, não engavetamento, diz Lina’. Na escalada do ‘Jornal Nacional’, por outro lado, Lina ‘reafirma que Dilma pediu para apressar a investigação de denúncias contra o filho de José Sarney’.


Ao fundo, o portal da revista ‘Exame’ trazia ontem a manchete ‘O plano econômico de Dilma Rousseff’. Segundo o post, o programa prevê ‘o aumento do Estado’ em três áreas, energia, mineração e telecomunicações, com Eletrobrás, Vale e Telebrás. Já haveria até slogan, ‘Brasil, Quinta Potência Mundial’.


POR TODO LADO


Em sua coluna em mais de cem jornais, ontem, Lula saudou o anúncio pela Vale da ‘criação de um polo siderúrgico’ no Pará. ‘A iniciativa privada tem que acompanhar essa nova visão de desenvolvimento.’ Segundo o UOL, ele estreia hoje o Blog do Planalto, ‘para os jovens’


DE IC PARA BIC


Do ‘WSJ’ à ‘Business Week’, os sites de economia destacaram que a IBM ‘aposta na inovação brasileira’ e iniciou ‘missão para ampliar suas parcerias no Brasil, em resposta ao crescente mercado de tecnologia da informação do país’. A inovação nos emergentes antes se restringia ao ‘IC’, Índia e China, mas agora virou ‘BIC’.


MOTORES NOVOS


No ‘Washington Post’, o colunista Robert J. Samuelson escreveu ontem que os americanos ‘gastadores’ não vão mais comprar como antes, atuando como ‘motores’ globais. E avalia como boas as perspectivas de consumo de chineses, indianos e brasileiros. Suas economias estariam deixando para trás a dependência exportadora.


O RETORNO


Em série iniciada ontem, com longas reportagens, o ‘FT’ acompanha o efeito da crise econômica sobre comunidades de imigrantes em todo o mundo, que estariam retornando aos países de origem. Nos primeiros relatos, a redução do número de mexicanos que se mudam para os EUA. Agora, até voltam. E as remessas de dinheiro diminuíram.


Também na série, já postada em página multimídia, a volta de brasileiros de Osaka, no Japão.


O PRÍNCIPE DAS TREVAS


Morreu Robert Novak, célebre colunista engajado dos EUA. Nas páginas iniciais de ‘NYT’, ‘WP’ e Politico, foi descrito criticamente como ‘prince of darkness’, por suas ligações com o poder. ‘Criticar morto recente é rude, mas…’ escreveu o colunista de mídia Jon Friedman.’


 


 


HOLANDA


Folha de S. Paulo


Teólogo é demitido por ter quadro na TV


‘A Universidade Erasmus, na Holanda, demitiu ontem o professor suíço Tariq Ramadan, por ele apresentar um programa na TV estatal do Irã. A alegação foi a de que o fato de ele manter a atração semanal poderia ser entendida como apoio ao regime iraniano. Ramadan, famoso por ser reformista e antiterrorismo, disse que vai apelar da decisão e negou envolvimento com Teerã.’


 


 


INTERNET


Daniela Arrais


Criminoso usa Twitter para furtar senhas de usuários


‘Depois de passar por ataques que o deixaram instável nas últimas semanas, o Twitter foi usado por ao menos um criminoso para controlar uma rede de pelo menos 220 computadores infectados -a maioria deles localizados no Brasil.


A descoberta foi feita pelo pesquisador Jose Nazario, da empresa de segurança Arbor Networks. Ele investigava os ataques quando percebeu que um criminoso usou contas no serviço para controlar uma rede de ‘botnets’, que é formada por máquinas infectadas que atendem a comandos de um invasor, permitindo desde envio de spam até roubo de dados.


Um dos principais objetivos da distribuição desse malware (software malicioso) é permitir que criminosos virtuais roubem senhas. ‘Uma vez que o malware se instala na máquina, uma das ações que ele faz é baixar um outro vírus, que rouba senhas de bancos, por exemplo. O usuário que tiver seu computador infectado pode ter tido sua senha roubada’, afirma André Carraretto, gerente de engenharia de sistemas da Symantec no Brasil.


Após detectar que o Twitter estava sendo usado por ‘botnets’, a Symantec nomeou a ameaça de Downloader.Sninfs. A investigação mostrou que computadores infectados estavam seguindo o usuário Upd4t3 por meio de um leitor de RSS -a conta foi suspensa.


‘Os criminosos estão procurando formas alternativas de enviar comandos para redes de robôs’, afirma Mariano Sumrell, diretor de marketing da Winco, que representa a AVG no Brasil. Ele acrescenta que os canais de IRC (bate-papo) costumavam ser um dos principais meios para esse tipo de prática, mas, hoje, costumam ser alvo de forte monitoramento.


Nazario afirmou ao site Technology Review que é fácil esconder informações maliciosas no Twitter, principalmente por conta de URLs encurtadas, oferecidas por serviços como Tiny URL e Bit.ly.


Especialistas ouvidos pela Folha recomendam que usuários do Twitter e de outras redes mantenham seus programas de segurança, como antivírus e firewall (que controla as conexões entre o computador e a rede), atualizados.


‘A nova tendência é que, em vez de receber um e-mail que contenha um link que possa infectar a máquina, você receba mensagens no Twitter, no Orkut. As redes sociais estão sendo usadas para propagar vírus para mais pessoas’, afirma Alexandre Sieira, gerente de projetos da Cipher.


Portanto, é preciso tomar medidas preventivas, como não aceitar contatos de quem você não conhece e não clicar em links suspeitos.’


 


 


***


Garota Orkut


‘Quando viu pela televisão que a Miss Brasil 2009 é do Rio Grande do Norte, a conterrânea Fernanda Paiva Diniz, 23, duvidou e, em seguida, pensou: ‘Se ela pode, eu também posso’. E foi assim que ela decidiu se inscrever no concurso Garota Social (www.garotasocial.com.br), que pretende eleger a garota mais bonita e popular da rede social Orkut.


No último sábado, as dez finalistas do concurso se encontraram em São Paulo para fazer sessões de fotos e vídeos. Em um autêntico dia de modelo, na agência Daphne, as meninas posaram com roupas escolhidas pela stylist Marcela Andrade -eram mais de 40 pares de sapatos, cem acessórios e 50 looks completos.


A maioria se mostrava tímida em seus primeiros contatos profissionais com o mundo da moda, enquanto outras aproveitavam a experiência que já tiveram na área. Para se saírem bem, seguiam conselhos do fotógrafo Vand Rodriguez.


‘Mais pescoço, mais pescoço! Agora! Se sentiu, né, mulher?’, dizia ele para Cristiana Araújo Silva, 20, nervosa por posar de maiô em frente a tanta gente. ‘Sabe aquela cara que a Gisele [Bündchen, modelo] faz, com o cabelo voando? Quero isso’, comandava Rodriguez.


‘Tenho que transformar pessoas comuns em modelos em apenas duas horas. Procuro trazer a beleza interior delas’, dizia. Outra preocupação era valorizar o que cada uma tinha de melhor. ‘Elas têm noção do corpo que têm, então nem todas posam de biquíni.’


O discurso das candidatas é quase unânime: além da vontade de seguir a carreira de modelo, querem ser ‘a garota Orkut’ porque lutaram muito para isso. Por luta, leia-se: chegaram a passar mais de 15 horas por dia na rede pedindo votos.


Para participar do concurso, as candidatas adicionavam um aplicativo ao seu perfil no Orkut e pediam votos. ‘Tivemos mais de 4.000 inscritas. A ideia é mostrar que a beleza não precisa ter um padrão’, afirma Tahiana D’Egmont, diretora da Mentez, que faz o concurso.


Késia Carega, 27, foi além. Quando viu que sua colocação estava caindo, aceitou a sugestão de um amigo: ir a um shopping pedir votos. Munidos de um laptop e de um modem 3G, sentaram-se na praça de alimentação e começaram a perguntar aos passantes quem tinha Orkut. ‘Falei que era a única maranhense entre as finalistas. Elas votavam, e eu lhes dava um pirulito’, diz Késia.


Priscila Brum, 25, conhecida como Darth Pri, ‘só’ precisou pedir votos aos seus mais de 10 mil amigos no Orkut, espalhados por 12 perfis. A advogada e engenheira de Limeira (151 km de SP) é fã de ‘cosplay’ (jogo em que fãs da cultura japonesa se fantasiam como seus personagens preferidos) e costuma fazer amigos ao participar de eventos vestida de Darth Vader, Itachi e Cornelia.


Já Bya Rodarte, 28, de Taguatinga (DF), contou com a ajuda de seus fãs no Orkut. ‘Quero ganhar e depois embarcar na campanha do ‘Big Brother’, diz ela, vislumbrando bem mais do que 15 minutos de fama proporcionados pelos 4.549 votos que recebeu.


Veja videocast em www.folha.com.br/0922913.


RETA FINAL


Amanhã, o concurso Garota Social entra em sua segunda fase de votação. As candidatas incluirão em seus perfis novas fotos e vídeos. A votação se encerra no dia 5 de setembro, quando serão reveladas as três vencedoras. O primeiro lugar ganhará um contrato com a Daphne Agency, além de R$ 2.000 em prêmios da Garoto e da Marisa.’


 


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 19 de agosto de 2009 


 


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Vannildo Mendes


ANJ estuda pedir súmula contra censura


‘A Associação Nacional de Jornais (ANJ) está debatendo e estudando um meio de levar o Supremo Tribunal Federal (STF) a firmar jurisprudência, com efeito vinculante, para impedir que juízes de primeiro grau ou de qualquer outra instância do Judiciário façam censura prévia no País. É o que ocorre hoje com o Estado, proibido de publicar notícias de interesse público que envolvam o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A ANJ informou ontem que pedirá a colaboração da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de outras entidades comprometidas com o Estado Democrático de Direito, para definir o melhor tipo de ação.


O ponto a ser superado, de acordo com a entidade, é encontrar o melhor tipo de ação que preserve a liberdade de expressão, em sua forma plena prevista na Constituição, sem que isso implique interferir no poder e na liberdade dos magistrados. A medida foi apoiada unanimemente pelos representantes dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Correio Braziliense e da Rede RBS de Comunicação, que participaram de um painel sobre liberdade de imprensa promovido ontem em comemoração aos 30 anos de criação da ANJ. ‘A violência contra o Estadão atinge a todos nós’, resumiu Marcelo Rech, diretor da RBS.


Sob o tema Liberdade de expressão e o futuro do jornalismo – o que dizem os jornalistas, o painel discutiu as mudanças e os desafios do mercado jornalístico ante as novas mídias viabilizadas pela internet, como a profusão de blogs, sites e twitters. ‘Nunca se leu tanto no mundo e no Brasil, e isso é bom’, observou Ricardo Pedreira, diretor da associação. ‘Mas se trata de um sistema de circulação de notícias que não se sustenta como modelo de negócio.’


A ANJ, segundo sua presidente, Judith Brito, monitora as denúncias de violações da liberdade de imprensa. Ela divulgou o balanço dos últimos 12 meses que mostra um aumento preocupante dos casos de cerceamento da liberdade de imprensa. Foram 31 casos de agosto de 2008 a julho de 2009. O dado mais grave é que 16 casos decorrem de sentença judiciais impondo censura prévia, grande parte delas emitidas por juízes de primeiro grau. ‘Esse tipo de censura vem aumentando de forma preocupante no País, principalmente nos períodos eleitorais’, criticou Judith.


O jornalista Merval Pereira, colunista de O Globo, acha que uma ação no STF tem boa chance de prosperar porque tem respaldo na sociedade e nas instituições. ‘O caso pode trazer uma solução para essa que ainda é uma angústia de todos (a censura prévia)’, observou. ‘Terá sido uma boa luta se o caso levar o STF a tomar uma posição definitiva contra a censura prévia.’ A seu ver, os jornais impressos são a base do que a internet pode dar de melhor. ‘Twitter e blog e outros meios possibilitados pela rede, em sua maioria, não são jornalismo, servem a divulgação de opiniões pessoais e muitas vezes de boatos’, disse.


O jornalista Daniel Piza, do Estado, discordou da crítica aos meios digitais de difusão de notícias, que a seu ver só contribuem para a democratização da comunicação. Avaliou que a liberdade de informação é tão importante que deveria ser incluída entre os fatores de cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).


Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de S. Paulo, disse que o jornalismo cidadão, praticado na rede de computadores por blogs independentes e até por leigos, é um avanço, mas traz um custo para a sociedade. ‘Cria a sociedade pós-factual, onde o fato não interessa mais, só a opinião.’ A seu ver, os jornais tradicionais precisam encontrar um meio de fazer o contraponto da notícia e análise dos fatos, porque são mais legítimos para isso do que os canais alternativos que proliferam na rede. Para Alon Feuerwerker, colunista do Correio Braziliense, a livre expressão não anula, mas se sobrepõe a outros direitos, como o do dano à imagem, que pode ser reparado. ‘O que não é possível é estabelecer o controle a priori.’’


 


 


EUA


O Estado de S. Paulo


Jornalista Novak morre aos 78 anos


‘Após décadas de atuação como uma das mais influentes vozes da mídia impressa e televisiva americana, morreu ontem aos 78 anos o repórter e comentarista político Robert Novak. O jornalista lutava contra um tumor cerebral desde julho do ano passado e, segundo sua mulher, Geraldine, ele foi encontrado sem vida em sua residência.


Polêmico e conservador, Novak protagonizou um dos maiores escândalos da última década envolvendo jornalistas e o círculo de poder em Washington, ao revelar, em 2003, a identidade da agente da CIA Valerie Plame. Novak foi o primeiro a publicar o nome de Valerie, dias depois de o marido da funcionária, o embaixador Joseph Wilson, ter acusado o governo George W. Bush de fraudar evidências para justificar a invasão do Iraque. Novak foi acusado de ter sido usado por Bush para ‘dar o troco’ em Wilson.


Seu artigo deu início a uma investigação federal que levou à condenação de um dos funcionários que teria vazado a informação – Lewis ‘Scooter’ Libby, o braço direito do então vice-presidente, Dick Cheney. A legislação americana criminaliza a revelação da identidade de agentes da CIA e Libby foi considerado culpado por mentir à Justiça.


Judith Miller, repórter do New York Times, também foi condenada no caso após se recusar a revelar sua fonte. Ela passou 85 dias na prisão; Libby teve sua pena comutada por Bush.


SUCESSO


Novak lamentou que o caso Valerie Plame ‘marcaria sua carreira para sempre’, a despeito de reportagens e artigos que ele considerava ‘mais relevantes’.


A coluna independente Inside Report, escrita em parceria com o jornalista Rowland Evans, é tida como o marco na carreira de Novak que o tornou uma das maiores personalidades do jornalismo americano. Anos depois, cerca de 300 jornais ao redor dos EUA publicariam seus artigos.


Entre os ‘furos’ de Novak, está a entrevista em 1978 com o líder chinês Deng Xiaoping. Nela, Deng evidenciou um tom conciliatório com os EUA. Especula-se que o depoimento teria acelerado a retomada das relações entre Pequim e Washington, concluída no ano seguinte.


‘Tive uma ótima experiência realizando todos os meus sonhos de juventude e, ao mesmo tempo, fazendo a vida de políticos hipócritas e pretensiosos miserável’, escreveu Novak. Sua assertividade rendeu-lhe o epíteto de ‘príncipe das trevas’.’


 


 


INTERNET


O Estado de S. Paulo


Guga alerta contra perfil falso no Twitter


‘A assessoria de imprensa de Gustavo Kuerten alerta sobre a existência de um perfil falso com seu nome no site de relacionamentos Twitter. O ex-tenista já estaria tomando as providências junto à administradora da página para pedir a exclusão da conta e, assim, evitar a divulgação de informações incorretas ou não verdadeiras usando seu nome por meio da internet.’


 


 


POLÍTICA CULTURAL


Jotabê Medeiros


Nova Rouanet terá fundos para artes cênicas e literatura


‘A nova Lei Rouanet, o texto que incorpora sugestões de mais de 2 mil produtores de todo o País, vai chegar ao Congresso este mês bastante encorpada. O Estado teve acesso exclusivo às principais modificações. Em vez de cinco novos fundos de financiamento direto à cultura, serão agora sete – foram criados também o Fundo das Artes Cênicas e o Fundo da Literatura e das Humanidades (que não existiam no projeto original).


A criação do Fundo das Artes Cênicas foi resultado direto da pressão das categorias ligadas ao teatro e dança no Ministério da Cultura. O Fundo da Literatura e das Humanidades atende a pedidos de grupos como o Movimento Literatura Urgente, que pedia a separação da produção literária do mercado editorial.


O cinema dos documentaristas, curtas-metragistas e os festivais não terá um fundo específico, como pleiteava. Mas terá cadeira cativa no conselho do Fundo do Audiovisual, que terá dois conselhos gestores, um para o cinema industrial e outro para o independente. Dois sistemas de gestão paralelos, considera o Ministério da Cultura, permitirão que o cinema ‘de formação do olhar, de formação de quadros’ também possa ser subsidiado (atualmente, os documentaristas e curtas-metragistas se queixam que não conseguem nem ser recebidos pelos departamentos de marketing das empresas).


O texto definitivo, que será agora debatido pelo Congresso, traz ainda outras novidades. Cerca de metade do dinheiro (fala-se em 47%) arrecadado pelo Fundo Nacional de Cultura vai ser obrigatoriamente repassado a Estados e municípios. Mas é um dinheiro ‘carimbado’, ou seja, não poderá ser utilizado em despesas de custeio dos Estados e municípios – terá de ser necessariamente transferido a artistas e produtores por meio de editais públicos.


Outra novidade diz respeito ao ‘dirigismo cultural’. Um dos artigos da nova legislação veta explicitamente a análise subjetiva e garante a impessoalidade no sistema de avaliação. O Ministério da Cultura instituiu há pouco mais de um mês um concurso de pareceristas para dar mais agilidade ao processo de análise de projetos. Conseguiu a inscrição de 500 novos analistas, e também está criando, na nova lei, um mecanismo novo – o sistema de avaliação entre pares.


O sistema entre pares consiste no seguinte: ao entrar com um projeto no Ministério, o produtor pode ser convidado para avaliar um outro projeto de sua própria área, integrando um comitê de avaliação. O modelo é do sistema universitário, da Fapesp, e os pareceres dos analistas serão a base das decisões do Fundo Nacional de Cultura.


A Comissão Nacional de Incentivo Cultural (CNIC) continuará existindo, mas atuará muito mais como um órgão de inteligência, semelhante ao conselho da Fapesp, instituição que é o modelo da nova legislação. O Ficart (Fundos de Investimento Cultural e Artístico), fundo de capitalização da Lei Rouanet, receberá mecanismos de maior atratividade para as empresas. O Ministério considera que o setor privado deve entrar com um patamar mínimo de investimento, e vai convidar os empresários para se associarem ao MinC em projetos de visibilidade comercial. O fundo financia uma parte, o empresário outro, e a possibilidade de lucro será atrativa, analisa o governo.


O secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, confirmou as mudanças apuradas pela reportagem, e acrescentou que a nova Lei Rouanet trará a palavra ‘critério’ como um dos maiores símbolos da mudança. ‘Não havia essa palavra na Rouanet antiga. Isso serve para que não se crie um vazio duvidoso. Os critérios para a aprovação de um projeto estarão definidos na lei, e partem de exigências como acessibilidade, preço, a estratégia de oferecimento ao público do produto cultural. Preço, horário, local de apresentação: tudo isso vai pesar na análise do custo de um projeto que será abatido com dinheiro público’, afirmou.


Principais mudanças


ACESSIBILIDADE – Quanto menor for o preço do ingresso, maior a possibilidade de ser financiado pela nova lei.


NOVOS TETOS – Além de manter a renúncia fiscal, chave da Lei Rouanet (Lei n.º 8.313) desde sua criação, em 1991, a nova legislação estabelece seis faixas de dedução do imposto de renda devido – 100% de abatimento e do mínimo de 30%, outras quatro novas faixas foram criadas (90%, 80%, 70% e 60%).


NOVOS FUNDOS – Além dos fundos do audiovisual, patrimônio, artes, cultura e diversidade, haverá agora os fundos para artes cênicas e literatura e humanidades.


DOCUMENTÁRIOS E CURTAS – Setor reclamou de falta de atenção das políticas culturais e terá um conselho gestor separado no Fundo do Audiovisual.


DIRIGISMO – Texto fala em veto à ‘análise subjetiva’ e ‘garantia de impessoalidade’.


VALE CULTURA SÓ CHEGOU ONTEM AO CONGRESSO


SEM ASSINATURA: Chegou ontem ao Congresso, quase um mês após ser lançado em SP pelo presidente Lula, o projeto de lei que cria o Vale Cultura. O PL 5798/2009 demorou para ser enviado ao Congresso, segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, porque faltava a assinatura do ministro da Fazenda, que estava em viagem oficial. O texto prevê a criação de um incentivo financiado por renúncia fiscal, para que trabalhadores de empresas de lucro real possam receber um cartão magnético com R$ 50. Estima-se que 14 milhões de trabalhadores sejam beneficiados, e que o sistema movimente cerca de R$ 7 bilhões no mercado.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Fazenda 2 só na web


‘A Record deve voltar atrás na ideia de ter A Fazenda em pay-per-view na TV paga. Após emperrar a negociação na primeira temporada do programa, a rede estuda não fechar acordo comercial com operadoras na segunda temporada, prevista para novembro. Motivo: a Record quer vender pay-per-view das 24 horas da atração em seu novo portal de internet, o R7, que estreia em setembro.


Na primeira edição de A Fazenda, apesar de afirmar o interesse de entrar na TV paga, o canal não enviou a proposta comercial a tempo. Para a segunda temporada, as conversas com a Net já foram iniciadas, mas o negócio está longe de ser fechado.


O Estado apurou que os emissários da Record pararam recentemente de procurar a Net para acertar o contrato, e a emissora parece mesmo estar desistindo do pay-per-view na TV paga.


Já na internet, os testes para a exibição do programa estão avançados.


Com estreia prevista para 8 de novembro, A Fazenda 2 terá Britto Jr. no comando. Entre os já cotados para o confinamento estão Sheila Mello, o jogador Vampeta, Rico Mansur e o ator Rômulo Arantes Neto.’


 


 


 


 


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