Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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INTERESSE PúBLICO > CONTRA A IMPUNIDADE

O exemplo que veio do Rio

Por Alberto Dines em 15/08/2008 na edição 498

Querem saber como a imprensa pode ajudar a sanear a classe política? O Rio de Janeiro deu um exemplo na terça-feira (12/8), quando a Assembléia Legislativa cassou o mandato do deputado estadual Álvaro Lins (da ala Garotinho do PMDB).


Ninguém esperava a cassação do ex-chefe da Polícia Civil fluminense, a diferença foi mínima, com mais um voto ele escaparia da punição e, além disso, a votação foi secreta – tudo o favorecia. Apesar de tantas vantagens, Álvaro Lins perdeu a imunidade e dois dias depois, na quinta-feira (14), foi decretada sua prisão preventiva.


Quem impediu mais um caso flagrante de impunidade foi a imprensa do Rio de Janeiro: os três principais jornais – O Globo, O Dia e o Extra –, apesar da concorrência que travam entre si, fizeram carga cerrada contra o acusado. Os deputados perceberam que se Álvaro Lins não fosse cassado a frustração popular sobraria para eles.


Ação afirmativa


Este é um caso em que a imprensa não pode desobrigar-se de seus compromissos com o interesse público. A isenção é sempre desejável, mas quando jornais e jornalistas têm convicções firmes e, sobretudo, têm evidências, não podem lavar as mãos.


A ficha de Álvaro Lins estava suja desde quando ainda era capitão da PM, acusado de trabalhar para um conhecido contraventor. A chamada ‘presunção de inocência’ caiu por terra quando a imprensa destacou e levou adiante as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.


O caso talvez estimule a imprensa a assumir uma posição mais afirmativa contra os candidatos ficha-suja para as próximas eleições. Nem tudo está perdido.

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/08/2008 Leonidas Raimundo de Souza

    Esse é o tipo de Mídia que a sociedade brasileira precisa. Desde que boa parte dela resolveu se partidarizar, só perdeu credibilidade.
    Se qualquer veículo tem uma posição política, deve deixar claro para seus leitores, como faz ou fazia a Mídia Americana.
    Deve voltar a sua posição honrosa de quarto poder e deixar de querer ser o segundo como a Globo quer fazer.
    Um abraço!

  2. Comentou em 15/08/2008 ubirajara sousa

    ‘Quem impediu mais um caso flagrante de impunidade foi a imprensa do Rio de Janeiro: os três principais jornais – O Globo, O Dia e o Extra –, apesar da concorrência que travam entre si, fizeram carga cerrada contra o acusado. Os deputados perceberam que se Álvaro Lins não fosse cassado a frustração popular sobraria para eles.’
    Quanta presunção. Não foi a imprensa não, senhor Dines, foi o poder do povo, face às futuras eleições. É do povo que vem o poder, e foi nesse poder que a imprensa (essa imprensazinha que nós temos) alicercou-se para veicular as ‘suas’ impressões sobre o assunto. Contra o poder do povo nada pode. Tome-se como exemplo a campanha desenvolvida por essa mesma ‘imprensazinha’ contra o Lula. E o resultado? Bem, o resultado todos conhecemos. Viva o Povo!

  3. Comentou em 15/08/2008 Ivan Moraes

    Nem todo Alvaro eh feito igual, obviamente. O outro eh espiao.

  4. Comentou em 15/08/2008 Carlos N Mendes

    Nesse caso, não cabe se iludir achando que as coisas estão melhorando. A eleição já está logo ali na esquina e a campanha já começou. Esse ato aparentemente magnânimo dos deputados cariocas muito provavelmente tem a ver com ‘não se queimar’, mas ‘não se queimar agora que a gente vai se ferrar’.

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