Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 14 E 15/07

O Estado de S. Paulo

17/07/2007 na edição 442

RIO 2007
Ubiratan Brasil

Samba esquentou cerimônia de abertura

‘O Brasil é uma nação miscigenada, que adora o esporte e a música, mas despreza seu presidente. Essa foi a mensagem enviada pela cerimônia de abertura dos 15º Jogos Pan-Americanos, ontem à noite, no estádio do Maracanã. Transmitido pela televisão para todo o continente, o evento mostrou o constrangido perfil do presidente Lula, cuja imagem no telão do estádio provocou uma vaia uníssona, maior até que a que recepcionou a delegação dos Estados Unidos.

Lula já havia recebido apupos momentos antes do início da cerimônia, quando os ex-atletas Virna (vôlei) e Róbson Caetano (atletismo) esquentavam o ânimo do público. Sua chegada à tribuna das autoridades foi mal recebida e o golpe não foi bem assimilado pelo presidente, famoso pela resistência: sua imagem (agora só transmitida pela tevê e não mais para o telão) revelava um homem abatido.

Pontuada pelo lema dos jogos (‘Viva essa energia’), a cerimônia começou morna, com músicas mais propícias para o relaxamento. Até a bela interpretação de Elza Soares, que cantou à capela o Hino Nacional, projetava mais melancolia que vibração.

A situação só entrou no eixo com a entrada de diversos tocadores de samba, preparando a chegada das 42 delegações. Foi o anúncio da bela cerimônia que se seguiu.

O uso de fogos, embora tradicional em festas como essa, serviu como um complemento à batida musical, causando um efeito não só pirotécnico como também sonoro. Um belo complemento para as chamas em forma de sol que agora brilham na pira olímpica.

Planejada para apresentar as belezas brasileiras, como florestas e os rios, além de elementos do folclore, a apresentação revelou delicadeza com alegorias em tons azulados e alaranjados que, fato raro, provocavam impacto também ao vivo – normalmente, aberturas de competições esportivas são criadas pensando especialmente na transmissão televisiva.

Tudo pontuado por uma música que marcava a percussão como ponto principal, característica do som brasileiro. E a eficiente participação da Orquestra Sinfônica Brasileira, executando de Villa-Lobos a Tom Jobim.

PAZ

A mensagem de paz cantada por Chico César foi um dos principais pontos da cerimônia, justamente por não esconder a violência que mais aflige o povo brasileiro. E o público foi outra grande surpresa, agindo de acordo com seu humor, vaiando e aplaudindo sem seguir normas.Um bom início para um Pan já inesquecível pelos seus tropeços.’

GOVERNO LULA
O Estado de S. Paulo

Agências sufocadas

‘O governo Lula está sufocando financeiramente as principais agências reguladoras. Quem disse isso foram seus dirigentes, em audiência pública realizada quarta-feira, na Câmara dos Deputados. Recebendo recursos muito inferiores aos arrecadados e aos previstos em seus orçamentos, as agências não podem cumprir suas atribuições legais, com o risco de graves prejuízos para os consumidores e para o Tesouro.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) arrecadará neste ano cerca de R$ 2 bilhões apenas com as taxas cobradas das operadoras de telefonia para sustentar o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), mas seu orçamento anual autorizado é de R$ 255 milhões e ela só disporá de R$ 71 milhões para ações fiscalizatórias. Segundo seu presidente, Ronaldo Sardenberg, entre 1998 e 2006 caiu de 50% para apenas 13% a proporção entre a arrecadação e as despesas autorizadas pelo governo. ‘Isto impede o planejamento’, disse Sardenberg.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) arrecadará R$ 332 milhões a título de taxa de fiscalização, incluída nas contas de consumo, mas seu orçamento é de apenas R$ 112 milhões. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) teria direito a 28% da Participação Especial, espécie de royalty pago pelas empresas petrolíferas, o que lhe asseguraria R$ 2,612 bilhões neste ano, mas seu orçamento é de R$ 300 milhões e, com o contingenciamento de despesas, ela só receberá R$ 160 milhões.

É total o descompasso entre as responsabilidades das agências e os recursos de que dispõem. Elas são responsáveis pela fiscalização de segmentos de enorme importância econômica. Tem de acompanhar de perto as atividades de empresas estatais e privadas de grande porte. A Anatel, por exemplo, deve ainda ‘implementar, acompanhar e fiscalizar os programas, projetos e atividades que aplicarem recursos do Fust’, o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. Mas a quase totalidade desses recursos não foi liberada.

A Aneel tem de licitar novas concessões, fixar critérios para a cobrança das Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (Tust e Tusd), gerir os contratos de concessão e implementar as políticas do governo federal para a exploração da energia elétrica. Terá, portanto, papel decisivo no esforço para evitar um novo apagão.

A ANP tem de implementar a política nacional para o petróleo, promovendo estudos para a delimitação de blocos exploratórios; regular a execução de serviços de geologia e geofísica; elaborar os editais e promover as licitações; autorizar a prática das atividades de refino, processamento, transporte, importação e exportação; estabelecer critérios para o cálculo de tarifas de transporte dutoviário; e fiscalizar a indústria do petróleo. A lei que criou a ANP obriga a agência, ao ‘tomar conhecimento de fatos que configurem ou possam configurar infração da ordem econômica’, comunicá-los ao Conselho Administrativo de Defesa da Ordem Econômica (Cade).

Para tanto é preciso ter os meios, mas, ao contrário do que manda a lei, a União está-se valendo das agências para reforçar a caixa do Tesouro. De cada R$ 100,00 arrecadados pela Anatel, apenas R$ 13,00 ficam na agência e R$ 87,00 ajudam a aumentar o superávit primário, observou Sardenberg.

Ainda pior, segundo Haroldo Lima, diretor-geral da ANP, é a impossibilidade de fiscalizar adequadamente as 210 instalações de hidrocarbonetos em terra e 115 no mar, o que incumbe à agência. A cada 1% de erro no cálculo sobre o volume produzido, o governo perde R$ 100 milhões em royalties, em detrimento de 10 Estados e 800 municípios produtores, calcula ele. No segmento de combustíveis, a sonegação tributária pode atingir R$ 3 bilhões.

Não é novidade a má vontade do governo Lula com as agências, cuja independência formal incomoda o Executivo. Prova disto é que o relator do projeto de lei geral das agências desistiu de manter a figura do orçamento próprio, que lhes daria independência financeira. Elas continuarão a depender das liberações do Tesouro.’

BRITISH FILM INSTITUTE
Sérgio Augusto

Maior patrimônio do cinema inglês está quase por um fio

‘Crise braba no British Film Institute. Não pergunte ´E nós com isso?´, pois uma crise no BFI pode significar um golpe quase tão daninho para a cultura cinematográfica quanto um crack na Bolsa de Nova York para a economia mundial. O BFI não é apenas o INC (ou a Embrafilme) que deu certo. Nada há que se lhe compare no campo da memória cinematográfica. Nem a Cinemateca Francesa, três anos mais nova, o supera em matéria de acervo e atividades. Receio que tenhamos de pôr o verbo superar no pretérito imperfeito, daqui a algum tempo. Não por mérito próprio da Cinémathèque Française, justa e generosamente subsidiada pelo Ministério da Cultura, mas porque, repito, o BFI já está quase pela bola sete.

A crise é, obviamente, gerencial e financeira. Cinematecas, assim como as bibliotecas, não são rentáveis e necessitam de dinheiro público, por mais que sócios, mecenas e fundações contribuam para mantê-las em funcionamento e em permanente processo de expansão física e atualização tecnológica. Cinematecas exigem cuidados bem maiores e mais dispendiosos que bibliotecas.

O BFI carece de recursos vultosos porque cresceu à beça ao longo de seus 74 anos de existência. Sua filmoteca não abriga somente as maiores obras dos mestres ingleses- da pioneira escola de Brighton aos autores mais recentes, passando por Alexander Korda, Hitchcock, David Lean, Michael Powell, Carol Reed, e a turma da Ealing – mas é o maior depósito de filmes mudos de qualquer nacionalidade. Seu acervo de documentários é um repositório inestimável do cotidiano inglês desde o começo do século passado, quando G.A. Smith, o Lumière britânico, raramente saía de casa sem sua câmera. E que instituição similar possui uma sala IMAX como a do BFI, com a maior tela do Reino Unido e um som surround de 12 mil watts?

Há quatro anos que a verba anual do BFI (16 milhões de libras) está congelada. Para saldar as dívidas acumuladas nesse período, o instituto precisaria, agora, de uma injeção anual de 34 milhões de libras. Isso implicaria uma mudança radical na política de gastos do governo trabalhista britânico, que preferiu drenar as verbas destinadas às artes e à cultura em geral para a poupança das Olimpíadas de 2012, em Londres.

Querem passar na gaita o QG do instituto, no coração do West End londrino, presente do bilionário John Paul Getty e abrigo de uma coleção inestimável de livros, publicações especializadas e fotos desde 1933. A biblioteca, enriquecida, nos últimos tempos, por doações valiosas de Derek Jarman, Richard Attenborough e outros cineastas ingleses, ficaria, provisoriamente, numa universidade britânica. Seu dinâmico departamento editorial deverá ser leiloado no outro lado do Canal da Mancha ou, mais provavelmente, no outro lado do Atlântico. Não se sabe ao certo que destino terá sua filmoteca. Hipótese mais otimista: concentrá-la em novo prédio, a ser construído em Londres.

Na contramão do pessimismo dominante, Amanda Neville, atual diretora do BFI, continua vendo tudo azul: ´Vamos finalmente juntar, num mesmo espaço, a nossa coleção de filmes e sua sala de exibições, o National Film Theatre.` O chefe de Neville, o cineasta Anthony Minghella, que entregará o cargo daqui a cinco meses, tampouco duvida que o novo QG do BFI venha a ser construído.

O judas a ser malhado é o ex-secretário da Cultura do governo Tony Blair, Chris Smith. Além do próprio Tony Blair e seus guidomantegas, com destaque para Shaun Woodward, espécie de ministro do cinema, que, ao despedir-se do cargo, reconheceu a crise, mas livrou a cara de Smith, vangloriando-se, no mesmo discurso, da quadruplicação da produção de filmes na Inglaterra, nos últimos 20 anos. De fato, nas duas últimas décadas, a produção de filmes por lá subiu de 30 para 120 ao ano. Como a maioria das estatísticas, essa também precisa ser vista com um grão de sal. Quantos desses filmes encontraram um público e quantos foram apenas produzidos para aliviar a carga fiscal ou mesmo lavar dinheiro de alguém ou de algum grupo sem a menor relação afetiva com o cinema?

Chris Smith acabou com a inovadora produção do BFI e seu programa de pós-graduação, subordinando-os a um burocrático conselho, o United Kingdom Film Council, que deveria ter estabelecido como metas prioritárias proteger a indústria cinematográfica de aventureiros e incentivar toda e qualquer atividade do BFI, já que de nada adianta produzir filmes sem que eles possam ser preservados e estudados. Defensor de uma indústria cinematográfica auto-sustentável (tal fantasia está para se materializar há sete décadas, desde a época em que Alexander Korda ocupava o mais ilustre gabinete do BFI), Smith confunde produção de filmes com preservação de filmes e produção de cultura e know how cinematográficos. As duas estão interligadas, mas não da maneira como o ex-ministro de Blair as misturou em sua cabeça. O BFI até produz filmes (experimentais e documentários), mas sua principal atribuição é disseminar o interesse pelo cinema e preservar a memória cinematográfica.

Os britânicos não têm como sustentar uma indústria de filmes autônoma e vigorosa, a despeito de possuírem o melhor teatro e a melhor televisão do mundo. No primeiro trimestre deste ano, o investimento na produção de filmes caiu 57%. Mas a parceria com a televisão, como já provaram Stephen Frears, Ken Loach, Mike Leigh, Danny Boyle, Paul Greengrass e Edgar Wright, deu certo. Talvez seja essa sua única saída. A receita vale também para o cinema brasileiro. Os ingleses, porém, levam três vantagens sobre nós: falam a atual língua franca, seus atores são melhores e mais conhecidos, e sua televisão não possui o mesmo e impositivo padrão de vulgaridade da nossa.

O BFI me evoca um turbilhão de inefáveis recordações cinematográficas. A maioria delas curtida a distância, longe de suas salas de exibição, aulas e conferências. Um dos primeiros livros sobre cinema, em língua inglesa, que li era de um crítico e historiador que lá ensinava: Roger Manvell. O BFI é uma madeleine que me transporta à rua do Ouvidor, no Rio, onde ficava a livraria Crashley, especializada em livros e revistas importados da Inglaterra, e também à Zwemmers, no 78 da Charing Cross Road, em Londres, por muito tempo a melhor livraria especializada em artes visuais da Inglaterra. Era nelas que, além de livros, eu comprava Films and Filming e Sight & Sound, as duas mais importantes revistas de cinema de língua inglesa da época-antes, portanto, do surgimento de Movie e Cinema One, mais excitantes e prematuramente extintas.

A veneranda Sight & Sound ainda circula, há 16 anos de cara nova e sem o prestígio de antigamente. Lançada em 1932 e perfilhada pelo BFI em 1934, só deixou de ser trimestral em 1991, quando absorveu outra publicação do BFI, o precioso The Monthly Film Bulletin, modelo do Guia de Filmes editado pelo nosso Instituto Nacional de Cinema, a partir da segunda metade dos anos 1960. Peguei-a em plena gestão da crítica Penelope Houston (1956-1990), sucessora de Gavin Lambert, que a editou de 1949 a 1955. Sua leitura não me provocava tantos enlevos e perplexidades como Cahiers du Cinéma, por exemplo, porque seus críticos eram, majoritariamente, moderados e fleugmáticos – ou demasiado esnobes e puritanos, para usar dois pejorativos assacados por Raymond Durgnat, brilhante e divertido crítico inglês, que escrevia para a concorrente Films and Filming.

Não obstante, foi nas páginas da Sight & Sound que descobri críticos e ensaístas do porte de Tom Milne, David Robinson, Richard Roud, Colin McArthur e até Susan Sontag, que, salvo engano, nela estreou com uma análise de Persona, de Bergman. Vários deles enriqueceriam as coleções de livros sobre filmes, teatro, teoria, biografia e história bancadas pelo BFI, em co-edição com a Secker & Warburg e a Doubleday americana, todas de excelente qualidade. Uma exegese de Godard, escrita por Richard Roud, inaugurou a coleção Cinema One em 1968, em dois anos acrescida de entrevistas e monografias sobre Joseph Losey, Luchino Visconti, Orson Welles, Howard Hawks (assinada por um dos melhores críticos britânicos de todos os tempos, Robin Wood), e de um ensaio fundamental sobre estética e semiologia, Signs and Meaning in the Cinema, de Peter Wollen.

Paralelamente a tais ensaios e outros livros de ambiciosa envergadura teórica, como Film/Genre, de Rick Altman, e Women in Film Noir, editado por E. Ann Kaplan, o BFI lançou a coleção BFI Classics, dedicada a análises monográficas de filmes, algumas traduzidas no Brasil pela Rocco. Robin Wood destrinchou o magistral Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), de Hawks; Peter Wollen dissecou Cantando na Chuva; Laura Mulvey debruçou-se sobre Cidadão Kane; Camille Paglia analisou Os Pássaros; Salman Rushdie mergulhou em O Mágico de Oz. O catálogo não pára de crescer. Só este mês já saíram dois volumes: Lawrence da Arábia (por Kevin Kackson) e Luzes da Cidade (por Charles Maland). Anunciado para agosto, uma monografia sobre o ator-cineasta japonês Takeshi Kitano.

Se o BFI acabar, os cinéfilos do mundo inteiro terão de vestir luto.’

IRAQUE
O Estado de S. Paulo

Repórter do ´NYT` é morto em Bagdá

‘O jornalista do ‘New York Times’ Khalid W. Hassan foi morto a tiros ontem em Bagdá – apenas um dia após um repórter da ‘Reuters’ e seu motorista serem assassinados na capital iraquiana. Nos dois casos, as circunstâncias das mortes ainda não foram esclarecidas. Hassan foi baleado em seu carro, no bairro de Saidiya, quando se dirigia para o trabalho. Antes, ele havia ligado para o escritório do jornal avisando que seu trajeto habitual estava bloqueado por um posto de controle e por isso tentaria um caminho alternativo. Meia hora depois desse telefonema, ele ligou para sua mãe e disse apenas: ‘Fui baleado.’

Hassan, que tinha apenas 23 anos e era de origem palestina, trabalhava como repórter e tradutor para o jornal americano havia mais de quatro anos.

Bill Keller, diretor-executivo do ‘NYT’, publicou uma nota dizendo que ‘Khalid era parte de uma ampla comunidade de iraquianos que corria enormes riscos para nos ajudar a compreender o tormento e a luta de seu país’.

Hassan é o segundo repórter do ‘New York Times’ morto no Iraque desde o início da guerra, em março de 2003. Fakher Haider morreu em Basra, em setembro de 2005. Pelo menos 110 jornalistas já foram assassinados no país – 87 deles eram iraquianos.’

CONRAD BLACK
O Estado de S. Paulo

Ex-magnata da mídia é condenado

‘O ex-magnata da mídia Conrad Black foi condenado ontem por um tribunal americano por fraude e obstrução de Justiça, depois de um julgamento complexo no qual foi acusado de roubar a própria companhia e fraudar os acionistas. Black, de 62 anos, e três de seus sócios foram acusados do desvio de um total de US$ 60 milhões por meio de uma montagem financeira fraudulenta por ocasião da venda de ativos do grupo Hollinger ao canadense Canwest, em 2000.

O empresário foi considerado culpado de três acusações relativas à fraude, o que poderá lhe valer cinco anos de prisão, e pela obstrução à Justiça, com chances de pegar 20 anos. Black foi absolvido, porém, de outras oito acusações relacionadas à fraude e a abusos no processo de venda de jornais do Canadá.

A sentença deve sair em novembro. Os demais réus eram Jack Boultbee, 64, ex-diretor-financeiro da Hollinger International Inc.; Peter Atkinson, 60, ex-vice-presidente e conselheiro-geral da empresa; e Mark Kipnis, 59, ex-advogado da Hollinger.

Em seus melhores anos, Black dirigiu o império Hollinger, o terceiro grupo de imprensa no mundo, no qual se destacavam o Daily Telegraph, de Londres, o National Post, do Canadá, o Jerusalem Post e o Chicago Sun-Times. Filho de um empresário de uma companhia de cerveja de Quebec, renunciou à cidadania canadense para ocupar um lugar na Câmara dos Lordes na Grã-Bretanha.

Comparado cada vez mais com o Cidadão Kane, personagem de Orson Welles, Conrad Black proclamou veementemente sua inocência, dizendo-se vítima de fiscais muito cuidadosos e de acionistas dispostos a desmontar peça por peça o grupo que ele criou do zero.

No julgamento iniciado em março, os membros do júri ouviram o ex-braço direito de Black, David Radler, que se declarou culpado e aceitou participar como testemunha no processo em troca de uma pena limitada a dois anos e três meses de prisão. Radler acusou seu ex-chefe de ser o responsável direito por desvios no caixa da Hollinger International em proveito de certos dirigentes da empresa.

Black demonstrou pouca emoção ao ouvir o veredicto. ‘Eu diria que ele está em choque total. Ele realmente acreditava ser inocente’, disse o escritor canadense Peter Newman, que em 1982 escreveu uma biografia de Black.’

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O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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